Legado

19 Capítulo 19


O palco era enorme. Uma orquestra iria participar do show de encerramento da turnê. Seis meses haviam se passado e agora ela estava no palco, com uma multidão de fãs que gritou enlouquecida quando a viram. Ela sorriu para os fãs, mas ao longe, um grupo lhe chamou a atenção: Lá estava seu marido, seu filho e as demais pessoas que faziam parte da atual vida dela.

O vestido longo lilás já não disfarçava mais a barriga de seis meses de gravidez e não tinha ninguém da banda ou da equipe que não a mimava devido aquela criança que estava a caminho. Os acordes de um órgão soou calando todos os fãs enlouquecidos da banda e Vergil sorriu da área VIP:

—Essa foi a primeira música que ela cantou para mim, quando nos conhecemos. — Ele falou para o filho que ostentava o mesmo sorriso que ele.

—Ela esta tão linda. Olha só o tamanho daquela barriga. — Nero falou encantado por poder apreciar a mãe depois de tantos dias.

—Minha irmã é linda demais. — Agathe gritou em meio o coro da platéia.

—Ela esta mesmo linda, mas não tanto quando você. — Dante abraçou a esposa por trás.

—Devo providenciar uma gravidez também?

—Se quiser ter filhos, essa é a hora. — Dante falou sentindo a insegurança bater.

—Vamos conversar sobre isso quando estivermos em casa.

Vergil observava a esposa no palco. Ela ficava linda cantando e interagindo com o público e com a banda em si. Ele agradecia o destino por ter colocado Agnes em sua vida. Ele sentia — se mais humano e mais vivo do que havia sentido — se em toda a sua existência, e ela havia lhe dado uma grande alegria: o seu filho, Nero.

Se havia algo que o deixava feliz, era o fato de ele ter a oportunidade de conhecer o filho. O detentor da Yamato observava o rapaz, que vibrava junto da namorada e dos tios, quando o jovem percebeu que era observado:

—Esta tudo bem? Sei que não gosta de toda essa gente… — Nero se aproximou preocupado.

—Estou bem. Só observando o quando você é parecido com a sua mãe. — Vergil respondeu gentil.

—Já sabe o que é o bebê?

—Ela não me falou nada. Na verdade, pouco temos nos falado. Ela precisa dormir muito e com isso nossos horários não tem se encontrado.

—Deve ter sido difícil ficar longe dela por tanto tempo…

—Não necessariamente. Geralmente quando estou em casa eu sinto mais, mas quando estou fora eu procuro ocupar a minha mente com outra coisa.

—Como vai lidar com o bebê? Sabe que se precisar de ajuda, eu e Kirye temos alguma experiência.

—Não se preocupe. Sua mãe já tem me feito o tormento de frequentar cursos de pais de primeira viagem e ler livros sobre bebês. Imagino que não seja tão dificil.

—Cuidar de um bebê, não é como domar um demônio. Por mais que seja um pequeno mestiço a caminho.

—Parece que leu meus pensamentos. — Vergil sorriu sem graça. — Vamos apreciar a sua mãe. Ela esta encantadora hoje.

—Sim, ela esta mesmo.

O grupo apreciou todo o show que durou quase duas horas e meia. O que os surpreendeu foi a energia e a força que Agnes tinha para estar ali naquele estágio já avançado da gravidez. Assim que o show terminou, um segurança foi até o grupo para guiá — los discretamente ao camarim da cantora.

Ao entrar no local, Vergil pode ver a esposa com os pés de molho em uma bacia e sendo abanada por Sypha, que elogiava a performance dela naquele dia. Os olhos ambar se direcionaram para o demônio e o grupo atrás dele:

—Olá meus amores. — Agnes falou com um sorriso gentil, mas que aparentava cansaço.

—Mãe! — Nero passou pelo grupo e foi até a mãe para abraçá — la.

—Como você esta, meu amor? — A cantora perguntou acariciando o rosto do filho.

—Bem, mas antes de qualquer coisa. Você estava magnífica nesta apresentação, estou muito feliz em ser seu filho.

—Obrigada filho, e seu irmão também esta feliz em ter você aqui. — Agnes pegou a mão de Nero e posicionou sobre seu ventre. — O bebê esta mexendo.

Nero sentiu a pequena vibração no local em que tocava e sorriu. Ali estava o seu irmão, ele não estava mais sozinho, ele tinha pais, um irmão a caminho e uma bela esposa:

—Estou sentindo. — O jovem falou com um sorriso bobo. — Vergil, vem cá. — Ele acenou para o pai.

Vergil trocou olhares com Agnes, que o encorajou a se aproximar. Ele havia passado tantas coisas e agora estava ali, com a sua família, vivendo uma vida normal e agora com um bebê a caminho. Na verdade, um pequeno milagre, já que a medicina humana havia dito que a cantora não poderia ter mais filhos, mas talvez o destino queria dar mais uma chance dele se redimir.

O detentor da yamato se aproximou do filho e da esposa, que logo pegou uma mão dele e colocou sobre o ventre. A resposta foi imediata. O bebê chutou com força e um sorriso bobo tomou conta do rosto dele: ali estava mais um pedaço do seu legado, os seus filhos:

—Os três poderiam olhar pra cá para tirarmos uma foto desse momento lindo? — Sypha se pronunciou chamando atenção do grupo. — Dante, Agathe e Kirye, se juntem por favor.