Legado

20 Capítulo 20


A luz do Sol batia no aparador onde a fotografia de dois anos atrás repousava tranquilamente. Do outro lado do cômodo um garotinho de cabelos brancos brincava em um carpete emborrachado repleto de brinquedos que imitavam armas, mas tudo feito de borracha macia ou pelúcia para não machucá — lo. Afinal o pequeno havia herdado uma enorme força.

Vergil deixou o livro de lado quando percebeu que o filho havia se levantado para vir a sua direção. Com passos pequenos e apressados o menino chegou até ele e estendeu os bracinhos num pedido mudo de colo, o que foi prontamente atendido pelo pai. Vitale era um garotinho quieto e pouco pedia colo, era inteligente e independente, o que às vezes aborrecia a mãe, que queria encher o filho de muitos beijos e abraços. Agora que o terceiro filho estava a caminho, ela desejava que a criança fosse tão amorosa quanto Nero.

O telefone tocou e ele foi atender, já que os empregados da casa estavam ocupados preparando o almoço:

—Oi. — Vergil atendeu ainda com o filho nos braços.

—Ei querido, estou ligando para avisar que as gêmeas nasceram e esta tudo bem. Se quiser pode vir para casa da Agathe, eu ficarei por aqui até a nossa mãe chegar para cuidar dela. — Agnes falou do outro lado da linha.

—Certo, eu vou levar o Vi comigo. Já avisou ao Nero e a Kirye?

—Vou ligar para eles em seguida.

—E o Dante?

—Não saiu do quarto em nenhum minuto desde que elas foram transferidas. Parece você quando o Vi nasceu. — Ela sorriu. — Confesso de que foi uma das coisas mais lindas que já vi, e espero poder ver de novo com a Bia.

—Eu já estou orgulhoso desde já, e obrigado por me dar a oportunidade de recuperar a minha humanidade.

—Eu que agradeço por você ter me concedido uma família tão linda. Acho que um dos bebês acordou, o Dante esta aqui com uma cara de desespero.

—Ajude esse idiota, ele esta muito despreparado ainda. Logo estarei com vocês.

—Cadê a frase mágica? — Agnes brincou e ele sorriu.

—Eu te amo.

—Eu também te amo. Até mais.

—Até.

Vergil encerrou a ligação e ainda com o pequeno nos braços, ele foi a procura da babá para que arrumasse o filho para a rápida viagem a cidade vizinha, onde Dante e Agathe moravam. Mesmo que ainda caçassem demônios, ele, Dante e Nero estavam bem e constituindo suas vidas sem os traumas e pesadelos do passado.

Dante havia ido atrás de Agnes, pois sua filha Havah havia começado a chorar e sua esposa ainda estava cansada do parto e dormia. Já sua outra filha Eveh dormia tranquilamente enroladinha em sua manta lilás. Ele sorriu observando que talvez as duas pudesse lembrar ele e ao irmão. Ele era um homem abençoado e faria de tudo para corrigir o seu passado para dar um futuro melhor para sua esposa e para as filhas.

Ele viu a cunhada voltar com o bebê nos braços:

—Agora ela esta limpa e calminha. Só esperar a Agathe acordar para amamentá -la. — A cantora falou carinhosa.

—Obrigado por estar aqui, porque sinceramente, ainda não estou sabendo lidar com isso. Admiro você e o Vergil por terem se saído tão bem.

—Nós dois nos preparamos para isso. Eu e ele lemos muito e fizemos alguns cursos para nos familiarizarmos com isso. Tinhamos medo de não dar conta também, Dante, mas olha só como o Vi esta crescendo muito bem e gostamos tanto da experiência que a Bia esta a caminho.

—Agnes, acho que eu nunca tive a oportunidade de falar isso para você, mas eu te agradeço muito por ter sido uma semente de esperança na vida do meu irmão. Acho que se não fosse o amor que ele sentiu por você, ele teria descartado toda a sua humanidade.

—Não precisa agradecer, eu amo muito ele e os filhos que ele me deu. Eu acredito que tudo tinha de ser, e também te agradeço por amar tanto a minha irmã e protegê — la. Obrigada por nos reunir novamente.

—Nossa, quantas declarações. — A voz de Agathe chamou a atenção da dupla. — Estou quase chorando de emoção. — Ela brincou.

—Só precisava agradecer a sua irmã. — Dante sorriu para esposa que sorriu de volta.

—Acho que esta na hora de eu amamentar as esfomeadinhas novamente, pode trazê — las pra mim?

—Claro. — Dante pegou Eveh no berço e Havah dos braços da tia sem nenhuma dificuldade e as levou para mãe, que as acomodou de cada braço.

O devil Hunter ajudou a esposa a se despir para oferecer um seio a cada filha, tornando a cena encantadora. Não havia como definir o tamanho da felicidade que ele sentia naquele momento. Os anos de solidão, amargura e tristeza haviam desaparecido, a sua vida era completa.

—*-

Vergil saiu do táxi com o filho nos braços, e após pegar a bolsa com os pertences do filho, ele passou a andar pela rua para chegar até a casa de Nero, que havia se disponibilizado para acompanhá — lo até a maternidade para conhecer as primas que haviam acabado de nascer.

O Sparda mais velho alcançou o objetivo em poucos minutos e encontrou Nero colocando a van para fora da garagem:

—Chegou na hora! — Nero falou assim que avistou o pai.

—Costumo ser pontual, já deveria saber disso. — Vergil falou se aproximando.

—Estou esperando a Kirye terminar de se arrumar para irmos. — Nero saiu do carro e se aproximou do pai, já estendendo as mãos para o pequeno menino que já havia vibrado ao vê — lo. — Vem cá campeão. — O mais jovem pegou o irmão nos braços.

—Ele realmente gosta de você. — Vergil observou.

—E eu dele. — Nero apertou o irmãozinho nos braços que sorriu sapeca. — Você cresceu mais nesses dias que ficou longe mim, moleque? — Vi gargalhou em resposta.

—Ele não parou de chamar você e a mãe quando estavamos vindo.

—Falando nisso, você não deveria aprender a dirigir?

—Perca de tempo. — Vergil falou entre os dentes.

—Eu posso te ensinar. Aliás, você vai precisar para não passar o mesmo aperto de quando minha mãe foi ter o Vi. — Nero implicou sabendo o quanto o pai havia ficado desesperado na ocasião, pelo fato de não saber dirigir para levar a esposa para maternidade e ela ter de dirigir em meio as contrações.

—Tenho apenas três meses para que você me ensine.

—Prometo não contar a ninguém. — Nero sorriu de lado achando graça do desespero do pai. — Entre, a Kirye já esta vindo.

A moça saiu da casa e se aproximou do trio com um doce sorriso:

—Olá sogro. — Kirye cumprimentou Vergil, que apenas acenou com a cabeça. Em seguida ela pegou Vi dos braços de Nero. — Olá meu pequeno, senti sua falta. — A cantora ganhou um abraço do pequeno.

—Vamos? — Nero entrou no veículo junto do grupo e partiu para a maternidade.

—*-

—Nossa, parece que esta faltando algo em mim. — Agathe falou passando uma mão sobre o ventre.

—Normal, me senti da mesma maneira quando tive meus filhos. — Agnes falou se acomodando na poltrona ao lado da irmã.

—Nossa mãe esta a caminho, não gostaria de vê — la?

—Se ela quiser, ela sabe onde me encontrar. Será que Dante vai demorar com o meu café?

—Nossa, nem me fale...não posso tomar isso tão cedo.

—Sei como é isso, faltam três meses para eu entrar nessa dieta novamente.

—Agnes, você é feliz com o Vergil?

—Por que essa pergunta, irmã?

—Vocês não parecem tão apaixonados, na verdade, as vezes nem aparentam ser um casal. Você é tão livre e sempre dá muito espaço a ele. Não tem medo de que ele possa abandoná — la novamente?

—Nós somos felizes a nossa maneira.

—Dante me contou algumas coisas dele que me fizeram ficar preocupada.

—O passado do Vergil não me assusta, eu o amo por ele ser que é e não mudaria nada nele. Agora se ele quiser mudar, eu vou amá — lo do mesmo jeito.

—Você sempre teve gostos estranhos. — Agathe sorriu.

A porta se abriu e Dante entrou carregando dois copos com café e creme:

—Achei um pessoal abandonado ali fora, posso ficar com eles? — O devil hunter deu espaço e logo Vergil, Nero e Kirye entraram, enchendo o quarto.

—Pode até ficar com eles, mas você vai ter que cuidar, isso além das gêmeas. — Agathe brincou.

—Esquece, eu tenho as gêmeas para cuidar. — Ele se virou para o trio. — Lhes apresento as minhas filhas Eveh e Havah.

— Meu café primeiro. — Agnes pegou o copo da mão do cunhado e voltou para poltrona.

—O café da grávida primeiro. — Nero brincou indo até a mãe para abraçá — la.

—Grávidas primeiro, bebês depois. — Kirye falou e se aproximou de Agathe e lhe entregou os presentes que havia comprado para as bebês.

Vergil deixou o filho no chão e se aproximou do berço onde as sobrinhas dormiam tranquilamente. Ele afastou a manta dos pequenos rostos, observou as mãozinhas e cada detalhe delas, assim como havia feito com o filho assim que o pegou nos braços. Ele estava tão entretido que não havia percebido que o grupo havia parado de conversar para observá — lo. Assim que percebeu o silêncio, o detentor da yamato direcionou os olhos azuis gelo para o grupo, se deparando com a atenção de todos:

—Algum problema? — Vergil perguntou ajeitando a manta de cada uma das sobrinhas.

—Amor, você fica tão lindo próximo delas, me dá até vontade de ter mais um depois da Bia. — Agnes se levantou e foi até o marido que a recebeu com um beijo na fonte.

—Não vejo problema em termos mais um filho, mas acho que prefiro cuidar do Vi e da Bia primeiro antes de pensar nisso.

—Você tem razão. — Agnes sorriu para o marido, mas logo o resmungo do filho lhe chamou atenção. — Oi meu amor, desculpe não ter falado com você primeiro. — Ela pegou o pequeno no colo e o encheu de beijos, fazendo o menino sorrir.

—Vi, fala para mamãe como você chama a Kirye. — Nero incentivou o irmão mais novo.

—Quem é aquela? — Agnes apontou para Kirye que sorriu de volta.

—Ki. — O menino respondeu e escondeu o rostinho no pescoço da mãe envergonhado.

—E cadê a tia Gathe? — Vi apontou para a tia que estava sentada na maca. — E o tio Dan? — Vi apontou para Dante.

—Me dá esse garoto para eu matar de tanto abraçar, que coisa mais linda da tia. — Agathe estendeu os braços para pegar o sobrinho e é atendida pela irmã.

—Ele esta muito esperto. — Dante comentou achando graça da inteligência do pequeno sobrinho. — Mas uma curiosidade que nunca tive a oportunidade de perguntar, por que Vitale?

—Bem, alguém queria que o nome fosse com a letra V e optamos por ser Vincent, mas não estava soando muito bem. Foi em uma conversa com o Nero que eu tive uma luz. Em nossa conversa ele falou o quanto o Vi foi vital para minha sobrevivência, então por isso ficou Vitale. — Agnes respondeu.

—Até imagino porque o nome tinha de ser com a letra V. — Implicou Dante que recebeu um olhar atravessado do irmão mais velho. — Mas vou dizer a vocês...Beatriz? Não tinha outro nome para essa menina não?

—Se você ou o Vergil fossem uma garota, provavelmente teriam esse nome, então apenas aceite.

—Eu não entendi. — Nero se manifestou.

—Existe um livro de nome “A Divina Comédia”, ao que parece o seu avô se inspirou nesse livro para nomear seu pai e seu tio. — Agathe respondeu ao sobrinho.

—E onde entra o nome da minha irmã?

—Beatriz é o nome da mulher que Dante amou, também conhecida como a salvadora dele.

—Então esse não deveria ser o nome de uma das gêmeas?

—O nome delas é em homenagem a Eva, sua avó paterna.

—Ah...Isso é legal. No fundo você são muito família e pensam em cada detalhe para manter cada memória viva.

—Você tem toda razão.

A porta do quarto se abriu de repente e uma senhora morena, de estatura baixa, muito bem vestida com um vestido creme surgiu, fazendo todo o grupo parar para encará — la. Era claro o quanto Agathe e Agnes se pareciam com ela. A mulher observou todos com um olhar analítico, parando sobre as irmãs que devolviam o olhar com um misto de pânico e pavor.

Assim que saiu do transe, Agnes saiu da poltrona, pegou Vi dos braços da irmã e falou:

—Vergil, Nero, Kirye, vamos embora. — Era visível a tristeza no olhar da cantora.

—Mãe, por que isso do nada? — Nero olhou da mãe para recém chegada.

—Só vamos, Nero, respeite o pedido da sua mãe. — Vergil pediu tomando o filho mais novo dos braços da esposa.

A senhora entrou no quarto e foi diretamente ao berço onde as pequenas criaturas dormiam calmamente. Ela analisou as crianças e em seguida falou:

—Eu sou abençoada, tenho netos bonitos e saudáveis.

—Sim. — Dante concordou. — Eve, Havah, Nero e Vitale. São saudáveis e inteligentes.

—Imagino que sejam, nossa família tem uma boa saúde. Uma pena que o sangue de demônio tomou toda a beleza da nossa raça.

Agnes sentiu os olhos arderem e logo lágrimas se formavam neles. Percebendo o estado da esposa, Vergil passou um braço sobre os ombros dela e a guiou para fora do quarto junto de Kirye. Nero estava a porta quando percebeu que aquela senhora era a sua avó materna. Ele se virou para olhá — la:

—Talvez eu seja o culpado de hoje você não aceitar a minha mãe, mas agora que eu a reencontrei eu sei que ela é excelente, tanto para mim quanto para os meus irmãos. Espero que a aceite um dia. — Nero falou saindo, mas se deteve assim que a resposta veio.

—Você não é culpado meu jovem e eu sei que ela acertou a vida dela, eu também não criei uma filha para ser uma má mãe, mas sim para ser uma excelente. Pelas regras obsoletas do meu clã, eu não posso me aproximar dela, mas isso nunca quis dizer que eu nunca quis saber da minha amada filha, que tanto ajudou a mim e a família com seu trabalho e esforço. Sei que ela te encontrou, sei que quase morreu e que tem um menino de dois anos e esta esperando uma menina, sei também que ela esta casada com um homem gentil e que a ama incondicionalmente. — A senhora tinha uma voz chorosa. — Eu gostaria muito de poder abraçar a minha filha novamente e poder dizer que a amo, mas eu não posso. — Ela se virou para Nero e mostrou uma marca que estava dentro do antebraço. — Se eu tocar nela, nós morremos, essa é a nossa punição.

Agnes estava próxima a porta e havia ouvido as palavras da mãe. Então aquele era o verdadeiro motivo do afastamento e ela entendia muito bem o que era não poder tocar o seu filho:

—Nero, cumprimente a sua avó corretamente. Apresente seu irmão também. — A cantora se virou e ofereceu o menino ao irmão.

Nero caminhou até a mãe e pegou Vi no colo, em seguida ele se dirigiu a avó que estava emocionada com a atitude do rapaz, que também estava um pouco emocionado com aquele acontecimento. A senhora se aproximou dos netos e os abraçou enquanto pesadas lágrimas desciam pelo rosto marcado pela idade.

Vergil virou a esposa levemente para ela poder ver seus filhos sendo abraçados pela avó:

—Eles tem a sorte de poder abraçar a avó materna, grave bem esse momento. — O Sparda mais velho falou para esposa, que se agarrou a ele.

—Nosso filho mais velho nasceu para unir as pessoas. — A cantora falou emocionada.

—Unir?

—Sim. Ele uniu você ao seu irmão e a mim, e agora esta me unindo a minha mãe, mesmo que indiretamente.

—Você tem belos filhos Agnes. — A senhora falou olhando a direção da filha. — O que essa criança que esta a caminho?

—Uma menina: Beatriz.

—Um lindo nome. Prometo não dizer por lá que você teve essa mocinha. — A mulher tinha um doce sorriso. — Me envie fotos quando ela nascer.

—Sim! — Um enorme sorriso tomou conta do rosto da cantora. — Vamos para casa meninos, eu tenho que descansar.

—Vamos. — Nero se despediu da avó e saiu junto de Kirye e dos pais do hospital.

O jardim da casa estava todo decorado com bexigas, rosa, lilás e brancas. Havia imagens de um personagem infantil espalhado por todo o local e duas pequenas criaturas de cabelos brancos corriam entre as cadeiras sendo perseguidas por um menino beirando a mesma idade. Nero e Kirye ficaram incubidos de vigiar as crianças enquanto as mães terminava de arrumar a mesa de guloseimas.

Dante roubava alguns docinhos da mesa enquanto era repreendido por Paty, a menina que ele salvou anos antes e que acabou o adotando como pai. Vergil terminava de pendurar as bexigas nas colunas distribuídas pelo jardim que Agnes havia pedido antes de sumir junto da irmã, fora que ele também observava a pequena Beatriz se agitar no carrinho de bebê a cada vez que o irmão e as primas passavam próximo a ela.

O darkslayer se pegou lembrando do passado e de como a sua vida havia mudado então pouco tempo. Era uma vida chata e pacata, porém ele estava amando aquilo. Amar era uma palavra que não existia antes em sua vida, mas agora tudo era amor ao seu redor. Ele viu a esposa surgir com mais bandejas de comida. Mesmo que fosse um aniversário para duas crianças, a maioria dos convidados eram adultos.

E lá estavam os companheiros de banda de Agnes, os amigos de Dante e alguns conhecidos de Agathe. Ele ouviu passos e ao olhar, encontrou Nero com a irmã nos braços:

—Então, sabe onde posso encontrar fraldas para essa mocinha, acho que temos um desastre aqui. — O jovem falou segurando a pequena pelo meio.

—Já olhou no carrinho? Acho que a sua mãe deixou lá.

—Então, ela tirou de lá por causa do Vi que estava mexendo.

O darkslayer terminou de ajeitar os balões e se virou para o filho mais velho:

—Deixe que eu cuido disso, passe o olho no Vi e nas meninas, aqueles três juntos são um problema. — Ele falou pegando a filha que agitou as perninhas e soltou um gritinho animado ao ser pega pelo pai. — Ah Bia, assim realmente você acaba comigo, tinha mesmo que fazer essas coisas longe da sua mãe e da sua babá?

—O trabalho sujo é seu hoje. — Nero saiu apressado dali achando graça da situação em que havia deixado o pai.

O jovem se aproximou de onde havia deixado as crianças, onde Kirye havia os entretido com um teatro de fantoches. Ela realmente levava jeito para aquilo. Ele viu o pai ao longe procurar a ajuda da mãe dele, que gargalhou ao receber a notícia de que a filha mais nova estava em apuros. Nero sorriu, ele tinha uma bela família.

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