Legado

18 Capítulo 18


Vergil acordou ao lado de Agnes. Assim que ela foi medicada e fizeram os exames superficiais para saber se ela estava mesmo bem, a cantora apagou em um sono profundo, e ele acabou a acompanhando. Ele a tirou suavemente de seus braços e se levantou, onde rumou ao banheiro e realizou sua higiene matinal. Assim que se vestiu ele se dirigiu a cozinha para solicitar que a mesa de café da manhã fosse posta para Agnes e seus amigos, que provavelmente acordariam em breve.

Assim que entrou no local, ele encontrou Adrian acomodado a mesa da cozinha, que estava já posta com ingredientes frescos para o desjejum:

—Bom dia. — Vergil cumprimentou chamando a atenção do loiro.

—Bom dia. Desculpe a intromissão, mas tomei a liberdade de solicitar que o café da manhã fosse servido aqui na cozinha. — Adrian respondeu calmamente.

—Eu agradeço pela iniciativa, se dependesse de mim iria demorar um pouco mais. — O Sparda se juntou ao vampiro. — Não tive oportunidade de lhe agradecer por cuidar da minha esposa.

—Não precisa agradecer, eu faço isso porque amo ela. — Adrian sorveu um pouco do café que tomava. — O garoto, é aquele rapaz que nos ajudou ontem?

—Sim, ele é o nosso filho.

—É um bom garoto, ele realmente abraçou a Agnes como mãe. Me sinto feliz por isso. Qual o nome dele?

—Nero.

—O nome dele seria Alec, mas Nero se encaixa mais no perfil dele. — O loiro sorriu de lado.

—Isso quer dizer que você estava lá quando ele nasceu? — Vergil serviu — se com uma xícara com café e duas torradas.

—Eu fui escolhido para assumir a mãe e filho, mas acabou que a tragédia se abateu sobre eles e o destino os separou. Sorte sua, eu acho. Agora me diga: por que a abandonou?

—Jovem, imaturo, ainda queria vingança pela morte dos meus pais...considerei os meus sentimentos por ela uma fraqueza e cometi erros terríveis. — Vergil sorriu tristemente. — Não sei nem como meu irmão e meu filho me perdoaram.

—Já que você esta entrando para família, então terá de aprender uma regra fundamental. — Adrian pousou a xícara sobre a mesa. — Não há um poder mais forte do que a força do amor. O que fez a Agnes voltar ontem, foi o amor que ela sente por você e pelo filho. Se ela suportou todo o fardo que ela viveu foi por amor.

—Amor…

—Eu estou te suportando por amor a Agnes.

—Sinceramente, não sei se o vejo como aliado ou como um potencial rival, que tenho vontade de matar nesse instante.

—Adoro brigas no café da manhã. — Trevor entrou na cozinha e logo se juntou aos dois a mesa. — Parece que já estão se dando bem. — O moreno pegou uma maçã e passou a comer.

—Vou ter que aguentar esse cara por resto da vida da Agnes, então nada mais justo que tentar suportá — lo.

—Gosta de lutar, Vergil? — Trevor ignorou o loiro.

—Sim.

—Que tipo de armas você utiliza?

—Qualquer uma, mas detesto armas de fogo. Ao meu ver, elas não apresentam honra ao guerreiro.

—Pode se casar com esse cara então. — Trevor apontou para Adrian. — Cara chato da porra, só usa aquela espada sem graça.

—Como se a sua arma fosse grande coisa. — Adrian falou com desdém.

—Meu chicote é bem efetivo e você já experimentou isso, arrombado.

—Vai tomar no cú, Trevor!

—Que graça você trocando juras de amor logo cedo. — Agnes surgiu usando um robe longo de seda branca e os cabelos soltos que emolduravam o belo rosto. Assim que a viram, Vergil e Adrian perderam o fôlego. — Bom dia!

—Bom dia Agnes. Arrume um babador para esses dois por favor. — Trevor brincou. — Aliás, você esta linda hoje.

—Obrigada Trevor. E eu não entendi também o que aconteceu, mas todos os ferimentos de ontem desapareceram e a minha pele e meu cabelo estão melhores do que quando eu volto de um spa.

—Me passa o nome desse produto, porque eu estou um lixo. — Sypha se juntou ao grupo. — Tenho tantos arranhões que pensei três vezes antes de tomar banho.

—Sei lá o que aconteceu. Ah...que casa silênciosa. — Agnes caminhou até um dos balcões da cozinha e ligou um pequeno rádio, por onde uma música animada soou. — Agora sim!

—Espera, essa não é a nossa música? — Sypha falou animada se juntando a Agnes.

—Hora da dancinha. — Agnes cantarolou e passou a executar uma coreografia curiosa junto de Sypha.

—Já tinha visto isso Vergil? — Trevor perguntou para o darkslayer.

—É a primeira vez. — Vergil sorriu encantado em ver a esposa tão a vontade.

—Ritual da dança matinal das duas. — Adrian sorriu. — Há dias que nos juntamos e apenas dançamos em nossas turnês e shows, mas hoje a honra da casa é sua. Meninas, o Vergil precisa ser batizado

—Querido… — Agnes se aproximou do marido com um doce sorriso. — Dança comigo?

—Agnes, por favor… vamos apenas tomar um desjejum tranquilamente, certo? — Vergil olhava para esposa tentando conter o constrangimento.

—Amor, estamos em família e temos que comemorar mais um dia, ou já esqueceu o que aconteceu ontem?

As cenas da madrugada preencheram a mente de Vergil. O corpo inerte da esposa, o choro descontrolado do filho, o ritual e a descoberta do bebê que estava a caminho. Ele se levantou e abraçou a cantora e após beijá — la apaixonadamente, ele passou a dançar com ela nos braços. Ele sorriu, sendo invadido por uma felicidade e calmaria que ele nunca havia sentido na vida.

De relance, ele viu Trevor e Adrian se unirem a Sypha, que executava uma coreografia engraçada, mas muito animada. O grupo ria e se divertia, e Vergil teve a sensação de estar em casa, com aquelas pessoas estranhas, mas tão familiares. Depois da dança e do agradecimento ao universo regido por Agnes, eles tomaram o café da manhã e se prepararam para viajar para o show de abertura da turnê.