Legacy | Bucky Barnes ︎
25 XXV
Notas iniciais
Final do campeonato Nacional Universitário de Ginástica Artística,
Centro poliesportivo da Universidade de Nova Iorque,
Ilha de Manhattan, NYC 2018
— ÍRIS — SERENA GRITOU OUTRA VEZ — Íris, saia dessa arquibancada agora.
Serena olhou para baixo. Seus braços estavam cheios de cortes.
Sangue, seu sangue, se misturava a poeira e a lama enquanto escorria até o chão, formando pequenas poças bordô. Ela não se importou com aquilo, no entanto. Ao invés, continuou gritando por ela.
— Serena? — chiou a amiga entre tossidas. A poeira do centro poliesportivo cobrindo tudo — Serena, onde você está? O que foi isso?
Serena, apesar de não enxergar nem um palmo a sua frente, seguiu a voz dela.
Ao redor, a maior parte das pessoas já tinha conseguido deixar o estádio pelas saídas de emergência. Todos, exceto pela amiga, ao que parecia.
Pedaços de concretos e vigas caiam por todos os cantos. Não levaria muito tempo até que coisa toda viesse abaixo. Tossiu. Tinham que sair também.
— Você está bem? — Serena perguntou quando finalmente avistou a silhueta de Íris, na primeira fileira da arquibancada — está machucada?
Íris fez que não com a cabeça. Serena suspirou, aliviada.
Mas o alívio não durou muito.
— Isabel — murmurou, olhando ao redor — onde ela está? Onde está minha avó?
— Não sei — a amiga respondeu puxando ar para os pulmões —Isabel saiu pouco antes da primeira explosão. Foi ao banheiro, eu acho. Deve estar lá fora a essa altura.
Serena apertou os olhos. Não vira o momento em que a avó havia deixado a arquibancada, mas, sendo completamente justa, estava igualmente entretida naquela hora. E Isabel... bem, ela sabia se cuidar. Íris era a prioridade no momento.
Mas... Isabel, pensou ela mesmo assim, aflita. Onde você está?
Tudo estava quieto demais. Havia algo de errado ali.
— Serena— disse Íris, trazendo-a de volta a realidade — temos que ir agora mesmo.
Ela concordou. Só que antes que pudesse avançar até a amiga, um estampido chamou sua atenção. A cena seguinte passou em câmera lenta sobre seus olhos. Um pedaço enorme de concreto tinha cedido e uma viga de metal afiada que estava presa a ele, despontou; parecia a um passo de desabar e aquilo... Santo Deus, aquilo cairia bem na cabeça de Íris, que sequer percebia o risco que corria.
Serena sentiu o coração falhar uma batida; os dedos começaram a formigar. O próprio tempo parecia estar desacelerando. Íris. Ela não conseguiria sair dali a tempo, ser humano algum conseguiria. Arfou. O que faria? Se não fizesse nada, Íris... ela seria empalada.
Serena não poderia ficar parada assistindo.
Íris Miller era sua melhor — e única — amiga. Elas se cuidavam desde o primeiro encontro no alojamento comunitário da Universidade de Nova Iorque. Se apoiavam mutuamente, seja nos campeonatos de ginástica de Serena ou torneios de robótica de Íris; estavam juntas sempre. Rindo e chorando. Como em sã consciência poderia abandoná-la para morrer?
Não tinha escolha, precisava agir e teria que ser naquele momento.
Serena então olhou ao redor. Não havia mais ninguém até onde os olhos alcançavam — o que não era muito, visto que boa parte do ginásio estava coberto de poeira e destroços — ninguém além dela.
Nenhum super-herói ou vigilante mascarado para resgatá-las no último segundo. Torceu os lábios. Tinha que ser ela; tinha que ser naquele instante. Isabel certamente ficaria puta pela falta de bom-senso, mas... se entenderia com a avó mais tarde.
Serena respirou fundo e se postou na direção de Íris.
Fale com o autor