Legacy

4 Capítulo 4 - "Have a little fun instead"


– Vai comigo? No tour pelas casas? – perguntei confusa. – Acho que só pessoas realmente interessadas em se candidatar podem ir.

– E eu sou uma delas. – Charlie falou, para minha surpresa.

– Charlie, você não está... – tentei entender.

– Não se preocupa Amy, não estou fazendo isso por você. – ela disse. – Pensei sobre as coisas que meu irmão falou, talvez seja uma boa maneira de fazer novas amizades e aproveitar meu tempo aqui na universidade. – justificou. – Vivi minha vida toda em uma cidade pequena, está na hora de tentar algo novo e diferente.

– Nesse caso, quem sou eu para te impedir? — questionei. Aquela provavelmente era a melhor notícia que poderia receber antes de dormir, me senti mais segura sabendo que não estaria sozinha no dia seguinte.

– E mesmo que eu não estivesse interessada, seria fácil dar um jeito de me infiltrar nesse tal tour para te dar uma força. – ela comentou soltando uma leve risada.

– Bom saber que você também gosta de infiltrar o sistema de vez em quando. – comentei, também rindo. – Acho melhor dormirmos, amanhã vai ser um longo dia para nós duas.

– Concordo plenamente. – Charlie disse, apagando as luzes do quarto logo em seguida. – Espero que não estejamos caindo em um buraco negro sem fim. – foi a última coisa que ela disse antes de pegarmos no sono.

Na manhã seguinte, acordamos com o som do meu despertador. Era 11 horas, combinamos de levantar antes do meio dia, assim a preguiça não seria tão grande e teríamos disposição para aguentar o resto do dia.

– Será que devemos pular o café da manhã? – perguntei, ao mesmo tempo que esfregava os olhos.

– Acho que um copo de café iria bem, para acordar de verdade. – Charlie disse. – Se não estou ficando louca, tem uma máquina de café em algum canto do corredor, poderíamos ir lá. – sugeriu.

– Parece uma boa ideia. – aceitei a sugestão e logo fui me levantando da cama.

A primeira coisa que fizemos foi trocar de roupa, para podermos ir atrás da máquina de café, o que também não levou muito tempo e serviu como descoberta para as próximas situações em que houvesse urgência de café.

Provavelmente não iriamos almoçar tão cedo, só quando a fome surgisse. Estava sendo ótimo ter com quem dividir a rotina daquele dia, e algo me dizia que poderia contar com Charlie nos dias que se seguiriam pelo resto do ano, poderia dizer que era a pessoa mais sortuda do mundo naquele momento, isso é, se não estivesse sendo praticamente obrigada a me candidatar em uma irmandade.

– O Josh acabou de me mandar uma mensagem, disse que está vindo aqui. – Charlie avisou. Ele havia prometido compartilhar o máximo de informações possíveis sobre as irmandades do campus, para que eu não ficasse completamente perdida durante o tour pelas casas. – Acho que esse é o momento em que devo contar sobre minha decisão.

– Também acho. – concordei. – Aposto que ele vai ficar animado.

– Ou vai tentar me impedir.

– Sei que não conheço ele direito, mas o Josh não tem cara de quem faria isso. – comentei. Charlie não teve tempo para sequer responder, imediatamente ouvimos uma batida na porta. Me prontifiquei para abrir a mesma, já que estava mais próxima.

– Pronta para descobrir sobre os truques e farsas sobre a vida no sistema grego? – ele perguntou em tom de brincadeira, me cumprimentando com um beijo no rosto e entrando no quarto, logo em seguida atacando Charlie com um abraço apertado.

– Isso tudo é carência? – ela perguntou rindo, retribuindo o abraço do irmão. Ri também.

– Nossa, hoje em dia nem se pode mais abraçar as pessoas. – Josh disse, soltando o abraço e sentando na cama de Charlie.

– É, ele realmente está carente. – Charlie disse, olhando para mim e se sentando ao lado a dele. Uma risada novamente ecoou de meus lábios. – Mas ainda bem que está assim, talvez seja mais fácil contar a novidade.

– Novidade? – ele perguntou curioso.

– Tomei uma decisão ontem à noite. – Charlie começou a contar. – Também vou me candidatar hoje.

– Você o que?! – Josh perguntou surpreso, se levantando da cama em um impulso.

– Eu vou me candidatar, hoje irei para o tour junto com a Amy. – Charlie reforçou.

– Não sei o que dizer, eu não esperava por isso. – Josh parou em frente a ela. – Tem certeza que quer fazer isso? A vida em uma fraternidade, ou irmandade, pode ser a melhor coisa do mundo às vezes, mas também a pior.

– Sendo a melhor, ou pior vida do mundo, eu estou feliz pela sua decisão Charlie. – me intrometi na conversa, porque eu realmente estava feliz em não ter que enfrentar aquilo tudo sozinha.

– Faça o que achar melhor. – Josh disse por fim.

– É sério? Não vai nem implicar com isso? – Charlie questionou.

– Não teria motivos para isso. – Josh respondeu. – Talvez seja bom para você mesmo, e se não for, é só desistir.

– O que não é o meu caso. – comentei, soltando uma risada sem humor algum.

– Mas arranjaremos um jeito de te proteger, talvez envolvendo escudos e espadas. – brincou Josh.

Passamos o resto do tempo conversando no quarto, Josh nos passou o máximo de informações possíveis sobre as irmandades do campus, as principais eram a Zeta Eta Beta e Ioda Lambda Um, que de acordo com Josh eram inimigas declaradas e não mediam limites na hora de competir. Além dessas, ele também mencionou a Sigma Psi, que era a irmandade mais chegada à sua fraternidade, Omega Gamma. Era tudo um pouco complexo no início, mas Josh explicou que em uma universidade com milhares de pessoas, o sistema grego seria o lugar mais parecido com uma escola, onde iriamos encontrar fofocas, problemas desnecessários, mas acima de tudo, muita confusão e diversão.

Uma hora antes do tour pelas casas, passamos no Rise e fizemos um lanche rápido, para não corrermos risco de atraso. Josh nos acompanhou até a entrada de Motown, onde já pudemos avistar o grupo de meninas esperando pelo início do tour.

– Vou deixar vocês por aqui. – ele disse. – Boa sorte, vai ser divertido. – eu realmente esperava que ele estivesse certo. Nos despedimos de Josh e seguimos em direção ao grupo de garotas. Era estranho pensar em como tudo aquilo estava acontecendo tão repentinamente, nem havia conversado com meu pai, talvez ele pudesse resolver a situação, mas também não queria incomodá-lo. Mil e um pensamentos tomavam conta de minha cabeça enquanto continuávamos caminhando, agora já não era mais hora de voltar atrás.

– Sempre que me imaginei na universidade, isso não incluía uma irmandade. – comentei com Charlie.

– Eu também não, mas o imprevisível pode ser muito mais divertido às vezes. – ela disse, esboçando um sorriso nos lábios.

Não demorou muito para que todas estivessem ali, ninguém ousou se atrasar para aquilo e isso provavelmente era um sinal de que tínhamos perfil para estar em uma irmandade, ou pelo menos era o que todas nós estávamos tentando aparentar. Assim como eu e Charlie, a maioria das garotas estava vestida de forma caprichada, nada muito extravagante, mas era perceptível que cada uma havia colocado certo esforço em seu visual para aquele momento.

– Boa tarde, meninas! – uma voz familiar surgiu no meio do aglomerado, e logo reconheci o rosto com quem havia conversado no dia anterior, era a mulher do comitê de boas vindas. – Meu nome é Dianne, e estarei guiando vocês durante o tour pelas casas. – ela se apresentou. – Todas as casas de irmandade da Cadillac se encontram no bairro Motown, onde estamos presentes no momento, e é claro, ficam a uma distância considerável umas das outras, para que cada grupo tenha sua privacidade e espaço. – Dianne explicou. – Durante o caminho, que será percorrido de forma sequente, também cruzaremos com algumas casas de fraternidades, mas tentem não se distrair muito, terão bastante tempo para pensar em garotos depois que as visitas terminarem. – risadinhas ecoaram de todos os cantos. – Sejam vocês mesmas, nenhuma mentira dura por muito tempo dentro do sistema grego, se uma irmandade não te aceita por quem você é, então essa irmandade não merece que você a integre. – Dianne continuou. – Aproveitem ao máximo esse tour, pois é a oportunidade que vocês têm para ter contato com a irmandade que desejarem ingressar. – disse. – Qualquer dúvida, não hesitem em perguntar! – ela alertou. – As irmandades estão muito animadas em receber suas futuras candidatas em suas casas, e preparam muitas surpresas para vocês, então acima de tudo, se divirtam!