Legacy

24 Capítulo 24 - "Plus one follow request"


Por algum motivo, eu me sentia extremamente receosa para concordar com aquela proposta. Era difícil decidir o que eu achava de Scooter, mas mesmo com toda a ajuda no dia do jogo de basquete, não sabia se ele realmente podia ser tido como alguém confiável. Entretanto, assim como a maioria das decisões que eu tomara nos últimos dias, aquela não me trazia muitas opções favoráveis.

— Tudo bem, eu aceito.— concordei. – Mas você precisa me seguir imediatamente, é quase uma questão de vida ou morte no momento.

— Seu pedido é uma ordem.— Scooter disse do outro lado da linha. – Só não esqueça: sábado, dia 27 de setembro, às 20 horas aqui na casa da Omega Gamma.

— Irei marcar nos meus lembretes.— garanti.

— E sem acompanhantes.— ele lembrou.

— Já entendi.— falei. Nesse mesmo instante, avistei Seth saindo do Rise e fazendo um sinal para que eu o alcançasse, ele se dirigia a uma parte um pouco íngreme de grama, onde provavelmente pretendia se sentar. – Preciso desligar agora.

— Foi um prazer fazer negócios com você, Amy Jenkins.— ele nunca perdia a ironia na voz.

— Não me arrisco a dizer o mesmo agora, mas obrigada por me atender.— agradeci, mesmo que ele não tivesse me ajudado por favor.

— Nos vemos em breve.— Scooter disse e, em seguida, eu desliguei.

Enquanto caminhava em direção ao local onde Seth já me aguardava sentado na grama, preferi não pensar muito no acordo feito com Scooter, só esperava que ele cumprisse com a parte dele primeiro. Rapidamente alcancei Seth, o pequeno morro de grama onde ele me aguardava parecia o lugar perfeito para assistir o nascer do Sol, que àquela altura já raiava bastante.

— Aqui está bom para você? – ele perguntou quando cheguei.

— Está perfeito. – eu disse, ao mesmo tempo que me acomodava ao lado dele no chão.

— Não é um nascer do Sol completo, mas demos sorte, vamos conseguir observar boa parte pelo menos. – Seth comentou.

— Realmente, fazia tempo que não via o Sol nascer um pouco mais tarde, acho que o outono está se acomodando. – também observei.

— Acho que o outono nos escolheu. – ele disse, com um clássico sorriso estampado nos lábios, que involuntariamente retribui. – Não sei se você se importa com esse tipo de coisa, mas seria muito mais econômico comprar um donut grande do que dois pequenos, então pensei em dividirmos.

— Eu definitivamente me importo com esse tipo de coisa. – concordei. Não sabia se ele estava fazendo aquilo propositalmente, porém Seth já havia se provado sensato em mais de um sentido, o que me fazia acreditar mais uma vez em suas palavras.

Dividimos o donut e assistimos o Sol tomar conta do céu em meio a pequenos diálogos. O tempo passou rápido, mais rápido do que eu gostaria que estivesse passando. Aquele domingo indicava o fim da minha primeira semana na Cadillac e parecia que eu estava ali há mais de um mês. Parando um pouco para pensar sobre os acontecimentos, aquele era o único momento em que eu me sentira tranquila durante a semana. Já havia vivenciado minha quase morte no meio do campus, uma colega de quarto brevemente desaparecida, situações totalmente imprevisíveis e o pior de tudo, quase perdido minha bolsa de estudos inúmeras vezes. Apenas uma semana.

Sem querer, depois de terminarmos nosso café da manhã improvisado, acabei deitando na grama, que parecia ter uma inclinação perfeita, quase como se implorasse para que eu fizesse aquilo. Seth fez o mesmo, e, desse jeito, estávamos igual a noite passada, deitados na grama encarando o céu. Não sabia se devia tê-lo beijado algumas horas atrás. Não havia sido capaz de detectar algum defeito alarmante nele ainda, mas mesmo assim, nem sequer pensara sobre qualquer possível consequência antes de beijá-lo. Acho que nenhum de nós dois havia parado para pensar, talvez não fosse necessário. Ter passado a noite com ele fora reconfortante, e estar ali com ele continuava sendo. Além do fato de que, toda a espontaneidade e cavalheirismo de Seth faziam com que nada daquilo fosse estranho ou desconfortável.

— Você ainda tem um pouco mais de duas horas até o horário marcado. – Seth avisou. – Talvez fosse bom dormir se estiver cansada, cochilar em um campo de futebol não é a coisa mais confortável do mundo. – eu ri do comentário.

— Na verdade, acho que estamos começando a gostar de deitar na grama. – eu disse, analisando a situação. Seth também riu. – E seus braços não serviram tão mal quanto travesseiro. – me arrisquei a dizer, dirigindo o olhar a ele, que cessou a risada com um sorriso. Já estávamos bem próximos, tudo o que Seth fez foi passar seu braço ao meu redor. Eu me aconcheguei e novamente pude sentir a sensação confortável de estar apoiada a ele.

— Fico feliz em ser útil. – ele falou, ainda em tom brincalhão. – E prometo te acordar dessa vez. – sorri com o comentário e automaticamente fechei os olhos. Mesmo que não quisesse, eu me sentia muito cansada.

Novamente, o tempo passou mais rápido do que eu desejaria. Fui gentilmente acordada uma hora depois por Seth, que carinhosamente acariciava minha mão com o polegar do braço que me envolvia.

— Ei. – ele chamou, ao mesmo tempo em que eu abria os olhos. – Podemos ficar aqui o tempo que você quiser, mas te acordei caso você queira passar no seu dormitório. – talvez aquilo soasse como um apontamento aleatório, entretanto fazia total sentido.

— Essa é uma ótima ideia. – eu disse, já pensando em colocar uma roupa mais confortável e quem sabe tomar um banho antes de ir para a Zeta Eta Beta.

Após concordar, levantei com o apoio de Seth e juntos fomos em direção ao Beard Hall. A caminhada levou cerca de 10 minutos, já que o Rise ficava no meio do campus. O prédio aparentava estar silencioso, o que fazia total sentido em uma manhã de domingo.

— Você quer que eu espere? – Seth perguntou.

— Acho que já abusei muito da sua generosidade. – admiti quando estávamos em frente a porta principal.

— Eu estou agindo involuntariamente, então isso teoricamente não seria possível. – ele disse, sorrindo com os lábios. – Posso ir embora, mas você tem que me convencer de que sabe chegar em Motown.

— Você está duvidando do meu conhecimento sobre o campus? – perguntei em tom desafiador. Queria soar mais confiante com aquilo, mas ao parar para refletir sobre o questionamento de Seth, percebi que não me sentia totalmente segura para percorrer o caminho sozinha. As únicas vezes em que havia estado em Motown fora acompanhada.

— Eu nunca disse isso. – ele disse soltando uma leve risada.

— Mas pensando bem, não sei se tenho certeza do caminho. – nós dois rimos assim que eu soltei as palavras.

— Bom, agora são 9:15. – Seth falou, olhando o relógio em seu pulso. As mangas de seu moletom estavam esticadas, devido ao Sol que tomava conta da manhã e consequentemente trazia o calor junto. – Preciso passar no Hall de recepção para pegar alguns documentos, quem sabe eu faço isso e depois volto aqui. – sugeriu. – Quanto tempo você acha que vai levar?

— Até 9:40 no máximo estarei pronta, até porque não posso demorar mais do que isso. – falei.

— 9:40 aqui embaixo então?

— Perfeito. – concordei sorrindo.

Nos despedimos temporariamente e eu subi apressada até o terceiro andar. Charlie não estava ali mais uma vez, eu imaginei que ela não estaria. Só quando fui me preparar para tomar banho foi que percebi que não havia devolvido a jaqueta de Seth, precisava lembrar de fazer isso quando descesse.

Tomei um banho rápido e troquei de roupa. Coloquei um shorts, uma camiseta e um casaco leve, ideal para o fim do verão que nitidamente começava a dar espaço ao outono. Levei 20 minutos para fazer tudo isso e quando desci eram 9:39. Para minha felicidade, Seth já me esperava na porta. Mais um ponto positivo: pontualidade.

— Uou, em ponto! – ele elogiou quando passei da porta. Sorri com o comentário.

— Posso dizer o mesmo sobre você. – também falei.

— Então acho que encontramos mais um fator comum entre nós. – Seth disse. Nós dois sorrimos e logo começamos a caminhar em direção a Motown.

Dessa vez, nossos passos foram mais rápidos do que em outros momentos, não podia me atrasar. Em consequência disso, quando chegamos em frente à casa da Zeta Eta Beta, ainda faltavam cinco minutos para o horário marcado. Paramos na calçada.

— Ah, que droga. – falei, lembrando. – Esqueci de devolver sua jaqueta.

— Eu nem tinha notado. – Seth disse simpático. – Não se preocupa com isso, você pode me devolver depois, não tem problema. – garantiu ele.

— Prometo tentar devolve-la o mais rápido possível. – prometi.

— Sorte a minha então. – ele disse sorrindo e eu retribui.

— Obrigada pela noite de ontem. – agradeci, sincera. – Eu realmente me diverti.

— Eu que agradeço, também me diverti. – Seth falou. Estávamos novamente encarando um ao outro diretamente, com sorrisos estampados nos lábios. Ele começou a se aproximar, para o que eu acreditava que seria um beijo de despedida. Senti meu coração acelerar com a proximidade, da mesma forma que na noite passada, mas dessa vez, quase tive um ataque quando algo inesperado aconteceu.

— JENKINS! – ouvi a voz de Jenn berrar meu sobrenome da porta da casa da Zeta Eta Beta. – Você está atrasada! – olhei assustada para Seth e então para o seu relógio. Eram exatamente 10 horas.

— Preciso ir. – o nervosismo gerado pelo susto provavelmente era nítido em minha voz. Seth encarou Jenn com certa frieza no olhar, como se realmente desaprovasse o modo com o qual ela agia. Rapidamente ele voltou seu olhar para mim e sorriu fraco.

— Nos vemos por aí? – ele perguntou antes que eu pudesse ir. Por algum motivo, o fato de Jenn estar na porta observando tudo aquilo me deixava desconfortável, parecia uma espécie de julgamento.

— Nos vemos por aí. – afirmei, esboçando novamente um leve sorriso no rosto. Seth depositou um beijo em minha testa e se afastou, retribuindo o sorriso. Virei-me então e segui em direção a porta de entrada da ZEB, onde Jenn me esperava encostada na parede.

— Então você é a nova namorada do Seth. – foi com essa frase que Jennifer Patel me desejou bom dia naquela manhã.

— Não sou. – logo contestei, sem expressar qualquer coisa.

— Fofocas correm rápido dentro do Sistema Grego. – Jenn falou ao mesmo tempo em que eu atravessava a porta e ela a fechava.

— Nunca fui fã de fofocas, justamente porque elas geralmente acrescentam suposições aos verdadeiros fatos. – respondi.

— É, talvez, mas você não pode fazer nada para impedir isso. – ela disse, fazendo um gesto para que eu a seguisse. – Só não seja tola.

— Tola? – questionei.

— Irmandade primeiro, garotos depois. – Jenn disse. Preferi não responder o comentário, até porque tinha bastante certeza de que poderia tomar minhas próprias decisões, sendo ou não parte daquela irmandade.

Seguimos para a mesma sala onde havíamos conversado com as seniores na manhã de ontem. Elas nos esperavam ali, juntamente com todas as outras candidatas. Não sei se eu deveria me sentir culpada por ser a última a chegar, mas no momento eu me sentia quase completamente tranquila. Sem

Sentei-me no sofá junto às outras garotas. As seniores estavam de pé hoje e a televisão já se encontrava ligada atrás delas.

— Então, meninas, nem iremos perguntar como vocês se saíram nesse primeiro desafio individual porque estamos acompanhando vocês online desde que a tarefa foi lançada. – Katherine foi quem começou a falar.

— Ficamos muito felizes ao ver que todas completaram a prova, independentemente do tempo em que conseguiram. – Juliet acrescentou.

— Agora iremos mostrar na tela os seguidores que cada uma conseguiu. – Vanessa anunciou, já abrindo espaço para que pudéssemos enxergar a televisão.

Uma por uma, cada conta foi mostrada. Primeiro a de Tessa, em segundo a de Thalia, terceiramente Rebecca, em seguida Pamela e depois Vicky. Todas com dois seguidores necessários.

— E por último, deixamos o destaque desse desafio: Amy. – Katherine disse. – A única a conseguir três seguidores.

Aquilo só podia ser algum engano, apenas Theo e Scooter haviam me seguido. Estava pronta para avisar que a contagem provavelmente não estava certa, isso é, até Katherine avançar a tela para minha página. Não sabia se deveria disfarçar minha reação, mas eu definitivamente estava surpresa: de fato havia mais um seguidor além dos dois.