Legacy

17 Capítulo 17 - "Tiptoed out of the day"


Meus problemas naquele momento eram suficientes para começar a preencher uma lista, então eu não tinha plano algum de considerar Scooter mais um deles. Deixei claro a Josh que não me importava com a presença de Scooter, até porque eu não estava na posição de querer exigir algo. E, mesmo que não tivéssemos nos conhecido da melhor maneira possível, algo me dizia que havia muito mais por trás da personalidade intrépida do presidente da Omega Gamma.

Enrolei o máximo possível para chegar até o prédio onde teria aula de Ciências com Charlie, porém isso não adiantou nada. Quando cheguei lá, ela me esperava com um lugar guardado na carteira atrás da dela.

— Finalmente! – ela disse quando me aproximei. – Achei que você ia acabar faltando. – respondi o comentário com um sorriso nervoso, temia qualquer que fosse o assunto que Charlie viesse a puxar a partir daquele momento, mas felizmente, fui salva pela entrada do professor na sala.

Aparentemente, eu não era a única a se sentir salva naquele momento. Olhando ao redor, pude observar os olhos de grande parte das meninas brilhando. E quando olhei para ver o sujeito que acabara de adentrar o recinto, logo entendi tudo.

Não que eu tenha passado por isso, mas dizem que muitas garotas sonham com o dia em que um professor estonteante vai entrar na sala e se apresentar. Se eu tinha um momento como esse programado para acontecer em minha vida, sem dúvida alguma ele estava acontecendo naquele instante.

— Boa tarde, turma. – de todos os homens mais velhos que eu conhecia, nenhum chegava perto de ser tão bonito quanto o que estava parado na frente da sala. Podia descreve-lo como uma versão madura de um modelo da Abercrombie, igualmente forte e maravilhoso, com olhos profundos e claros e cabelo bem cortado em um corte de lado, de cor castanho acobreado. Tudo se confirmou quando o indivíduo abriu um largo sorriso nos lábios, como se soubesse perfeitamente do efeito que causava e estivesse acostumado com isso. – Sou o professor Logan, e comando essa aula há alguns bons anos. – apresentou-se. – É difícil resumir tudo que abordaremos aqui, mas com o tempo vocês entendem e se acostumam.

Quanto mais o professor falava, mais o seu comentário fazia sentido. A aula de ciências gerais abrangia muita coisa, era fácil enxergar o porquê de a mesma ser necessária tanto para o meu major quanto para o de Charlie.

— Ele não pode ser real. – Charlie cochichou discretamente, claramente ainda sob o efeito causado pela beleza de Logan. – Vai ser impossível se concentrar.

— Vamos nos acostumar. – garanti. Pelo menos, eu me garantia, em alguns minutos o efeito de Logan já havia se amenizado para mim, mas não podia dizer o mesmo sobre grande parte das minhas colegas de classe.

Ao término da aula, apressei-me em explicar para Charlie que não voltaria cedo para o dormitório hoje, antes que ela pudesse puxar algum assunto relacionado às irmandades. Quando ela pediu uma explicação, falei que iria fazer algumas pesquisas na biblioteca do campus, mesmo que estivesse tentando evitar ao máximo mentir. Charlie provavelmente faria mais perguntas, mas fomos interrompidas quase ao atravessar a porta da sala de aula, por uma mão encostando em meu ombro.

— Com licença, você é a Amelia? – reconheci a voz do professor Logan atrás de mim.

— Sim. – confirmei ao me virar, tentando soar o mais firme possível.

— Será que podemos conversar rapidamente antes de você sair? – ele perguntou.

— Hã, claro. – respondi um tanto confusa, sem qualquer pista do que aquilo poderia se tratar. Olhei para Charlie, como se dissesse que já poderia ir embora e ela pareceu entender. Segui o professor de volta para dentro da sala, onde ele se sentou atrás de sua mesa e eu puxei uma cadeira para me sentar em frente a mesma.

— Amelia Jenkins, correto? – perguntou mais uma vez.

— Correto. – confirmei. – Mas a maioria das pessoas me chamam de Amy. – não queria dizer nada com aquilo, só não tinha o costume de ser chamada de Amelia.

— Então, Amy. – ele aceitou o apelido, rindo de forma simpática. – Não sei se você sabe, mas nós professores temos acesso aos arquivos dos alunos recém ingressados na universidade e não pude deixar de reparar no seu incrível desempenho escolar.

— Obrigada, eu acho. – agradeci, ainda confusa.

— A última vez que tive um aluno com médias tão boas foi há três anos atrás. – contou. – Mesmo sendo nova, talvez você o conheça, o nome dele é Daniel Harper, ele é presidente da Upsilon Theta.

— Desculpa, não o conheço. – lamentei. – E também não sabia da existência da Upsilon Theta.

— Upsilon Theta é a fraternidade com a qual eu estou associado, cada fraternidade e irmandade precisa de um professor supervisor. – Logan explicou. Eu não fazia ideia daquilo, sem querer me peguei pensando em quem seriam os professores associados com a Sigma Psi e a Zeta Eta Beta. Tive que interromper meus pensamentos, pois ainda não sabia do que aquela conversa se tratava. – Isso não vem ao caso agora, o que quero falar com você envolve outro assunto. – ele continuou. – Sou especializado em diversas áreas da ciência, uma delas é a computação. – contou. – Por esse motivo, sou o coordenador do site da universidade. – a conversa estava começando a se encaminhar para algum lugar, só não entendia onde eu me encaixava. – O major do Dan é ciências da computação, isso juntamente com as notas dele fizeram com que eu o chamasse para ajudar na manutenção do site. – Logan revelou. – Mas entender de computação não é tudo, faz um bom tempo que não encontramos um aluno realmente bom para cobrir alguns eventos e escrever matérias, é aí que você entra. – ele finalmente explicou. – Pode ser superestimação minha te procurar com base em seu desempenho escolar, mas para mim boas médias são sinônimo de esforço, e é disso que precisamos.

— Eu nem sei o que dizer. – provavelmente já estava atrasada para minha próxima aula, mas em nenhum planejamento diário eu cogitava a existência daquele acontecimento. – Soa como uma oportunidade incrível, só não sei se eu seria a pessoa certa para isso.

— Não apenas soa, é uma oportunidade incrível. – Logan ressaltou. – Seu major é jornalismo, certo?

— Certo. – confirmei, aquilo provavelmente devia constar também nos arquivos que ele havia visto.

— Isso com certeza ajudaria muito na sua formação, conta como uma espécie de estágio, ou então atividade extracurricular. – disse ele. – E não se preocupe, sei que no primeiro ano existe todo o processo de adaptação à universidade e tudo mais, mas você não teria que viver em função do site. – avisou. – Podemos marcar uma reunião com o Dan e discutir em quais momentos você seria requisitada, a princípio só preciso saber se você tem interesse.

— Tenho interesse, parece uma ótima proposta. – falei. – Mas não quero assumir nenhum compromisso sem ter certeza de que darei conta, então essa reunião é uma boa ideia. – concordei. – Professor Logan, juro que estou realmente interessada no assunto, mas não posso me atrasar muito para minha próxima aula. – eu disse, tentando encerrar a conversa da melhor forma possível. – Muito obrigada pela oportunidade, quando quiser marcar a reunião é só me avisar.

— Não se preocupe, Amy, sei que você está interessada. – ele disse soltando uma leve risada. – Desculpe tomar seu tempo, mas precisava ter essa conversa, você aparenta ser a pessoa perfeita para ocupar esse cargo.

— Obrigada mais uma vez. – agradeci sorrindo e me levantando para ir embora. – Preciso ir agora. – encarei os olhos claros de Logan uma última vez antes de me despedir. – Até mais, professor. – ele retribuiu um sorriso em resposta e por fim deixei a sala.

Não cheguei tão atrasada quanto esperava na aula seguinte, para minha sorte. A proposta de Logan batucou em minha cabeça durante o resto da tarde. Eu fazia parte do jornal da escola antes de me formar, aquilo provavelmente também deveria estar no meu arquivo da universidade e ajudado na busca do professor. Até onde eu sabia analisar, a ideia apenas me beneficiaria, e eu estava disposta a realizar qualquer tipo de aula, trabalho, projeto, ou o que quer que fosse, se isso ajudasse em minha formação na universidade, não era à toa que estava me esforçando tanto para manter minha bolsa de estudos.

Após o fim de minhas aulas da tarde, fui até o dormitório, na maior pressa do mundo, apenas para deixar meus materiais correndo e trocar minha camiseta por outra blusa. Consegui fazer tudo antes que Charlie chegasse e logo parti para a casa da Omega Gamma, à fim de encontrar Josh e Scooter.

— Sabia que não ia aguentar muito tempo longe de mim. – fui recebida por um típico comentário de Scooter, que atendeu a porta.

— Não vai me convidar para entrar? – perguntei rindo, quase não acreditando no que ouvia. Ele fez um gesto com o braço para que eu adentrasse a casa, estampando um sorriso divertido no rosto.

— Vou lá chamar o Josh, sinta-se em casa. – Scooter disse ainda sorridente. Quando ele se virou para subir as escadas, percebi que a camiseta regata que ele usava era dos Pistons, com o número 99 atrás e o apelido Scooter escrito.

Conseguia ouvir sinal de movimento vindo da cozinha, mas ali na sala onde eu me encontrava não havia ninguém. Sentei-me então no sofá mais próximo e busquei meu celular na bolsa, para ver se tinha alguma mensagem. Porém, antes mesmo que eu pudesse desbloquear a tela inicial, ouvi uma voz desconhecida me chamando.

— Amy. – o tom era baixo e não conseguia segui-lo. – Amy, aqui. – a voz soou mais forte dessa vez e eu consegui acompanha-la, até encontrar um rosto conhecido, que me chamava de um canto da parede, como se quisesse se esconder.