Legacy

12 Capítulo 12 - "Statused"


Aquilo era literalmente só o que me faltava, ser apelidada como a garota que colocou uma uva na boca do Scooter. Tudo que eu não precisava naquele momento era ser conhecida em função da cena da mesa, ou de ser conhecida por qualquer coisa, só queria assistir a um dia inteiro de aulas e não ser atingida por uma bola na cabeça enquanto fazia isso, sem me meter em qualquer confusão. Em três dias de vida universitária, porém, ter um dia normal não parecia ser uma hipótese possível.

— Podemos tirar uma foto com você? – o garoto pediu.

— Calma aí. – Seth interrompeu. – Primeiramente, o nome dela não é esse. – ele se posicionou ao meu lado, como se estivesse pronto para me defender de alguma coisa. – E segundamente, alguém pode explicar o que está acontecendo?

— Sua namorada está fazendo sucesso nas redes sociais do sistema grego. – outro cara falou.

— Ela não é minha namorada. – Seth disse com seriedade.

— Scooter leva fruta da mais nova caloura da Cadillac, Amelia Jenkins. – um garoto leu em seu celular. – Esse é o título do vídeo que alguém postou no twitter. – logo em seguida ele entregou o aparelho para Seth, que após assistir a cena, soltou uma risada sincera, dirigindo seu olhar a mim.

— Não acredito que você fez isso. – ele disse sorrindo, como se realmente não esperasse aquela atitude vindo de mim, mesmo que não nos conhecêssemos direito. – Sei que você não faz o que não quer, e tenho ainda mais certeza depois de assistir esse vídeo, mas se eu fosse dar uma opinião, diria que nunca é ruim agradar seus fãs. – Seth lançou a indireta, ainda mantendo o sorriso divertido em seu rosto e dividindo o olhar entre mim e seus amigos.

— E eu só não acredito que esse dia está acontecendo. – desabafei, mas existia um tom de brincadeira presente em minha voz. – Mas vamos lá, por que não? – disse, dirigindo-me aos garotos da foto. Eles se reuniram ao meu redor, deixando com que eu ficasse no meio de todos.

— Eu tiro. – Seth se ofereceu, pegando o celular em que havia assistido o vídeo e se posicionando um pouco a nossa frente. Ouvimos uns três cliques e então Seth deu o sinal de que já estava bom.

— Obrigado garota da uva. – um dos garotos me agradeceu enquanto eles se dispersavam. Talvez eu e Brett pudéssemos formar um clube agora, apesar de ele aparentemente estar mais interessando em minha companheira de quarto.

— O nome dela é Amelia Jenkins, idiota. – ouvi outro garoto dizendo, ao mesmo tempo que eles voltavam para a sala.

— Você só está com inveja porque também queria ser chamado de garota da uva. – precisava admitir que eles eram bastante divertidos.

— Podemos ir agora? – perguntei a Seth, rindo um pouco da situação.

— Não tão rápido, garota da uva. – ele negou. – Acho que também tenho direito a uma foto.

— Você está brincando, né? – perguntei, ainda rindo.

— Com certeza não. – ele disse também rindo. – Ei, Mitch. – chamou um dos caras que continuava ali por perto. – Tira uma foto nossa? – Seth pediu, entregando o celular para o amigo, que assentiu positivamente com a cabeça. Já estávamos ao lado um do outro, então Seth só teve que passar seu braço envolta de meu ombro. Sorri na foto anterior, mas era impossível não sorrir para essa, já que nós dois continuávamos rindo naturalmente por algum motivo.

Alguns segundos depois, Mitch devolveu o celular a Seth. Não pude evitar sorrir quando vimos a foto, tinha ficado realmente boa, como se estivéssemos apenas rindo juntos e alguém resolvesse registrar o momento.

— Ficou muito legal. – Seth comentou sorrindo.

— Ficou mesmo. – concordei, retribuindo o sorriso.

— E agora aceito te levar para o seu dormitório. – ele mantinha o tom de brincadeira. – Seria injusto eu ser o único sem uma foto.

— Ainda bem que sou justa com meus fãs. – brinquei enquanto caminhávamos até a porta e finalmente atravessamos pela mesma. Rimos mais uma vez.

O carro de Seth estava estacionado em frente à casa, junto com alguns outros. Era um EcoSport preto, por algum motivo parecia ser perfeito para ele. A porta de passageiro estava do lado da calçada, fui acompanha até ela, onde Seth foi extremamente cavalheiro e a abriu para que eu entrasse, fechando-a assim que eu coloquei meu corpo para dentro do carro. Agradeci com um sincero sorriso nos lábios.

Normalmente, o caminho de Motown até meu dormitório seria feito em 20 minutos, mas o fizemos em cinco. Parecia que dias tinham se passado desde a última vez em que havia visto o Beard Hall, não sabia o que pensar disso.

— Amy, antes de você ir, será que eu poderia ter o seu número? – Seth perguntou, fitando-me diretamente nos olhos. – Para verificar se você está bem e enviar nossa foto.

— Tudo bem. – concordei, fazendo um gesto para que ele me entregasse seu celular. – Mas só porque a foto ficou realmente legal. – brinquei, enquanto salvava meu número em sua agenda. – Pronto. – disse, devolvendo o aparelho.

— Se acontecer qualquer coisa, pode me chamar. – Seth disse. – Só não irei responder se estiver no treino. – avisou.

— Muito obrigada por toda a ajuda e cuidado, Seth. – agradeci. – Mesmo que não tenha sido totalmente sua culpa. – falei. – E desculpa se surtei em algum momento.

— Sou o único aqui com motivos para se desculpar. – ele disse. – Aliás, em dobro, já que o Theo não parece ser capaz de fazer isso. – Seth falou brincando, mas era visível que parte dele falava sério. – Nos vemos por aí?

— Nos vemos por aí. – concordei, com um leve sorriso no rosto, que foi retribuído por ele. Foi a última coisa que disse antes de abrir a porta e sair do carro, em direção ao meu dormitório. Percebi que Seth só voltou a acelerar depois que ultrapassei a porta de entrada, e de alguma maneira, aquilo fez com que me sentisse bem.

Obviamente eu não tinha qualquer sinal de sono presente em mim, entretanto sentia meu corpo um tanto cansado ao subir as escadas do prédio, talvez por ter dormido mais do que deveria. Foi uma ótima sensação encostar na maçaneta da porta de meu quarto e saber que estava em “casa”. Quando abri a mesma, logo fui atacada por Charlie.

— Onde diabos você se meteu? – Charlie disse indo até a porta me dar um abraço.

— É uma longa história. – falei.

— Pode começar a explicar, temos bastante tempo. – Charlie disse.

— É, Amy. – notei que Josh estava sentado em minha cama. – Pode começar explicando o que significa essa foto sua dentro da casa da Alpha Xi. – ele parecia verdadeiramente decepcionado.

— Josh, não foi exatamente minha culpa. – tentei explicar. Ele também se levantou e foi até onde eu estava.

— Só estou brincando. – disse substituindo sua expressão séria por sua habitual cara de brincalhão, fazendo com que eu me sentisse amenizada. Josh era definitivamente uma pessoa com quem eu não gostaria de me desentender. Ele também me deu um abraço apertado, parecido com os que frequentemente dava em Charlie. – Estávamos preocupados, mas não podíamos invadir o território inimigo para te salvar.

— O que aconteceu com o plano de me defender com espadas e escudos? – perguntei brincando.

— Infelizmente, estavam em falta na loja de souvenires da universidade. – ele também brincou. – Mas iremos providenciar uma solução quanto a isso.

— Deixa a Amy falar, Josh. – Charlie pediu. Sentei ao lado dela em sua cama e Josh voltou para a minha, na mesma posição em que estava antes.

Contei toda a história, desde a bolada até como acabei dentro da casa da Alpha Xi. Tudo parecia ainda mais inacreditável conforme eu relembrava. Era possível ver nas expressões de Charlie e Josh que eles também não conseguiam julgar se a situação era trágica ou cômica, mas quando terminei de falar, acabamos rindo juntos, coisa que já se tornava bastante comum.

Passamos mais um tempo conversando, sobre os mais variados problemas e situações. Quando ficou tarde, Josh decidiu que era melhor voltar para a casa da Omega Gamma. Por mais que adorasse ele, estava esperando pelo momento em que ia poder conversar com Charlie a sós, mesmo com o meu sumiço ela também me devia explicações.

— Sua vez. – disse para Charlie, assim que Josh fechou a porta do quarto.

— Enquanto você estava sumida, tentei descobrir alguma coisa sobre a minha situação. – Charlie contou. – Perguntei ao Josh o que ele fez ontem à noite, ele disse que não estava no clima de festa e saiu para dar uma volta, retornou para casa umas cinco da manhã e foi dormir.

— Então ele não viu nada? – perguntei.

— Tenho quase absoluta certeza que não. – Charlie disse. – Ou ele achou normal ver uma garota na cama do Brett e nem me reconheceu.

— Ele é seu irmão, teria te reconhecido. – falei.

— Não sei, mas mesmo após falar com ele não consegui tirar isso da cabeça. – confessou. – Josh me levou para almoçar quando descobri que você não ia voltar tão cedo. – voltou a relatar. – Em certo momento ele saiu para pagar a conta e deixou o celular na mesa, aproveitei para achar o número de Brett nos contatos dele e salvar nos meus.

— Você ligou para ele?!? – perguntei.

— Liguei. – admitiu Charlie. – Mas antes liguei para Bri e pedi para ela me contar qualquer coisa que tivesse visto. – explicou. – Ela disse que nos viu juntos em certo momento da festa e que uma das meninas da Sigma Psi me viu ficando com ele em um corredor, mas que depois não demos mais sinal de vida. – contou. – Sei que não deveria ter ligado para o Brett, mas eu simplesmente não consigo seguir minha vida sem saber o que aconteceu.

— E o que o Brett disse?

— Então, foi aí que o problema realmente se tornou um problema. – Charlie disse, a preocupação era clara em sua voz. – Ele também não se lembra de nada.