Lebanese
12 Sabonete e Felizes para sempre.
Notas iniciais
– Srta. Pierce. — A enfermeira chamou e minha mãe logo se levantou do banco num pulo.
–Sou eu.
Logo ela e a enfermeira foram se afastando do pessoal, elas cochichavam, a conversa estava apenas entre elas, e mais ninguém, não se ouvia uma só palavra. Logo foram interrompidas pelo médico, que precisava dos cuidados da enfermeira.
Eu não via nada, apenas ouvia os cochichos do pessoal da sala, estava com a cabeça encostada no ombro de Santana, que agora soltava delicadamente do abraço, mas eu a abracei ainda mais forte, impedindo que ela fosse, seu abraço era acolhedor, e era tudo o que precisava.
Precisava também saber do meu pai, mas não havia ninguém, ou nenhuma noticia, a qual alguém quisesse me contar, estava confusa, e com medo, e tudo o que precisava naquela hora era de Santana ao meu lado.
–Santana.
Senti que uma das mãos de Santana não estava mais em minhas costas, tirei a cabeça de seu ombro e me virei. Era minha mãe, ela estava segurando uma das mãos de Santana, a mão que não estava mais em minhas costas. Ela a puxou delicadamente, desfazendo completamente o abraço aconchegante. Segurei a mão de San e a segui.
– Brittany, meu amor, só a Santana, tudo bem?- Fiquei parada apenas observando o rosto das duas, que esperavam uma resposta.
– Britt?
Santana apenas pegou na minha mão e assenti com a cabeça. Ela me deu um beijo na testa e se afastou como fez minha mãe e a enfermeira. Fizeram exatamente à mesma coisa, ninguém pode ouvir nada. A enfermeira chegou, falou com as duas, e logo depois voltaram. Santana passou o braço em volta da minha cintura.
–Vamos?- Ela perguntou calma.
–Pra onde? – Perguntei confusa.
– Para casa. – Minha mãe disse entregando a chave do carro, e a de casa para Santana.
– NÃO! – Gritei e todos pararam para me olhar. – Não saio até saber se o papai está bem. – Disse abaixando um pouco a voz, envergonhada.
– Brittany, por favor, não sei quando volto pra casa, já conversei com a Santana, vocês não irão pra escola amanhã, avisarei o motivo, e tudo ficará bem, amanhã você e Santana vem vê-lo. Só quero que descanse, mas não quero que fique sozinha. Tudo bem?
– Promete me ligar se algo acontecer? – falei deixando uma lagrima escapar. Minha mãe passou a mão no meu rosto enxugando a mesma.
– Prometo.
Santana pegou na minha mão e fomos até o carro. Sentei-me no banco da frente e ela fechou a porta, coloquei o rádio para me distrair, e deixei a música tocar.
– Brittany está tudo bem? – Santana disse antes de ligar o carro.
–NÃO SANTANA! NÃO ESTÁ NADA BEM! MEU PAI ESTÁ INTERNADO, E VOCÊ AINDA TEM A CORAGEM DE PERGUNTAR SE ESTÁ TUDO BEM?- deixei que minhas lagrimas limpassem meu rosto.
– Brittany eu sei o quanto isso é difícil pra você, e...
– VOCÊ NÃO SABE DE NADA! NADA!
– Britt, e-eu posso não saber, mas eu vou carregar essa dor com você.
Como num impulso, sem me controlar, dei um tapa na cara de Santana, ela me olhou paralisada, me afundei no banco e ela deu partida no carro.
Depois de um tempinho, chegamos em casa e Santana desligou o carro, a ,música continuava tocando, e minha infantilidade me impediu de pedir desculpas para Santana. Continuamos dentro do carro, e parei pra prestar atenção na música que tocava na rádio.
Emptiness inside me, wonder if you see
(Vazio dentro de mim, pergunto-me se você vê)
It's my mistake and it's hurting me
(É o meu erro e á está machucando)
I known where we've been
(Eu sei onde fomos)
How did we get so far?
(Como chegamos tão longe?)
What if, what if we start again?
(E se, e se começarmos de novo?)
Olhei para Santana e chorei ainda mais, estava reconhecendo a música, era Start Again do Red.
–Me desculpa, eu não sei o que aconteceu comigo. – Abaixei a cabeça com vergonha e raiva do que eu havia feito.
– Tudo bem. – Santana me abraçou e ouvimos a outra parte da música antes de sairmos do carro.
I'm lost inside the pain I feel without you,
(Estou perdido dentro da dor que sinto, sem você,)
I can't stop holding on, I need you with me!
(Eu não posso parar de esperar, eu preciso de você comigo!)
Saímos imediatamente antes de começarmos a chorar de novo. Quando entramos tomei um banho, depois foi a vez de Santana, coloquei outro pijama, e emprestei outro para a San.
– San. – Disse enquanto Santana se deitava na cama. Estávamos na cama da minha mãe.
– Sim Britt.
– Eu te amo.
– Eu também te amo Brittany. – Ela se deitou atrás de mim, me abraçando. Senti que um peso havia sido tirado de minhas costas.
– Boa Noite Brittany, dorme com os anjos.
–Boa Noite San, estou dormindo com um agora mesmo.
Ela sorriu e virei para encará-la.
– San, será que seremos felizes para sempre? Como na história da Cinderela?
– Sim seremos, mas, ao contrário daquele príncipe fajuto, não deixarei você ir.
– Nem mesmo se eu te der um tapa na cara?
– Não, nunca vou te deixar.
Virei-me completamente e abracei Santana, ela estava com cheiro de bebe, era o cheiro do meu sabonete, e o cheiro nela com certeza era melhor. Logo o sono chegou, lutei para impedir que ele viesse para que pudesse observá-la por mais tempo, mas ele venceu, logo meu olhos se fecharam e não via mais nada, apenas sentia o cheiro de sabonete e de felizes para sempre.
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