Le Banquet

10 Capítulo 9 – Le Moulin


Notas iniciais
Oi galero! :3
Olha só como sou uma pessoa legal: vocês não tão comentando e ao invés de reclamar sobre isso, vou postar mais um capítulo para que vocês leiam, vai que numa dessas se empolgam e comentam, rs :~

Depois daquele riso, as coisas mudaram um pouco. Não se pode dizer que eles ficam totalmente confortáveis um com o outro, mas ao menos não ficavam em silêncios absolutos, constrangedores e pesados. Frank se esforçava para ser simpático mesmo quando Gerard lhe era ríspido, e controlar sua auto-estima e flertes. Gerard tentava não ser um completo idiota, e não desprezar aquele que estava o ajudando.

Fazia uma semana e meia de ensinamentos diários, com algum progresso. Gerard já conseguia se concentrar. Ficar atento a uma coisa de cada vez. Avançaram do macarrão instantâneo para ovos mexidos, e agora estavam tentando fazer um risoto. Jubarte mordia os calcanhares de Gerard, que não era muito amigável com cachorros. Quero dizer, seu comportamento em relação aos cães era praticamente igual ao que tinha com humanos em geral. Mas Frank não era um humano em geral.

Frank descobriu que a situação entre eles estava esquisita quando teve um sonho ainda mais esquisito, em que Gerard lhe lambia os lábios, beijava o pescoço, percorria seu peito tatuado com a língua até chegar em seus ossos do quadril, que se impulsionavam em resposta. Ouvia seus próprios gemidos, lhe implorava para fazer logo o que devia fazer, porra! Quando Gerard o olhou com os olhos mais desejosos que havia visto, e se encaminhava em direção à sua virilha, acordou. Suado. Duro. Ofegante. Não sabia se odiava-se mais por seu sonho ter parado ou por ter começado a sonhar isso, em primeiro lugar. Depois disso, sempre que olhava para Gerard, via aqueles mesmos olhos, lembrava do sonho e balançava a cabeça como um doente mental. Como se fosse conseguir expulsar aqueles pensamentos.

“E agora, Frank?” Murmurou, o olhando com uma sobrancelha arqueada, acordando Frank de mais um transe. Gerard estava de costas pra ele, em sua cozinha ilhada, e ele observava como seu quadril baçançava levemente enquanto esse mexia o que sei-lá-diabos-já-havia-se-esquecido-o-que-acontecia-no-mundo estava naquela panela.

“Bom...” Pensou, limpou a garganta, voltou para o planeta Terra. “Colocou o sal?” Gerard acenou negativamente. “Então coloque, e corte a salsa.” Disse finalmente lembrando o que estava acontecendo naquele apartamento. E não era em sua cama.

“Tudo bem, pode olhar isso pra mim por um instante?”

“Posso. Sim.”

Quando Gerard voltou para colocar o tempero, ficou atrás de Frank, que não percebeu que deveria sair dali e apenas ficou sentindo uma respiração quente bagunçando alguns fios de cabelo perto de sua orelha. Não conseguiu evitar o arrepio que correu a sua espinha. Gerard sentiu o cheiro dos cabelos de Frank, que poderia comparar com o cheiro de alguma fruta tropical, fresca e saborosa, que era mais forte até que o cheiro da comida que faziam. Fechou os olhos por antecipação. Permaneceram naquilo pelo que pareceram ser horas, mas só se passaram alguns segundos.

Frank despertou de seu transe para descobrir que o risoto ao funghi estava quase passando do ponto ideal, desligando em tempo. Gerard tossiu e saiu de perto, com o rosto corado. Frank respirou fundo e soltou, sem ao menos pensar, sentindo o ar mais fresco chegado aos pulmões, o nó no estômago se desfazendo:

“Está pronto!”

A mesa estava posta, e os dois se sentaram frente à frente, tomando vinho. Não trocaram palavras depois do que havia acontecido. Se é que algo havia acontecido. Dez segundos próximos um do outro não era nada. Gerard começou a provar, temeroso. Algo devia estar errado. Não poderia ter feito tudo certo.

Se assustou quando sentiu que estava bom.

Muito bom, diga-se.

Frank provou em seguida, deixando escapar um grunhido de satisfação.

“Meus parabéns. Está muito bom, Gee.” Pausou. Percebeu que tinha o chamado por um apelido. Tossiu. Corrigiu: “Gerard.”

Gerard ignorou apelido, e sorriu. Estava confiante. Achou que depois desse prato bem-sucedido, tudo estava resolvido. Não se sentia assim há tempos. Tinha gostado de cozinhar. Sentido prazer nisso. Não sabia que fracassaria ainda algumas vezes, e se frustraria um pouco. Mas por enquanto vamos nos focar no que acontece agora. As mãos em cima da mesa, os olhares cruzados, o vinho da noite toda fazendo um pouco de efeito, pesando os olhos. Frank achou que era hora de arrancar algumas informações. Não precisou disso. Gerard começou a falar.

“Sabe, eu não quero me apaixonar nunca, nunca mais. Isso só nos deixa frustrados, sabe? Não quero gostar de ninguém.” Frank queria que ele não tivesse começado a falar. Aquilo afundou o estômago dele. Foi como um chute. Não esperava isso, nem queria tê-lo ouvido. Mas sua cara continuou como estava antes do comentário infeliz. Como se suas vísceras não estivessem dando um nó e quisessem jogar toda a comida pra fora. Culpou o vinho.

“Porque diz isso, Gerard?” Comentou simplesmente.

“Nah... Já tive decepções demais. Devia comprar um cachorro, assim como você fez.”

“Isso não quer dizer que eu não queira me apaixonar. E, além do mais, você não pareceu gostar do Jubarte.” Disse dando de ombros, pegando o filhote que estava em seus pés esperando por alguma comida de seu prato que nunca veio.

“É diferente comigo. Minha mulher me deixou, Frank. Mas isso você já sabe, todos adoram falar sobre isso.” Falou com uma careta.

“Sim, e gostaria de saber o porquê. Isso ninguém fala, não é?”

“Eu... Acho que a culpa foi minha. Eu a decepcionei.” Contou como um segredo, sussurrando palavras cambaleantes e levemente bêbadas. “Quis me dedicar muito ao meu trabalho, não dava a atenção que merecia. Mas ela é louca, já te disseram? E agora que me deixou não consigo cozinhar. Que ironia, não?” Suspirou. Pareceu pensativo, nostálgico. “Eu faria tudo diferente, agora.”

“Não fique se culpando. Se quer fazer diferente, o faça.”

Gerard suspirou outra vez. Já era um hábito. Quando ficava frustrado com algo, alguém ou si mesmo, suspirava. Pra encerrar o assunto, ou parecer cansado, ou pensativo. Ou tudo junto. Encerrou o assunto assim. Afastou sua cadeira, se levantou, mostrando suas pernas tão cambaleantes como suas palavras. Pegou jubarte do colo de Frank, o analisou de perto. O cachorro lhe lambeu, abanando o rabo.

“Sabe, eu gosto dele. Quando não está me mordendo. Vai ficar grande?”

“Muito.”

“É uma pena, ele podia ser bonitinho assim pra sempre.”

“Ele será. Só que maior.” Falou rindo fraco, notando agora que também estava tonto. “Você quer ficar? Não é certo dirigir assim.”

“Eu não devia.”

“Fica.”

“Tudo bem, posso ficar com o sofá. Parece bom.”

Assim, Frank arrumou as coisas necessárias para que Gerard ficasse lá, e prometeu o acordar bem cedo para ir à feira com ele. Deitou em sua cama, e foi a sua vez de suspirar. Sabia que queria sim que Gerard se apaixonasse por ele, ser a sua inspiração para cozinhar, ser seu professor e aluno. Sabia que sim. Mas não queria dizer em voz alta, nunca, com medo de que se falasse, iria até o fim para ser recíproco. Preferia deixar tudo em sua mente.

Afinal, sua mãe sempre dizia que os amores platônicos eram os únicos completamente verdadeiros.

No sofá, Gerard tentava imaginar o porque de um sorriso estar querendo crescer em seus lábios e uma quentura já esquecida estar crescendo no seu ventre enquanto Frank estava por perto.

Notas finais
HAHA, que fofinhos
se tiver algo que eu possa fazer para vocês se sentirem mais confortáveis em comentar, me deixem saber
xo