Le Banquet
11 Capítulo 10 – Pas Si Simple
Notas iniciais
Vão ganhar mais um capítulo de bônus por serem as coisas mais lindas dessa vida ♥
E, assim, eu sei que tá demorando pra eles terem algo de fato, e tal, mas não consigo mais pensar em algo assim, repentino. Precisei construir a personalidade deles, e na verdade passam-se 2 meses até o fim das aulas de culinária de Gerard, acho pouco tempo pra um cara meio depressivo e hétero já dar uns catos no Frank de cara, hahahaha.
Mas vai acontecer logo logo, e vai ser lindo. Tão lindo quanto todas vocês ♥
Gerard estava frustrado.
Queria distribuir socos em quem conseguisse, porque havia acabado de errar mais um prato. A aproximação de Frank, a súbita mudança de humor nos dias que passaram, isso o deixava infinitamente puto consigo mesmo. E aquela personalidade que construira com tanto afinco? As rugas que adquirira de todas aquelas que eram marcas de expressão de meses com a testa franzida em desaprovação? Frank o fazia se abrir, rir, contar coisas e isso não era bom, em sua mente. Queria continuar sendo misterioso e carrancudo, mas não conseguia quando começava a cozinhar com Frank. Ele praticamente o obrigava a sorrir, a lhe dizer o que estava acontecendo de errado.
Todos os dias se encontravam para cozinhar algo e alguma coisa escapava de seus lábios. Umas eram pessoais demais, quase incriminadoras. Outras eram só algum comentário bobo que gostaria de guardar pra si, e quando se dava conta já havia falado. E Frank parecia cada vez mais inclinado à deixa-lo sem jeito, à tentá-lo como conseguia, o puxando com tentáculos de polvo, o abraçando pra uma vida como a dele: cheia de risos, piadas e auto-confiança.
Frank comentou com Olive que não conseguia mais desviar os olhos, que as coisas estavam fugindo de seu controle; Gerard contou à Bob que se sentia estranho em relação à Frank.
Enquanto chutava alguma coisa que não viu, Frank o segurou pelos ombros, pedindo calma e dizendo que isso era normal. Esse era o primeiro dia da terceira semana, o que quer dizer que o tempo estava se esgotando. Gerard, que já estava se sentindo pronto, agora não sabia mais se conseguiria. Estava há vários dias sem errar nada e já havia conseguido até fazer um assado com batatas com um molho que Frank tão provava há tempos. Porque agora começava sua decadência, outra vez? Era o que se perguntava, exaltado.
“Podemos começar outra vez, sim? Ainda dá tempo, e temos ingredientes sobrando.” Frank dizia, os olhos serenos, como quase sempre. A única vez que havia os visto de um jeito diferente foi quando brigaram, logo que se conheceram. Os olhos de redemoinho. Eles o deixavam extasiado e irado ao mesmo tempo.
“Porque você é tão prestativo? Droga!” Bufou irritado, optando por não olhar nos olhos e sim para Jubarte, que passeava alegre, levando algo que possivelmente não deveria, como um chinelo ou algo que o valha. “Sei que não vou conseguir!”
“Vai, sim. Estava indo muito bem, pode continuar assim.” Passou uma mão por seu ombro e aquilo era reconfortante. “Vamos?” Levantou-se depois de algum tempo em silêncio. Gerard hesitou, mas foi junto. Era esquisito ver que Frank não se abalava por coisas assim. Na verdade, não se abalava por coisa nenhuma.
Começaram de novo, Frank obviamente se empenhando em deixar o outro feliz. Estavam fazendo um bolo.
Porque era um dia nublado.
E Frank dizia que dias nublados pediam bolo. E ponto final.
Mas Gerard não se animava nem um pouco, com coisa alguma. Ele fez a mesma receita outra vez, e colocou o bolo no forno. Então Frank o jogou um pouco de farinha, manchando os cabelos negros com o pó branco, o que os deixou na maior bagunça. Gerard abriu muito os olhos em desaprovação, assim como a boca. Estava incrédulo. Após o susto, cerrou os olhos verdes e, sem que Frank percebesse, pegou o chocolate em em pó e jogou em sua cara. Frank riu. E depois disso foram ovos, açúcar e o que mais tinham em mãos. A cozinha virou uma confusão completa. Não havia nada que não estivesse sujo.
Os dois riam como crianças. Frank escorregou e foi ao chão, gargalhando infantilmente. Quando pararam de rir, Frank parou para observá-lo. Era realmente bonito. Sentiu como se algumas mariposas batessem contra o seu estômago violentamente, um calor crescendo dentro dele de um jeito que nunca mais havia acontecido. Gerard simplesmente limpava as lágrimas que estavam rolando pelo seu rosto, como se não estivesse acostumado a rir tanto. E não estava. Aquilo era só para Frank. E isso o deixava incomodado e inseguro. Sabia que poderia perder sua pose e não gostava nada disso.
E então os olhares se encontraram. De um jeito tão profundo que eram capazes de sentir cada batida do coração um do outro, mesmo estando lado a lado e não necessariamente encostando um no outro.
Aquilo durou uma eternidade. Gerard conseguia ver cada pensamento e sentimento de Frank, e podia sentir o que viria depois, porque Frank se aproximava lentamente, pedindo por contato. Se arrastando um pouco pelo chão, sem perder o contato visual. Os lábios rosados entreabertos, como se fosse falar algo a qualquer momento. Ou beijá-lo. Gerard se sentiu fraco e os joelhos viraram gelatina. Jurou que Frank o beijaria e isso o assustou. Os olhos que antes estavam parados, focados nos de Frank tentando desvendar algo que não havia o contado (o que não era muito, pois Frank falava pelos cotovelos e adorava contar sobre a sua vida), agora cresceram, incrédulos, como se acordassem de um transe.
Frank havia o hipnotizado.
Quando se deu conta, tossiu alto. Se engasgou sozinho e corou violentamente, desfazendo o contato visual como se o queimasse. Deviou o olhar para qualquer outra coisa, e não conseguiu olhar nos olhos de Frank pelo resto da noite. Eles eram pesados demais e Gerard havia visto coisas demais nos olhos de redemoinho de Frank. E se levantou rapidamente, se inclinando a limpar a bagunça.
Gerard havia passado de raivoso, risonho a encabulado em um dia só. Era acostumado com a tristeza todos os dias, e não a oscilações de humor. Isso era definitivamente novo.
A verdade é que não conseguiu olhar nos olhos de Frank até o final de suas aulas, porque o contato daquele dia – ou a falta dele — o deixou constrangido. Jurou não fazer nada parecido, porque havia ido longe demais.
Frank, por outro lado, se sentia ainda mais tentado, porque ao olhar naqueles olhos profundos cheios de mágoa e ressentimentos ainda podia ver um resquício de paixão, mas não sabia pelo quê. Poderia ser por cozinhar, por viver, ou, na melhor de suas hipóteses, era ele quem teria despertado esse brilho outra vez. Mas achou que deixaria Gerard em paz pelo resto das aulas. Já tinha um desafio pela frente, não o faria mais preocupado e nem desviaria seu foco.
Ha, ha.
Notas finais
xo
Fale com o autor