Le Banquet
9 Capítulo 8 - Fix You
Notas iniciais
E espero que gostem!
Gerard não podia mais fugir. Teria que ceder. Mas ficou os próximos dias em casa, esperando que Frank aparecesse. Ou simplesmente esperava que ele nunca chegasse e as coisas terminassem assim, num final triste e trágico que imaginou para si mesmo. Deitado no sofá de sua casa, caçando um filme qualquer na tv, esperava só a bondade dos céus de lhe dar novamente o que costumava chamar de dom ou simplesmente mandar um raio em sua testa, qualquer coisa, não importava. Queria apenas ser lembrado por algum ser superior que o fizesse diferente. Mal sabia que o responsável por essas mudanças estava em sua porta, enrolando um pouco para bater, esperando a vontade do mesmo ser divino o dar coragem para encarar aqueles olhos verde-amarelados que tinham tanto desprezo e tristeza.
Gerard sabia que não impediria de entrar, se ele aparecesse. Afinal, era ele quem precisava de tudo aquilo. Mas também nunca esteve disposto a aparecer em seu apartamento, com alguns ingredientes na mão e um sorriso a cara. Isso era esperar demais dele.
E então ouviu.
As temidas.
Talvez esperadas.
Batidas na porta.
Foram quatro. Batidas cuidadosamente, ouvidas com o coração pulando na garganta. Gerard sabia quem estava lá e porque estava. E isso o assustou. Não estava preparado. Tinha medo. Medo de decepcionar-se, descobrir que não tinha mais jeito, que não saberia mais cozinhar nunca mais, tinha medo também desse certo par de olhos tão confiantes, que tentavam te tirar daquela lama.
Abriu a porta, mas não sem antes suspirar longamente.
“Gerard, vamos. Você tem um mês apenas, não pode só ficar aí parado.” Disse somente. Não teve um “boa noite”, nem ao menos algum cumprimento. Ele disse tudo de uma vez com medo de perder a coragem. Estava fazendo muito por Gerard. Era quase como um daqueles caras que faziam de tudo por ele quando estava em Paris, aqueles que faziam de tudo para vê-lo brilhar, sem inveja ou ciúme. Sentia a mesma coisa por ele. Pela primeira vez estava tomando conta de alguém.
Way nem o respondeu. Só o deu passagem, os olhos grudados no chão, a confiança vagando em algum lugar desconhecido, talvez até fora da via láctea.
“Olha, sei que não quer isso. Nem eu quero. Sei que tem medo. Mas vamos nos entender, sim? Você me usou para conseguir ficar no restaurante, praticamente me deve isso.” Falou, encolhendo os ombros, a falsa modéstia tomando conta do lugar. “Me usou, e não da forma que eu gostaria.”
Gerard corou pelo comentário.
“Frank, nunca conseguiremos nos entender se continuar com o peito inflado. Preciso que você seja mais humano se quiser que dê certo. E que pare de flertar e escanear.”
“Tudo bem, boneca.” Disse apenas, deixando uma piscada. Irônica. Um flerte.
Gerard suspirou, pesaroso. Não tinha jeito. Não havia escape, estava perdido, Frank invadindo sua casa, seus dias, sua cozinha. Como uma esfinge grega. Invadindo Tebas.
Frank deixou os ingredientes sobre um balcão, abriu o livro de receitas. Colocou o avental em volta de si e ofereceu o outro à Gerard, que fazia tudo silenciosamente, o cenho franzido.
“Okay, vamos fazer isso juntos. Mas agora você vai fazer o principal, eu ajudo no que precisar.”
“E o que vamos fazer?”
“Macarrão instantâneo!”
“O QUÊ? Frank, está de brincadeira, sim?” Disse, os olhos semicerrados e desconfiados.
“Não, não estou. Temos que começar do começo, já lhe disse. E vamos incrementar.”
Gerard tinha agora os olhos arregalados, mas estava mais embaraçado que qualquer outra coisa. Até uma criança faria macarrão instantâneo. Mas sabia que corria o risco de errar até isso. E tinha medo. Ainda assim, tratou de colocar a água no fogo, ainda incrédulo. Frank ria, divertido. Era sua pequena vingança. O fazer cozinhar tudo aquilo que quisesse, e fazer piada com algumas coisas.
E então começaram a cozinhar. Se é que aquilo podia ser considerado cozinhar. Era quase uma afronta. Uma piada de mau gosto. Fizaram em silêncio por um pouco, Frank cortando alguns temperos que deixariam a massa com outro gosto que não o industrial. Gerard ainda com a mesma expressão de sempre.
Estava tudo correndo bem, quase tudo pronto, Gerard já sorrindo em antecipação, internamente. Não era tão difícil. Frank havia ido ao banheiro. E então, perdido em devaneios de como “yeah, eu sou foda e sei fazer macarrão instantâneo”, deixou o macarrão grudar na panela. A água evaporou por completo, e aquela coisa mole ficou grudada no fundo. Só foi ver quando sentiu o cheiro de algo queimando. Supirou, antes de desligar o fogo e olhar o estrago.
Não. Nem isso conseguia fazer?
Frank ria, encostado no batente da porta.
“Parece que vamos ter que pedir algo pra comer, essa noite.” Disse somente. “Podemos tentar algo amanhã.”
Gerard murmurou “okay”, e apenas deixou tudo lá. Não suportaria olhar para o desastre que havia feito. Pediram comida chinesa e ficaram na sala, conversando. Se é que podia ser chamado de coversa minutos de silêncio constrangedor.
Finalmente a campanhia tocou, depois do que pareceram horas apenas ouvindo os barulhos de fora. Alguns passarinhos. O vento, assobiando. O relógio. As respirações pesadas. Quando engoliam em seco. Até quando piscavam.
A comida chegou.
Sentaram-se não exatamente um em frente ao outro, porque Gerard não sabia manter contato visual por mais de alguns segundos. Parecia que ia ficar sempre naquilo, naquela inércia. Sem nenhum tipo de comentário. Isso irritava Frank. Mas também não sabia o que dizer. Estava se esforçando, mas não conseguia pensar em nada que soasse coerente.
Mas veio mais espontâneo que esperava, quando colocou a comida na boca.
“Cara, acho que era melhor ter comido aquela monstro que você fez do que isso aqui. Tá horrível!” Falou, uma careta tomando conta de seu rosto bonito.
E Gerard, pasmem senhoras e senhores, riu. RIU.
E, como se isso lhe sufocasse há muito tempo, seu riso virou uma gargalhada de perder o fôlego, com direito a olhos lacrimejantes. Frank apenas o olhava como se tivessem crescido antenas verdes em sua cabeça. E riu também. Mas riu de Gerard, de como havia ficado com aquele comentário simples, que pareceu significar realmente alguma coisa. A partir daí, tudo mudaria.
Mal sabiam que era apenas começar.
Que confuso. Gerard conseguia surpreender, quem diria? Parecia convidativo. Intimidador. Quase sensual. Frank se sentiu ainda mais tentado.
Afinal, Gerard se mostrou como a esfinge.
Decifra-me ou devoro-te.
Notas finais
xo
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