Le Banquet
7 Capítulo 6 - Sur Le Fil
Notas iniciais
Eu sempre tenho medo de ficar sem fic pra postar, porque desacelerei o ritmo de escrita agora, mas tô no capítulo 18, já.
Acho que a fic vai até o 20 + epílogo, veremos! Acho que dá tempo de escrever até postar o 18, haha.
Saiu da casa de Gerard babando cólera, como um cão. Ele era um babaca e agora tinha certeza disso. Repetia para si mesmo que só queria ajudar. Suspirou pesadamente ao cair na cama, os pensamentos rondando. Pegou Jubarte no colo, afagando seus pelos dourados e macios. Ficou pensando na noite fracassada, na fúria. E naquele cheiro. Por que tinha de ser tão complicado?
Há alguns poucos quilômetros dali, Gerard também deitava. Puto. Não queria se deixar vencer. Resistiria até quando aguentasse.
Então os dias foram se passando, Gerard ficava ainda mal-humorado, fazendo apenas o que Frank o dizia para fazer no restaurante, já que havia dado o sinal verde para que Frank agisse como chef. O sinal foi silencioso, assim como os dias que estavam se passando. Os dois não se olhavam diretamente e não trocavam nem os cumprimentos cordiais.
Gerard era egoísta.
Queria se enterrar sozinho.
Queria deixar como estava, continuar sem paixão, sem muitas perspectivas. Ser um fracassado em potencial, como um pintor que não mais consegue fazer suas obras de arte e por isso ficava bêbado e chato. Gerard considerou a possibilidade de começar a ficar bêbado. Isso o fazia mais trágico e intimidador. E ele gostava. Mas Frank não, nem um pouco.
Nos intervalos, Frank falava com Olive, que tentava lhe dar alguns conselhos.
“Apenas sei lá, Frank. Porque não o agarra?” Dizia entre risos, os cabelos fazendo movimento de vai-e-vem, parecendo molinhas e Frank agora não gostava deles.
“Chega, Olive! Eu só quero o ajudar. E isso é tudo.” Ela lhe deu um olhar atravessado e transbordado de ironia. “É sério. Daqui há algum tempo podem ficar sabendo que ele não anda fazendo muita coisa e podem simplesmente despedi-lo.”
“Ele sabe disso, Frank. Se estivesse disposto a ser ajudado, já teria te deixado tentar.” Disse simplesmente, encolhendo os ombros. “Mas você não pode mais viver sem ficar o olhando de canto, sorrindo quando ele erra algum prato de um jeito cômico, não é mesmo?” E sorriu largamente.
“O quê- Ah, para.” Rolou os olhos infantilmente, mas ria um pouco também.
–x-
Gerard não o olhava.
Tentava evitar ao máximo topar com ele.
Tentava se esgueirar, fazer-se despercebido para não ter que encarar aqueles olhos inquisitores que tentavam tirar de si a sua essência, que iam até o fundo buscar por algo que achava que não poderia dar. Achava que se entrasse de cabeça baixa e saísse da mesma forma não seria visto. Mas era difícil, porque seus erros eram vistos e notados por todos os companheiros de trabalho. Os mais novos ainda riam, os outros apenas fingiam não ver, já acostumados.
E então num sábado a noite, com mais movimento que o normal, as mesas repletas de pessoas importantes para o restaurante, Gerard fez a maior cagada. Os pratos estavam atrasados, e o prato da noite, um caldo de batata com legumes frescos e aspargos, foi feito em quantidade astronômica e estava sob supervisão de Gerard. Todos os ingredientes necessários estavam ali, e não havia mais daquilo no estoque. Então, distraído, cuidando apenas para a sopa não ficar fria, se virou ao ouvir um barulho e levou tudo ao chão.
Para seu azar, o dono do Twelve Madison havia acabado de entrar, se deparando com aquela bagunça pelo chão e sua face se contorceu, vermelha.
Gerard não se machucou, mas o patrão já havia ouvido comentários sobre o desempenho do chef atrapalhado e carrancudo, e esse para ele era o fim da linha. Sabia que Gerard não era mais o encarregado por fazer os pratos, e sabia que estava pagando o seu salário como se o fizesse. Cuspiu fogo.
Gerard se encolheu.
Ele se aproximou, pisando na sopa, sem se importar com mais meleca.
“RU-A.” Disse entre os dentes, o suor brotando das têmporas.
“Mas-”
“Não, Gerard Way. Você está aqui há bastante tempo, e eu realmente não gostaria de ter que fazer isso. Mas você não tem mais colaborado, e eu acredito que não há mais ingredientes para o que está nos cardápios como a sugestão do chef e é sempre o mais pedido da noite. Eu tenho aguentado tudo isso, a sua falta de inspiração, os seus chiliques e a sua viagem pra sei lá onde. Tenho pago o seu salário em silêncio, vendo você, por alguns meses, afundar meu restaurante. E eu compreendi. Você é meu amigo, Gerard.” Falou mais baixo, passando as mãos sobre o rosto. Parecia agora mais compreensivo que nervoso, mais pesaroso que irritado.
“E-eu prometo que não vai se repetir, por favor não me demita. Frank vai me ajudar a voltar a cozinhar, vou ter aulas com ele, prometo me comportar.” Disso apontando para o chef, assumindo de novo aquela mesma expressão melancólica de quando Frank o dissera verdades, há algumas semanas atrás. Essas eram as duas feições que Gerard possuía: a de fazer com que as pessoas o odiassem, e a de fazerem sentir pena. Havia treinado bastante, e geralmente conseguia o que queria.
Todos olharam para Frank, inclusive o dono. Ele levantou a sobrancelha, contrariado.
“É mesmo, Frank? Isso é ótimo.” Disse somente. Adorava Frank. Assim como todos. Ouvir seu nome foi quase como se tivessem chamado um super-herói, e esse fosse tirar de todos os problemas e enrascadas, descer o seu gatinho da árvore ou coisa do tipo. Frank abriu a boca, mas não teve tempo de responder. Voltou o olhar para Gerard. “Limpe essa sujeira, não quero ver isso outra vez. Vou retirar a sugestão do chef dos cardápios. Te dou um mês para cozinhar, vamos fazer um teste para saber se ainda vai continuar conosco. Enquanto isso, Gerard, não quero te ver mexendo nessas panelas de novo.” E saiu.
Frank olhou descrente para Gerard, que tinha os olhos no chão. O bastardo.
Se tivesse olhando veria que Frank mandava um olhar fumegante e auto-explicativo que quase gritava incredibilidade. Não disse nada. Gerard limpou toda a bagunça sozinho, os outros tinham muito o que fazer.
Quando sairam do restaurante, Frank resmungava.
“Mas não era isso que queria?” Olive perguntou, enquanto comia hamburguer. Raramente comiam no restaurante. Frank, que tomava seu refrigerante, a olhou, as sobrancelhas pulando.
“Era, mas não queria que fosse assim. Ele me usou pra se safar.” Bufou, birrento e ofendido, pegando as batatas de Olive, que lhe deu um tapa na mão.
“Ah, você está parecendo uma criança. Apenas vá e lhe ensine.” Encolheu os ombros Olive, piscando os olhos esmeralda.
“É isso que vou fazer. Mas isso não me impede de ficar assim.”
“Nada pode te impedir, Frank, sabe disso.” E riu, porque sabia que Frank não era nada modesto. Confirmou suas expectativas quando esse inflou o peito e sorriu um sorriso infinito.
Notas finais
Espero que gostem e acompanhem
xo
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