Le Banquet

6 Capítulo 5 - La Dispute


Notas iniciais
olá! oi!
fico muito contente com os reviews, obrigada mesmo!

Respirou fundo. O coração batia no estômago, nas têmporas, nas mãos.

Bateu na porta. Não obteve resposta.

Bateu de novo.

Suspirou.

Escreveu um bilhete:

"Sei que não quer falar comigo, mas vamos jantar hoje, sim?

Eu cozinho.

Frank."

Também constava seu número, caso ele decidisse ligar. Passou por baixo da porta. E agora tinha que esperar que ele realmente soubesse quem era ele. Rodou em seu próprio corpo para sair dali, mas antes que pudesse perder o campo de visão da grande porta branca, o viu. Com os cabelos negros molhados caindo sobre a testa, o bilhete em mãos. E apenas uma toalha escarlate cobrindo a região em que Frank encarava sem pudor. Gerard ainda estava lendo o bilhete, e ao terminar, pegou Frank o checando. Levantou as sobrancelhas, e o encarou, enquanto ele tentava tirar os olhos das partes de Gerard, coisa impossível de se fazer, pois estava seguindo uma gota que veio do cabelo, passou pelo pescoço, pelo peito, pela barriga e... Estava tão vermelho quanto a toalha em volta da cintura.

“Eu estava no banho.” Explicou. Como se precisasse de uma explicação. “O que quer aqui?”

Frank tentou se concentrar, engoliu sonoramente e apenas conseguiu soltar um barulho estrangulado e desafinado que se parecia com algo do tipo “quero conversar com você”, a testa já molhada de suor. Estava calor, não?

Gerard insistiu que eles não tinham nada para conversar, já que nem se conheciam. Frank queria o matar, porque não conseguia ter um diálogo decente ou criar alguma frase condizente que o fizesse entrar na casa e fazer o que queria, com aqueles trajes (ou a falta deles). Então depois de alguma conversa, Gerard o deu as costas, mas não o convidou para entrar. Frank só entendeu que não precisava ir embora porque a porta ficou aberta, e entendeu isso como um convite.

Se ele ao menos soubesse que Gerard apenas o deixou entrar porque estava cansado de ouvir apenas gaguejos e constrangido pelos olhares nada discretos que lhe lançava...

Se sentou no sofá de Gerard e esperou, lembrando daquela gota... Maldita gota. Limpou a garganta algumas vezes, se concentrando em outras coisas, para que quando o outro voltasse, já conseguisse conversar normalmente e dizer finalmente o que havia o trazido ali. Decidiu olhar em volta para encontrar uma casa como Gerard: sóbria e crua. Tudo era branco ou preto, e não havia nenhuma cor além disso. Era quase sem graça, se não emanasse aquele cheiro em cada canto. Definitivamente era baunilha. Então Gerard voltou, sentou-se no sofá que ficava em frente ao de Frank, o encarando, esse agradecendo aos deuses pelas roupas que agora estava usando.

“E então...” Disse, a cara fechada, a testa franzida. O de sempre.

“Oh, sim. Sim. Gerard, me desculpe. Sei que não parece certo eu vir até aqui, mas precisava me desculpar. Me convenci de que seria uma coisa legal, sabe?”

“A minha demissão?” Disse, seco, os olhos cortantes.

“Não! O propósito era outro. Se você fosse ser mandado embora por isso, eu nunca aceitaria. Nós seríamos chefs juntos.” Sorriu, contente como uma criança.

“Juntos? Frank, eu não consigo nem cozinhar batatas...” Comentou com pesar, entristecido e rude.

“Você pode começar de novo, sabe disso...”

“Eu acabo de voltar de uma viagem, que supostamente era para relaxar, e ter de volta a inspiração, mas... Creio que ela nunca voltará. Não me leve à mal Frank, mas porque você não dá o fora?”

A intenção era amedrontar, intimidar. Mas Frank achou fofo. Ele havia decorado o seu nome. Mesmo o mandando embora, achou fofo. Não pergunte, nem ele mesmo sabe o que está acontecendo agora.

“Eu prometi um jantar, e um jantar vou fazer.” Disse, com simplicidade, encolhendo os ombros. “Venha me ajudar.”

E Gerard foi, controverso. Murmurou algumas coisas que poderiam ser palavrões ou pragas contra Frank. Decidiu que queria ficar em silêncio, e queria permanecer assim até o final da noite... Afinal, o que Frank queria? Fazer com que se sentisse ainda pior por não cozinhar? Já havia notado as habilidades dele na cozinha, e sabia que potencialmente seria humilhado. Frank só estava feliz por estar ali, e ainda tinha um pouco de esperança de que as coisas fossem diferentes no final da noite.

A cozinha, diferente do resto, tinha um pouco de cor. Frank se sentiu confortável ali, e Gerard apenas o ajudou cortando o que precisaria, sem correr o risco de colocar fogo na casa ou acabar com o prato da noite. Depois de uma hora e meia, estômagos reclamando e poucas palavras que se referiam apenas ao necessário, sentaram-se à mesa , e Frank se sentiu tentado a persuadir Gerard a se abrir com ele. Mas este não estava disposto a abrir mão de sua fortaleza.

Frank o colocou num turbilhão e perguntas, respondidas sempre vagamente.

“Você é daqui? Quantos anos tem? Onde está sua família? Do que gosta?”

Assim, descobriu alguns detalhes mínimos da vida de Gerard, como o fato de ter 30 anos, alergia a poeira, seu irmão mais novo que foi visitar na viagem. Mas era só. Enquanto isso contava da sua vida a suas proezas, o ego subindo a cabeça. Mas fortaleza nenhuma foi quebrada, nenhuma pergunta mais pessoal, nenhuma pergunta devolvida. Bastava um “e você?”, e Frank ficaria feliz, mas nem isso recebeu. Estava no mínimo desapontado, mas não desistiria facilmente.

Gerard era muito bonito para isso.

Ah, se Frank pudesse...

Deixá-lo em pé novamente, era só o que queria.

Queria um chef de verdade ao seu lado, trabalhando no restaurante. Isso. Restaurante. Era por isso que estava ali. Lembrou-se num solsaio, chamando atenção de Gerard, esse também com o pensamento distante, os olhos levemente esverdeados focando um ponto fixo bem longe dali, os lábios crispados.

“Gerard,” chamou baixinho, despertando os olhos perdidos “E agora? Você vai voltar, não é?” Disse, cuidadoso.

“Frank, eu não sei mais cozinhar.” Disse, ríspido. Quando é que tiraria aquela droga de barreira e aquela cara carrancuda?

“Eu poderia... Te ensinar. Outra vez. Começar do começo, sabe? Isso é, se você quiser.” Se embaralhou nas palavras e as soltou sem sentido nenhum, sem entonação, sem pensar direito. Gerard o encarou com a maior cara “Mas o que raios?” que possuía, e achou que nunca havia sido tão insultado na vida. Queria levantar, atirar a mesa aos ares, bater em Frank. Queria tirá-lo dali, e fazer com que parasse de mexer em suas feridas. Ficou em silêncio, os olhos transbordando cólera.

Levantou como um tufão, Frank não soube o que o atingiu. O que o grudou na parede e cuspiu palavras de ódio em sua face.

“Como ousa!?” Gerard falou, os olhos transborando.

Frank apenas se desculpava, e tentava se desfazer das mãos que o apertavam firmes.

“Quero que saia daqui, e não volte mais.” Falou entre os dentes, o som saindo apenas entre rangidos. De repente, como se fosse contagioso, Frank se contaminou com a ira de Gerard, e o empurrou tirando forças de algum lugar que não tinha conhecimento.

O dedo em riste, avançou em Gerard como um cão raivoso, falando baixo, mas o tom era como uma chuva de facas afiadas. Estranhamente, Gerard foi se encolhendo e medida que Frank se aproximava, a cara de ódio se transformando em medo. Não que achasse que fosse ser agredido com socos ou pontapés, apenas sabia que algo ia doer. Frank falou pausadamente, como se explicasse para uma criança:

“Eu vim até aqui para te ajudar. Você está perdendo seu posto, perdendo a sua vida. E tudo o que você faz é ficar com a cara fechada e sendo teimoso. Eu provavelmente deveria te deixar aí, fodido. Mas não, quero que você se erga. E o que você me faz? Avança em mim como a porra de um ofendidinho? Vá a merda.” Jogou as palavras no ar, simplesmente. Esse era um sentimento nunca aflorado em Frank. Suas palavras costumavam ser doces e seus gestos, delicados. Sabia usar como ninguém palavras educadas, mas naquele momento havia saído de seu corpo. Porque além de nunca ser ríspido, também nunca tinha sido imprensado na parede de forma não sexual. Nem o cheiro de baunilha exalado de Gerard — que estava muito perto -, o fez perder a coragem.

Ele era bonito, okay. Isso não lhe dava mais direitos do que levar Frank para a cama. Ele queria ajudar Gerard a tentar ter a sua vida de volta. Quem diabos era ele para recusar? E também queria tentá-lo. Desvendá-lo. E o socar. Queria tudo ao mesmo tempo, não necessariamente nessa ordem.

Mas Gerard não estava disposto a ceder. Não agora. Isso só aconteceria quando deixasse sua barreira pra trás, coisa que não estava disposto a fazer. Não agora. Não por Frank.

Nem ao menos por si mesmo.

A verdade era que gostava da postura que assumiu. Se achava intimidador e misterioso, mas todos o achavam um babaca. Apenas quem o conheceu antes dessa crise podia dizer que gostava de Gerard. Porque a personalidade roubada de algum personagem de algum filme clássico não chamava atenção de ninguém, apenas afastava as pessoas.

E Frank partiu, a face contorcida em uma expressão nada amigável, deixando um Gerard perplexo para trás, as palavras vomitadas rondando em sua volta.

Gerard, a vida não é um filme.

Notas finais
ih, pra quem esperava nc! :( hahaha
nervosinhos