Le Banquet

23 Capítulo 22 - A Lack Of Color


Notas iniciais
Bom dia, coisas mais lindas desse mundo! Então, chegou o grande dia, haha. Esse é o capítulo final, mas eu digo que o desfecho da história vem no epílogo, não se desesperem.
A música do capítulo é A Lack of Color, também do Death Cab For Cutie, e hoje é obrigatório ouvir! HAHAHA Mentira, não é. Tem um trecho pequeno da música no capítulo.
Espero que gostem.

“Sabia que viria.” Ela disse, o café tocando os lábios e disfarçando um sorriso vencedor. Estava bonita como sempre, os cabelos bagunçados. Estavam num café longe da casa de Gerard. Ele havia cedido depois de muita insistência, mensagens de madrugada e telefonemas demorados, quando ela não o deixava desligar de maneira alguma.

“Não me venha com essa. Só estou aqui porque disse que me deixaria em paz.”

“Você sabe que não vou.”

“Algo dentro de mim achou que sim.” Ele olhava para seu café, enquanto mexia, mexia e mexia, não querendo encará-la. Queria sair dali, mas aquele magnetismo era incontrolável, imutável. Naquele momento, podia jurar que ela o tinha. Fechou os olhos, porque sua cabeça girava.

“Te quero de volta.”

“Eu sei. Já me disse.” Respondeu calmamente, os olhos ainda fechados por não ser espanto algum. Aquilo não o abalou mais do que já havia feito.

“Você não me quer?”

Gerard ponderou por alguns segundos.

“Não.” Disse, mas sua voz tremeu. Ali, naquele exato instante, havia esquecido que seu pequeno provavelmente o esperava em casa, com provavelmente um sorriso tentador nos lábios, algo bom para comerem e muito carinho. Talvez fosse isso. Carinho demais. Gerard não estava acostumado a isso, mas sim à montanha-russa que Penelope fazia, dia após dia, trocando de personalidade como quem troca uma blusa. A verdade é que com Frank as coisas eram estáveis. E isso que não quer dizer se isso é bom ou ruim, é apenas diferente ao que estava acostumado. Ela o escaneava, atenta.

“Senti sua falta.”

“Então porque me deixou?”

“Oh, você sabe como sou. Impulsiva. León me chamou para um país novo, imagine só a aventura. Não podia ficar com você. Estava trabalhando muito, não tinha tempo para Penelope. Agora sinto a sua falta.” Ela disse, birrenta, os olhos sempre colados em Gerard, que se sentia um pouco incomodado.

Frank, ao contrário do que Gerard pensava, estava passeando com Olive, e fazia compras porque achava que não tinha casacos o suficiente, o que era uma mentira completa. Na verdade, sem ao menos perceber, ou sem querer confessar a si mesmo, estava perseguindo Gerard. Dizia não ter ciúmes, se fazia valente, mas a dúvida estava lhe corroendo. Será que Gerard seria capaz? Aquela mulher não parava de telefonar e importuná-los, mas Gerard ainda assim foi vê-la.

Ela tinha um poder sobre ele e Frank havia percebido.

Era por isso que passava em frente ao café que Gerard estava, e em dado momento, o viu parado em frente à porta. Puxou Olive para se esconder junto à ele atrás de uma árvore. Ela demorou muito tempo para realizar o que estava acontecendo. Perdeu até mesmo quando os cabelos esvoaçantes se aproximavam demais de Gerard, para lhe tocar os lábios com pouca sutileza.

Gerard devia empurrá-la.

Jogá-la longe.

Afastá-la de si.

Mas não o fez. Do contrário, retribuiu levemente, mas não sabia o porquê. Na sua cabeça, não se passava nada. Era tudo vazio, como nos filmes de faroeste onde se passam bolas de feno, o vento fazendo um barulho fino, estridente. Estava aliviado. Não sentia mais nada. Podia deixar isso para trás, como um livro que perdeu as páginas, e com isso, seu sentido. Achou que ela ainda tivesse algum efeito sobre ele, mas não sentiu nada em seu estômago (que costumava reclamar muito quando via Frank), nem sentiu seu coração aquecido. Nada.

Estava pronto para deixar Penelope de lado e viver sua vida. Ser feliz, como ela nunca o deixava ser, por sempre ter que cuidar dela, de seus surtos de personalidade.

Queria a vida pacata que tinha com Frank. O amor que o aquecia, que o tomava nos braços para o embalar para um sono profundo e com sonhos, milhões deles, em que Frank sempre aparecia muito disposto a fazer ele feliz.

Mas, do outro lado da rua, Frank tinha olhos marejados. Puxou Olive pelo braço, andando em passos largos e apressados, a ruiva ainda perguntando a ele o que diabos havia acontecido. Frank tinha um nó do tamanho de um hipopótamo formado em sua garganta. Pediu para que Olive o deixasse na casa de Gerard, porque tinha a chave (sim, Gerard lhe deu uma cópia, e agora Frank se perguntava o porquê, já que agora parecia muito mais interessado em um par de lábios carnudos).

“Está tudo bem, Frank? Parece que vai chorar.” Ela disse com pesar, quando Frank batia a porta do carro e negava fervorosamente com a cabeça, por mais que seus olhos e lábios crispados dissessem outra coisa.

“Sim, Olive. Não se preocupe.” Quando falou, parecia difícil de segurar as lágrimas. Sentia como se um caminhão tivesse passado por cima de seu corpo frágil. Duas vezes.

Mas era forte, não? Não conseguiria aguentar? Afinal, ele era Frank. Teria que desistir da sua personalidade? Assim como obrigou Gerard a fazê-lo? O jogo estava invertido. Seu coração rasgava o peito quando subia os poucos degraus em frente à casa de Gerard, o estômago fazendo voltas. Se ajoelhou perto do canteiro que ficava próximo à porta principal, rodeado por duas pilastras e ali colocou toda sua agonia para fora. Vomitou, a cabeça rondando, suas têmporas pulsando quase sonoramente.

Gerard havia o traído.

Traído sua confiança, seus ensinamentos, o seu amor.

Tinha que pensar à respeito disso, ao que faria quando conversasse com Gerard. Esperava que tivesse tempo para isso – e ao mesmo tempo não, pois se ele demorasse muito significaria que estava por muito tempo com Penelope, o que seria ainda pior. Frank repassou em sua mente a imagem deles se beijando novamente. Era só um beijo afinal, Frank, justo você? Se importando com um beijo? Um beijinho? Não te reconheço. Ah, se fosse apenas isso. Eram meses de lapidação intensa sendo jogados ralo abaixo, eram dias de dedicação para o fazer ser alguém melhor, para deixá-lo feliz, para o fazer acreditar no amor outra vez.

Queria ser racional, mas sua mente estava pregando peças. Seu coração gritava, ofendido.

Entrou na casa, inalou o cheiro de Gerard, que estava em tudo. Aquilo o nauseou ainda mais. Tomou um copo de água, ainda não tendo chorado. Nenhuma lágrima havia corrido de seus olhos, por mais que o quisesse fazer. Seu orgulho, mesmo ferido, não permitia.

Respirou fundo, tentou parar de pensar com tanta emoção, e deu lugar novamente ao Frank racional, depois de minutos tremendo as mãos, e soluçando quando tentava engolir um choro copioso, que queria desabar, mas não era deixado. Conseguiu pensar racionalmente por algum tempo, ainda que seu rosto ardesse de tão quente, que se sentisse enjoado e doente, que tivesse os olhos pesados — mas não mais que seu coração, que agora parecia não querer mais bater, deixando tudo silencioso.

Se limitou a lembrar de algumas coisas: o fato de Gerard nunca ter mencionado que levaria conhecer seu irmão, sua família. O fato de que nunca colocou realmente em palavras seus sentimentos em relação à ele. O fato de nunca terem assumido uma verdadeira relação de compromisso um com o outro. Talvez não pudesse exigir nada, afinal? Mas que tipo de relação era essa?

Já não sabia mais o que pensar, sua cabeça rondando e zunindo coisas sem sentido. Acabou pensando que não queria mais conversar coisa alguma, e fez menção de se levantar para sair, para deixar Gerard sem ao menos discutir. Se pegou cansado de toda essa situação, mesmo que só tenha repassado ela na sua cabeça por várias vezes.

Ouviu a porta da frente sendo aberta, quando se levantava para deixar a casa. Sufocou um soluço.

Os olhos verde-amarelados o encararam, e ali tinha um misto de espanto, culpa, tristeza, alívio e dor. Tinham também a certeza de amar Frank visceralmente, agora tendo descoberto que, sim, era o amor da sua vida não importasse o quê.

“Frankie, o que faz aqui?”

Mas Frank não estava disposto a encará-lo quando começou a falar, sem ao menos saber como tinha começado, suas frases formadas tão confusas quanto a sua cabeça estava naquele momento. Gerard já sabia exatamente o que estava acontecendo. Jurou ver cabelos ruivos perto de uma árvore. Então ele estava lá.

“Como pôde fazer isso? Achei que nós...” Ele dizia, mais triste que nervoso, mais chateado que raivoso.

“Frank, me desculpe, eu tive que fazer aquilo para provar a mim mesmo que já não existia sentimento algum por ela! E eu descobri, sabe? Descobri que eu te amo e quero ficar com você.” Lamuriou Gerard, suas palavras mais parecendo súplicas. Finalmente havia exprimido o que sentia em palavras. Mas isso não abalou Frank. Na verdade, mal escutou.

“Eu me dediquei à você. Te moldei. Te dei amor e tudo o que pude. Ainda tinha dúvidas, depois de tudo o que fiz? Eu devia imaginar.” Ele resmungou, acenando a cabeça de um lado para o outro. “Quis te fazer forte, mas você é fraco. Quis te tirar do poço, mas você quer se afundar outra vez. Faça isso sozinho.”

“Não, Frank. Eu quero você. Não entende?” Gerard falou, um pouco alterado. “Foi só um beijo.”

“E esse beijo signific-”

“Significou vazio. Oco. Significou coisa nenhuma.” Gerard praticamente gritou, as mãos jogadas no ar. A postura de Frank o irritava agora. Suas palavras sempre calmas, mas afiadas como o diabo.

“Significou que não deu valor a tudo que fiz, que os esforços que tive foram em vão, e que aquela vadia ainda te controla como um fantoche. Que a sombra dela sempre vai viver em você. Significa que eu vou embora.”

Frank fez menção de sair, mas Gerard o segurou. Tentou se desvencilhar, mas ele era mais forte. O olhou nos olhos pesarosos, finalmente conseguindo manter contato visual.

Uma lágrima finalmente escorreu, lenta, pela bochecha de Frank.

Gerard desmanchou toda a sua expressão nervosa, seu discurso planejado de última hora em que pedia para que ficasse, agora arrependido de ter tomado uma postura agressiva. Quem deveria estar sendo agressivo agora era Frank, mas esse continuava impassível.

Por fora, apenas.

Por dentro, estava em tantos pedaços que mal podia contar. Ou juntar.


(…)I should have given you a reason to stay

Eu devia ter te dado uma razão para ficar

Given you a reason to stay

Dado uma razão pra ficar(…)


“Por favor. Não quero mais ficar aqui.” Frank pede, tentando parecer ofendido. Consegue. Gerard o solta, o deixa ir.

Imagina que amanhã vai mandar flores pedindo desculpas.

Que Frank vai entender.

Que vai consertar os erros que cometeu e fazer tudo certo, dessa vez.

Que eles vão conversar. Que ele vai poder explicar o que sente.

Que vai explicar as atitudes que tomou. Que vai ronronar levemente contra o seu peito, enquanto se aninha em seus braços.

Que vai lhe tomar os lábios calmamente, e eles serão doces como morangos. Que irão fazer as pazes. E serem felizes, porque afinal, foi por isso que Frank batalhou.

Não imagina que não, Frank não leva desaforos, por mais que tenha tentado tanto.

E foge, quando pressionado por situações como essa.

E as flores chegam ao apartamento dele no dia seguinte, mas Frank não está mais.

Gerard vai ao restaurante procurar pelo seu pequeno, mas tudo que encontra é Olive em um canto, um pouco chorosa. Pergunta o que aconteceu, e ela diz que Frank voltou à França. Que quer que Gerard o deixe em paz. E que deixou Jubarte para trás, com ela, pois não poderia levá-lo de volta para Paris.

Gerard se sente tonto. Aconteceu muito rápido. Depois de tanto tempo sendo conquistado dia por dia, de tantos esforços que não foram poupados para fazê-lo bem, depois de uma infinidade de carícias, Frank foi embora como uma nuvem, rápido e quieto.

Pensou que deveria correr atrás dele, pegar o próximo vôo, mas tudo o que fez foi ir para casa e chorar. Frank não o queria por perto, já havia deixado claro. Havia o perdido.

Frank também chorava, enquanto estava no vôo. Seu ego, afinal, não era tão inabalável. Sua força escondia uma fraqueza imensa. Sua pretenção nada mais era que insegurança. Sua confiança não existia, eram ciúmes. Voltou a ser o menino que deixou a cidade que nunca dorme, choroso e fraco. Apaixonado. Triste. Rejeitado. Foi um beijo que destruiu a confiança que tinha num trabalho bem feito.

A sua obra-prima.

Perdeu o encanto que Frank havia transformado com tanto cuidado, carinho e dedicação.

O que restou foi objetivo de Frank, sempre lá, como um prêmio de consolação: Havia reerguido Gerard. Havia o feito diferente. Apesar de tê-lo chamado de fraco, havia o feito forte. Havia o ensinado a viver outra vez. A conversar, a se livrar da cara fechada, a cozinhar, a amar. Seu propósito foi esse o tempo todo. E agora esperava que ele soubesse o que fazer com isso tudo.

Havia juntado seus pedaços.

Havia o amado, afinal.


Notas finais
Pois é! Eu sempre falei: Gerard bobinho. HAHA.
Muito obrigada pela companhia de vocês, tem sido muito especial pra mim poder contar com vocês! Espero que todos os leitores (inclusive os fantasminhas) apareçam pra dar um olá, digam se gostaram da fic ou não, enfim... O epílogo vem à noite, lá pelas 19, 20h.
E, ah, quem quiser manter contato, haha, pode me mandar mensagem pessoal por aqui ou me adicionar no facebook, eu acharia muito legal, mas tudo bem se não quiserem.
♥ AGUARDEM