Le Banquet

24 Epílogo - Le Retour


Notas iniciais
Bom, chegamos ao fim.
Queria continuar com vocês pra sempre, mas a história acabou. Espero que fiquem contentes com o final, porque eu fiquei.
Sim, o epílogo e o prólogo tem nomes iguais, porque os dois falam de retornos.

Hoje é um dia quente em Paris, mas é de se estranhar, nessa época do ano. Os casais estão nas ruas, as crianças brincam no parque, as pessoas levam seus cachorros para passear. O fim de tarde está chegando, e uma brisa leve de primavera bagunça os cabelos de quem resolveu sair.

Frank, pelo visto, havia sido uma dessas pessoas. Chega dentro de um carro porque estranhamente perdeu o medo de dirigir. Tira algumas compras do porta-malas, porque hoje tinha planejado fazer uma lasanha para si mesmo, celebrando não sabia o quê. Talvez seja a descoberta de que sua vida está começando a fazer sentido novamente. Tem um emprego magnífico, a sua casa que condiz com as expectativas de Paris, os seus dias ocupados para não pensar em bobagens.

Fugiu de Gerard porque havia descoberto que sua autossuficiência, seu ego inflado nada mais eram que mentiras que contava a si próprio. Acostuma-se com a ideia de que o reergueu e isso é uma coisa boa. Agora ele sabe como cozinhar, como resistir, como amar novamente.

Obviamente, se pega pensando vez ou outra como Gerard havia reagido com seu sumiço repentino. Imagina que ele possa estar com Penelope novamente, que continua sorrindo como o ensinou. Não imagina que ela, pouco depois de tentar Gerard, logo voltou para Leon e foi para outro canto do mundo, como se aquela vez tivesse voltado apenas para estragar sua felicidade. Entra em casa, tira os sapatos, bagunça seu cabelo. Tem um sorriso nos lábios porque o dia está agradável.

Sente falta da sua vida em Nova Iorque, mas tem mais apreço pela vida que leva aqui.

Gosta da vida pacata.

Se acostuma com a falta das borboletas no estômago.

Decidiu não procurar mais ninguém. É mais fácil assim. Conserva seu amor por Gerard em um canto no seu coração, porque tem uma história inacabada. Faltam explicações, desculpas e reconciliação. Sua história com ele ganhou reticências ao invés de ponto final. Talvez ainda ganhe algumas exclamações, aspas, parênteses e vírgulas, mas ainda não tem como saber.

Se pega pensando, enquanto faz o molho de sua lasanha, que gostaria de pontuar corretamente sua vida com Gerard. Tudo estava em aberto. Talvez só está esperando alguma brecha para que possa voltar a dizer para Gerard que agiu errado naquele dia. Que devia ter conversado, entendido, porque o ama. Por enquanto, ainda estava a construir seu ego novamente. Juntar os pedaços do que sobrou, depois de tantas desilusões que teve em sua vida, a decepção que teve com Gerard trazendo todas elas à tona outra vez.

Cantarola baixinho, enquanto cozinha, porque está sozinho. Sua única companhia é ele mesmo, e sabe disso. Cogita a hipótese de ter um cão outra vez, por mais que o espaço não seja grande coisa. O faria feliz de qualquer forma, o levaria passear, brincaria com ele. A verdade é que abandonou Jubarte (seu coração se apertava quando usava esses termos) porque ele o lembrava de Gerard, e, naquele momento, não queria pensar sobre ele.

Não sabia que pensaria nele de qualquer forma, com cachorro ou não.

Ele estaria presente nele mesmo que não gostasse disso. Mesmo que achasse que deveria esquecê-lo. Passa a mão sobre seu pingente, seus olhos pesam um pouco

Gerard tentou fazer o que Frank lhe ensinou: esperar o momento certo, se sentir tentado sem poder fazer alguma coisa, aguardar pelo que viria a seguir, sem exigir demais. Foi por isso que, durante esse tempo todo não foi procurar o pequeno. Estava sendo forte como foi ensinado a ser. Descobriu nesse tempo que, sim, amava Frank, e não podia perdê-lo de forma alguma. Levou sua vida enquanto pôde – 4 meses. Foi quando pegou um avião e foi rumo à França, resolver assuntos inacabados. Sabia bem que eles não faziam bem para si, e esperava contornar a situação. Não queria se deixar corroer por um passado que poderia ser presente.

Como fez com Penelope.

E se arrependeu amargamente.

Não sabe qual é o desfecho, mas se demite do Twelve Madison. Espera que se Frank negue seus pedidos, possa usar isso como um trunfo, um golpe final que demonstra tudo o que sente por ele. Pensa que, se der certo, fará tudo certo dessa vez. O levará à Seattle, dirá que o ama todos os dias em que acordar ao seu lado com um sorriso preguiçoso. Sorri com a ideia.

Toca sua campainha, o coração vibrando descompassado, os lábios partidos para conseguir respirar melhor. Frank acha estranho, porque não espera visitas. Sorri pensando que vai chamar seja quem for para comer com ele, porque tem descoberto que não gosta de fazer refeições sozinho.

Quer dizer, sua companhia é boa, mas está um pouco cansado de falar sozinho, ou cantarolar para si mesmo. A verdade é que também sente falta de ser abraçado enquanto cozinha, de sentir alguém perto de si, de se sentir aquecido, de ter alguém ao seu lado durante a noite. Mas já dissemos, está cansado. Está juntando os cacos.

Se preparando para a próxima.

E, na verdade, a próxima nada mais é do que mais do mesmo.

Gosto de dizer que nada acabou de fato. O sentimento ainda estava ali, sendo cultivado para que numa próxima oportunidade estivesse mais forte. Pudesse aguentar os intemperes que a vida oferece, e pudesse resistir à tudo isso. Frank havia perdoado Gerard silenciosamente. Gerard havia descoberto que sua vida não tinha mais sentido algum sem Frank por perto. Deveriam curar suas mágoas, praticar o que lhes foi ensinado, para então poderem colocar tudo isso em prática sem serem quebrados novamente.

E é com uma paz crescente em si que Frank abre a porta.

Seu coração falha uma batida.

Sua respiração não existe.

Ali está Gerard, Jubarte no colo, um sorriso diferente nos lábios.

Um sorriso esperançoso.

“Olá, Frankie.”

Os joelhos de Frank tremem, seus olhos ficam levemente molhados, suas mãos estão dormentes. Sua visão está turva. Sua voz vacila, seu rosto arde, suas pernas não conseguem se mover.

“Oi.” E, com o corpo vacilante, pega Jubarte em seus braços, mas seu sorriso é firme, imenso.

Gerard está em sua frente, forte.

Sorridente.

Completamente apaixonado.

“Você quer entrar?” Diz, porque sabe, olhando para ele, que durante esse tempo também ficou cultivando seus sentimentos, encarando a realidade e se martirizando pelo que fez. Agora é definitivo. Está preparado para Frank. Gerard passa a mão sobre seu rosto macio, as mãos trêmulas de ansiedade. Frank fecha os olhos.

“Por que não?”

FIM

Notas finais
Então, um final feliz pra vocês! Espero postar outras fics em breve, e vou avisar todas que quiserem onde postarei.
Agradeço muuuuuuuuuuuuuuito a todos que acompanharam, que me deixaram felizes e fizeram meus dias melhores. Essa fic foi uma terapia pra mim, espero que tenha sido tão bom pra vocês também.
Vou agradecer muito mais nos comentários de cada uma de vocês, amanhã! ♥ Vocês são muito importantes pra mim!
Vejo vocês logo!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!