Le Banquet
5 Capítulo 4 - L'absente
Notas iniciais
Fico feliz que estão gostando. Obrigada!
Era hora do jantar e a funcionária era nova. Uma cozinheira qualquer que Frank decidiu por não ir com a cara, mas tratava igualmente aos demais. Sendo assim, por volta das 21, um homem entrou na cozinha. Vestia suéter e camisa, calças justas e sapato.
Frank inflou o peito, limpou as mãos no avental e se preparou para receber cumprimentos. Sorriu bobamente, porque aquele cara era “wow, eu poderia foder contigo a noite toda, bonitão.” Pesou isso mas tudo que saiu foi um “oláááá” prolongado, com um sorriso de flerte. Esperou receber elogios, ou ouvir que ele gostaria de falar com o chef, mas ele ficou em silêncio, o encarando.
“O que deseja, bonito?” Frank disse, ainda flertando, obviamente gay.
As sobrancelhas marcantes do homem pularam um pouco, como quem diz que porra é essa entre os dentes.
“Me desculpe, quero falar com Bob” O homem o escaneou com certo escárnio.
Frank havia mudado seu nome agora para Frank-no-chão-Iero, porque Bob gritou lá do fundo: “Gerard!” e este sorriu fraco, caminhado para o loiro e deixando Frank com cara de tacho. Então era ele. O depressivo abandonado pela esposa, o chef sem inspiração. Frank se limitou a pensar minimamente que poderia dar inspirações para ele. Mas logo abanou os pensamentos lembrando do olhar mutilante do chef. Voltou a seu posto, cozinhando de cabeça baixa, levemente ruborizado pelo flerte óbvio e fracassado.
Bob foi para o escritório conversar com Gerard, e então Frank focou no seu trabalho, que agora se resumia em ser igual aos demais e ficou um pouco triste, como não ficava há dias. Não queria abandonar seu posto, seus elogios, ficar mentindo, e ser mascarado. A noite apenas correu sem mais problemas, pois Gerard foi logo embora, passando por Frank e o olhando novamente, dessa vez sem nenhum sentimento nos olhos, só o reconhecendo. Bob falou de Frank para Gerard, a nova contração (como sub chef) do Twelve Madison.
Assim, a rotina foi mudada novamente. Ele ainda ia às feiras, pela manhã. Mas chegava mais tarde, porque só o chef chega tão cedo ao restaurante. Os pratos passavam por Frank sem que Gerard notasse, muito compenetrado em não foder os pratos. Frank apenas aparecia quando os pratos estavam prestes a ser levados e jogava um punhado de especiarias em cima dos pratos, disfarçadamente.
Era uma bosta.
Teve a certeza de dizer isso pra si mesmo pelo menos 30 vezes durante o almoço.
Notou que Gerard não falava com ninguém, apenas com Bob. E ainda assim, pura e unicamente sobre o prato que estava fazendo. Errou quatro pratos, deixou o macarrão por tempo demais e a sopa ficou aguada. Frank apenas suspirava e tentava concertar os pratos que não estavam queimados quando esses chegavam à bancada que era o ponto final antes dos pratos serem entregues.
Depois do almoço, Olive e Frank conversaram no parque, e Frank dizia:
“É uma bosta!” Ao que Olive apenas assentia, triste.
Tristeza essa, que aliás rondou o restaurante com a chegada de Gerard. Ele tinha o poder de deixar todos cabisbaixos e quietos, temerosos de falar alguma coisa e serem respondidos com brutalidade. Ainda não conhecia o chef, pois esse tinha uma barreira maior que a de um castelo feudal em volta de si e não permitia qualquer aproximação, qualquer “bom dia” ou coisa que o valha. Qualquer flerte. Mas Frank sabia que Gerard sabia de sua existência. Tinha que saber. Apenas não o olhava, só isso.
Quando cozinhava, ficava o olhando de canto de olho, só para ver as caretas e expressões que fazia quando estava compenetrado demais errando todos os pratos. Frank o achava muito bonito. Sempre que pensava nele, pensava assim, como um cara bonito e triste. Era engraçado o observar. Talvez ele pudesse quebrar o seu coração novamente, com a indiferença. E isso nunca havia acontecido com Frank. Ele estava provando o gosto amargo de ser totalmente ignorado e não notado. Isso machucava seu ego e a si mesmo, já que se sentia meio tonto quando Gerard passava ao seu lado, o cheiro de canela e algo doce como baunilha lhe tomavam toda a atenção.
E então, um mês após a chegada do chef-opressivo-depressivo, aconteceu.
É aqui que entra a cozinheira que Frank não gostou desde sempre. Frank estava terminando um Petit Gateau, com os olhos fixos enquanto colocava a cobertura de forma artística, quando aquela vaca veio andando em sua direção e gritou, sim, gritou “CHEF”, ao que ele continuou com os olhos fixos.
“Sim”, Gerard respondeu.
E ela completou: “Estou falando com o chef. Frank!”
Os olhos fixos arregalaram-se, ele mandou um olhar de cale-se-sua-puta-com-lasers para a maldita que apenas mascava um chiclete o olhando, esperando assentir.
“Fale com Gerard, ele é o chef.” Disse somente.
“Ora...”
CALE-SE, CALE-SE, CALE-SE, CALE-SE, POR FAVOR.
“Mas...”
CALE A PORRA DA BOCA.
“É você quem vem dando o tempero final nos pratos, não esse cara-fechada. E algumas semanas atrás estava dando as ordens também, não é?”
VACA!
Agora foi a vez de Gerard abir muito os olhos, olhando para os lados, procurando os olhos de subordinandos e não encontrando nenhum, todos eles colados ao chão como se houvesse uma infestação de baratas, ou algo tão interessante quanto na louça branca do piso. Bob se adiantou para falar com Gerard, que já havia entendido tudo. Estava sendo deixado para trás.
Tirou seu avental calmamente, mas seus olhos estavam em chamas, suas bochechas também. Girou os calcanhares e saiu com Bob o acompanhando. Frank queria chorar. Se esconder. Não queria mentir. E agora Gerard o odiava. Por quê, raios? Ele é tão lindo...
“Saia da minha frente,” vociferou Frank, exaltado. Mas o que mais se via não era raiva, e sim tristeza. “Você está demitida!”
“Ora...” Começou novamente “se você não é o chef, não tem como me despedir.” E riu. Sim. Riu na cara de Frank.
“Vá. Embora.” Ralhou, com o tom mais ameaçador que tinha em sua garganta. Mas parece que adiantou, porque finalmente ela foi. Mas Frank estava desolado. O que faria?
Bob voltou um pouco depois, a cara no chão, os olhos tristes. Frank o seguiu até o escritório, onde ele havia entrado e fechado a porta atrás de si. Bob não o olhou, mas sabia de sua presença. Ainda de costas, começou a falar com Frank.
“Eu sabia que não iria dar certo. Nunca daria. Agora magoei meu amigo. Ele quer se demitir, Frank. Sabemos que ele não está no seu melhor, mas vai passar! Eu sei que sim, não quero ele longe daqui...”
“Bob, me passe o endereço dele. Eu vou até lá.”
“Não, Frank.”
“Porra, me deixe ir até lá.”
Então depois de certa insistência e persuasão, Bob passou o endereço, ainda temeroso do que estava por vir.
“Não vá hoje”, disse simplesmente. “Ele está muito abalado, só vai fazer pior. E você ainda tem trabalho. Amanhã é sua noite de folga.”
A noite Frank saiu, dessa vez sozinho, e terminou na casa de um estranho. O que o fazia se sentir bem e mal ao mesmo tempo, mas precisava daquilo. Precisava ver que não era um fracassado e era essa a confirmação.
E foi até a casa de Gerard. Deixou Jubarte em casa, imitando a voz dele quando dizia “boa sorte, papai, boa sorte”, como um idiota. Pegou o carro, pois era longe e já era noite. O caminho parecia longo e escuro, e quase bateu em um motociclista, apavorado. Dirigir não era uma de suas especialidades. Suspirou aliviado quando chegou ao que parecia ser a casa de Gerard. Assoviou. Era linda.
Notas finais
Espero que gostem.
Imagino o chatinho do Gerard assim: http://data.whicdn.com/images/34052233/tumblr_m84jjkjjzQ1rssk28o1_500_large.gif
coisa mais linda dessa vida ♥
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