Le Banquet
14 Capítulo 13 - La Terrasse
Notas iniciais
Os dias seguintes foram realmente frios. Frank não sabia se pelo clima que já se inclinava ao inverno ou se pela áurea de Gerard, que fazia questão de ignorá-lo todas as vezes que passavam um pelo outro. Haviam dividido os pratos para um não prejudicar o outro (ou para Gerard não ter que trocar palavras com Frank). Ele desviava o olhar e fugia como um criminoso, furtivo. Quando o beijou, Frank jurou que tinha sido correspondido, mas agora já não estava certo disso, porque os dias que se seguiram foram torturantes. Não podia pressionar ou exigir algo de Gerard, que não havia lhe prometido nada, mas podia ficar triste, certo?
Queria puxar algum assunto, chegar ao pseudo-relacionamento que tinham, mas nem isso Gerard deixava. Havia subido outra barreira em volta, e continuava carrancudo, como se Frank não ouvesse o mudado. Ele nem o reconhecia mais.
Estava triste. Decidiu que dessa vez não contaria a ninguém sobre a sua pequena aventura, porque dessa vez era diferente. Não conseguia sentir-se orgulhoso de si, porque não era correspondido. Nem notado.
O que aconteceu em seguida foi que Frank deve ter passado por alguém com o vírus da gripe e estava quase agradecido por isso. Estava com febre e nessas horas sabe-se exatamente o que fazer, e não é ir ao médico. É chamar a mamãe. Linda apareceu logo, como qualquer outra mãe o faria. Preocupada como qualquer outra.
Trouxe uma pequena farmácia de casa e mais parecia uma curandeira com aquele monte de infusões que fazia com os chás que trouxe. Frank ria porque há tempos não era tratado como um bebê, e gostava da atenção excessiva da mãe. Fazia se lembrar de como conseguia ser importante na vida de alguém. Fazia dois dias que estava de cama, havia ligado ao restaurante que o liberou, já que o novo chef poderia aguentar sozinho alguns dias de expediente como Frank havia feito.
Frank estava deitado no sofá com Jubarte e não se sentia nada bem. O cãozinho ficou por perto o tempo todo, e havia parado de morder as coisas compulsivamente, respeitando o estado de Frank. Sua mãe lhe trouxe um chá e ficou sentada ao seu lado, afagando os cabelos finos de seu filho.
“Oh, eu me lembro quando você era apenas um bebê e costumava ficar doente. Eu deixava tudo para cuidar de você. Me perdi entre esse momento e o que você é agora, e isso é estranho. Você me surpreendeu.” Falou, orgulhosa. “Mas sei que há algo errado. Quer compartilhar?”
“Nah. Tem esse cara e ele mexe comigo. Não sei o que fazer.”
“Ele já te deu a chance de tentar?”
“Apenas uma vez, e eu fui em frente. Mas parece que ele recuou. Eu estou tão, tão confuso. Isso nunca me aconteceu antes.”
“Talvez ele esteja apenas assustado. Você assusta qualquer um, é muito seguro de si e ninguém é acostumado com isso. Dê um tempo a ele.”
“Eu sei. E ele nunca me prometeu nada. Na verdade, nunca conversamos sobre isso. Sobre nós. Se é que existe ‘nós’.”
“Mas você quer recuar?”
“De maneira nenhuma.”
“Esse é o Frankie que eu conheço. Agora descanse. Feche os olhos.” Deu-lhe um beijo na testa e continuou o carinho nos cabelos do filho, que tirou uma soneca agarrado ao seu filhote. Ficou o olhando e notando como o filho era bonito, orgulhosa do trabalho que fez. Frank era decidido e bem resolvido com si mesmo e isso o ajudava bastante.
Linda acabou por adormecer também, e o motivo já falamos: o sofá de Frank era tentador. Chamativo e persuasivo, assim como quem o comprou. Não soube quanto tempo demorou a soneca, mas acodou com um Frank gemente e suado, ainda dormindo. Estava muito febril e agitado, a face contorcida e levemente rosada. A mãe o chacoalhou um pouco, o acordando para perceber que estava provavelmente tendo uma alucinação. Seus olhos perdidos no nada e ele gritava “Não, não, não me deixe!” em prantos.
A sua primeira e única reação foi levá-lo ao hospital e ficar ao seu lado.
Frank ficou internado e só o que conseguia pensar era que Gerard não se deu ao trabalho de visitá-lo. Nem um dia, nem por alguns minutos. Como se não significasse nada. E talvez não significasse. Ele não sabia e não tinha como saber, já que Gerard não o visitava, nem telefonava, nada. Apenas o silêncio.
Não queria se sentir assim e nem queria explicações, só queria tê-lo ali.
O que não aconteceu.
Depois de três dias foi para casa com o dever de tomar os antibióticos e antiinflamatórios corretamente, já que sua mãe não ficaria mais para cuidá-lo. Já se sentia bem e ao chegar em casa foi ao terraço, coisa que raramente fazia. Era um lugar realmente bonito, bem projetado e espaçoso, com várias plantas ornamentais e coisas assim. Um banco branco no qual Jubarte pulou para ficar ao seu lado. Havia sentido saudades. A mãe de Frank havia cuidado dele por esses dias, mas não tinha a mesma atenção.
Jogou uma bolinha vermelha e o cachorro babão saiu correndo atrás dela. Já estava maior e seu pêlo estava escurecendo. Era um cachorro muito divertido e Frank o amava. E sabia que Jubarte o amava de volta e isso o fazia muito feliz.
Bobo.
Mas feliz.
-x-
Gerard estava em casa, preocupado. Frank não foi durante a semana toda ao restaurante, e isso o deixava perturbado. Não queria ligar nem visitá-lo – Bob disse que ele havia ficado doente -, porque achou que Frank não iria querer vê-lo por causa de seu comportamento depois do que aconteceu. Se sentia constrangido por tê-lo deixado nessa situação, depois de tanto apoio.
Ele estava perdido.
Havia falado com Bob nesse mesmo dia, e era domingo, o que quer dizer que o restaurante estava fechado. E Frank já havia saído do hospital. Decidiu por visitá-lo. Pegou o carro e foi dirigindo até lá, e chovia. Chovia como naquele dia que passava pela cabeça de Gerard a cada pouco, uma semana antes. Havia gostado do contato e gostava de Frank. Mas queria uma resposta para isso tudo e achou que o único jeito de tê-la era ir até o apartamento dele. Deus sabe como ele estava certo.
Apesar de ter enrolado um pouco para ir até lá, demorando mais tempo do que deveria, chegou. Uma sensação diferente no estômago, não sabia se era medo ou ansiedade ou tudo junto, mas isso tudo estava ali com ele, denso, como um fantasma.
Respirou bem fundo. Três vezes. Tocou a campanhia.
Frank abriu a porta e o olhou por algum tempo com os olhos focados, mas sem nenhuma expressão. Gerard julgou isso como uma coisa ruim, e ia começar a falar quando Frank se lançou e o agarrou pelo pescoço numa atitude que poderia ser violenta se não fosse feita com delicadeza, e antes que pudesse falar algo grudou os lábios rapidamente, antes que o impedisse ou empurrasse.
Esse foi um beijo desesperado.
Precisava daquilo, bebia como se fosse uma fonte e tivesse passado dias no deserto.
Quando viu que não seria afastado, diminuiu a intensidade e apenas o beijou por vários minutos, sentindo um calor ir e vir no seu corpo (e não era febre). Enroscou sua língua na de Gerard, lhe mordiscou os lábios, passeou as mãos pelas costas, apoiou-as no peito, se inclinou para ele.
Então, Gerard o afastou.
“O que está fazendo? Estou confuso, Frank, esperava que você me ajudasse.”
“Achei que isso foi ajuda o suficiente.” Falou debochado, um sorriso crescendo nos lábios.
“Pois isso só me deixa mais confuso!” Bateu o pé.
“Então porque não me afasta? Sempre me deixa chegar perto, sempre me deixa beijá-lo pra depois vir com confusão! Por favor, Gerard.”
“Eu... Não sei. Estou confuso, confuso...”
“Então entre. Vamos tomar um chá e conversar.”
“Promete não me beijar outra vez? Enquanto não me resolver?”
“Prometo.”
E assim foi. Os dois conversaram calmamente, como se Frank não tivesse quase vomitando de ansidedade pela presença dele depois daqueles beijos. Morrendo de vontade de ir mais longe. Olhando seus lábios e lambendo os seus próprios, sedento. Gerard fingiu não notar. Só dizia que estava confuso e Frank estava cansado. Não tocou no assunto deles dois, falaram apenas sobre a doença de Frank e como estavam as coisas no restaurante.
Gerard sentiu o melhor cheiro do mundo vindo da cozinha de Frank e esse lembrou que havia posto uma torta de maçã no forno. Voltou com dois pedaços e sorvete de creme, e os dois comeram. Gerard jurava ter tido um orgasmo alimentício (se é que isso existe), pois gostava muito de doces e a torta estava perfeita. Absolutamente perfeita.
Terminaram a conversa, Gerard se encaminhando à porta.
Quando chegaram, Frank disparou: “E agora, Gee?”
“Eu não sei, honestamente. Só... Me deixe pensar sobre isso tudo. Eu est-”
“Está confuso, sim, eu sei.” Terminou o que Gerard iria com certeza falar. “Mas eu não. Quero ficar contigo.” Disse honestamente, como sempre fazia. Não tinha nenhum tipo de filtro entre o que pensava e o que dizia. Era tudo a mesma coisa. Não conseguia mediar as palavras e isso assustava.
“Você me assusta.”
Frank riu.
Se aproximou e o beijou outra vez. Mesmo que Gerard tivesse pedido para não o fazer. Mas não recuou, como nunca o fazia.
Porque sabia que gosto teria. Era de maçã e canela, morno como uma manhã ensolarada de domingo.
Notas finais
xo
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