Laura

I'm Only Human


MaybeI’mfoolish, maybeI’m blind

Thinking I canseethrough this

Andseewhat’s behind

Got no wayto prove it, somaybe I’m blind

Apesar de Joey, Jonah e Gideon conseguirem distrair os amigos com suas aventuras – mesmo que o olhar de Siryn sobre eles fosse duvidoso –, o silêncio de Rictor começou a incomodar Erik de uma maneira que o deixou tenso durante toda a viagem.

— O que há com ele? – Scott se aproximou, murmurando discretamente. – Está afastado do grupo.

— Pois é, uh, – Erik coçou a cabeça. – Eu vacilei.

Contou-lhe o que havia acontecido, que os Carniceiros tinham informações exatas sobre as crianças e que não queria nem pensar no problema que General Stryker seria ao ler os arquivos.

— Em alguns minutos estaremos no Instituto, até lá tenta descobrir com ele quais arquivos estão faltando.

Erik assentiu, dando a volta pela van e pegando os papéis amassados com Peter.

— Rictor. – o homem chamou, sentando-se ao lado do garoto. – Olha, aqui estão os arquivos que eu consegui de volta. Você poderia...?

— Ah, sim. Sim, sim.

O garoto olhou atentamente cada uma das folhas, soltando um palavrão quando acabou.

— O que, quem está faltando?

— Jonah, Jamaica... e o Bobby.

Erik assentiu, apenas três arquivos... Menos mal, certo? Frustrado, suspirou. Há quem ele queria enganar?

Virando a cabeça, reconheceu o tal Bobby, um garoto gordinho de pele escura e sorriso simpático.

— Acho que ele vai entender bem se explicarmos direitinho. Jonah também.

— É, mas não são eles que me preocupam. – Rictor bateu em seu ombro e apontou para uma garota sentada, cabelos negros longos cobertos por uma bandana verde e vermelha. – Aquela é a Jamaica, ela anda tanto com a Erica que a gente brinca dizendo que elas são os extremos uma da outra.

— Deixa eu adivinhar, enquanto a Erica sente de menos...

— ...a Jamaica sente de mais, sim.

— O que ela faz?

— Manipulação das plantas... e pode ser um pouco sádica se estiver com medo.

— Nada que um psicólogo não resolva.

Rictor bufou.

— Ela já teve três na Transigen, não acabou bem.

O homem prendeu a respiração, tenso. A garota não parecia ter mais que 13 anos, era doentio imagina-la coberta de sangue. Se bem que Laura tinha muito menos...

— E o que aconteceu?

— Ela mordia eles.

Soltando a respiração, ele rolou os olhos pra dentro da cabeça.

Hey! É mais sério do que parece! – Rictor reclamou.

— Rictor, ouça de um supervilão que já traiu os amigos mais vezes do que gostaria, eu sei que parece o fim do mundo, mas não é. Eu sei disso porque, uh, eu já estive lá.

— Hum.

— É preocupante, sim e é perigoso. – Erik afirmou, mantendo sempre o tom baixo. – Mas nós também somos e vamos proteger vocês, vamos detê-los...

— Você acredita nas suas palavras quando as ouve?

— O que? – Erik piscou.

Rictor riu, sem humor.

— Há quanto tempo lutam contra os Carniceiros? – quando Erik não respondeu, ele continuou: – Ouvi Gideon contando sobre o encontro de vocês, sobre como você distraiu Pierce, imaginei que não fosse a primeira vez... e quer saber? Se continuarem assim, não vai ser a última. Nunca vai ser a última. Então até onde vocês vão para nos proteger?

Nós não matamos, Erik quis dizer, mas não pode. Afinal, os X-men não matavam, céus, o próprio Wolverine desviava as garras de pontos vitais, mas e quanto a Magneto? Você acredita nas suas palavras quando as ouve? A ideologia de viver em paz com os humanos era de Charles, e o homem havia adotado aquilo para si após descobrir o parentesco com Mercúrio.

As crianças estariam com os X-men agora. Estariam seguras? Até onde vocês vão para nos proteger?

Desviou o olhar para o grupo, a pequena Wanda estava no colo da jovem Ariel, sonolenta e tão, tão frágil.

Sentiu algo em seu estômago virar. Jamaica... pode ser um pouco sádica se estiver com medo. Medo sempre o fez fazer coisas horríveis e com as crianças não era diferente.

— Os X-men vão dar um jeito. – ele prometeu, procurando acalmar o garoto... ou talvez a si mesmo. – Eles sempre dão.

— Eu espero que esteja certo porque eu já perdi gente demais e não vou perder de novo... Nenhum de nós vai.

Eles eram tão parecidos. A ideologia deles era distante do Professor X e próxima demais da de Magneto...

Charles Xavier e seus alunos teriam muito trabalho pela frente.

— Estamos nos aproximando. – Scott ergueu a voz, chamando atenção de todos. – Kurt, você sabe o que fazer.

Todos observaram o mutante de pele azul sair do controle do jato e ir até o carro, ouvindo logo em seguida o estranho som de seu teleporte.

— O que ele fez? — Siryn perguntou, apreensiva.

— Levou Dra. Grey e a Laura, não se preocupem. Ela vai ser bem cuidada e logo vocês a verão. — Scott respondeu, dando a volta pelo carro e batendo no vidro. — Peter, ainda ‘tá aí?

— ‘Tô, só que o Logan se mandou com Kurt também. — ele respondeu, abafado.

Scott franziu o cenho, mas assentiu.

Assim que o jato alcançou o chão e as portas se abriram, o vulto prateado de Peter Maximoff desapareceu pela garagem, deixando Scott para devolver o carro.

— O que foi aquilo? — Ariel arregalou os olhos.

— Saiu de dentro do carro. — Jonah respondeu admirado.

— Foi o tal do Peter... — Lance falou.

— Ah sim, ele é tão rápido quanto o Pietro era. — Gideon comentou, fazendo alguns pararem no meio da rampa. — Me salvou dos Carniceiros hoje.

Ariel trocou um olhar com Lance, os dois parecendo pensar a mesma coisa.

— Ele é velocista? — a jovem indagou com o coração acelerado.

— E meu filho. – Erik revelou.

Os estrangeiros arregalaram os olhos, soltando múrmuros chocados.

— Meu irmão também era! — Wanda se aproximou, admirada. — Muito, muito rápido! Fazia as folhas voarem e me carregava com ele sempre!

— Oh, isso parece bem legal.

Wanda sorriu.

E Erik sentiu o coração derreter.

Erguendo os olhos, o homem viu a face de Ariel se transformar em entendimento. Agora ela sabia porque ele observava tanto a menina que ela protegia; sabia porque os olhos dele brilhavam em dor e esperança... pois era assim que ela também se sentia.

Erik esperou por rejeição, mas em vez disso a jovem sentiu empatia e assentiu, mostrando que o ajudaria. Diferente de Rictor, que os via como meros sósias, Ariel aprendeu ali a vê-lo com expectativa, assim como Laura via Logan... e assim como Erik esperava que Wanda o visse.

Sentiria agradecimento se não estivesse com tanta fome... como se tivesse os pensamentos lidos, e quem sabe não teve? Uma voz anunciou por trás de si:

— Bem na hora do lanche!

Todos viraram, pelo corredor da garagem a cadeira de rodas deslizava.

— Mas aquele é...

— Professor X — Erica completou a frase de Jamaica, e Joey ao seu lado exclamou:

— Mas é igualzinho!

Jonah riu: — Inacreditável!

Ultrapassando as crianças por um momento, Erik andou em encontro ao amigo. Céus, ver Charles depois de tanta confusão trazia uma forte sensação de segurança em seu peito.

— Me lembre de não aceitar quando você me pedir outro favor.

— Ah, claro. Te lembrar o que mesmo? – Charles brincou, apertando sua mão. – Obrigado, meu amigo.

— Professor. — Tempestade se aproximou. — A sala está pronta?

— Que sala?

— Um almoço reforçado. – Charles respondeu e olhou para os visitantes. – Espero que estejam com fome. Se acompanharem Ororo, ela vai leva-los a um banquete.

As crianças assentiram, olhando tudo ao redor com desconfiança e admiração enquanto Ororo a liderava ao lado de Siryn.

— É um grupo interessante, não é? – Charles comentou, pensativo. – Sondei a mente deles quando pousaram... é tão embaçado e diferente... Nunca vi nada parecido.

— Bom, eles vieram de outra realidade.

— Que loucura!

— Você está gostando.

— Estou curioso, não vou negar. – Ele riu abertamente e Erik franziu o cenho. – É incrível, e a outra realidade? Não paro de pensar em como ela deve ser...

— Charles. — Erik chamou, sério. — A outra realidade, a vida deles... Não é algo bonito. Vai ser bem difícil pra eles aqui.

— Quer me dizer que vou ter trabalho?

Até onde vocês vão para nos proteger?

Pensou na conversa que acabara de ter com Nina-, droga, Wanda... os olhos dela, brilhantes e inocentes, o encarando como um dia haviam o encarado... pouco antes de perdê-la.

Pensou na jovem Jamaica, usando todo o poder que tinha para sobreviver, cheia de medo e ódio.

Pensou em Laura, com todo o vazio e mal humor, ela encheu-se pouco a pouco com esperança... e deu a Magneto uma memória aterrorizantemente linda ao proteger seu pai.

A resposta para protegê-los era simples para Erik, mas ele esperaria o momento certo.

— Quero dizer que... se tem alguém que pode fazê-los aprender a confiar, esse alguém é você.

— Obrigado meu amigo, no entanto, eu não acho que– — ele parou subitamente, fechando os olhos e gemendo como se tivesse levado um soco; sentindo algo invisível.

— Charles? Charles! O que foi?

O telepata respirou falho, tremendo.

— É a Laura.

I’monly human

I do what I can

I’m just a man

I do what I can

Don’t put the blame on me