Last Temptation
1 Um - Vai começar tudo de novo!
Notas iniciais
A tendência é sempre piorar, eu vivo dizendo isso. Então, se achou que tudo teria um final feliz... meu caro amigo, o que foi que você bebeu?
Um — Vai começar tudo de novo!
Ora ora, você de novo! Não vou dizer que estou feliz em vê-lo, porque já esperava que você voltasse. Sei que, depois da minha grande história, com certeza deve ter virado meu fã e estava louquinho pra ler mais alguma de minhas aventuras!
Ok, vamos deixar a modéstia de lado. Está com sorte, meu amigo! O que tenho aqui vai lhe fazer rir, chorar, se descabelar e sentir na pele todas as emoções! Hn, depois de uma dessa, eu devia tentar uma vaga numa radionovela, não é? E, só pra constar, não, eu não me tornei escritor. É apenas falta do que fazer quando Mana não está em casa, se é que me entende.
Pegue a pipoquinha, e senta que lá vem a história.
Já havia se passado um ano desde que Mana e eu resolvemos juntar as trouxas. Éramos o casal mais feliz e pervertido de toda a Londres, senão do mundo inteiro. Ele era meu lolita indefeso e eu o eterno herói, não só aos olhos dele como também aos de Klaha que, no auge de seus sete anos, não se cansava de ouvir como seu incrível cunhado tinha resgatado o pobre Mana das mãos do monstro Közi. Com um evento desse porte no currículo, minha popularidade só aumentou e, como você já sabe, fui promovido ao cargo de chefe da Ordem. Era muito, mas muito bom mandar naqueles cabeças-de-vento, e...
Enfim, ali estava eu, deitado confortavelmente ao lado do meu lolita depois de uma noite um tanto quanto... cansativa. O relógio devia apontar entre seis e seis e meia da manhã. Os raios de sol atravessavam preguiçosamente as cortinas brancas da janela, invadindo o quarto aos poucos. Eu estava acordando, sabe-se lá por que milagre já que odeio acordar cedo. A primeira coisa que vi foi o rostinho pálido e iluminado pelo sol de meu Mana adormecido que, agarrado ao edredom, portava um leve sorriso nos lábios finos que eu tanto amava. Respirava lentamente, e cada inspiração e expiração daquela criaturinha tão delicada era música aos meus ouvidos. A imensidão de cabelos azuis espalhada pelo travesseiro, invadindo minhas narinas com seu perfume de flores característico. Todo mundo deveria querer uma visão dessa pela manhã... mas com outra pessoa, pois Mana me pertence, hn. A segunda coisa que vi — esta não tão agradável assim — foi o chão quando, ao me assustar com o toque daquela invenção do demônio chamada telefone, rolei para o lado e caí da cama.
- Puta merda, eu acabei de acordar! — já fui logo gritando, injuriado e, como sempre, me arrastando escada abaixo até alcançar o aparelho. — Mas que droga, quem é?
- ...
- Claro, claro, estarei aí... depois do café, seu idiota!
Bati o telefone no gancho. Era um dos oficiais dizendo que haviam recebido uma informação de um morador sobre um corpo numa esquina, mas eu não estava nem um pouco a fim de encarar um cadáver antes das sete horas.
- Hnn... já vai trabalhar, amor? — perguntou Mana, sonolento, descendo as escadas de cueca boxer e trajando uma de minhas camisas. Desabotoada.
- Mana, eu já lhe disse para não andar desse jeito pela casa. — Já fui logo o agarrando pelos quadris e depositando beijos em seu pescoço. — Se eu acabar me atrasando de novo, a culpa será sua...
- Um chefe deve dar bom exemplo, não? — ele riu, se desvencilhando de meus braços e tornando a subir os degraus. — Vou acordar Klaha.
Fui até a cozinha já procurando minha velha amiga, a linda garrafa de café. Depois de encher uma xícara e esperar Mana e Klaha para comermos todos juntos (o café da manhã, oras. Pare de pensar merda porque a história acabou de começar), tomei um banho rápido, me vesti e peguei o carro, acenando pela janela para meu lolita e seu irmãozinho despenteado.
Quando cheguei à cena do crime, me arrependi — e muito — de ter comido antes de sair de casa. A primeira coisa estranha foi que o corpo era de uma prostituta. A segunda, foi a forma como a haviam matado. Ela havia sido queimada da cabeça aos pés e, pelo cheiro pairando no ar, o comburente usado tinha sido... perfume.
Não só vomitei, como quase pus todo meu sistema digestório para fora.
"É obra de algum retardado mental, um riquinho de classe média-alta que não tem nada melhor pra fazer!", pensei enquanto procurava por provas no local. Na verdade, queria afastar de minha mente as visões terríveis do que com certeza viria a seguir: mais corpos de prostitutas começariam a aparecer espalhados por toda a Londres, eu ficaria histérico, o café acabaria e eu não teria mais noites divertidas com Mana. Ah não, sem café e sem sexo? Isso nunca!
Daquela vez, colocaria minha alma no caso, antes que aparecesse outro corpo. Eu poderia ter chamado alguns peritos, se existissem alguns na época. Então, já deve saber que meu trabalho de investigação começou — muito mal — naquele mesmo minuto.
Eu só sabia de uma coisa: Közi estava morto e enterrado há um ano, o que o descartava de qualquer suspeita.
Por que alguém voltaria a matar Meretrizes da Meia-Noite daquela forma tão cruel? E por que depois de um ano?
Não fazia sentido.
Fazia...?
Ah não! Vai começar tudo de novo!
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