Last Temptation
2 Dois - A primeira pista caindo no meu colo
Dois — A primeira pista caindo no meu colo
Título auto-explicativo...
Hn, na manhã seguinte ao encontro do primeiro cadáver, meu medo se concretizou. O corpo da segunda prostituta carbonizada foi covardemente abandonado nos degraus da entrada da Ordem. Como assim, gente? Se aquilo não fosse um desafio, então eu não sabia o que era. E o mesmo cheiro de perfume...
Não sei como, mas tive um surto de inteligência e percorri a cidade em busca de lojas especializadas em perfumes, procurando saber se alguma marca ou fragrância em especial vinha sendo mais procurada. Não consegui nada relevante, além de uma lista de nomes esquisitos. Credo, mulheres! Como vocês conseguem decorar essas porras todas? Pra mim, o que tiver cheiro bom já basta!
Então, como eu ia dizendo, não encontrei nada útil... mas, naquele mesmo dia, aconteceu algo que mudaria para sempre o destino daquele caso — e também minha vida conjugal.
Horário de almoço. Eu havia telefonado para Mana dizendo que não comeria em casa, pois estaria ocupado na busca por mais pistas sobre as mortes bizarras das meretrizes. Eu estava na pequena cozinha da Ordem, morrendo de fome, e procurando desesperadamente o café para enganar o estômago quando ouvi o que parecia ser uma confusão acontecendo no hall. Uma mistura de risos, gritos histéricos e coisas sendo jogadas no chão. Eu não estava nem um pouco interessado em separar briga de machos, não senhor! O mais importante era encontrar o café mas, com todo aquele alvoroço, eu não conseguia me concentrar direito. Resolvi ir até lá e acabar com a bagunça. Entretanto, mal cheguei à porta e fui derrubado por alguém desesperado que vinha correndo na direção contrária.
- Olha pra frente, idi-
Contive a frase ao me dar conta de quem era. Uma garota num vestido negro semelhante a um quimono, preso na cintura por um conjunto de fivelas semelhantes a cintos. Pernas invejáveis numa meia arrastão e sandálias de salto fino. Grandes e expressivos olhos azuis, cabelos negros e curtos com uma grande franja de lado cobrindo o olho direito. Lábios rosados, carnudos e muito, mas muito sensuais. E naquele momento estava caída no meu colo. Mana me mataria se visse minha cara — e outras coisas — naquele momento.
- Desculpe, senhorita, não tive a intenção. Posso ajudá-la em alguma coisa?
A mulher sorriu. Mas o encanto se desfez quando a mesma abriu a boca para falar.
- Tenho certeza de que pode, senhor policial.
Puta merda! Era homem!
Os outros oficiais desataram a rir. Porém, eles não seriam tão imbecis a ponto de fazer piadas diretamente. Eu era o chefe, podia botá-los na rua por desacato à autoridade... ou por simples vontade de demitir alguém. Então posso dizer que se contiveram diante de meu olhar assassino e disparador de raios. Bom, levantei-me assim que o jovem saiu de cima de mim (o que foi uma decepção, eu estava até gostando daquilo) e rapidamente me virei, com as mãos sobre o baixo-ventre.
- Por favor, venha até minha sala e... hn, verei o que posso fazer por você.
Deixamos o hall, acompanhados pelos risos baixos e comentários dos outros. em minha sala, ofereci uma cadeira ao rapaz e sentei-me logo após.
- Diga-me, em que posso lhe ser útil, senhor...?
- Kaya. Bom, policial...
- Por favor, me chame de Kami! — estendi a mão para ele. Não por educação, e sim pelo prazer de descobrir se aquela pele era tão delicada quanto parecia.
- Senhor Kami. — sorriu, apertando minha mão com leveza, tal qual uma donzela de verdade faria. — Hm, esses assassinatos esquisitos, todas essas meretrizes sendo queimadas vivas... — ele levou a mão ao peito e suspirou, entristecido. — Estou assustado, senhor Kami.
- Também é uma Meretriz da Meia-Noite, estou certo?
- Sim senhor.
- Kaya, sabe de alguma coisa que possa nos ajudar na investigação? Um nome, um motivo óbvio para que isso esteja acontecendo...?
- Ah, senhor Kami! Sem querer ser exibido — mas já sendo, certo, Kaya? — tenho certeza de que sou eu quem eles querem!
- ... Você?
- Yes, darling! — Deus. Tinha uma prostituta falando inglês na minha sala. — Desde que perdemos nossa última colega mais valiosa, eu assumi o ponto dela e acabei me tornando a mais requisitada... então, as mortes começaram... oh, isso é tão horrível!
O rapazinho cobriu o rosto com as mãos. Ah não, se havia uma coisa que eu detestava, era uma mulher chorando, ainda mais quando ela era tão bonita. Kaya podia não ser uma mulher mas, assim como Mana, disfarçava muito bem. Levantei-me e ofereci amparo ao jovem choroso, passando um braço sobre seus ombros.
- Vai ficar tudo bem, iremos solucionar esse caso.
Para minha surpresa, o pequeno se atirou nos meus braços. Foi nessa hora que...
- Kami, chérie, vim trazer o seu... — a porta se abriu. Era Mana, trazendo um pequeno embrulho nas mãos. Parecia muito feliz, mas seu sorriso morreu assim que se deparou com Kaya me abraçando. — ...almoço...
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