Last Temptation

3 Três - Um Kaya em minha vida


Notas iniciais
Capítulo monstro! XD Desculpa gente, mas não consegui cortar muita coisa, ou a fic perderia o rumo que planejei pra ela! Créditos à Viviis_kaksi, as ideias surgiram graças ao review dela em SL. Vi, SUA LINDA! Merci beaucoup! <3

Três — Um Kaya em minha vida

Meu espanto foi ainda maior quando Kaya me soltou e virou-se na direção de Mana.

- Mana-chan?

- Kaya...?

- Vocês se conhecem? — perguntei, já ficando zonzo.

Kaya correu na direção de Mana, abraçando-o com fúria e quase fazendo-o derrubar minha comida. Me joguei na direção do embrulho, conseguindo segurá-lo antes que se espatifasse no chão. Se tivesse derrubado... eu matava.

- Ah, Mana-chan! Saudades, mulher!

"Mulher?" Puta merda, que coisa hilária. É claro que se conheciam. Eram ambos eram meretrizes.

"Desde que perdemos nossa última colega mais valiosa, eu assumi o ponto de Gardenia Avenue..."

Só então liguei a função à pessoa. Colega mais valiosa, huh? Isso me deixou meio enciumado, mas não tive muito tempo de ficar pensando nisso, não quando havia uma marmita deliciosa em minhas mãos e outras duas se abraçando na minha frente.

- Kaya, o que está fazendo aqui...?

- Oh, darling! Desde que você se casou, as coisas têm sido bem difíceis. Todas queriam assumir seu ponto. Eu fui escolhido para ficar com ele, e elas se revoltaram contra mim! Tenho certeza de que é uma delas que está causando esse alvoroço!

Mana olhou para mim. Eu, é óbvio, já estava cheio de molho de tomate escorrendo pelo canto da boca.

- Que é? — indaguei de boca cheia, segurando o garfo como se fosse a última coisa existente no planeta. Kaya quis rir.

- Você vai ajudá-lo, não vai?

- Extava penxando nixo, maxx... — me permiti engolir o alimento, um tanto quanto irritado por ter que parar de comer para falar. Céus, como Mana cozinhava bem! — Não tenho nenhuma ideia. Já que são amigos, podiam ficar os dois em casa.

Voltei minha atenção a comer feito um desesperado. Eu estava mesmo. Até notar o silêncio sepulcral na sala e sentir dois pares de olhos arregalados sobre minha ilustre pessoa esfomeada. Ergui os olhos para o casal de "mocinhas" à minha frente, com as bochechas infladas pela comida dentro da boca. É, eu realmente estava comendo feito um animal preso há três dias.

- Quê? Tá goxtxoso, hnn.

Só então me dei conta do motivo daqueles quatro olhos azuis tão arregalados olhando pra minha cara suja de molho. Eu havia oferecido minha casa para uma prostituta que tinha acabado de conhecer. Engoli tudo de uma vez só, quase engasguei e ainda derrubei o restante.

- Puta merda!

Kami, seu impulsivo maldito!

A partir daquele dia, minha vida desandou. Não havia problema em ceder o quarto de hóspedes à Kaya, só em ter que carregar as 15 malas dele escada acima. Imagine o preço de uma noite com aquela criatura... bom, fiquei algum tempo me perguntando se o preço valia porque, a julgar pelo lado de fora, ele estava no seu direito de exigir que o cliente pagasse os olhos da cara. E se os olhos não bastassem, podia vender os outros órgãos também.

Comentários à parte, os primeiros dias de convivência com Kaya não foram lá tão assustadores. Enquanto eu trabalhava, ele ficava com Klaha e Mana em casa e, depois do jantar, se arrumava para trabalhar também, em seu honroso emprego de dar a bunda pra qualquer marmanjo com a carteira cheia. Não gostou do termo? Então vai se catar.

Como eu ia dizendo... as duas primeiras semanas não foram lá essas coisas. Mas, como você já está de saco cheio de saber, a tendência é sempre piorar. Kaya começou se tornar... inoportuno, estando em toda a parte, a todo minuto. Para que tenha uma ideia, houve uma vez que, após um exaustivo dia procurando por pistas, cheguei em casa louco pra dar um jeito em Mana. Você sabe muito bem o que isso quer dizer. Entrei no quarto sorrateiramente. Ele havia acabado de sair do banho, ainda tinha o corpo molhado e uma toalha presa aos quadris, cobrindo aquilo que eu mais queria ver. Aproximei-me abraçando-o por trás, colando bem meu corpo ao dele e sussurrando coisas, digamos... um tanto quanto "picantes" em seu ouvido. E o elogiei também, apesar de pervertido, eu ainda era um pervertido carinhoso. Procurei uma abertura na toalha, tocando o precioso membro do meu lolita e sentindo-o se derreter em gemidos baixos enquanto eu lhe beijava os ombros. Afrouxei o cinto... e quando eu ia dar o bote... Kaya invadiu o quarto escandalosamente, usando uma camisola de seda vinho e uma tonelada de creme de abacate na cara. Eu não sabia se ria para não chorar ou se ria da cara dele mesmo.

- Mana-chan, você... — olhou para mim e sorriu. Argh, que sorriso mais odioso aquele homem tinha! — Kami-chan, não sabia que tinha chegado! Hm, Mana-chan, você viu minha escova de dentes, darling?

- Não, "darling". — Respondeu Mana, com uma naturalidade invejável. — Pergunte a Klaha, sim? Ele deve saber.

- Claro, claro. Obrigado Mana, boa noite! — fechou a porta e saiu cantarolando pelo corredor.

Não preciso dizer que Mana e eu broxamos naquela mesma hora. Fomos dormir cedo, e em meu íntimo eu me perguntava se Mana tinha a mesma vontade fulminante que eu de enfiar uma escova de dentes na garganta de Kaya. Isso ainda aconteceu outras vezes, quando ele perdeu a escova de cabelos, o espelho e um par de algemas (que, na ocasião, me ofereci para ajudar a procurar). Nos acostumamos a vê-lo em roupões semi-abertos, fazendo compressas de chá de camomila e com rodelas de pepino nos olhos, cantarolando músicas de bordel. Mana e eu já não tínhamos mais um único momento de privacidade... mas, em compensação, Kaya passou a me incluir nos momentos dele. Adquiriu o péssimo costume de tomar banho com a porta aberta, e por diversas vezes Mana me pegou distraído olhando a silhueta do corpo de Kaya oculta pelo vapor dentro do box... sem contar os apelidos carinhosos e a mania de me abraçar. Nos olhos de meu lolita, eu via o quanto se sentia ameaçado toda vez que Kaya estava por perto. Foi ficando frio, distante, dando mais atenção à Klaha e às tarefas da casa do que a mim, que era seu marido. Não me procurava mais, e me evitava quando eu o fazia. E dessa forma, Mana foi começando a se afastar de mim.

Enquanto tive de aguentar isso, o número de mortes não parava, novas pistas não apareciam e o caso não se aproximava um único centímetro de seu fim. Eu estava ficando a cada dia mais estressado. Chegava no trabalho xingando Deus e o mundo, e saía chutando as portas. As autoridades acima de mim começavam a desconfiar de minha competência, e já preparavam os papéis para admitir um novo chefe caso eu não conseguisse solucionar a onda de crimes em uma semana. Os oficiais faziam piadinhas sobre minha casa ter se tornado uma espécie de "Pensão Kamimura", ou "Bordel do tio Kami". Pra completar, o estoque de café já estava pela metade. Droga! Era impossível que aquele caso não tivesse uma solução! Eu ia acabar me enforcando na árvore da praça!

Então, numa manhã qualquer, um novo corpo carbonizado fora jogado... na porta da frente da minha casa. Meu estômago revirou com o cheiro de perfume chamuscado que dominava todo o quarteirão. Mana assustou-se, Kaya ficou histérico. Klaha parecia o único a ter alguma calma naquele momento, brincando no chão com suas coisinhas.

- Já sabem que estou aqui, darling! Vão me matar! Ah, minhas malas! Escondam minhas malas!

Hn? A vadia estava prestes a ser queimada viva e estava preocupada em esconder as malas? Como lidar com uma coisa daquelas?

- Kami — Mana chamou minha atenção, enquanto tentava acalmar a prostituta escandalosa em seus braços. — o que vamos fazer agora? Kaya também corre perigo aqui.

Aquele cara estava acabando com nossa vida conjugal, e mesmo assim Mana fazia questão de dar carinho à ele? Eu quase explodi.

- Bom — respondi, entre dentes cerrados. — O único lugar onde podemos escondê-lo é numa cela na Ordem.

Não sei de onde tirei aquilo. Mas me fez bem, muito bem. Ainda mais quando Kaya se apressou em concordar.

- Eu aceito! Eu aceito! Please, Kami-chan, me prenda numa cela mas não deixe que me matem!

"Quem quer te matar sou eu, sua piranha", pensei, tendo de morder os lábios para não dizê-lo em alto e bom som.

- Pode fazer isso, Kami?

- Sim, Mana. Providenciarei tudo ainda hoje.

- Então, por favor, faça-o logo — o lolita soltou Kaya cuidadosamente, levantando-se do sofá e deixando a sala. — Klaha, mon amour, vamos ao mercado com o Nii-Sama?

- Ouiiii! — o pequeno levantou num salto e correu atrás do irmão, deixando os brinquedos espalhados.

Quando ouvi a porta da frente bater, voltei meu olhar para a meretriz que ainda chorava desconsoladamente, manchando minhas almofadas brancas com sua maquiagem borrada. Fiquei em silêncio por volta de uma meia hora, apenas observando enquanto pensava em tudo o que aconteceu nas últimas semanas... até que perdi a paciência, contei até dez (de dois em dois, pra terminar logo), respirei fundo e decidi tirar satisfações com Kaya.

- Kaya.

- Sim?

- Não pense que vai passar o dia trancafiado, sair à noite e voltar pra cá pela manhã — Falei com toda a firmeza, tentando deixá-lo acuado. Era muito bom bancar o machão de vez em quando. — Uma vez preso, você vai ter que parar de trabalhar. Passará o dia e a noite atrás das grades, e terá tudo o que quiser lá! Mas não voltará para esta casa de forma alguma, entendeu?

Ele levantou o rosto com a maquiagem desfeita. Entre lágrimas, sorriu.

- Mana-chan está com ciúmes, não está?

- Ora, seu... — eu não sabia se olhava para ele ou para a mancha na almofada, ambos me deixavam nervoso. — Você sabia?

- Dá pra ver nos olhos dele. Kami-chan... admita, é você quem dá todos os motivos para isso. Sei que sente algo por mim... — Começou a acariciar as próprias pernas lenta e sensualmente. Pude sentir pontadas em meu baixo-ventre, precisei me beliscar para não fazer nenhuma besteira.

- Pare com isso, sua vadia de quinta...! Se estou protegendo você, é para cumprir meu dever e para agradar aquele que eu amo!

- Pode até amá-lo, mas sou eu quem você deseja!

- Cale a boca!

Louco de raiva, me precipitei para dar um soco na boca daquele infeliz. Porém, não vi um dos soldadinhos de Klaha no chão e escorreguei nele, caindo em cima de Kaya. Mais precisamente no meio das pernas dele.

- Viu só? Não adianta lutar contra seus instintos, Kami-chan.

Levantei-me na pressa, arrumando as roupas e dei as costas à ele, bufando de ódio. Fui para o quarto, jogando-me na cama. Passei o resto da tarde e parte da noite deitado pensando na vida, até que Mana entrou.

- O jantar está pronto. — Disse desanimado, de cabeça baixa e se dirigindo ao armário, procurando algo.

Não gostei de vê-lo daquela forma. Fui até ele, abraçando-o pelos quadris como costumava fazer.

- Mana, eu... — interrompi a frase e me afastei ao ver que ele se apoderava de uma mala. — Hn, está pensando em ir a algum lugar?

- Não, eu não vou. — Num surto psicótico, jogou a mala aberta na cama e começou a atirar todas as minhas roupas dentro dela. — Você vai!

- Mana, está ficando louco?

- Se queria consolar Kaya, que fizesse isso em outro lugar!

- Do que está falando, Mana?

Histérico, chorando oceanos de dor, ele atirou uma cueca na minha cara.

- Eu vi você e Kaya no sofá hoje mais cedo! Seu nojento, desprezível! — As lágrimas ininterruptas do pequeno me partiam o coração à medida que caíam. — Eu te odeio! Vai dormir no sofá, e amanhã de manhã quero vocês dois fora daqui!

- Mana, você não entendeu...! — Eu queria explicar a ele que tinha sido apenas um acidente, que ele tinha visto mais (muito mais) do que a coisa realmente era, mas assim que me aproximei ele acertou um chute no meio das minhas pernas. A dor de ser atingido por aquela plataforma doze centímetros foi tão lancinante que caí de joelhos, lacrimejando. Minha voz saiu até mais fina que o miado de um gata parindo. — P-puta merda...!

Pra você ver como são as coisas. Eu estava prestes a perder o emprego, sem café, sem sexo e agora uma ex-prostituta estava me botando para fora da minha própria casa.

- Vá jantar logo, Kaya já está na mesa esperando por você! — Mana saiu do quarto, nervoso e batendo a porta. Fiquei no chão, desnorteado. Depois de uma daquelas, eu provavelmente não poderia mais ter filhos...

Levantar talvez tenha sido a parte mais difícil. Não pela dor que sentia você sabe onde, mas sim pela dor que meu coração partido estava sentindo. Desci as escadas com certa dificuldade e peguei o telefone. Disquei. Pela primeira vez, iria usá-lo por livre e espontânea vontade.

- Telefonista, Kami na linha. Por favor, me ligue com a Central.

Eu estava pedindo as contas. Depois disso, iria matar Kaya... e procurar qualquer coisa que pudesse acelerar minha morte por enforcamento.