Last Chance

46 Capítulo 45 - Carta


Notas iniciais
*CAPÍTULO SURPRESA*
Aproveitando uma folguinha para escrever ^^

Neste capítulo veremos um Edward ainda aturdido pela morte de Eleazar e com um humor que vai deixar a Bell completamente desnorteada, ela ficará ainda pior quando ele contar sobre a tal vendedora, felizmente um amigo irá lhe ajudar a colocar a cabeça no lugar e mostrar como Edward precisa dela nesse momento.
Edward vai tentar se fechar para não enfrentar a dor pela morte de Eleazar e toda a responsabilidade que isso vai acarretar para ele ( a empresa) e vai depender de Bell fazer ele encarar seus problemas de frente e apoiá-lo nesse momento difícil. Mesmo com toda tensão ainda teremos uma noite quente e um momento breve, mas gostoso entre eles ^^

A música que me embalou enquanto escrevia esse capítulo foi
One e Only da Adele - Vale muito a pena ouvir a letra é linda *-* e mostra bem os sentimentos tanto do Edward quanto da Bella
http://letras.mus.br/adele/1817931/traducao.html

"Você nunca vai saber se não tentar perdoar seu passado e simplesmente ser meu."
One and Only - Adele

Desculpem pelo tamanho capítulo :-/

Espero que gostem ;)

Bella POV

Olhei atentamente para Edward, ele tinha dito o que eu ouvi ou era invenção da minha cabeça.

- O que disse?

- Que vou vender a empresa. — Repetiu serenamente.

- Edward se for sobre ontem tenho certeza que podemos lidar com o que vai acontecer. — Tentei intervir.

- Não Isabella, eu não posso e não falo só sobre o modo como agi, mas também o medo que sinto de algo acontecer com você. — Não era só ele que temia isso, desde que soube que Edward estava investigando esses bandidos eu senti medo de algo acontecer com ele, o que só aumentou depois que descobrimos a possibilidade de nossos pais terem sido assassinados e piorou ainda mais agora, mesmo assim não podíamos simplesmente fugir das responsabilidades, aquela empresa era o legado da família dele e eu sabia o quanto era seu sonho dirigir ela.

- Edward com empresa ou sem empresa você ainda é rico e vamos continuar sendo alvos fáceis.Você esta fugindo do problema isso sim. — Aleguei.

- Bell me escuta. — Pediu.

- Vai negar? Você sabe que isso é verdade. Ontem eu prometi que ficaria ao seu lado Edward e que lutaria com você. Agora o que você faz? Foge.

- Eu não quero ser presidente. — Disparou me olhando seriamente.

- Como não? Você esperava por esse dia com ansiedade desde a sua adolescência. — Retorqui confusa, aquilo não fazia o menor sentido.

- Eu sei Bell, mas quando me tornei vice eu percebi que não era o que eu queria e isso ficou ainda mais claro conforme trabalho na minha função atual. — Eu sabia o quanto Edward amava sua atual função, mas também sabia o quanto ele sonhou em se tornar presidente, além disso tinha certeza que Edward não seria do tipo que ficaria trancado dentro de um escritório, o que estava acontecendo na verdade é que ele estava assustado com tudo o que tinha ocorrido, perder os pais e o amigo por causa de um esquema de corrupção estava deixando Edward desnorteado. — Eu quero uma vida calma e tranquila ao seu lado, sem mídia, eventos sociais e essas chatices todas, eu quero abrir mão de grande parte do que recebemos, ajudar hospitais, criar alguma ONG em uma das casas que ganhamos, ficar só com o mínimo, o necessário para sermos felizes. — Sua ideia era linda e nobre, mas ainda assim eu só via naquilo tudo uma forma de fugir do que estava acontecendo, como se vender todos os bens e a empresa pudessem apagar tudo o que tinha ocorrido.

- É isso mesmo o que você quer? — Perguntei reticente, Edward assentiu e me puxou para os seus braços. — Acho que você pirou. — Edward riu.

- Eu só descobri o que eu quero de verdade. — Apesar dele parecer seguro nessa decisão, eu precisava fazer ele enxergar a responsabilidade que tinha nas mãos, não poderia deixar ele ter uma atitude precipitada.

- E os funcionários Edward? E se o novo dono demiti-los? — Questionei me afastando de seus braços e o olhando com seriedade.

- Eu não posso passar a minha vida pensando só nos outros. — Disparou um pouco seco.

- Eu sei, só não quero que se arrependa, além disso ninguém vai querer comprar a empresa agora por causa desse assassinato. — Ele pareceu ponderar minha palavras. — Você esta agindo precipitadamente, sabe disso. — Insisti.

- O que você quer que eu faça? — Perguntou já sem paciência. Perfeito! Agora ele estava irritado comigo, mas eu não podia deixar ele fazer algo desse tamanho sem pensar direito.

- Não quer mesmo a presidência? — Ele respirou fundo.

- Já disse que não Isabella. — Respondeu aborrecido passando as mãos pelos cabelos.

- Então coloque alguém de confiança lá. — Argumentei mantendo a calma, se nós dois perdêssemos a cabeça isso iria virar uma discussão.

- Eu não posso arriscar.

- Arriscar o que?

- Perder mais alguém, eu não vou suportar se isso acontecer. — Eu sabia que o medo de Edward não era totalmente infundado, aquele lugar tinha tirados nossos pais e depois Eleazar, devia agradecer por ele estar disposto a abrir mão dela, mas no fundo eu sabia que ele só estava agindo por medo e não podia deixar ele fazer isso.

- Deixe que o Garrett arrume uma pessoa de confiança para ficar na presidência. Eu não ia suportar se soubesse que estaria correndo perigo, mas também sei que essa empresa significa muito para você, caso contrário teria arrumado emprego em outro lugar e não lá. — Ele me encarou ponderando minhas palavras e suspirou, como ficou em silêncio continuei meu raciocínio. — Eu sei que não quer abrir mão daquilo Edward, senão não teria arriscado a própria vida para investigar quem a estava roubando, eu não estou dizendo que isso não vai acontecer novamente, mas não podemos tomar decisões precipitadas por medo. Muitas pessoas dependem daquele emprego e mesmo que você diga que precisa pensar antes em você, eu sei que a ideia de uma demissão em massa vai afetar você. — Ele me olhou ainda sério.

- Talvez tenha razão. — Talvez? — Por hora farei o que esta me aconselhando, mas isso não muda minha vontade de me livrar daquele lugar. Agora vamos tomar logo esse café da manhã e ir até a empresa resolver essas pendências, deixarei Garrett responsável por tudo até encontrarmos um presidente que nos satisfaça e depois...

- Depois? — Incentivei.

- Vamos voltar para casa e mergulhar naquela banheira. Estou precisando disso. — Disse com o semblante cansado.

- Então é o que terá senhor Cullen. — Ele abriu um breve sorriso que passou longe de seus olhos, me machucava ver Edward tão distante e estranho, ele não estava lidando nada bem com tudo aquilo. Após o café fomos para a empresa e resolvemos tudo mais rápido do que podia imaginar, Garrett ficou surpreso quando Edward disse que queria encontrar outro presidente para a empresa, mas avisou que iria resolver esse assunto e seguir a risca nossas exigências em relação ao presidente, os candidatos finais teriam que passar por Edward, enquanto a empresa não tinha presidente Edward pediu que Garrett assumisse a direção, ele agradeceu pela confiança e antes de sairmos Edward exigiu que toda a situação da herança ficasse em sigilo absoluto, Garrett garantiu que se certificaria disso.

Uma das razões da sede da empresa ficar em uma cidade pequena do estado de Nova Iorque era que isso restringia o assédio da mídia, tanto que desde criança levávamos uma vida normal, pois nem mesmo seguranças tínhamos, as pessoas conheciam mais o sobrenome Cullen do que quem o recebia, isso sempre nos deu muita liberdade, mas com a exposição da empresa por conta da prisão da quadrilha e a morte do presidente e de um dos diretores, talvez essa liberdade estivesse com os dias contados.

Chegamos em casa e Edward já me puxou para o banheiro do meu antigo quarto, apesar de tentar disfarçar eu percebia como sua postura estava rígida e seu semblante tenso e preocupado, ele estava muito fragilizado com o que tinha acontecido e eu precisava mais do que nunca mostrar que estaria ao seu lado em todos os momentos, nos bons e também nos maus. Deitei entre suas pernas na banheira e ele soltou um suspiro de satisfação me abraçando e beijando meu pescoço.

- Isso era tudo o que eu queria. — Edward murmurou, sorri apertando seus braços contra o meu corpo.

- Eu também. — Respondi satisfeita. — Você parece um pouco tenso. — Apontei observando seu rosto.

- Esses dois dias foram horríveis, me sinto exausto. — Disse com os olhos fechados.

- Agora vai poder descansar. — Ele sorriu levemente e beijou minha cabeça.

- É verdade.

- Não vai mais voltar para a empresa? — Ele fez uma careta e negou.

- Não, preciso de certa distância agora, mas vou conversar com Seth sobre o que decidimos, acho que ele merece saber o que vai acontecer com a empresa e por que não voltarei a trabalhar lá.

- Tem razão. O que esta pensando em fazer?

- Esta preocupada em ter que me aguentar em casa? — Questionou com meio sorriso apertando minha barriga causando cócegas e um arrepio, comecei a rir.

- Seu bobo, claro que não, só quero saber quais os seus planos enquanto não encontram um presidente.

- Vou administrar nossos bens e assim como lhe falei estou pensando em abrir uma ONG.

- E já pensou de que tipo?

- Sim e quero saber o que acha.

- Pode dizer. — O incentivei me sentando à sua frente.

- Com os problemas gerados por essa crise financeira e todas essas catástrofes naturais acho que seria interessante criar um local para que essas pessoas possam se reerguerem e reconstruírem suas vidas. — Encarei Edward sem saber o que dizer a esse homem magnifico. — O que achou? — Perguntou receoso.

- É incrível Edward! — Exclamei animada.

- Gostou mesmo?

- Claro, é uma ideia linda. Eu tenho tanto orgulho de você, do homem que se tornou e principalmente por enfrentar a si mesmo e mostrar quem é o verdadeiro Edward Cullen. — Ele segurou meu rosto com carinho.

- Eu me senti tão perdido ontem. — Ontem? Ele ainda me parecia bem perdido, principalmente depois de voltarmos da empresa. Se eu ainda tinha alguma dúvida se estava agindo certo em fazer ele mantê-la, agora mais do que nunca via que era a melhor decisão, principalmente com ele querendo ajudar as pessoas, Edward precisava pensar nos empregados da empresa também, pois não tinha como garantir que um novo dono não demitiria ninguém, só restava ele perceber isso. — Eu fui fraco ontem Bell e me deixei levar por desejos superficiais. Foi então que me vi daquele jeito e senti nojo de mim mesmo, não quero mais ver aquele Edward. — Confessou com desgosto.

- Não se preocupe, por que se ele decidir fazer alguma aparição eu o coloco em seu lugar. — Tentei descontrair, Edward sorriu fracamente.

- Com você ao meu lado não existe nada que eu tenha medo, nem eu mesmo. — Disse e me beijou com cuidado. — Eu preciso te contar uma coisa. — Murmurou reticente.

- O que? — Ele suspirou e eu senti que viria uma bomba.

- Ontem quando eu estava fazendo compras... — Parou, respirou fundo e continuou. — Uma vendedora flertou comigo e eu... — O sangue estava subindo pelo meu corpo e eu contava até dez para não explodir. Que papo era esse?

- Você? — Incentivei que continuasse.

- Deixei e aceitei quando ela me deu seu telefone. — Disparou ansioso. Ele aceitou o telefone de outra mulher? O que isso significava? Ele se interessou por ela? Era isso? Edward me traiu? Senti seus dedos no meu queixo. — Fala alguma coisa. — Pediu angustiado. Engoli em seco levantando da banheira sem conseguir raciocinar direito depois do que ouvi. — Isabella? Fala comigo!

- Falar o que Edward? Hein? — Questionei enrolando uma toalha no meu corpo. — Por que não liga para sua namoradinha e conversa com ela? — Soltei irritada. Como ele pode fazer isso comigo? Eu aqui angustiada com ele e o que o desgraçado faz? Sai para paquerar outras mulheres.

- Não aconteceu nada. — Se defendeu, virei na sua direção.

- Nada? Você aceitou o assédio de outra mulher e se isso não bastasse ainda não recusou quando ela lhe deu o telefone. Isso para mim esta longe de ser NADA. — Exaltei saindo do banheiro e indo para o nosso quarto, ouvi o barulho de água e Edward me chamando, mas antes que se aproximasse de mim fechei a porta a trancando. Não podia acreditar que ele havia feito aquilo.

- Bell eu sinto muito, não estava pensando bem, deixei a vaidade me levar.

- Essa vai ser sua desculpa para tudo Edward? Que estava perdido e que seu lado machão e prepotente dominou? Você fez isso por que quis.

- Bell me escuta por favor.

- Me deixa em paz! — Gritei.

- Você disse que enfrentaríamos isso juntos. — Argumentou, mas isso só me deixou ainda mais irritada.

- Isso foi antes de saber que você me traiu.

- Eu não te trai! Nem ia ligar para aquela mulher.

- Com certeza não foi o que ela pensou quando pegou o telefone dela.

- Não faz isso anjo, me deixa explicar. Abre a porta. — Pediu em um sussurro.

- Você já explicou Edward e eu não aceito sua explicação.

- Vamos conversar? Por favor.

- Não quero conversar com você!

- Amor por favor.

- Não me chame de amor, vida, anjo ou alguma outra coisa! Quero ficar sozinha!

- Você sempre diz que temos que ser sinceros um com o outro e quando eu sou, o que você faz? Me vira as costas. — Cada coisa que ele dizia só servia para me deixar ainda mais zangada.

- Se coloca no meu lugar Edward! O que você faria se eu tivesse aceitado o flerte e o telefone de outro homem? Não seja hipócrita! Você teve ciúmes de um ator! Da porra de um ator! Então não me venha dar lição de moral.

- Eu conheço muito bem as minhas falhas e sei o quanto posso ser estúpido, ciumento e possessivo, mas em todas as crises que eu tive você estava lá me dizendo que não era nada do que eu pensava. Você estava lá Isabella, olhando nos meus olhos e dizendo que não existe ninguém para você como eu, não tinha nenhuma porta entre nós! — Eu não queria olhar em seus olhos, era fraca demais.

- Não compare nossas atitudes! — Rebati irritada lutando contra as lágrimas que já escorriam pelo meu rosto. — Eu nunca fiz nada parecido, seus ciúmes sempre foram descabidos e sem sentido, principalmente em relação ao James. — Merda! Por que eu toquei no nome do meu ex?

- É uma pena que eu não seja perfeito como ele, não é? — Sua voz soou amarga, o que me irritou ainda mais, queria que ele sentisse pelo menos um pouco do que eu sentia e sem pensar disparei.

- Pelo menos James nunca me fez sofrer. — Assim que as palavras saíram da minha boca vi a besteira que havia dito e me arrependi, antes que pudesse dizer qualquer coisa ouvi a porta da sala bater. Desabei na cama chorando. Como tudo podia estar desmoronando em apenas dois dias? Será que nunca seriamos felizes sem que alguma coisa surgisse e estragasse tudo? Precisava conversar com alguém, mas Alice estava grávida e Rose cheia de coisas do casamento para organizar, só conseguia pensar em uma pessoa que me acalmaria neste momento, disquei o número desejando que ele estivesse sozinho.

- Bella? — Suspirei aliviada quando atendeu, precisava tanto de um amigo.

- Oi Jazz. — Cumprimentei com a voz embargada. — A Allie não esta por aí né? — Perguntei me certificando.

- Não, estou no meu intervalo da faculdade. O que aconteceu? Você esta chorando? — Perguntou preocupado.

- Eu precisava falar com alguém e não queria aborrecer a Allie por causa da gravidez e a Rose anda tão preocupada com as coisas do casamento, você acabou sendo o eleito. Desculpe.

- Magina Bella, somos amigos, sabe muito bem que pode contar comigo para o que der e vier. — Sorri.

- Obrigada Jazz.

- Agora me conta, o que aconteceu? — Contei tudo, desde o momento que saímos do enterro e até sobre a herança, depois da morte de Eleazar contamos aos nossos amigos sobre o que estava acontecendo, eles entenderam os motivos pelos quais escondemos toda a situação.

- Se antes eu já sentia medo de ver o Edward agindo tão superficialmente depois que soube desse flerte com a tal vendedora, minha insegurança aumentou ainda mais. Ele disse que não ia ligar, mas sei lá, estou tão confusa e para piorar ainda falei aquilo sobre James sabendo como o Edward se sente mal com esse assunto, não sei o que fazer Jazz. — Disse agoniada.

- Hei! Calma, ok? Vamos por partes. O que acho que aconteceu com Edward ontem foi um pequeno surto quando descobriu que tudo o que tinha perdido agora era dele de novo, isso somado a fragilidade que ele se encontra com a morte de Eleazar o fez agir como antes, Edward se aproveitou disso para esquecer seus problemas e se focar em algo superficial, fútil, a realidade é que ele estava tentando escapar do que estava acontecendo e não ter que lidar com tudo isso. É muito comum o ser humano buscar um modo de fugir de seus problemas, esse foi o modo que Edward encontrou para ignorar o que acontecia ao seu redor. — Refleti sobre as palavras de Jasper, era exatamente o que imaginava o que estava acontecendo. — Não vou defender o Edward Bella longe disso, mas pelo o que pude ver no enterro ele esta muito abatido e precisa mais do que nunca de você, sei que ficou decepcionada por ele ter aceitado o telefone da tal garota, mas eu tenho certeza que a intenção dele nunca foi se encontrar com ela ou ter um caso, Edward entrou de cabeça em outro mundo para esquecer um pouco a dor que estava passando, você mesma me disse que ele teve pesadelos e que não queria ficar com a empresa por medo, isso sem contar a aflição que tem de algo acontecer com você. É muita coisa para lidar Bella, Edward não é de ferro. — Solucei ouvindo as palavras de Jasper. Eu era uma idiota, Edward precisando de mim e o que eu faço? Lhe dou as costas por conta de um ciúmes estúpido.

- Fui tão rude com ele Jazz. Uma imbecil sem sentimentos! — Disparei irritada comigo mesma.

- Bella você assim com Edward é humana, agiu por instinto, seria normal sentir ciúmes em uma situação como essa, isso tudo também não é fácil para você. Agora eu recomendo que sentem e conversem honestamente, só assim poderão acertar as coisas. — Sorri me acalmando. Jasper tinha toda razão, eu mesma estava em frangalhos, não fazia nem uma semana que tinha tido uma crise provocada pelo estresse e agora vinha mais isso, era coisa demais, para mim e para o Edward, me lembrei de como ele foi doce e paciente comigo, proporcionando uma noite relaxante e me fazendo esquecer de tudo, era isso que eu precisava fazer por ele, talvez fugir não fosse uma ideia tão ruim.

- Obrigada Jazz, acho que se tivesse falado com Alice ela me mandaria capar o Edward. — Rimos.

- Com certeza, ainda mais agora. — Falou baixo.

- Como esta nossa grávida? — Perguntei mudando de assunto, ele deu um suspiro. — Tão ruim assim? — Ele riu.

- Não, mas Alice é... difícil. — Completou.

- O que a baixinha aprontou?

- Esses desejos dela estão me deixando doido Bella e tenho certeza que tudo isso é psicólogo pois só começou depois que descobriu que estava grávida, sua amiga ainda vai me deixar louco. — Disse rindo.

- Posso apostar que sim, ainda mais com os hormônios da gravidez.

- É, já estou me preparando psicologicamente para os próximos meses.

- Tenho certeza que vai tirar de letra.

- Vamos ver, mas fico satisfeito em saber que nosso bebe estará cercado por tantos tios babões, Edward realmente gostou da novidade.

- Ele adora crianças. — Respondi em um sussurro, me sentindo um lixo por ter falado com Edward daquele jeito.

- Hei! Não fica assim, tenho certeza que vão se acertar. — Me consolou.

- Eu nem sei para onde ele foi, estou me sentindo péssima pelo modo como me comportei.

- Bella não adianta se culpar, tome um banho, relaxe e espere o Edward.

- E se ele foi... — Não consegui completar minha suposição, mas Jasper pareceu entender muito bem.

- Ele não vai atrás de mulher nenhuma, aposto que esta com Emmett em algum bar, ouvindo as idéias sem sentido do Emm para fazer as pazes com você. — Talvez Jazz tivesse razão.

- Obrigada mais uma vez meu amigo e não diga a Allie que eu liguei, senão será a minha morte.

- Só a sua? — Questionou e demos risada, Alice mataria a nós dois. — Vai ser nosso segredo. Além disso a senhorita tem crédito comigo, já me livrou de muitas com a dona Alice. — Sorri. — Se cuida e qualquer coisa estou aqui. — Desejou carinhoso.

- Eu sei, não podia pedir por amigos melhores. — Respondi sorrindo. Nos despedimos e desliguei, me sentindo um pouco melhor fui até o banheiro e tomei uma ducha, coloquei uma camisola leve e voltei para o quarto, destranquei a porta e a abri, o silêncio no apartamento me incomodou profundamente, fui até a cozinha e nem sinal de Edward, só suas sacolas que ainda estavam jogadas sobre o sofá. Será que ele tinha guardado o telefone da tal vendedora? Suspirei chateada. Não ia adiantar ficar pensando nisso, olhei pela janela e já estava anoitecendo, percebi que com essa correria nem tínhamos almoçado, peguei um suco na geladeira colocando no copo e o tomando em seguida.

- Espero que não seja só isso que irá tomar. — Ouvi a voz soar e olhei na direção do corredor, encontrei Edward escorado na parede me observando atentamente. Sem pensar em mais nada fui até ele e o abracei, demorou um instante para corresponder ao meu abraço, mas logo o senti me apertando contra o seu peito. — Eu juro que não fiz de propósito. Me perdoa. — Pediu com a cabeça enterrada em meu pescoço.

- Só se me perdoar pelo que disse. — Murmurei contra o seu corpo.

- Você só disse a verdade Bell. — Afastei minha cabeça de seu peito e o encarei.

- Eu não trocaria um segundo sequer ao seu lado pelo melhor momento que passei com James. — Falei sinceramente acariciando seu rosto, ele me olhou desconfiado.

- Nem nossas brigas? — Perguntou colocando sua mão sobre a minha.

- São elas que dão o tempero garotão. — Edward sorriu levemente me abraçando. — Eu disse aquilo sem querer, a verdade é que estava com tanta raiva que eu queria que você sentisse pelo menos um pouco do que eu sentia. Sei como James é um assunto delicado e fui uma burra falando no nome dele. — Como eu queria que Edward esquecesse meu ex se eu trazia o problema a tona? Precisava me policiar, pois sabia o quanto isso magoava o Edward, mas na hora estava tão zangada que nem pensei direito.

- Você estava tão brava. — Sussurrou me observando atentamente.

- Estava mesmo. — Concordei o encarando. — Achei que tinha saído.

- Eu sai, mas quando me lembrei que não tínhamos almoçado fiquei preocupado que você acabasse passando mal por causa do nervoso e da falta de comida. — Não podia acreditar que mesmo depois de ter sido tão estúpida com ele, Edward ainda se preocupava comigo. — Quando retornei ouvi que estava no telefone.

- Estava conversando com Jasper. — Expliquei, ele pareceu aliviado ao ouvir aquilo. Será que pensou que tinha ligado para James?

- Achei que fosse com Alice. — Percebi na hora que estava mentindo, mas decidi não questionar, estávamos tão nervosos que qualquer coisa era capaz de se transformar em uma discussão, no momento eu não podia culpar Edward, ele estava tão inseguro quanto eu.

- Ela esta grávida e não quis deixá-la nervosa, além disso Jasper é mais tranquilo e melhor para acalmar do que a Alice. — Edward sorriu.

- Tenho certeza que se ela soubesse estaria morto agora. — Tentou brincar, acabei sorrindo para aliviar o clima.

- É uma possibilidade, ainda mais com os hormônios da gravidez a toda. — Edward assentiu concordando.

- Posso saber o que Jasper lhe disse? — Perguntou interessado.

- Só a verdade.

- Que verdade?

- Que eu estava agindo igual uma criança birrenta ao invés da adulta que sou e que deveria conversar com você.

- Jasper disse isso? — Perguntou chocado, Jazz nunca diria algo do tipo.

- Só a parte que devíamos conversar, o resto é minha opinião mesmo.

- Você tinha toda razão de ficar chateada.

- Não depois de tudo o que aconteceu Edward, não posso te culpar por ter tentado fugir dessa situação agindo daquele modo, é muita coisa em pouco tempo. Desculpa pela minha birra.

- Tudo bem amor, a verdade é que estamos exaustos.

- Concordo plenamente. Vamos deitar? — O convidei puxando sua mão em direção do quarto.

- Ainda não, acho melhor comer alguma coisa.

- Não estou com fome.

- Nem daqueles meus sanduíches especiais? — Sorri.

- Bom, se for aquele extra ultra especial, eu aceito, mas só se fizer um para você também. — Pedi fazendo um bico, Edward me deu um beijo rápido.

- Feito. — Concordou me puxando para a área da cozinha, sentei no banco em frente ao balcão enquanto Edward pegava os ingredientes. Decidi fazer algumas perguntas sobre a tal vendedora, queria tirar esse assunto a limpo e não deixar nada pela metade.

- Você conversou com a tal vendedora? — Perguntei distraidamente, Edward me olhou e por um segundo achei que não iria responder, mas logo começou a falar.

- Não falamos sobre nada, ela só se ofereceu para ajeitar minha gravata. — Respondeu pegando um tomate e o cortando.

- Oferecida. — Murmurei aborrecida, antes que Edward dissesse algo eu continuei. — Ela é bonita? — Edward parou seu serviço e me encarou, se ele dissesse que não saberia que era mentira.

- Sim, mas nada que se compare a você. — Respondeu honestamente, devia ficar brava por ele ter dito que a achou bonita, mas preferia que ele fosse sincero comigo mesmo que doesse um pouco, além disso não era para ela que ele estava preparando um lanche. — Eu nunca lhe trairia dessa forma Isabella, sei que não existem desculpas para o modo como agi, mas nem por um segundo pensei em ligar para ela ou corresponder ao flerte. — Explicou, o observei atentamente e sabia que dizia a verdade o que deixou mais calma.

- Ainda esta com o telefone? — Indaguei seriamente.

- Não, joguei fora. — Disse sem titubear.

- Foi só isso? — Perguntei para finalizar o assunto.

- Foi. — Assenti.

- Ótimo, agora capricha no meu lanche. — Edward abriu o meu sorriso tímido e voltou sua atenção aos nossos lanches. Após comermos, fomos para o quarto e nos deitamos, ele encarava o teto com os olhos abertos, mas suas olheiras e seu semblante mostravam como estava cansado e com sono.

- Não vai dormir? — Questionei o olhando.

- Daqui a pouco pego no sono. — Com certeza estava com medo de ter pesadelos de novo. O que eu poderia fazer para ele relaxar? Sexo? Bom, era uma opção, sabia que isso não iria resolver os problemas, mas poderia aliviar nossa tensão e ajudar a descansar, além disso tudo o que eu mais queria agora era me entregar de corpo e alma a ele e esquecer mesmo que fosse por alguns minutos tudo o que estava acontecendo. Olhei para Edward e ele ainda encarava o teto perdido em pensamentos, sua mão brincava nas minhas costas enquanto estava deitada sobre o seu peito. E se ele não estivesse afim? Me perguntei. Droga! Eu não podia ficar com medo de uma rejeição, tomei coragem e comecei a acariciar seu peito.

- Perdeu o sono? — Me perguntou.

- É sempre assim né? Quando estamos de pé morremos de sono dai é só deitar que ele vai embora. — Reclamei, Edward riu.

- Pura verdade. — Passei meu nariz no seu corpo inspirando seu aroma.

- Esta cheiroso. — Elogiei, podia jurar que ele sorria.

- Estou?

- Hum Hum. — Limitei a responder e fui subindo até chegar ao seu pescoço e o beijei, Edward gemeu, sorri satisfeita em saber que o plano estava dando certo, subi meus beijos pelo seu maxilar.

- Adoro sua boca. — Murmurou. — Tão gostosa. — Sorri e o encarei.

- A sua também é uma delícia. — Disse maliciosa passando meus dedos pelos seus lábios, uma das mãos de Edward descia cada vez mais pelas minhas costas, enquanto com a outra ele segurou a minha e beijou meus dedos. Aproximei meu rosto ainda mais do dele tocando nossas bocas levemente, Edward soltou um rugido e em um rompante ele nos virou, eu fiquei prensada entre seu corpo e a cama, seu lábios tomaram os meus em um beijo urgente, sua língua invadia minha boca com astúcia e perícia, tocando lugares que me deixavam ainda mais louca de tesão por ele.

- Eu quero tanto você. — Sofregou em um gemido rouco tirando minha camisola em um só movimento, voltou a deitar sobre mim, beijando meu pescoço e meus seios com volúpia.

- Oh! Edward!

- Isso anjo! Geme o meu nome! Diz quem você quer.

- Você Edward! Eu quero você. — Seus beijos continuaram descendo, tirou minha calcinha e senti seus dedos me tocando com delicadeza e destreza, ele subiu e me beijou, gemi com a sensação quente que seus dedos e sua boca na minha estavam proporcionando.

- Gostosa! Geme Isabella! Geme para mim. — Pedia e meus gemidos aumentaram, Edward se afastou e tirou a camiseta e logo em seguida sua calça de moletom, ficando nu. Eu nunca iria me acostumar em como ele ficava lindo assim, podia olhar para ele por dias sem cansar. — Admirando? — Ouvi ele perguntando com um sorriso safado, me levantei ficando de joelhos na cama, assim como ele.

- Sempre. Você é uma tentação. — Edward me puxou para os seus braços e voltou a me beijar com paixão, seu membro duro provocando minha intimidade e fazendo com que gemêssemos ainda mais alto. — Edward! Por favor! Eu quero você! Ah!

- Eu também anjo. Quero muito. — Ele se sentou sobre seus joelhos e delicadamente me ajudou a sentar sobre seu membro duro e quente, arfei sentindo ele entrar completamente em mim, Edward tomou um de meus seios com a boca enquanto brincava com o outro com a mão, eu me apoiava em seus ombros e subia e descia com o auxilio de sua outra mão que apertava minha cintura, fazíamos tudo lentamente, aproveitando cada segundo e centímetro juntos, gemíamos e gritávamos o nome do outro, logo chegamos ao ápice, ainda permanecemos na mesma posição por alguns minutos esperando nossa respiração se acalmar, Edward beijou com cuidado meu lábios.

- Isso foi... — Murmurei molemente.

- Nós. — Edward finalizou com um lindo sorriso relaxado.

- É, exatamente nós — Tentei evitar, mas acabei bocejando.

- Vamos dormir anjo. — Declarou nos colocando sobre a cama, ele deitou sobre mim com a cabeça enterrada em meu pescoço, me forcei a ficar acordada mais alguns minutos, queria ter certeza que ele iria dormir, não demorou muito tempo e senti sua respiração calma e compassada.

- Edward. — Chamei e não tive resposta, me movi para o lado e acendi o abajur, me senti aliviada ao ver ele dormindo serenamente e com um leve sorriso nos lábios, resmungou algo e apertou seus braços no meu corpo, enfiando ainda mais a cabeça no vão do meu pescoço. Desliguei a luz e o abracei, sabendo que não importava o acontecesse nós enfrentaríamos juntos.

A primeira coisa que percebi quando despertei foi que Edward estava praticamente me sufocando na cama, já que metade de seu corpo estava sobre o meu, o afastei com certa dificuldade e agradeci por ele não acordar, Edward havia dormido a noite inteira e sem qualquer pesadelo, o observei mais uma vez e segui para o banheiro, fiz minha higiene, peguei um roupão e voltei para o quarto, iria preparar um super café da manhã, só com o que ele gostava, antes passei no meu escritório improvisado e vendo que o horário já era pertinente liguei para os clientes que tinha marcado, com a minha decisão de pegar mais leve no trabalho só estava trabalhando com três projetos, mas agora não existia nada que me importasse mais do que Edward, além disso parecia não ter cabeça para mais nada, por isso pedi muitas desculpas e abandonei os projetos, isso com certeza afetaria meu nome, mas no momento essa era a minha menor preocupação, minha prioridade agora era Edward. Foi pensando nisso que segui para a cozinha preparar nosso café da manhã, terminei tudo relativamente rápido e agradeci por Edward não ter acordado, fui para nosso quarto o mais silenciosamente que pude, coloquei a bandeja sobre o móvel que ficava em baixo das janelas e abri as cortinas, meu garotão ainda dormia profundamente, me aproximei e comecei a distribuir beijos pelas suas costas, ele gemeu, subi os beijos até chegar ao seu ouvido.

- Hora de acordar gostoso. — Vi o sorriso de Edward aumentar. — Eu sei que esta acordado garotão. — Instiguei e comecei a fazer cócegas nele, ele enfiou a cabeça no travesseiro rindo.

- Para Isabella! — Pedia gargalhando.

- Não sabia que tinha cócegas senhor Cullen. — Provoquei. — Agora para de frescura que o café esta pronto. — Falei me afastando, porém antes que pudesse sair da cama Edward me agarrou pela cintura fazendo com que eu soltasse um grito alto.

- Vamos ver quem tem mais cócegas. — Desafiou e suas mãos invadiram os lugares mais sensíveis do meu corpo.

- Não Edward! — Tentei dizer, mas era tarde demais, ria tanto que meu estômago começava a doer. — Para Edward! Para! — Ele parou, me deu um beijo e se deitou ao meu lado.

- Bom dia. — Saudou com um sorriso sacana, estávamos ofegantes pela brincadeira.

- Devia deixar você sem café da manhã, isso sim. — Reclamei fingindo estar brava, ele segurou meu queijo e puxou meu rosto para mais um beijo.

- Você seria incapaz de deixar seu homem morrer de fome. — Acabei sorrindo o afastando, levantei da cama e peguei a bandeja levando até a cama e colocando sobre ele, Edward me olhava de um modo que estava me deixando sem graça.

- Fiz seu preferido. — Ele pegou a bandeja a colocando do lado vazio da cama e me puxou para seus braços.

- Eu amo você Isabella. — Declarou me olhando com tanto amor que por um momento fiquei sem fala.

- Eu amo você Edward. — Sussurrei e o puxei para um beijo delicado e doce, sem pressa, nós afastamos e nos olhamos com carinho, desejo, paixão e amor, ele deu um beijo na minha testa e puxou a bandeja para mais perto.

- Isso aqui parece uma delicia. — Disse pegando uma panqueca com a mão. Lhe dei um tapa.

- Edward! O prato existe para que? — O adverti.

- Para sujar. — Revirei meus olhos, mas acabei rindo quando vi sua boca toda lambuzada de xarope para panquecas, me aproximei e beijei o liquido que escorria pelo canto de seus lábios.

- Fica gostoso melado. — Edward gemeu e puxou meu corpo para o seu me beijando com ardor, nosso café da manhã iria demorar bem mais do que havia previsto.

Depois de toda a meleca que fizemos na cama, tomamos um banho e arrumamos o quarto, Edward parecia bem melhor, mas ainda via certa preocupação rondando seus olhos, ele ainda estava se segurando em toda essa situação e parecia tentar ignorar tudo o que tinha acontecido. Eu não sabia o que fazer para tirar ele dessa zona de conforto que tinha se colocado, as vezes parecia que nada tinha acontecido, o modo como ele estava enfrentando a morte de Eleazar estava começando a me assustar.

- Estava pensando em irmos até a construção da casa. O que acha? — Perguntei, talvez sair um pouco e respirar ar puro fosse bom.

- É uma ótima ideia amor. — Concordou, me aproximei dele.

- Como você esta? — Indaguei passando minhas mãos pelos seus cabelos.

- Estou bem Bell, não sei por que esta tão preocupada comigo.

- Por causa dessa ruguinha aqui. — Respondi alisando o leve franzido entre suas sobrancelhas.

- Não é nada. — Disparou exasperado.

- Edward você pode enganar quem quiser, menos eu. — Ele suspirou pesadamente.

- O que você que eu diga? — Perguntou um pouco irritado.

- Quero que diga o que esta lhe incomodando.

- Nesse exato momento, você e essas perguntas sem sentido. Eu estou ótimo! Melhor terminar de se arrumar, não quero voltar tarde. — Disse rude e saiu do quarto. Ele estava sonhando se pensava que essa sua atitude bruta ia me assustar. Seu humor nos últimos dois dias estava alternando de um modo alarmante, em um momento estava quieto, no outro falante e parecendo até feliz como hoje de manhã e em outros com medo e até irritado, precisava de muita paciência para aguentar essas mudanças bruscas de humor e me concentrar em fazer esse homem se abrir e não se fechar ainda mais. Eu queria que Edward esbravejasse, dissesse que estava com ódio, raiva, chorasse, ao invés disso ele se fechou nele mesmo e até voltou a agir como antigamente, tudo isso por não saber lidar com a dor da perda. Aconteceu o mesmo quando Carlisle e Esme morreram, me lembro dele no enterro, austero e superior, o rosto impassível e sem uma lágrima sequer, não digo que chorar cure todos os problemas, mas é um modo de encarar uma perda tão grande, mesmo assim Edward parecia tão fechado naquele dia, foi só há pouco tempo que ele deixou aquela dor ir embora chorando nos meus braços a noite inteira quando descobriu que os pais podiam ter sido assassinados. Dessa vez eu não podia deixar passar tanto tempo, temia que Edward entrasse em depressão e se fechasse ainda mais em um mundo só dele, precisava tomar uma atitude e evitar que isso acontecesse a todo custo. A ideia de fugir de tudo isso aparecia cada vez mais forte na minha cabeça. Mas fugir para onde?

- Isabella! Vamos! — Ouvi sua voz urgente me chamando fazendo com que perdesse minha linha de raciocínio, suspirei resignada, quando fui pegar minha bolsa que pousava sobre a cadeira não percebi que a mesma estava aberta e tudo o que estava dentro caiu pelo chão.

- Merda! — Praguejei pegando os objetos espalhados, foi então que meus olhos viram o envelope branco sobre o chão, meu coração acelerou e senti meus olhos queimarem. A carta que Carlisle nos deixou. Fui até nossa cama me sentando.

- Isabella? — Edward chamou novamente, mas me vi incapaz de responder, ouvi seus passos se aproximando do quarto. — O que houve? — Edward perguntou preocupado se ajoelhando ao meu lado, quando o fitei sua preocupação aumentou. — Por que esta chorando? — Questionou angustiado, peguei o envelope e mostrei à Edward, ele me olhou. — É a carta do nosso pai? — Assenti.

- Esquecemos de abrir. — Edward virou o rosto e se levantou.

- Deixa aí depois leremos. — O encarei abismada.

- Depois nada, agora! — Fui incisiva.

- Isabella combinamos de ir até nossa casa, na volta damos uma olhada. — Pura desculpa, ele não queria encarar a saudade que os pais faziam. Me levantei e o olhei.

- A casa não vai sair do lugar Edward. Eu quero ler agora! — Exigi, Edward ia parar agora de fugir dos seus problemas.

- Não! — Respondeu enérgico, respirei fundo. Não ia adiantar bater de frente com ele, precisava ir com calma.

- Por favor. — Tentei dissuadi-lo. Edward passou as mãos pelo rosto e me deu as costas.

- Eu não quero. — Murmurou com a voz abafada.

- Por que? — Ele ficou parado pelo que pareceu uma eternidade, quando achei que não responderia, Edward se pronunciou.

- Não quero lidar com isso, não agora. As coisas estão difíceis demais sem ter que pensar nos nossos pais. — Respondeu cabisbaixo, me aproximei e o abracei por trás beijando suas costas.

- Você não vai lidar com nada sozinho, eu vou estar bem ao seu lado Edward assim como prometi na noite retrasada. — Ele levantou a cabeça e se virou na minha direção, seus olhos com um brilho indecifrável, se ele precisasse que eu dissesse que não o deixaria a cada segundo eu o faria, Edward precisava dessa segurança.

- Ok. — Disse concordando, sorri. — Mas você lê. — Exigiu, assenti o puxando para a cama, sentei com as costas apoiadas na cabeceira e ele colocou a cabeça sobre meu colo, sabia que isso não seria fácil para ele, por isso comecei a fazer um cafuné nos seus cabelos sabendo o quanto isso o relaxava, Edward fechou os olhos.

- Pronto? — Perguntei, ele somente assentiu, respirei fundo e brevemente afastei minhas mãos dos seus cabelos, assim que tinha a carta aberta voltei a acariciar seus longos fios, tomei coragem e comecei a ler as palavras que Carlisle havia escrito para nós.


Para meus filhos,

Edward e Isabella,


Primeiramente gostaria de me desculpar com vocês. Por descuidar da minha segurança e a da minha família, com certeza ao lerem essa carta já sabem sobre tudo o que aconteceu. Sinto muito por tudo o que tiveram que passar.

Isabella, seu jeito doce e meigo nos conquistou, filha tenho certeza que não importa qual seja o caminho que deseje percorrer você será feliz, você tem uma luz dentro de si que mal nenhum apaga, ao invés disso a deixa ainda mais brilhante, eu e sua mãe vimos você se transformar nessa mulher obstinada, linda, meiga e carinhosa, você nunca se deixou abater, não importava qual fosse o obstáculo. Por isso peço. Cuide de Edward. Ele pode parecer seguro de si, altivo, prepotente e até mesmo egoísta, mas ali dentro bate um coração tão frágil quanto o seu, que vai precisar e muito do seu carinho, do seu colo e do seu amor. Isso mesmo que leu. Amor. Acharam que nos enganavam? Confesso que demorei e muito para admitir essa ideia e a única pessoa com quem conversava sobre isso era a mãe de vocês, ela não via a hora de ver vocês juntos. Sei que James é um bom rapaz e não quero atrapalhar o relacionamento de vocês, mas ele não é o dono do seu coração e você sabe disso melhor que nós. Quem te conhece sabe o quão transparente você é com seus sentimentos. Você ama o Edward, assim como ele ama você.

Edward, meu orgulhoso e teimoso filho, não posso descrever em palavras o orgulho que sinto de ser seu pai, sei que tivemos nossos desentendimentos, mas tenho certeza que me entenderá quando tiver seus próprios filhos, tudo o que vai desejar é a felicidade e o melhor para eles. Você me enfrentou em nome dos seus sonhos, não desista deles, é alguém capaz de fazer o que quiser e da forma que desejar sem se conformar com nada. Por isso peço. Cuide de Isabella. Pode parecer que ela não precisa, mas nada sobrevive à apenas uma estação, é preciso haver equilíbrio, calor, frio, folhas e flores, mostre a Isabella que existem outras cores além do branco, que a vida é ainda melhor quando se tem alguém ao nosso lado que nos desafie. Você se tornou um homem sagaz, inteligente e brilhante, tenho certeza que será o melhor presidente que a Cullen's já teve, pois tem uma visão mais ampla e não fica só focado em papéis e assinaturas, seu mandato trará frescor e prosperidade. Não desista da empresa Edward, sei que deve culpá-la por tudo o que aconteceu, mas eu fui o único responsável por tudo, fui imprudente nas minhas investigações, por isso dei a você uma vaga na mesma área que Michael, pois tinha certeza que descobriria algo para incrimina-lo e diferente de seu pai não seria tão descuidado. Tenho certeza que Eleazar protegerá você e Isabella.

Sei que deve me odiar pelo que lhe fiz Edward, mas não vi outra alternativa para proteger você e Isabella, além disso você ainda não estava pronto para assumir a empresa e receber toda a herança, precisava amadurecer antes e sabe disso.

O que mais desejo é que você e Isabella estejam juntos lendo esta carta e unidos por esse sentimento tão puro e verdadeiro que é o amor, tenho certeza que darão a mim e Esme lindos netos e netas.


Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos.

Bertrand Russell


Sejam felizes meus filhos.

Com amor,

Carlisle Cullen

Notas finais
Ufa! Esse ficou grande hein? Sei que esse drama é meio chato, só que foi preciso, não tem como o Edward se recuperar de um dia para o outro, ele precisa de mais tempo e a Bella muita paciência, já que o humor dele esta bem volúvel :-/

Edward não gostou nada da Bella ter pedido que ele não vendesse a empresa, mas aceitou por hora. O que acharam da atitude dela? E o piti básico que ela deu hein? Pegou pesado falando do James, mas vamos concordar que os dois estão estressados com toda essa situação né. O que será que o Edward vai fazer depois de ler a carta do pai e descobrir que ele quer que Edward seja o presidente da Cullen's?

No próximo eles irão conversar sobre a carta que Carlisle deixou e Bella vai finalmente pensar no lugar perfeito para fugir com Edward, eles irão fazer mais uma viagem, dessa vez um pouco mais longa que a última que fizeram. Essa viagem vai ser ótima para os dois descansarem desse tormento todo, além de refletir melhor suas decisões. Ah! Claro que o pessoal não pode deixar de faltar, eles vão fazer uma visita e deixar o ambiente mais animado! Além disso teremos uma conversa bem legal entre Edward e a Bell de quando eram crianças e ele não a odiava tanto... rsrsrsrs

Preciso confessar que esse foi um dos capítulos mais difíceis que escrevi, isso por causa da complexidade das emoções e sentimentos que foram abordados aqui, não vemos somente um Edward ainda perdido, mas também uma Bella confusa sem saber o que fazer para ajudá-lo. Espero que tenha conseguido passar o que gostaria :)

Já falei demais, de novo --'
Bjs e até o próximo ;)