LadyLike
3 Chapter Two
Notas iniciais
Espero que gostem
Bjoos ♥
- Que me... — Daphne começou a reclamar, se virando para a porta com raiva. O que essas pessoas têm contra bater na porta? — Ah, é você — resmungou quando viu de quem se tratava.
A mulher que estava na porta olhou o quarto com desgosto, aquele quarto era o único que fugia do padrão da casa, com tons pastéis. Uma das paredes — onde ficava a cama — era roxa e as outras possuíam tons de roxos mais claros, quase lilás. A grande cama de casal era branca e a colcha listrada de roxo e preto. Almofadas de diversos tons jogados pelos cantos. Um grande pufe azul ao lado da porta do banheiro. Uma escrivaninha também branca, com diversos livros, uma cadeira grande e confortável. As portas para o closet e o banheiro também eram brancas com alguns detalhes em prata. Havia também uma porta dupla, dando para a grande sacada, onde tinha mais alguns pufes e uma mesinha.
- Você deveria ter mais respeito com sua avó — disse a mulher, ainda analisando o quarto.
- O que você quer? — Daphne perguntou rude, recebendo um olhar severo da avó — A que devo a honra de sua presença querida avó? — ela corrigiu, abrindo um sorriso cínico.
- Não sei o que fizemos de errado com você — a mais velha falou desgostosa — Nem mesmo Beauxbatons deu um jeito em você, aquela escola não é mais a mesma...
Daphne bufou, o que ela menos queria agora era ouvir sua avó reclamando de seus modos e seu estilo.
- Que roupas são essas? — a mulher pareceu reparar nas vestes de sua neta, horrorizada.
- Jeans regata e jaqueta de couro? — sugeriu Daphne, como se não entendesse o espanto de sua avó.
- Como você pode se vestir assim? Isso são roupas trouxas! Se vista de acordo a uma Greengrass, Daphne — falou indignada, andando até o closet da neta e pegando um vestido longo que havia dado a ela de natal.
- Eu não vou vestir isso!
- Claro que vai. O jantar será daqui a pouco e você terá que se vestir de acordo — falou severa — Se você fosse a Astoria...
- Mas eu não sou! — Daphne se irritou, odiava quando era comparada com sua irmã mais nova.
- Infelizmente não é! Você não tem nada da Astoria, essa sim é uma verdadeira Greengrass, se casando com um legítimo Malfoy quando deveria ser você a fazer isso — a avó falou fria — Como mais velha você que deveria se casar com alguém bom o suficiente para nossa família, você que nos deveria unir Daphne.
- Está vendo? — Daphne perguntou irritada — É só isso que importa para você e minha mãe, alguém bom o suficiente para a família! Vocês deveriam se preocupar com alguém bom para mim, não para essa droga de família.
- Não fale assim! É claro que nos preocupamos com alguém bom o suficiente para você, o que for bom para a família será bom para você — ela rebateu, ainda com a voz fria e inabalável.
- Ah, claro — Daphne sorriu cínica — Quem seria bom o suficiente para mim? O Nott? Quem sabe o Malfoy mesmo, ou qualquer idiota sangue-puro, não é?
- Exatamente — falou fria.
- Mas não é isso que eu quero!
- Se você fosse uma Greengrass de verdade não se importaria com isso, o que é melhor para a família vem primeiro que suas vontades Daphne.
- Talvez seja por isso então. Talvez eu não seja uma Greengrass — a garota abaixou o tom de voz, olhando o por do sol pelas portas abertas da sacada.
- Sempre suspeitei disso — suspirou, saindo do quarto.
Daphne, mesmo a contragosto, colocou o vestido que sua vó falara e se sentou em um dos grandes pufes de sua sacada, sentindo os olhos arderem. Era sempre assim, sua avó nunca iria querer conversar normalmente com ela, sempre viria para dizer como sua irmã era melhor, como ela não se comportava como uma Greengrass, como ela devia se vestir e portar ou como devia pensar na família para depois pensar nela mesma.
E sempre terminava assim, com ela segurando suas lágrimas, sem se permitir chorar por uma coisa tão inútil. Ela odiava chorar, sentia-se fraca, inútil... Olhou para cima, tentando assim poder controlá-las e se abraçou para se proteger do vento frio.
- Chorar não significa fraqueza, fraqueza é não chorar pelo simples medo do que os outros vão pensar — Theodore falou, entrando na sacada.
- O que você está fazendo aqui? — Daphne tentou manter a voz firme, falhando logo de início.
- Vi você aqui, meu quarto é o do lado, mas acho que você sabe — ele respondeu, se sentando ao lado dela.
- Você escutou? — ela perguntou incerta.
- Você fala um pouco alto de mais — falou abrindo seu sorriso habitual e, aparentemente, único, o seu sorriso cínico.
- Ótimo — ela murmurou irritada, se encolhendo quando um vento frio que passou por ela — O que você está fazendo? — perguntou surpresa quando sentiu os braços de Theodore a abraçarem.
- Dizem que o melhor jeito de se esquentar é com o calor corporal de outra pessoa — ele respondeu sorrindo.
- Ma...
- Olha, vamos fazer o seguinte — ele a cortou — Vamos fingir que não nos odiamos, fingimos que somos amigos e eu estou te ajudando depois de mais uma briga com sua vó — completou serio, a virando para si e olhando-a nos olhos.
Ela concordou, sem saber o que fazer direito, sua vista ainda ardia e se embaçava, enquanto ela ainda tentava controlar as vergonhosas lágrimas.
- Não precisa segurá-las, elas já estão há muito tempo presas — ele murmurou, voltando a abraçá-la.
- Obrigada — ela agradeceu, deixando as lágrimas finalmente escaparem, silenciosas.
- É pra isso que servem os amigos — ele falou rindo — Pelo menos por hoje.
Eles ficaram em silencio, observando os poucos movimentos do grande jardim. Daphne havia parado de chorar a algum tempo, mas isso não fez com que Theo a soltasse de seus braços. Essa era a primeira vez que ficavam no mesmo lugar sem brigarem, a primeira vez que conversaram sem insultos ou gritos.
O silencio foi cortado pelo barulho de pequeninos passos e os dois se viraram para a porta, vendo um elfo domestico adentrar a sacada.
- Me desculpe senhorita, mas a minha senhora a chama para o jantar, juntamente com o senhor — o elfo falou tremendo, com medo de ser castigado por interrompê-los.
Daphne assentiu e o elfo saiu, os deixando sozinhos novamente.
- Temos que ir — Theodore disse a soltando e se levantando prestes a se retirar também.
- Nott — Daphne o chamou — Não pense que isso vai mudar alguma coisa, eu ainda te odeio e se você contar que me viu chorando para alguém, eu te mato.
- Não esperava que fosse diferente — Theodore sorriu — Isso também não muda nada o que eu sinto por você, princesinha revoltada.
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