Notas iniciais
Surpresas e desafio encontram nosso personagem.

Minhas mãos ficaram imediatamente suadas e trêmulas. Parecia até que meus olhos estavam embaçados e não via direito. Procurei respirar devagar e acalmar meu coração, que nesse momento eu tinha certeza que batia como um bumbo. Meus ouvidos latejavam com o esforço que meu coração fazia para bater. Fechei meus olhos com força e os abri novamente. Aos poucos meu equilíbrio retornou e meu raciocínio começou a trabalhar numa velocidade que nunca pensei ser capaz de pensar.

Tinha certeza que estaria perdido se fizesse movimentos bruscos ou dissesse algo indevido. Estranhamente não pensei em mim. Lembrei do meu cachorro. Iria atrasar para pegá-lo no Pet Shop. Será que daria tempo de buscá-lo? Outro pensamento invadiu minha cabeça. Quem cuidaria dele se algo me acontecesse? Ele sentiria muito a minha falta? Que coisas estúpidas para se pensar num momento como esse! Lembrei da Paula e fiquei grato por ela não estar mais na loja. Ela era jovem e com certeza ficaria muito assustada. Fiquei feliz por ela ter saído mais cedo.

Evitei olhar aquela figura nos olhos. Ele poderia se incomodar e ficar violento. Procurei afastar minhas mãos e braços do corpo para que ficassem visíveis e não causasse nervosismo em naquela figura que me visitava. Não era época de Carnaval, mas em pé na minha frente estava alguém fantasiado de Pierrô, com as mãos sangrando.

Quando o vi no primeiro momento achei que fosse alguma brincadeira, mas a arma que ele carregava na mão direita me deixou claro quais eram suas intenções. E não tive dúvidas de que naquele momento eu estava sendo vítima de um assalto.

Parecia que muito tempo havia transcorrido, mas tudo aconteceu muito rápido. Uma mão forte de alguém que minha visão e meu consciente não havia registrado, empurrava meu ombro e minha cabeça pra baixo me obrigando a deitar no chão. Procurei ser rápido ao meu abaixar. Via apenas umas botas de soldado e uma parte da calça de camuflagem que a outra pessoa usava. Com certeza também devia estar fantasiado de alguma coisa.

O Pierrô contornou o balcão onde ficava o caixa e começou a retirar de lá o dinheiro. Não havia muita coisa, pois a Paula quando saiu, tinha levado a maior parte do dinheiro, que entrara naquele dia, para depositar. Ficou danado da vida por ter tão pouco. Creio que a quantia não passava de uns trezentos reais. Ele pareceu ficar sem saber o que fazer. Começou a andar nervoso de um lado para o outro.

Depois de uns minutos que pareceram uma eternidade ele veio até mim e pediu minha carteira. Achei que iria apanhar do sujeito. Ele só encontrou uns cinquenta, na minha carteira. Indignado me pediu o celular. E saíram ou saiu. Não vi quando o segundo saiu. Fiquei deitado com o rosto no chão como ele me mandou. Esperei o que calculei uns quinze minutos. Quando imaginei que não haveria mais problema e resolvi levantar, um cliente chegou.

Contei-lhe o ocorrido. Pedi que voltasse em outro momento. Olhei em volta atordoado. O que eu precisava fazer? Meus músculos doíam. Olhando ao redor vi que alguns produtos de perfumaria e higiene estavam faltando. Alguns aparelhos de pressão também. Nesse instante avistei o telefone e sabia o que tinha que fazer. Primeiro liguei para a polícia e enquanto esperava pelos policiais liguei para o Pet Shop. Pedi se podiam aguardar até que eu pudesse pegar o Fred. Contei-lhes o que havia acontecido. Garantiram que podiam esperar um pouco mais.

Resolvi abaixar duas das três portas abertas. Elas abertas me deixavam nervoso. Deixei apenas a porta principal, aberta. Alguns produtos haviam caído e se espalhado pelo chão. Pensei em ajuntá-los, mas talvez isso atrapalhasse o trabalho dos policiais.

Fui até o computador e verifiquei se as câmeras haviam filmado o incidente. Olhando as imagens e prestando a atenção cheguei a conclusão de que não havia estado maluco. Apesar da fantasia o cara vestido de pierrô, com certeza era o sujeito que tinha estado na loja e não comprara nada. Fiz cópia das imagens e depois separei o material para entregar aos policiais.

Fiquei assustado quando eles chegaram. Vieram dois policiais em uma viatura. Tomaram meu depoimento e pediram que no dia seguinte eu passasse na delegacia para assinar o boletim de ocorrência. Não me deram esperanças sobre achar os caras que fizeram o assalto. E ainda disseram que esses bandidos poderiam voltar, pois se estiveram cuidando o ambiente eles sabiam do movimento e escolheriam um outro momento para roubar de novo.

Depois que eles saíram pensei no que fazer para me proteger, mas não encontrei solução. Resolvi ir embora pra casa e deixar pra decidir o que fazer somente no dia seguinte, quando minha cabeça estivesse mais calma. Terminei de fechar a farmácia. Olhei pra todos os lados por puro instinto. Os bandidos não voltariam ali por enquanto.

Peguei o Fred e fui pra casa. Ao ligar a televisão, o noticiário mostrava algo lá do outro lado do mundo. Resolvi tomar um banho pra relaxar. Quando saí do chuveiro, as palavras do repórter me chamaram a atenção. Aumentei o volume e fiquei pasmado diante do que ouvia e via. Não conseguia crer. Parecia filme de comédia.

Notas finais
Que fato mostrado na tv impactaram nosso personagem? Que notícia incrível lhe pareceu filme de comédia?