Ladrões de Almas
12 Dúvidas
Que filho da mãe! Ele havia planejado tudo antes. Ele sabe sobre o rastro que Dan estava seguindo e sabia que eu estava envolvida, ele só precisava ter a certeza e foi naquela maldita aula. Droga!
– Não me diga que se apaixonou pelo meu namorado. — Melissa me olhava preocupada pelo tempo em que permaneci em silêncio olhando a foto de Ethan em seu celular.
– Não. — Disse desviando os olhos da foto daquele cretino. — Eu o achei familiar. Só isso.
– Ele é novo na cidade, se mudou há uns 4 meses. — Ela falou.
– Há quanto tempo vocês estão saindo?
– Uns 2 meses, eu acho. — Ela encolheu os ombros quando desferi um olhar incrédulo.
– E não me disse nada? — Esbravejei. — Poderia ter me dito antes...
– Ele saiu da cidade por um tempo, achei que nem iria mais voltar...
– E como vocês se conheceram? — Insisti. — Ele disse que você tinha belos olhos e você já se derreteu? Ao menos sabe qual a profissão dele ou onde ele mora?!
– Ei, calma, mocinha! — Ela retrucou. — Annie, eu sei me cuidar, ok? Não sou nenhuma adolescente, como você.
– Esta me chamando de irresponsável? — Franzi o cenho.
Ela suspirou erguendo os braços. Gesticulei para que ela prosseguisse.
– Eu o conheci o Greg no hospital. — Ela murmurou tentando se lembrar. — Acho que ele havia sofrido um acidente, eu não lembro.
– Greg?
– Gregory Ethan. — Ela sorriu ao dizer. — Já temos certa intimidade...
– Não começa, mãe. Não quero saber disso. — Suspirei sabendo em qual assunto iríamos terminar. — Em que ele trabalha? Porque veio para a cidade?
– Que curiosa! — Ela cruzou os braços, rindo. — Ele é professor na mesma escola em que você estuda, talvez o tenha visto por lá, por isso o achou familiar.
– Tem razão.
Melissa não havia conhecido o Ethan quando meu pai e ele caçavam juntos, o que era de se esperar já que Dan escondia isso dela. O fato é: Ethan estava se aproximando de nós e consequentemente do diário. Eu deveria escondê-lo o mais distante possível da minha casa. Nem na casa de Tony estaria seguro, caso ele resolvesse invadir ou coisa do tipo. Onde diabos eu iria guardar aquilo? E porque aquele interesse todo em um caderno velho que apenas falava sobre as experiências do meu avô?
– Querida, eu vou jantar com o Greg. Não me espere, talvez eu durma na casa dele. — Ela dizia satisfeita enquanto passava pelo corredor.
– Mãe, tem certeza que pode confiar nele? Não é melhor esperar mais um tempo?
– Esperar pra que? — Melissa já estava arrumada e nunca estivera tão linda e radiante desde a morte do papai.
– Você sabe... Dormir na casa dele. — Cruzei os braços.
– Sabe aquele plantão de urgência semana passada? — Ela sussurrou e logo gargalhou. — Foi na cama dele!
Retruquei irritada e voltei para o quarto. Tenho que afastá-lo da minha mãe o quanto antes. Esperei na janela até o momento em que Ethan chegou em seu carro e Melissa partiu com ele.
– Eles acabaram de sair. — Estava falando com Tony pelo celular. — É um sedan azul. Assim que eles pararem me ligue.
– Fechado.
Tony desligou e partiu seguindo Ethan.
– O esplendor da sua face envergonharia as estrelas do mesmo modo que a luz do dia faria envergonhar uma lâmpada. — Frederick estava em meu jardim, com as mãos nos bolsos do jeans. Ele continuava ditando Shakespeare enquanto me olhava. — Se os seus olhos estivessem no céu, lançariam, através das regiões etéreas, raios de tal esplendor que os pássaros cantariam esquecendo que era noite.
Olhei assustada e ri ao reconhecê-lo.
– Olá, Romeu. — Acenei.
– Oi, Annie. — Ele se encostou no tronco da árvore. — Nós vamos conversar assim mesmo ou você poderia fazer o favor de descer e vir até aqui?
Fechei a janela sem o responder e desci rapidamente a escada. Trotei até a porta, onde hesitei. Mil questionamentos passaram em minha mente, mas para manter-me um pouco menos receosa, enviei um sms para Tony avisando que Frederick estava comigo e que ele viesse assim que conseguisse saber onde Ethan morava. Respirei fundo e abri a porta. Frederick continuava na mesma posição, encostado à árvore.
Saí e fechei a porta. Caminhei até ele. Eis o meu inimigo, pensei. Mas o sorriso que se fez em sua boca destruiu meu desvaneio.
– Olá, minha Julieta. — Ele falou com a voz macia.
– Oi. — Disse apenas. Idiota.
– Não tive culpa hoje cedo. — Ele franziu o cenho irritado e se aproximou, saindo da sombra projetada pela árvore graças as luzes dos postes. — Aquela garota se jogou no lugar em que era seu.
– Não precisa se preocupar com isso. — Tentei acalmá-lo. — É bom que faça novas amizades na escola.
– Não estou interessado nisso. — Ele suspirou.
O ronco de um motor atravessou a rua e nos tirou de nossa conversa. Logo Tony estava estacionando a moto barulhenta em frente à minha casa. Pude ouvir Frederick grunhir ao reconhecê-lo.
– Boa noite. — Ele falou após tirar o capacete, seus cabelos estavam um pouco mais alinhados, o que era uma novidade. — Atrapalho alguma coisa?
– Na verdade, atrapalhou sim. — Frederick cruzou os braços, estava visivelmente irritado. — Já esta meio tarde, não?
Tony ergueu um pouco a manga do casaco e verificou o relógio de pulso.
– É verdade. Você já deveria estar em casa. — Disse sarcástico e passou por mim. — Precisamos conversar.
– Posso te levar amanhã pra escola? — Frederick adiantou-se.
– Tudo bem. Estarei pronta às 8h. — Aceitei na pressa de saber o que Tony tinha a me dizer.
Frederick me puxou pela mão e depositou um beijo próximo a minha boca e antes de partir desferiu um olhar ameaçador para Tony, que apenas sorriu e acenou.
– Babaca. — Tony sussurrou enquanto Frederick se afastava de nós.
Olhei-o com reprovação pelo comentário e o puxei para dentro de casa.
– Então, o que descobriu? — Perguntei assim que entramos.
– Não vai me oferecer um café antes?
Revirei os olhos.
– Tony, é sério.
– Os pombinhos foram para um restaurante. — Ele disse já avançando para a cozinha.
– E?
– E o que? — Ele se virou confuso. — Não sei qual era o cardápio de lá. — Abriu a geladeira e beliscou qualquer coisa que estivesse à vista.
– Eu te pedi pra descobrir onde fica a casa dele! — Passei a mão no rosto irritada.
– Mas o demônio taradão estava aqui. — Ele falava com a boca cheia. — Não iria te deixar sozinha com esse cara, Annie.
– Que idiota! — Esbravejei furiosa. — Eu disse no sms que viesse quando descobrisse onde ele mora.
– O idiota que se importa com você. — Ele bebeu um pouco de suco e fechou a geladeira.
– Não vem com essa. — Andei de um lado para o outro, tentando pensar em algo. — Como vamos descobrir onde ele mora?
– A escola deve ter informações sobre ele. Sua mãe deve saber, agora que são namorados...
– Claro, vai ser muito fácil! — Ironizei. — Qual vai ser minha desculpa pra pedir o endereço dele? Aulas particulares?
Ele suspirou e balançou a cabeça negativamente.
– Precisamos saber porque ele quer tanto esse diário. Afinal, ele é um caçador e sabe o que precisa fazer pra matar aquelas coisas.
– Talvez nós tenhamos deixado passar algo. — Mordi os lábios.
– Algo grande, pelo visto.
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