La mia mitá

7 Caminhos de escuridão parte 2: o fio de Ariadne.


Notas iniciais
Oi gente.Perdão pela demora,tive problemas com meu computador mas agora está tudo resolvido.Não se preocupem que o próximo não vai demorar tanto assim pra sair.Como sempre meus agradecimentos aos reviews do cap. anterior.Boa leitura e nos lemos nas notas finais.

O menino loiro escondeu o rosto entre os braços e suspirou.Em momentos como esse desejava desaparecer no ar ,como uma bolha de sabão.Simplesmente deixar de existir.Se manteve quieto ,sem saber precisar por quanto tempo até que ouviu passos.Não se animou a erguer o rosto e ver quem era.Talvez se ficasse bem quieto a pessoa simplesmente fosse embora e lhe deixasse em paz.Os passos se tornavam cada vez mais próximos até que pode perceber alguém parando ao seu lado:

–Malfoy?-chamou a voz.-Está tudo bem?

–E o que te importa?-perguntou erguendo a cabeça para encarar os olhos chocolate de Ginevra Weasley em pé frente a ele.

–Eu só quero ajudar.-disse a menina mordendo os lábios em sinal de nervosismo.

–Não preciso de ajuda.Vá embora.-respondeu o garoto.

–Precisar de ajuda não é ruim.Todo mundo precisa de vez em quando..-disse ela sentando a frente dele.

–Vou ser mais claro então Weasley:não preciso de sua ajuda.Vá embora!-disse ele irritado.

–Como sabe?Como sabe que não precisa de minha ajuda?-insistiu a menina.

“Lufos sempre tentando ajudar tudo e todos.”- pensou o loiro girando os olhos.Qual era o problema daquela Weasley afinal de contas?Ele é um Malfoy pelo amor de Merlim!Será que ela não sabia que deveria ficar longe dele?Se era assim ia ensiná-la.

–Weasley qual é o seu problema?É tão difícil assim perceber quando não é bem vinda?Nenhum de seus milhares de irmãos quer você por perto e aí você resolve vir me atormentar?

A garota abriu mais os olhos surpresa e seus lábios tremeram um pouco.Vendo que o comentário atinha afetado ele resolveu continuar:

–O que foi?Seus irmãos ruivos estão com vergonha de você? A Weasley que não é corajosa o bastante para os leões estúpidos?

Os olhos castanhos se encheram de lágrimas e ela abaixou um pouco a cabeça.

–Se quer saber você está certo Malfoy.-disse com voz pequena.-Todos acham que minha cassa é uma porcaria pra onde vão aqueles que não são bons em nada.

O menino viu como lágrimas pingavam em direção ao chão e estendeu a mão erguendo o queixo da menina.Ele via as gotas salgadas escorrendo em direção ao queixo dela com fascínio.Como ela podia fazer isso assim tão fácil?Seus amigos ,embora não acreditassem que chorar era uma vergonha, só o faziam em situações complicadas e dolorosas.Ele nem ao menos podia fazer isso ,mesmo que às vezes desejasse não podia.E ali estava aquela menina derramando lágrimas com uma imensa facilidade.Parecia que seus sentimentos saíam pelos olhos com elas.Ele pode ver a magoa contida pelo distanciamento,ainda que talvez inconsciente, dos irmãos, a decepção velada dos pais quando tentavam consolar-la por estar na casa do texugo.A raiva por esse consolo, não queria consolo,ser consolada implicava que algo ia mal.E lendo todas essas coisas Draco sentiu inveja.Inveja do fato de alguém poder amenizar suas emoções dessa forma,permitindo que transbordassem pelos olhos.

–Como consegue?-perguntou ele usando a outra mão para secar as lágrimas dela.

–O-o que?-gaguejou ela confusa pela atitude repentina e pela pergunta sem sentido.

–Isso.-disse ele mostrando os dedos úmidos-Como consegue colocar tanto sentimento aqui?

–Todo mundo faz isso quando chora.-disse ela se afastando do toque do loiro.

–Hum.-resmungou ele negando com a cabeça.

–Bom talvez você não perceba que faz isso quando chora,mas todo mundo faz.-assegurou ela.

–Eu não choro.-disse ele sério e encarou esperando que ela o desafiasse alegando que isso não era possível.

–Deve ser difícil.-foi a resposta dela.Ele franziu a testa e assentiu brevemente.

O silencio caiu sobre os dois até a voz do loiro o quebrar.

–Sem Helga Hufflepuff Hogwarts não existiria.Ela convenceu os outros a unirem suas habilidades e criar esse castelo.Foi a maior das medibruxas que já existiu.Dizem que seu poder de cura era tão grande quanto seu amor pela vida.Ela foi muito amada.Foi a única dos quatro que conseguiu isso.Salazar era temido, Rowena era respeitada, Godric era admirado mas ela,ela era amada por aqueles que a conheciam.Dizem que era a única que podia separar uma briga de Salazar e Godric e ainda dar um sermão sem que eles objetassem nada.As casas selecionam os alunos que merecem carregar o legado de seus fundadores.Amor,justiça,lealdade não são legados para pessoas inúteis. Carregá-los requer coragem ,inteligência e perseverança.

A ruiva ficou olhando para o garoto que a encarava com seus tempestuosos olhos cinzentos sem saber o que responder,de um jeito estranho ele tinha tentado fazer com que ela se sentisse melhor .E tinha conseguido.

–Obrigada.-disse a garota com um leve sorriso.

–Você deveria ir agora.-disse o loiro ao ver que a garota a olhava confusa e completou:-Preciso ficar sozinho.

–Se isso vai te fazer ficar melhor,então tudo bem.- e depois de hesitar um momento envolveu o loiro com os braços e deu um beijo em sua bochecha.

–Você não é tão mal quanto tenta ser Draco.-disse ela e saiu correndo pela porta.

O loiro ficou olhando a porta aberta coma boca meio aberta e completamente sem ação.Definitivamente aquela era uma garota estranha.

–Se eu não soubesse que sua mità é um mago teria certeza que é essa Weasley.-disse uma voz chamando a atenção de Draco.O loiro se voltou para o lado e suspirou.

–O que quer dizer com isso Theo?-perguntou o loiro.

–Que você foi legal com ela.E nós dois sabemos que você não costuma ser com ninguém fora da sonserina.

–Ela é estranha.-disse o loiro como justificativa.

–Sei.Mas não vim aqui falar sobre ela.-disse o garoto sentando-se ao lado do loiro.

–Vocês ficaram com medo de mim.-disse o Malfoy.Não era uma pergunta.

–Sim.Ficamos assustados.Eu nunca vi uma explosão daquelas,seus olhos estavam diferentes.Eram assustadores.

O loiro voltou-se para o amigo com os olhos confusos,preocupados:

–E agora Theo?

–Como assim e agora?O que você fez lá nos assustou mas é normal,afinal foi assustador.Mas e daí?Nós sabíamos que você tem habilidades que não conhecemos e tudo mais.Não temos medo de você cabeção.Só fomos pegos de surpresa.

–Pegos de surpresa?Bom eu também posso dizer que foi uma surpresa vê-los assim,com medo.-disse o loiro encostando a cabeça na parede.

–Draco...eu sei que você está chateado mas não foi nossa culpa.E depois não é um bom momento pra você resolver ter uma crise nervosa né?Afinal você vai ter que começar a desafiar mais abertamente a corte sonserina.-respondeu o moreno passando o braço pelos ombros do amigo.

–O que?Desafiar a corte agora?Porque?-estranhou o Malfoy.

–Porque você pode.Blaise me falou das portas do salão dos prodígios.Já que você decidiu aceitar isso quanto antes começarmos melhor.Não sabemos bem com o que estamos lidando,mas seja o que for vamos querer a sonserina ao nosso lado,e quanto antes conseguirmos a lealdade da casa melhor.-explicou o moreno.

–E devo assumir que vocês cinco estão começando a planejar como faremos isso?-perguntou Draco com um leve sorriso

–Exato.Com sorte no ano que vem você será um príncipe sonserino.Quero só ver a cara do seu pai quando você contar!—assim que terminou de falar Theo percebeu que havia algo errado pois o corpo do amigo enrijecera .

–Não quero contar a ele Theo.Minha vida aqui não vai ter relação com meu pai.-disse o Malfoy com uma frieza glacial na voz.

–Se você pretende esconder algo dele vai precisar fazer mais do que não dizer.E sabe disso , não sabe?-perguntou Nott olhando o amigo

–Sim eu sei.-suspirou o loiro pesadamente e continuou-Vou falar com meu padrinho.Acho que posso convencê-lo a me treinar em oclumência.

–Snape é bom nisso?-duvidou Theo

–Eu ainda não descobri algo em que ele não seja bom.-respondeu o Malfoy com um sorriso pequeno e orgulhoso.

–Claro ,você e essa sua admiração pelo professor Snape.Agora vamos temos que te transformar em um prodígio.

–Ele está me treinando Theo.-interrompeu o loiro cerrando os olhos

–Para que?-perguntou cauteloso Nott.

–Futuro.-respondeu comum suspiro,sabendo que não necessitava explicar mais.

–Entendo.-respondeu o outro passando a mão pelos cabelos em frustração,mas todavia resignado-Vem vamos roubar uns chocolates das coisas da Pansy.

Os dias começaram a passar rapidamente,as noites de quinta se tornaram reservadas paras as aulas de oclumencia.Não fora difícil convencer seu padrinho,na realidade não precisara mais do que contar o treinamento ao qual vinha sendo submetido e a estranha promessa de receber um novo tutor para suas inexploradas habilidades de senhor dos dragões.As aulas particulares com o mestre pocionista sempre lhe rendiam uma forte dor de cabeça,e por ela uma noite de sono intranqüilo.O resultado era um loiro com um mal humor terrível,o que acabou tornando as sextas dia quase oficial de perseguição a Potter e aliados.O grifinório era o desafogo ‘natural’ do Malfoy.

Aparte disso ele e seus amigos começaram a articular o golpe de estado que dariam na sonserina.Somando-se a essas preocupações internas dos amigos nessa altura o clima em Hogwarts começou a se tornar muito sombrio com os rumores sobre a câmara secreta de Salazar.Os sonserinos eram os mais inquietos pois começaram a buscar entre si o herdeiro da casa da serpente mas a cada dia que passava ficava claro que ironia do destino ou não o herdeiro de Slytherin não parecia ser uma serpente no fim das contas.

Em uma quinta que amanhecera normal Draco se dirigiu ao escritório do padrinho desejando tentar ter as aulas especiais mais cedo e quem sabe dormir melhor.Mas quando alcançou a sala e abriu quando a forte voz de Severus lhe deu passagem quase congelou no lugar ao ver seu pai comodamente bebendo o chá e lhe olhando avaliativamente.Instintivamente colocou em prática os estudos recebidos para encobrir suas aulas e procurou pensar no imbecil professor de artes das trevas e na raiva eterna pela grifinória,com um moreno em especial como alvo principal.Seu pai desviou os olhos para o chá,e Draco soltou a respiração que não se dera conta de estar contendo.

Em seu tom frio de sempre o patriarca explicou que conseguira uma forma de manter o treino de Draco a distância,deforma que sua estadia na escola não afetasse seu desempenho.O menino sentiu o suor frio se formar em suas mãos e correr por suas costas,mas seu rosto apenas tencionou o maxilar.O homem loiro estendeu-lhe um frasco com um líquido verdoso e estranho e mandou que seu unigênito bebesse,o menino obedeceu.Enquanto uma tontura fazia Draco se apoiar na cadeira mais próxima seu pai explicava que o que lhe havia ministrado não era mortal,mas sim extremamente incômodo.Deveria durar algumas semanas e então tudo voltaria ao normal.

Assim que o Malfoy mais velho saiu o pocionistas se adiantou ao frasco abandonado por Lucius e o analisou de cenho franzido,cheirou a substância e seu rosto se torceu em uma careta de desagrado.Revirando seu armário particular encontrou um vidrinho azul que verteu no vidro vazio,o líquido se tornou amarelo brilhante e Snape suspirou pesadamente. Depois saiu pela porta traseira e depois de uma hora voltou com um frasco de um líquido leitoso.Durante esse tempo o menino loiro permaneceu segurando a cabeça entre as mãos lutando para não vomitar enquanto a sala girava ao seu redor.

Severus explicou a Draco que aquilo era um veneno a base de dedaleira negra.Uma substância que não afeta magos de forma a produzir maiores danos que uma ressaca, no entanto os dragões são sensíveis a ela e costumam evitá-la pois em dosagem extrema pode chegar a ser mortal.O homem explica que embora tenha lhe administrado o antídoto ele passaria maus bocados.De acordo com dados vindos da sessão reservada por três dias inteiros o loiro se veria afetado pela ação da toxina.Enjoo,dor de cabeça, eram os sintomas iniciais.Haveria uma grande febre com delírios por algumas horas.Dores musculares e um estado de confusão mental.Logo depois a confusão mental deveriam se agravar progressivamente ao longo do dia,até um novo episódio febril.E finalmente prostração.Para amenizar esses efeitos ele poderia utilizar uma poção energizante,mas essa só atuaria por um período de quatro rendendo uma dor de estômago posterior que deveria se estender até que os últimos restos da toxina abandonasse seu corpo.Quando as informações foram entendidas Snape chamou os amigos do loiro para inteirá-los do assunto e para que pudessem ajudar o afilhado.Não foi dito,mas nas entrelinhas ficou bem claro que Lucius estava testando quão fortes poderiam ser as similaridades entre Draco e os dragões além da veracidade de informações a cerca dos lendários dominadores que deveria ter em seu poder.Nenhum comentário explicito foi necessário para que todos os amigos do jovem Malfoy desejassem chutar o traseiro de Lucius com força o bastante para mandá-lo a lua.No caminho aos dormitórios Draco ia apoiado em Vince,e seus amigos em volta quando Blaise quebrou o silêncio:

–Puta que o pariu!Seu pai tem um senso de oportunidade que vou te contar!Como é que vamos explicar que você não vai jogar o primeiro jogo contra grifinória no sábado?

–Não vamos.O professor Snape pode se encarregar disso.-interveio Theo.

–N-não.-gaguejou Draco que tinha um tom esverdeado no rosto.-V-vou j-jogar.

–Você não pode Dray.Mal se agüenta em pé!-reclamou Pansy.

–V-vou estar m- melhor.Po- poção energizante.-falou ele cerrando os olhos parecendo exausto.

–Mas- começou a morena para ser interrompida por um braço que segurou o seu.

–Deixe-o Pan.-falou Vince sem solta-la .-Podemos tentar convencê-lo amanhã.Se não der estaremos lá para amenizar qualquer estrago.

A morena assentiu concordando com seu amigo.A noite fora exaustiva para todos os meninos,mas nenhum deles conseguiu dissuadir Draco de jogar , ele procurou seu padrinho em busca da poção e depois de tomá-la conseguia fingir que tudo estava bem.Mas sua cabeça latejava como se uma forte enxaqueca começasse aos poucos a dominá-lo.Rumou para os vestiários sob os olhares preocupados de seus amigos.Nesse dia o garoto loiro percebeu que o treinamento de seu pai deveria mesmo surtir efeito pois sua cabeça doía tanto que parecia que a qualquer momento seus miolos iriam se espalhar pelo chão,e mesmo assim ninguém notava.Sua pele clara era um disfarce natural para palidez.

O jogo começou e Draco se arrependia um pouco de ter insistido em jogar ,era muito difícil estar voando e ignorando a dor ao mesmo tempo.Ele precisava de um foco,alguma coisa que o ajudasse a distrair sua mente da dor e da vertigem que começava a ameaçá-lo.E que Merlim o ajudasse pois ainda teria que encontrar o pomo.Mas uma coisa de cada vez,focar e se concentrar primeiro,buscar o pomo depois.Foi quando viu uma conhecida figura morena voando acima de si.Perfeito.O alvo natural para fixar sua atenção.Ele provocou Potter algumas vês até que só alguns minutos depois já estava começando a ficar complicado.Parecia que um balaço louco estava perseguindo o moreno.E o sonserino não tinha certeza se aquilo realmente estava acontecendo ou se os delírios estavam começando adiantados dessa vez.

Em certa altura viu Potter avançando em sua direção com uma expressão estranha,dor , confusão e algo que o loiro não podia definir.Como se o moreno o usasse como âncora também,se focasse em alcançá-lo e em nada mais.Fechou os olhos por um instante e quando os abriu ambos os times desciam.A grifinória havia vencido,e alguma coisa além havia acontecido.Algo desagradável,que ele não podia definir em sua mente cada vez mais aturdida.Sentiu seu corpo arder e preocupou-se,algo ia mal,ignorando a pequena confusão no campo foi ao vestiário sonserino.Assim que entrou sentiu duas mão agarrarem a gola de sua camisa.

–Malfoy seu idiota!Perdemos por sua culpa!-bradava Baddock.

O loiro olhou o furioso e enorme sonserino a sua frente.Levantou o braço,como se fosse segurar as grandes mãos que segurava sua camisa.Mas tudo que ele fazia era apontar a varinha oculta em suas vestes ao imbecil que se atrevia a tocá-lo.

Summam explosive!-sibilou.

O enorme sonserino caiu de joelhos com as mãos entre as pernas e gritando vítima da azaração inchaço escrotal explosivo.Um feitiço doloroso e eficaz que exigia um nível equivalente aos de alunos medianos do sexto ano.O garoto olhou para os demais como que os desafiando a falar algo também.Mas antes que alguém pudesse tomar coragem e aceitar o desafio mudo um violento ataque de tosse atingiu o loiro,forçando-o a se apoiar na parede com uma das mãos.A outra mão ainda segurando a varinha subiu em direção a boca e aparou um líquido negro que tinha o cheiro férreo de sangue.

–Merda!-ofegou o loiro.-Chamem Snape.-sussurrou antes de outro ataque de tosse o obrigar a se dobrar sobre si mesmo.

O menino sentou-se escorado na parede,ofegante tentava forçar o ar para dentro de si,mas era difícil e ardia.Seu corpo parecia queimar de dentro para fora.Logo a figura de seu adrinho estava diante de si,com a preocupação brilhando levemente em seus olhos negros.

–Garoto imbecil.Que parte de é perigoso jogar quadribol quando se está envenenado foi difícil demais entender?-rosnou o professor.

Os lábios do menino repuxaram numa tentativa de sorriso debochado que se tornou uma careta .

–Existe algo que possa fazer?-perguntou com a voz rouca e entrecortada num sussurro.

O homem se limitou a dar um pequeno aceno de cabeça como forma de negativa.Severus nem mesmo sabia que isso que estava acontecendo poderia acontecer.Não soubera nada disso na sessão restrita,mas as informações eram tão escassas.Talvez fosse hora de ter uma conversa séria com o diretor da escola.

–Queima.-reclamou o menino cerrando os olhos e puxando o tecido uniforme.

O diretor da sonserina usou um feitiço para romper as vestes do menino e conteve um ofegar ao se deparar com pequenas veias negras cobrindo o peito do loiro.Draco se retorceu contra a parede a apertou os punhos.Seu peito subia e baixava rapidamente ,e ele abriu os olhos cinzentos fazendo com que o homem estremecesse.Aqueles olhos não eram normais.Eram olhos de uma criatura mágica,não de um mago.O garoto levou a mão peito e só então Snape notou que as unhas estavam maiores do que o normal,e usando-as o garoto cortou o próprio peito.Foram cortes fundos e por eles começou a escorrer a substância negra.Severus não tinha certeza se deveria se preocupar ou não quando percebeu as veias negras regredindo a medida que o escuro líquido escorria para fora.Elas continuaram diminuindo até desaparecerem por completo.E então o líquido negro deixou de sair , em seu lugar sangue descia pelo peito alvo do garoto.Logo suas pálpebras pesaram e a voz de seu padrinho se tornou distante demais para ser ouvida.O homem moreno fechou os cortes no peito do menino e o examinou e constatou que o pequeno apenas dormia,exausto.

O garoto loiro suspirou profundamente e estirou os braços espreguiçando-se,foi então que percebeu que havia um peso em seu peito.Alguma coisa quente estava aninhada contra seu peito.Baixou os olhos e se deparou com uma negra cabeleira.Hesitante estendeu a mão para aqueles fios e correu os dedos por eles, ‘macios’ –pensou.A pessoa sobre si fez uns ruidinhos satisfeitos que arrancaram um sorriso do sonserino.Quando exatamente alguém resolveu usá-lo como travesseiro,porque e mais importante quem?Fosse quem fosse não o incomodava.Pelo contrário,era agradável.

–Eu sou tão confortável assim para você trocar seus travesseiros por meu peito?-perguntou com um tom brincalhão.

–Sim você é muito melhor que os travesseiros.Mais quentinho,mais cheiroso e macio também.-respondeu a voz contente ao mesmo tempo em que movia a cabeça para deixar a vista seus expressivos olhos verdes.

Draco conteve a respiração por um momento.E depois levantou-se de um salto derrubando Potter sobre a cama.Que diabos o grifinório estava fazendo?Queria perguntar mas sua voz parecia escondida em algum lugar em sua garganta sem a menor intenção de abandoná-la.

–Draco?O que foi?-perguntou o moreno sentando na cama confuso.

–Draco?-sibilou o loiro com a ira nascendo rapidamente em sue peito.-Malfoy. É Malfoy pra você.-corrigiu .

–O-oquê?-gaguejou o outro perplexo.

–Você ouviu Potter.-declarou o loiro tentando entender como exatamente saíra dos vestiários e fora parar em uma com Potter!E Merlim bendito!Onde diabos estavam suas roupas?Oh céus agora que reparava o outro não parecia vestido.Mas...que merda estava acontecendo ali?Era alguma estúpida vingança grifinória?Um retorcido senso de justiça leonino?

–Mas...eu..-o moreno olhou pra ele por um instante e então compreensão atingiu seus olhos verdes mudando sua expressão de surpresa para uma de dor e finalmente amargura resignada.

O moreno levantou-se da cama recolhendo apressadamente algumas peças espalhadas pelo chão.

–Eu sou um idiotas mesmo!Completamente imbecil,bem que o Rony tentou me avisar que eu era só uma piada.BURRO .BURRO.BURRO.IIMBECIL.IDIOTA.É isso que você é Harry James Potter o maior otário desse planeta.-falava Potter enquanto tentava se vestir com mãos trêmulas.

O loiro arque uma sobrancelha.Aquela situação estava cada vez mais esquisita.O moreno terminou de vestir as calças e pareceu então recordar a prresença do loiro pois se virou para ele

–Feliz Mallfoy?Qual é o plano agora?Espalhar pra escola toda?Pros jornais?Vá em frente! Conte ao mundo como babaca do Potty caiu na historinha de amor que você inventou!

Draco separou os lábios para falar e então parou.Lágrimas escorriam pelo rosto do moreno que parecia ainda mais furioso por não conseguir contê-las.Sem pensar o loiro se aproximou dele e ergueu a mão para secá-las como havia feito com a garota Weasley,mas o outro o impediu dando um safanão em seus dedos estendidos.

–Não me toque!-bradou furioso-Nunca mais chegue perto de mim!

O Malfoy não compreendia muito bem como exatamente fora parar naquela situação,mas sabia de uma coisa: não podia deixar aquilo dessa maneira.

–Po-Harry.-corrigiu-se.-Eu acabei de acordar .

–E daí Malfoy?- questionou carregando o sobrenome de desprezo.

O loiro avançou e os passos que os separavam sem desviar os olhos das verdes e confusas orbes que o encaravam.E então envolveu o corpo mais magro com seus braços.Potter se debateu:

–Me solta bastardo!-ralhou o grifinório tentando se soltar do agarre.

–Bastardo?Uh acho que não.Pareço mais com meu pai do que com o vizinho,infelizmente.Agora pare com isso e me escute.-pediu falando contra as orelhas do moreno.-Vamos Harry,pare.-o moreno forcejou um pouco mais e então parou .Quando o sentiu quieto sobre si as palavras saíram da boca do loiro sozinhas sem qualquer planejamento.-Algumas vezes eu demoro um pouco para me situar quando acordo.Pra saber,onde e quando estou.Você sabe disso.Afinal eu já lhe contei sobre o incidente com o vira- tempo.Por um momento não éramos eu e você, e sim Potter e Malfoy. Pode me desculpar por isso?

–Eu...-balbuciou o outro e ergue os braços envolvendo o corpo ainda nu de Draco.-Droga Draco.Você me assustou de verdade.

–Desculpe.-pediu novamente

–Eu..achei..que tinha se arrependido.Afinal foi minha primeira vez e você tem mais experiência que eu nisso.-o loiro riu contra o pescoço de Harry,uma risada rouca e desconhecida.

–Me arrepender?Acredite ou não Harry essa foi a coisa mais espetacular que já me aconteceu.-e com essas palavras começou a beijar o pescoço do moreno,fazendo uma trilha até prender o lóbulo da orelha com os dentes.

Como recompensa ele escutou um ofegar baixinho e contido e sorriu torto.Abandonando a orelha se dirigiu para boca de Harry,massageando os lábios semi abertos com os seus,acariciando suavemente com sua língua.Até pedir passagem que foi lhe prontamente concedida.Aprofundou o beijo lentamente e começou uma batalha de línguas pelo controle,um jogo sem vencedor.Afastou-se um pouco em busca de ar e então capturou novamente os lábios de Harry,agora vermelhos e inchados, e os mordeu suavemente antes de beijá-lo novamente.Mais sedento dessa vez,um beijo possessivo, demandante.Quando respirar era inevitável desceu outra vez para pescoço do moreno,enquanto aos tropeços os guiava novamente para cama.Quando Harry se deitou o loiro não hesitou em subir sobre ele e beijá-lo outra vez.E então se afastou para olhá-lo nos olhos,aqueles olhos verdes ,um tanto desfocados sem os óculos,de pupilas dilatadas.Ergueu a mão e passou a traçar os contornos do rosto do moreno suavemente com as pontas dos dedos como se tentasse gravar seus traços.Harry lhe olhou com uma pergunta muda nos olhos,mas o loiro apenas sorriu.Também não tinha idéia do que fazia,apenas precisava fazer.

–Draco,acorde!-chamava Theodore sacudindo o ombro do loiro.

Os orbes cinzentos se abriram confusos e desnorteados.

–Theo?O que aconteceu?Onde eu estou?-perguntou sentando-se.

–Você passou mal depois do jogo por causa do veneno que seu pai lhe deu.Mas o professor Snape não explicou muito bem como,e proibiu os jogadores de falarem sobre isso.E estamos no dormitório.Temos aula daqui a pouco e decidimos tentar te acordar.-disse Nott.

–Espera..eu dormi o resto do fim de semana?-perguntou surpreso e confuso o loiro.

–Sim.Você parecia exausto.Pansy estava nos enlouquecendo querendo vir te ver .Você sabe como ela é,não adiantava nada dizer que você estava bem só dormindo.Se não fosse seu padrinho ter dado uma dura nela aposto que estaria aqui lhe vigiando.-disse Theo com um sorrisinho que foi correspondido pelo loiro.

–Está bem,eu vou tomar banho e me arrumar.Avise que já vou e me esperem no salão para o café.-disse Draco afastando as cobertas e se levantando.Suas pernas não pareciam muito bem ,mas mesmo assim com passos hesitantes ele se dirigiu ao banheiro.

Durante o resto da manhã ele ainda estava cansado,e por isso nenhum de seus amigos estranhou seu ar um tanto ausente.Mas o menino não estava só fatigado e por isso desatento,estava intrigado com aquele sonho.O que diabos fora aquilo?Mais tarde naquele mesmo dia enquanto tentava relaxar na aula de poções o caldeirão de Goyle explodiu lançando poção para todos os lados.Draco teve seu nariz inchado como uma balão,nem é preciso comentar que o humor do loiro piorou vertiginosamente.Que dias ,consolando Weasleys,sendo envenenado por seu ‘atencioso pai’,perdendo no quadribol,alucinando com Potter ,sim porque ele chegara a conclusão de que aquela estúpida cena fora uma ilusão causada pela dedaleira negra e mais nada,e agora atingido por um desastre que acabou com sua aula favorita.Mal humor não chegava nem perto de descrever o estado em que ele estava.Emputecido ,era assim que ele se sentia.

Tão furioso que resolveu ler os livros de seu avô,sobre feitiços que andavam no limiar entre magia das trevas e da luz.Não eram proibidos,mas isso sim um tabu.Aproveitando-se de sua fúria ele resolveu treinar aquele tipo de magia rara e perigosa nos colegas dos últimos anos.Era um desafio aberto para atual corte sonserina.Alguns membros dela não tardaram a tentar parar o ousado menino,mas falharam.Toda fúria e frustração que o garoto sentia parecia ferver dentro de si e libertar um poder desconhecido.Com os feitiços tabu de seu avô ,cujos contra feitiços eram um segredo bem guardado por não mais que três ou quatro velhas famílias, ele ia aos poucos derrubando cada um que tentava se interpor em sue caminho.Ele dormia mal durante as noites o que só contribuía para piorar seu humor e incrementar a pesada aura que ele desprendia.

A energia ao redor dele era tão pesada que as pessoas começaram a se afastar instintivamente quando ele se aproximava.Somente seus amigos pareciam ser loucos o bastante para estar por perto,e mesmo eles começavam a se preocupar seriamente com o estado do loiro.Nem mesmo os gêmeos Weasley se atreveram a fazer piada com ele depois de um incidente.Na quinta feira daquela semana os Weasley lançaram uma bomba no grupo sonserino que atingiu Pansy tingindo seus longos cabelos de rosa.Os grifinórios perguntaram quem seria o próximo.O loiro deu um passo a frente e sorriu.Um sorriso sinistro que fez seus amigos recuarem passo.Por sorte antes que algo acontecesse os monitores chefes chegaram e o assunto morreu.Mas os gêmeos não se atreveram mais a se aproximar do grupo.E os amigos de Draco sabiam o porque.No momento em que ele sorriu por instante seus olhos foram os olhos de um dragão,sua aura negativa pareceu se expandir esfriando o ambiente como se um dementador estivesse por perto.E aquele sorriso retorcido dava arrepios em qualquer um.

No inicio da outra semana as coisas ainda não tinha melhorado de todo.Mas uma caixa dos raros chocolates suíços ,que o sonserino tanto adorava ,parecia ter aplacado boa parte da irritação do loiro.E a noticia do retorno do clube de duelos ajudou a aura sinistra de Malfoy a se dissipar quase que completamente.Os amigos do sonserino estavam aliviados ,por que naqueles sete dias Draco fora tão taciturno que nem mesmo puderam discutir com calma sobre o que aconteceu depois do jogo,ou como agiriam para transformá-lo em prodígio.No entanto o alivio deles durou pouco.

O clube de duelos fora um desastre.E tudo porque Potter e Malfoy foram colocados juntos.Uma idéia idiota na opinião de Pansy.Opinião essa corroborada por seus companheiros.O embate fora bem equiparado e sem dúvidas o melhor de toda turma.Mas ai veio a demonstração de bloqueio de feitiços hostis.E serpensortia.Um feitiço do qual qualquer outro segundoanista estaria orgulhoso de poder fazer.Qualquer outro.Porque Draco afundara novamente em seu humor terrível desde que Potter resolvera exibir seu dom de parsel a toda escola.E como se não bastasse agora ele ganhara o titulo de herdeiro de Salazar por maioria de votos.

Quando Draco disse que não iria pra casa no natal,Theo foi quem explicou para os amigos o porque.Pansy chorou.Blaise a consolou.Greg e Vince decidiram ficar para fazer companhia e seriam os únicos que podiam.Afinal seus respectivos pais estavam em outra viagem estúpida.Prometeram cuidar do amigo no que pudesse e tentar afastar aquele estado de ânimo sinistro do loiro.Não estavam tendo muito sucesso nessa empreitada.

Alguns dias depois Greg e Vince foram acordados pela voz furiosa de Draco,e quase tiveram um infarto ao se perceberem seminus em um armário.

–Mas que droga seus estúpidos!-brigou o loiro-Como puderam cair em uma armadilha de Potter e Weasley?

–Armadilha?Potter?Wasley?-estranhou Vince.

–Do que você está falando? quis saber Greg.

–Estou falando do fato de Potty e Weasel terem aparecido polissucados em vocês dois,enquanto os senhores dormiam em um armário!Eles usaram poção do sono com certeza.E vocês foram estúpidos o bastante para comerem algo estranho!Eu não me surpreenderia se tivessem pego algo que simplesmente surgiu flutuando diante de vocês!-continuou o loiro irritado.

Os dois enormes sonserinos trocaram um olhar culpado.

–Mas você notou que eram eles não notou?-perguntou Vincent.

–Sim.Logo de cara.Eles são péssimos atores.Eu conheço vocês bem demais.E o maldito cheiro deles é inconfundível.

–O cheiro deles?-perguntou Gregory arqueando as sobrancelhas.

–É .A magia de cada um tem um cheiro único que nem mesmo a poção polissuco pode mudar.É assim que dementadores reconhecem suas vitimas,as buscam pelo cheiro da magia indicado.Ou em alguns casos cheiro de magia que lhes seja atraente.Ou pelo menos foi o que Blaise me disse.

–Ahn,mas como você pode perceber isso?-foi a vez de Vince questionar.

–Coisa de dragão.-respondeu o loiro.-Mas essa não é a questão aqui!Vocês foram tapeados por dois imbecis!

–Mas Draco,se você percebeu qual é problema?-falou Greg torcendo as mãos.

–Eu poderia não ter notado!Ou melhor eu não teria notado se não soubesse bem qual o cheiro de vocês e deles!Olha foi divertido provocar aqueles idiotas e me desquitar do meu pais mas...

–Seu pai?O que ele tem com isso?-quis saber Gregory.

–Eu disse ao Weasel onde fica uma das câmaras de objetos das trevas do meu pai.Retribuição pela dedaleira negra.-esclareceu Draco.-Mas não fujam do assunto!Só me digam como diabos posso confiar em vocês para serem parte de minha corte se conseguem serem tapeados por Potter e Weasley?

–Draco, foi sem querer...-começou Vince

–Esse é problema Vince.Esse é o problema.-dizendo isso o loiro virou as costas e deixou os dois enormes garotos ali preocupados por seu amigo e culpados pelo seu deslize.

Quando as férias de natal finalmente terminaram os cinco amigos de Draco arrastaram o loiro até a biblioteca sonserina,com a intenção de ter uma conversa séria e definitiva.Pansy explicou ao loiro que eles estavam todos preocupados por suas atitudes quietas e sombrias.E desejavam ajudá-lo fosse o que fosse que estivesse acontecendo.

–Não é um fato isolado Pan.-começou o loiro- É tudo.Eu me sinto sufocado.Como se estivesse afundando na escuridão ao meu redor e não pudesse fazer nada para evitar isso entende?É como estar num imenso labirinto e quanto mais eu caminho,mais me perco nas trevas que rodeiam.Todas essas emoções pelas quais tenho passado me sufocam,cada novo dia me empurra mais e mais para dentro desse labirinto.E eu não sei como sair.

–Eu acho que seu problema é tudo que você não pode sentir-disse Theo.-Você tem passado por um monte de coisas ,e tenta sufocar essas emoções porque não pode deixá-las a mostra.Não com seu pai te treinando e sonserina inteira vigiando seus passos e tentativas para chegar ao trono sonserino.São essas emoções frustradas que fazem esse labirinto.

–Você está certo Theo.Sempre está.-admitiu o loiro.

–Então você precisa do fio de Ariadne, Draco.-Disse Pansy

–Fio de quem?-quis saber Greg.

–O fio de Ariadne foi o que guiou Teseu para fora do labirinto do minotauro Greg.-disse Vince,atraindo os olhares dos presentes.-Que foi?

–Nada não Vince.-disse Blaise.-Mas então Pansy de que fio de Ariadne você está falando?

–Estou falando de uma coisa que o Draco costumava usar pra por pra fora suas emoções.E que parou de fazer depois que seu avô morreu.-disse a garota.

–Música?-perguntou o loiro olhando para morena.-Eu não faço mais isso Pan.

–Mas precisa voltar a fazer Dray.Faz parte de você sempre fez.Nós aprendemos a tocar pra te acompanhar porque o que você faz é lindo.Coloca sua alma ali ,suas emoções.-disse a menina segurando a mão do loiro.

–Ela ta certa Draco- disse Blaise- Está na hora de você voltar a fazer música.Quando você parou perdeu a graça pra nós,mas ainda sabemos tocar.Queremos tocar.

–Sentimos falta de tocar Draco.-apoiou Greg.

–De tocar nossas músicas.De sentir aquela paz.-completou Vince.

–Não seja teimoso Draco.Temos razão e você sabe.A música é seu fio de Ariadne e não vamos deixar que você o ignore.-disse Theo se juntando ao grupo que pressionava o Malfoy.

O loiro concordou hesitante.Os seis se prepararam para voltar a zona secreta dos prodígios,mas dessa vez lês iriam para a passagem que os levava as salas ocultas.E iriam todos juntos e preparados tanto para saírem usando a fúria de fogo,como para usarem a outra saída, que era por onde os demais alunos entrariam se algum dia descobrissem a sala.Temerosos alcançaram o salão dos dois caminhos e pegaram a passagem da direita e se depararam com uma rampa em espiral que subia a perder de vista.Eles começaram a subir com varinhas em punho e perceberam que ao longo da espiral existiam portas..As portas eram feitas de ébano e tinham estanhos padrões gravados como adornos.As maçanetas douradas se destacavam na madeira escura.Cada uma delas tinha algo escrito em cima com as sagradas runas druidas.Eles avançaram por seis curvas até se depararem com a porta que tinha a palavra música grava em cima.Draco se adiantou e girou a maçaneta.Com um estalo a porta se abriu.

Eles entraram em um salão de pedra claro,o piso branco de mármore,o teto alto era encantado e mostrava pequenas fadas voando alegremente.Havia um palco imenso no meio.Nas paredes haviam pinturas de milhares de instrumentos musicais diferentes.Os seis se dirigiram ao palco fascinados pelos desenhos realistas e desconfiando do porque deles estarem ali.Para testar a veracidade de suas idéias Theodore disse:

–Bateria.-e então em uma das paredes a figura da bateria brilhou e surgiu no palco.

Os adolescentes sorriram.Vince se dirigiu a bateria enquanto seus amigos começaram a invocar os outros instrumentos que usariam.Theo invocou o teclado,Greg o contrabaixo,Blaise e Pansy guitarras.Draco pediu o microfone.Para desenferrujar eles resolveram tocar uma música antiga leve .Depois foi quando começaram a trabalhar na nova composição.Draco conseguiu um pergaminho e se pôs a trabalhar como um louco na letra.Colocando suas emoções ali.Tentando forjar no calor dos versos e notas seu fio de Ariadne.Durante o mês seguinte os seis sempre escapuliam para aquela sala.Fazendo ajustes nas notas da canção que Draco escrevera para seu pai e para si mesmo.Algo que Lucius jamais ouviria mas o mais velho não precisava ouvir.Fazer a canção,sentir aquilo em cada nota bastava.

Finalmente a letra e a música ganharam a aprovação geral.Draco decidiu que essa música deveria ser cantada pela integrante feminina da banda.Assim ele assumiu a guitarra de base da menina e ela o microfone do loiro.Os dois eram os únicos que intercambiavam funções porque possuíam boa voz e ambos sabiam tocar guitarra.E desse jeito as notas daquela canção cortaram o ar da sala de música,fazendo as fadas do teto dançarem no ritmo que a voz de Pansy entoava.

Como eu posso decidir o que é certo?

Quando você está confundindo minha mente

Não consigo ganhar sua luta perdida todo tempo

Eu nunca vou possuir o que é meu

Quando você sempre está tomando partido

Você não tomará meu orgulho

Não, não desta vez

Não desta vez

Como chegamos aqui?

Eu costumava te conhecer tão bem

Como chegamos aqui?

Bem, eu acho que sei

A verdade está escondida nos seus olhos

E está pendurada na sua língua

Apenas fervendo no meu sangue

Mas você acha que eu não consigo ver

Que tipo de homem você é

Se você é um homem, afinal de contas

Bem, Eu vou entender por conta própria

(Eu estou gritando "Eu te amo tanto", mas meus pensamentos

você não pode decodificar)

Como chegamos aqui?

Eu costumava te conhecer tão bem

Como chegamos aqui?

Bem, eu acho que sei

Você vê o que temos feito?

Nós vamos nos fazer de bobos

Você vê o que temos feito?

Nós vamos nos fazer de bobos

Como chegamos aqui?

Eu costumava te conhecer tão bem

Como chegamos aqui?

Bem, eu costumava te conhecer tão bem

Eu acho que sei

Eu acho que sei

Tem algo que eu vejo em você

Isso pode me matar

Eu quero que seja verdade



Quando as ultimas notas ecoaram os jovens estava suados e satisfeitos. Os cinco amigos do loiro tinha a certeza de que tinha dado certo.Porque durante esse período em que trabalharam na canção Draco voltara a ser o mesmo garoto de menos homem demais petulante e mimado que eles conheciam e amavam. Já o loiro estava aliviado,mas sentia que faltava alguma coisa.A música podia ajudá-lo muito,mas faltava algo para que aquilo fosse o que seu guia para longe da escuridão.Enquanto os seis iam até as masmorras o menino se lembrou de uma coisa. Algo escrito no livro dos amantes,sobre seguir o fio.

O fio de akai Ito que o guiaria para o amor.Ele não quisera seguir fio nenhum,era inútil,ele não queria deixar esse amor existir.Porque seu orgulho não aceitaria a nova rejeição.Dessa forma ele usava o ódio para impedir esse sentimento de surgir.Mas e se ele permitisse?Dizem que o amor é luz.Se ele pudesse,Potter não precisava saber.Ele poderia deixar essa emoção na música e usá-la para se manter a salvo na escuridão.Usá-la para dar aquilo que faltava a seu fio de Ariadne,a resistência que tornava akai Ito inquebrantável. Poderia fingir que o ódio ainda era real,afinal era um bom ator. Foi ali,naqueles corredor que Draco Malfoy decidiu se permitir amar Harry Potter como desejava fazê-lo desde que o vira pela primeira vez. Naquele dia ele decidira usar o amor para preservar sua alma das trevas que a ameaçavam.Quando essa resolução tomou força foi como se algo dentro de seu peito se rompesse e libertasse o que escondia.Ele sentiu um calor no peito e um nó na garganta,seus olhos arderam.Mas nenhuma lágrima caiu. E ele sentiu-se bem,como se estivesse diante do céu mais estrelado do mundo.Foi quando uma voz o tirou de seus pensamentos.

–Muito bem Malfoy .Temos contas a acertar.-disse a voz grave do príncipe sonserino Peter Windstor.

O garoto ergueu os olhos e os focou nos decididos olhos castanhos de Peter.Aqueles olhos eram cruéis,escuros.Mas o menino não se intimidou,entraria na escuridão se fosse necessário.Ergueu o queixo e deixou um sorriso torto adornar seus lábios.Não temia.Havia encontrado seu guia.O fio de Ariadne que estaria ao seu lado, verdadeiro como a amizade de seus cinco companheiros,inquebrantável como akai Ito e luminoso como o amor que finalmente aquecia seu coração.Dando um passo a frente não só avançava para lutar por seu sonho,mas avançou para seu futuro, caminhando sem temor naqueles caminhos de escuridão porque sabia que poderia retornar.

Notas finais
A música é uma tradução de Decode do Paramore.Link: http://www.vagalume.com.br/paramore/decode-traducao.html#ixzz2z0YAfoXo Bom gente tivemos a primeira gota de romance da história,daqui pra frente é que essa parte da fic realmente começa.Pra quem já esqueceu cap. que vem teremos uma visão grifinória pela primeira vez nessa história.Espero que tenha gostado.E até o/