La mia mitá

8 Face secreta


Notas iniciais
Oi pessoal! Eu agradeço os reviews anteriores , e principalmente a paciência de vocês com essa demora.Com vocês pela primeira vez o lado Gry nessa fic. Sem mais delongas : aproveitem!

A vida muda.Fato inegável ,inevitável.Algumas vezes se transforma profundamente e apesar disso consegue manter certas constantes.Isso Harry Potter sabia muito bem.Aprendera quando descobrira ser um bruxo.Um mundo inteiro totalmente diferente do seu surgiu diante dele quando seu passado verdadeiro foi revelado.E mesmo assim todo verão sua vida ainda era mesma de antes,com os Dursleys.Tão igual.Tão diferente.Houve uma época em que pensara que nunca teria amigos ,e ali estavam Rony e Mione.Houveram dias em que teve certeza que nunca odiaria ninguém tanto quando odiava Dudley.E então aparecera Draco Malfoy.E logo também Voldmort.

Era estranho e algumas vezes ridículo pensar que não conseguia saber quem odiava mais,Malfoy ou Voldmort.Era ridículo porque Voldmort era Você sabe quem,assassinara seus pais,roubara sua vida e ainda continuava tentando destruir tudo que ele amava.Então era óbvio que ele deveria ser quem mais odiava.Mas havia Malfoy.Aquele garoto maldito,em toda extensão e significado da palavra.Como um único ser humano conseguia ser tão desprezível?Ele era mimado,egoísta,arrogante,desleal,mesquinho e tantas outras coisas que faziam o estômago de Harry revirar só de pensar nelas.Estava sempre desfilando com aquele queixo pontudo erguido demais.Nunca abaixava a cabeça,nem mesmo para os professores!Não tinha qualquer respeito,a não ser talvez por Snape.Aliás eles pareciam ter uma afinidade que fazia o grifinório se perguntar seriamente se o morcegão das masmorras dava aulas particulares de cretinice ao loiro.

Era uma hipótese que não poderia ser descartada,afinal de contas alguém que reúne seus brutamontes para tomar os livros de Hermione merece uma azaração!A amiga deixara para devolver o livro no fim do dia,e aceitou quando Rony se ofereça para fazer isso em um dos horários vagos que ela não tinha por estar fazendo todas as aulas.Mas eles se esqueceram.Mione ficou furiosa e decidiu levar os livros por ela mesma no dia seguinte,jurando nunca mais pedir nada a nenhum dos dois.Mas não tivera tempo de entregá-los.E tudo porque aquele imbecil simplesmente reuniu seus gorilas e tomou os livros dela no caminho pra biblioteca.E a xingou de sangue ruim!Outra vez!

Aquele idiota.E a pior parte era que não conseguia tirar satisfações.Não que lhe faltasse coragem, mas Hermione tinha razão em dizer que seria suicídio.As serpentes de Salazar pareciam se materializar do nada quando os grifinórios chegavam perto do loiro.Haviam algo estranho nesse comportamento.Porque habitualmente ele andava com seus gorilas e amigos sim ,mas não era nada que não pudesse ser manejado.Só que agora simplesmente parecia que qualquer sonserino ao redor gravitava em torno de Malfoy.Estavam começando a chamá-lo de príncipe sonserino.E pra ser sincero Harry não entendia muito bem porque.Está certo que os Malfoy eram poderosos mas nos dois anos anteriores o loiro não fora tratado assim.Porque agora?O que mudou?

Harry bagunçou os cabelos irritado.Como se sua vida não estivesse ruim o bastante.Ele simplesmente inflara a irmã do tio Vernon.Seu livro tinha tentado devorá-lo, um assassino psicótico estava a solta, (por sinal atrás dele, óbvio que sim ele devia exalar um odor atrativo de psicopatas não?),e haviam os dementadores.Aquelas coisas que o fizeram ter aquele pesadelo horrível e desmaiar.E havia Malfoy sendo Malfoy.Isso deveria ser um fato menor perto de todas essas coisas.Mas era só a primeira semana do terceiro ano e ele já se sentia tão cansado e tudo que ele queria era um abraço protetor e gentil ,mas não aquele loiro ridículo tinha que...tinha que.Espera.Como exatamente o desejo de um abraço se relacionava com Malfoy de todas as pessoas?Certo tinha que acrescentar um perturbação mental a lista de coisas ruins desse ano.

Logo Ron e Hermione se juntaram a ele em busca da torre norte para as aulas de adivinhação,depois de conseguirem que o quadro daquele cavalheiro pirado os guiasse finalmente entravam na sala.O incenso criava uma névoa incômoda e o lugar todo parecia feito pra parecer místico.A aula era compartilhada com a sonserina ,e as serpentes estavam sentadas ao fundo,enquanto os grifinórios na frente.Por terem chegados tarde Harry e seus amigos tiverem que se sentar na única mesa livre que ficava exatamente entre leões e serpentes,como se fosse uma fronteira entre territórios hostis.

Na mesa logo atrás estava Malfoy com Nott e Crabbe , Harry sentou-se tenso e preparado para uma aula longa e cheia de provocações.Mas elas não chegaram, quando a estranha professora passeava entre as mesas falando sobre suas borras de chá ele mal se lembrava de quem estava logo atrás deles.Isso até que uma voz conhecida chamou a atenção de todos na classe:

–Professora!Acho que Theo precisa ir a enfermaria.

Todos se voltaram para os sonserinos para ver Malfoy de pé apoiando Nott, que se encontrava extremamente pálido .

–Oh, claro meu querido.-disse a professora.- Mas se prepare para o pior meu bem.Seu pobre amigo não tem muitas chances contra isso.

Malfoy estreitou os olhos o que lhe deu uma expressão perigosa e ameaçadora que fez a professora se encolher.O garoto assentiu pra ela e sussurrou algo no ouvido de Nott, que negou suavemente com a cabeça em resposta.Então o loiro simplesmente se curvou um pouco e o pegou no colo.O queixo de Harry caiu junto com o de metade da sala.Malfoy não era mais que meia cabeça mais alto que Nott e ambos tinham corpos parecidos, como diabos ele podia ergue-lo assim como se não fosse nada?

Estranho.Muito estranho.Mais estranho ainda foi que nenhum sonserino se ofereceu para acompanhá-los ,especialmente Crabbe e Goyle os guarda costas oficiais de Malfoy.A enfermaria era longe e tinham que passar por escadaria inteiras ,era cansativo normalmente,deveria ser pior carregando outra pessoa.Foi só quando a professora resolveu prever sua morte que os pensamentos dele voltaram a se centrar exclusivamente na aula.

Harry ficou contente de sair do castelo depois do almoço. A chuva do dia anterior parara; o céu estava claro, cinza-pálido e a grama parecia elástica e úmida sob os pés quando os garotos rumaram para a primeiríssima aula de Trato das Criaturas Mágicas.
Rony e Hermione não estavam se falando. Harry caminhava ao lado dos dois em silêncio enquanto desciam os gramados em direção à cabana de Hagrid, na orla da Floresta Proibida.
Somente quando identificaram três costas muito conhecidas à frente é que se deram conta de que iriam compartilhar as aulas com os alunos da Sonserina. Draco e seus amigos pareciam irritados e Harry teve um mal pressentimento.Um grupo de sonserinos irritados era sinônimo de problemas.
Hagrid já estava à espera dos alunos à porta da cabana. Vestia o casaco de pele de toupeira, com Canino, o cão de caçar javalis, nos calcanhares, e parecia impaciente para começar.
— Vamos, andem depressa! — falou quando os alunos se aproximaram. — Tenho uma coisa ótima para vocês hoje! Vai ser uma grande aula! Estão todos aqui? Certo, então me acompanhem!
Por um momento de apreensão, Harry pensou que Hagrid os levaria para a Floresta Proibida; o menino já tivera suficientes experiências desagradáveis ali para a vida inteira. No entanto, o guarda-caça contornou a orla das árvores e cinco minutos depois eles estavam diante de uma espécie de picadeiro. Não havia nada ali.
— Todos se agrupem em volta dessa cerca! — mandou ele. — Isso... Procurem garantir uma boa visibilidade... Agora, a primeira coisa que vão precisar fazer é abrir os livros...
— Como? — perguntou a voz fria e arrastada de Draco Malfoy.
— Que foi? — perguntou Hagrid.
— Como é que vamos abrir os livros? — repetiu o menino.
Ele retirou da mochila seu exemplar de O Livro Monstruoso dos Monstros, amarrado com um pedaço de corda. Outros alunos fizeram o mesmo, alguns, como Harry, tinham fechado o livro com um cinto; outros os tinham enfiado em sacos justos ou fechado os livros com grampos.
— Será... Será que ninguém conseguiu abrir o livro? — perguntou Hagrid, com ar de desapontamento.
Todos os alunos sacudiram negativamente as cabeças.
— Vocês têm que fazer carinho neles — falou o novo professor, como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Olhem aqui...
Ele apanhou o livro de Hermione e rasgou a fita adesiva que o prendia. O livro tentou morder, mas Hagrid passou seu gigantesco dedo indicador pela lombada, o livro estremeceu, se abriu e permaneceu quieto em sua mão.
— Ah, mas que bobeira a nossa! — caçoou Draco. — Devíamos ter feito carinho no livro! Como foi que não adivinhamos!
— Eu... Eu achei que eles eram engraçados — disse Hagrid, inseguro, para Hermione.
— Ah, engraçadíssimos! — comentou Draco. — Uma idéia realmente espirituosa, nos dar livros que tentam arrancar nossa mão.
— Cala a boca, Malfoy — advertiu-o Harry baixinho. Hagrid parecia arrasado, e o garoto queria que aquela primeira aula do seu amigo fosse um sucesso.

O loiro o olhou irritado e abriu a boca pra falar quando a mão de Nott pousou em seu braço, os olhos cinzentos de Malfoy encontraram os castanhos de Nott e imediatamente suavizaram-se.O loiro soltou um suspiro e assentiu ao castanho e voltou seu olhar para professor ignorando Harry. O moreno franziu o cenho, a forma como Malfoy olhou pra Nott..toda aquela ternura e cuidado, ele jamais fora olhado assim,sentiu um estremecimento de desgosto e se lhe perguntassem não poderia dizer porque.
— Certo, então — continuou Hagrid, que pelo jeito perdera o fio do pensamento — ... Então vocês já têm os livros e... E... Agora faltam as criaturas mágicas. É. Então vou buscá-las. Esperem um pouco...-Ele se afastou na direção da floresta e desapareceu de vista.

Logo eles ouviram um som de cascos e todos se voltaram para mesma direção.Trotavam em direção aos garotos mais ou menos uma dezena dos bichos mais bizarros que Harry já vira na vida. Tinham os corpos, as pernas traseiras e as caudas de cavalo, mas as pernas dianteiras, as asas e a cabeça de uma coisa que lembrava águias gigantescas, com bicos cruéis cinza-metálico e enormes olhos laranja-vivo.
As garras das pernas dianteiras tinham uns quinze centímetros de comprimento e um aspecto letal. Cada um dos bichos trazia uma grossa coleira de couro ao pescoço engatada em uma longa corrente, cujas pontas estavam presas nas imensas mãos de Hagrid, que entrou correndo no picadeiro atrás dos bichos.
— Upa! Upa! AÍ! — bradou ele, sacudindo as correntes e incitando os bichos na direção da cerca onde se agrupavam os alunos.
Todos recuaram, instintivamente, quando Hagrid chegou bem perto e amarrou os bichos na cerca.
— Hipogrifos! — bradou Hagrid alegremente, acenando para eles. — Lindos, não acham?
Harry conseguiu entender mais ou menos o que Hagrid quis dizer. Depois que se supera o primeiro choque de ver uma coisa que é metade cavalo, metade ave, a pessoa começava a apreciar a pelagem luzidia dos hipogrifos, que mudava suavemente de pena para pêlo, cada animal de uma cor diferente: cinza-chuva, bronze, rosado, castanho brilhante e nanquim.
— Então — disse Hagrid, esfregando as mãos e sorrindo para todos —, se vocês quiserem chegar mais perto...
Ninguém pareceu querer. Harry, Rony e Hermione, porém, se aproximaram cautelosamente da cerca.
— Agora, a primeira coisa que vocês precisam saber sobre os hipogrifos é que são orgulhosos — explicou Hagrid. — Se ofendem com facilidade, os hipogrifos. Nunca insultem um bicho desses, porque pode ser a última coisa que vão fazer na vida.

Harry ouviu um arfar afogado e viu Zabine falando baixo e nervosamente com Malfoy.A face do loiro endureceu e ele olhou os animais na cerca e então ao professor com uma expressão assassina.Voltou-se a Zabine e lhe disse algumas coisas baixo e rapidamente,logo seus amigos se afastaram em direção ao ponto mais distante dos animais.Todos haviam sacado a varinha e pareciam formar uma parede protetora ao redor de Nott.Um garoto de pele branca e olhos e cabelos muito negros se aproximou de Malfoy, estava assustado e tremia, o loiro pousou a mão no ombro falou algo no ouvido do moreno que correu para junto dos amigos do loiro.Assim que os alcançou foi colocado junto a Nott.

Draco sacou a varinha discretamente e deixou nas mangas das vestes.Os olhos como aço, duros ,frios, perfurando as criaturas da aula.Alguma coisa estava acontecendo.Algo ruim.Harry se forçou a parar de pensar no estranho comportamento daquele grupo sonserino e prestar atenção no que Hagrid explicava sobre insultar aquelas criaturas.Depois ele voou sobre Bicuço e todos foram chamados para se aproximar das criaturas.O grupo de serpentes não se moveu.

–Hei vocês ai!-chamou Hagrid.-Venham, venham!Se não participarem da aula não podem fazer os exames!

Os sonserinos olharam para Draco de maneira suplicante.O loiro olhou deles para os hipogrifos visivelmente angustiado,passou a mão pelos cabelos e então ergueu os olhos, havia determinação brilhando neles.Então avançou praticamente correndo em direção a Bicuço.O animal o olhou e imediatamente fez uma reverência muito mais inclinada e a manteve.Não era uma retribuição a cortesia prévia, era uma iniciativa do animal.Ninguém mais parecia prestar a tenção à cena,mas Harry que já estava intrigado ficou ainda mais quando ouviu Malfoy rosnar para o animal.Bicuço guinchou e ergueu sobre as patas traseiras,suas garras de aço atingiram o braço de Malfoy.O menino gritou e caiu ao chão.

A classe toda olhava para eles agora.Hagrid imediatamente correu para prender Bicuço que lutava contra, a maioria pensava que o bicho queria terminar de fatiar Malfoy, mas Harry podia ver que o que o hipogrifo realmente parecia querer é se afastar do olhar que o sonserino mantinha sobre ele.De repente o menino e o animal giraram a cabeça para mesma direção.Todos os outros hipogrifos fizeram o mesmo,como se escutassem algo.Logo todos os animais soltos começaram a levantar vôo o mais depressa que podiam.Bicuço parecia ainda mais frenético lutando contra a corda que o prendia a cerca.

Foi ai que Draco começou a gritar que estava morrendo.

— Você não está morrendo! — disse Hagrid, que ficara muito pálido. — Alguém me ajude... Preciso tirar ele daqui...
Hermione correu para abrir o portão enquanto Hagrid erguia Malfoy nos braços, sem esforço. Quando os dois passaram, Harry observou que havia um corte grande e fundo no braço de Draco; o sangue pingava no gramado e o guarda-caça, com o garoto ao colo, subiu correndo a encosta em direção ao castelo.
Muito abalados, os alunos da aula de Trato das Criaturas Mágicas os seguiram caminhando normalmente. Os alunos da Sonserina gritavam contra Hagrid.
— Deviam despedir ele, imediatamente! — disse Pansy Parkinson, que estava às lágrimas.
— Foi culpa do Draco! — replicou Dino Thomas com rispidez.
Crabbe e Goyle flexionavam os braços, ameaçadores.

–Você não sabe o que diz Thomas!- disse Nott com um voz tão fria e letal que conseguiu arrepiar quem o ouviu.

–Theo,não é hora pra isso.-disse Zabine segurando o braço do amigo — Temos que sair daqui e logo.Draco se machucou e sangrou no bosque proibido.

–Eu percebi Blaise!-disse Nott franzindo cenho.

–Mesmo?E não consegue pensar em nada grande super protetor percebendo isso também e ficando extremamente zangado?-disse Blaise irritado.

–Você não está dizendo..que poderia ter um..no bosque está?-sussurrou Nott.

–Eu não duvidaria.Porque você acha que houve uma debandada geral de hipogrifos?-rebateu Zabine.

–Merlin!Mas isso é uma escola!-disse o castanho-Como podem construir uma escola com essas coisas ao redor?

–Bom Draco acha que tem relação com formar caráter ou uma estupidez do gênero.Existem barreiras pra essas coisas?
Nott assentiu e disse algo sobre proteções ao que Zabine apenas bufou e rebateu algo sobre má sorte e imã de perigos.Os garotos subiram os degraus de pedra para o saguão deserto.
— Vou ver se ele está bem! — disse Pansy, e os outros ficaram observando-a subir de corrida a escadaria de mármore.

— Vocês acham que ele vai ficar bem? — perguntou Hermione, nervosa.
— Claro que vai. Madame Pomfrey cura cortes em um segundo — disse Harry, que já tivera ferimentos muito mais sérios curados magicamente pela enfermeira.
— Foi realmente ruim acontecer isso na primeira aula de Hagrid, vocês não acham? — comentou Rony, parecendo preocupado.
— Sempre se pode contar com o Draco para estragar as coisas para o Hagrid...-disse Hermione cansadamente.

Harry estava intrigado, aquela conversa entre os Sly não fazia sentido. O que havia no bosque que poderia se zangar por Malfoy estar ferido?Fosse o que fosse era grande o bastante para assustar os hipogrifos.E pareceu que Malfoy fizera de propósito,mas porque?Alguma coisa muito estranha estava acontecendo.E envolvendo sonserinos,coisa boa é que não era.E ele estava determinado a descobrir e impedir qualquer estrago que eles pudesse estar querendo causar.

Draco não reapareceu nas aulas até o fim da manhã de quinta-feira, quando os alunos da Sonserina e da Grifinória já estavam na metade da aula dupla de Poções. Ele entrou cheio de arrogância na masmorra, o braço direito enfaixado e pendurado em uma tipóia, agindo, na opinião de Harry, como se fosse o sobrevivente heróico de uma terrível batalha.

Ele sentou-se no balcão logo atrás de Harry e Ron, junto com Zabine.O moreno passou a prestar atenção no que eles conversavam baixinho:

–Quando é que você vai ficar bom? Eu não agüento mais nosso quarto atulhado de loucos querendo cuidar de você!-disse Zabine

–E você acha que eu gosto?-respondeu Malfoy parecendo irritado.

–Mas isso ainda vai demorar quanto tempo?Quero dizer essa coisa de parecer doente não te irrita?-perguntou Blaise.

–Ora , mas o que você acha?Claro que detesto isso.Mas sei que deve durar quanto for necessário pra demitirem o meio gigante, ou pelo menos para ensiná-lo a não ser tão estúpido.-respondeu acidamente o loiro

— Então é por isso que ele está fazendo toda essa encenação — comentou Harry para Ron, decapitando sem querer uma lagarta morta, porque sua mão tremia de raiva. — Para tentar fazer Hagrid ser despedido.

— Bom, em parte, Potter. –disse uma voz fria e sem emoção atrás deles fazendo com que Harry se virasse para ver os olhos cinzentos e duros de Malfoy.- Mas eu tenho a ligeira impressão de que não conversava com você. E se estou certo você deveria se limitar a tentar fazer um trabalho aceitável nessa aula e parar de tentar se intrometer onde não é chamado.

–Você... seu desprezível –sibilou Harry- Hagrid é um bom professor e você quer despedi-lo por que não passa um arrogante, filhinho de papai e preconceituoso!

–É mesmo?-perguntou o loiro levantando uma sobrancelha.-Se seu precioso meio gigante é tão bom professor assim pergunte a ele porque na aula com os hipogrifos não dispensou os alunos de sangue licano.Aposto que foi porque são sonserinos.Nós levamos a fama ,mas quando se trata de preconceito o resto de vocês sabe fazer o trabalho melhor que qualquer um de nós.

–Eu sugiro que vocês voltem para suas poções porque daqui não parece que elas estejam muito bem.-disse Blaise ,interrompendo uma possível resposta do moreno,apontando os caldeirões dos grifinórios que não tiverem alternativa senão voltar a prestar atenção na aula.

No fim da aula Harry e Rony guardaram os ingredientes que não tinham usado e foram lavar as mãos e conchas na pia de pedra a um canto da sala.
— Que foi que o Draco quis dizer? — sussurrou Harry para Rony, enquanto molhava as mãos no jorro gelado que saia da boca da gárgula.
— Eu não sei companheiro.Mas podemos perguntar ao Hagrid.

Os dois encontraram Hermione e disseram que queriam perguntar uma coisa ao Hagrid, quando ela quis saber o que os dois disseram que ela deveria ir junto e ver por si mesma, e assim o trio foi a casa do guarda caça.Depois de se acomodarem e recusarem educadamente os bolinhos Harry resolveu puxar o assunto que os levara até ali.

–Hagrid nós queríamos saber porque na aula com os hipogrifos você não dispensou os alunos com sangue licano.-perguntou Harry baixinho.

–Mas na turma do terceiro ano da Grifinória e da Sonserina não tem ninguém com sangue licano.-disse o meio gigante.-Seria uma temeridade se tivesse!E eu só dei aula sobre Hipogrifos pra essa turma.

–Sério?

–Mas é claro!Vocês não sabem o que sangue licano representa não é mesmo?-perguntou o guarda e os três negaram.

–Bom vocês sabem que um mago que assume a forma de uma animal é um animago certo?Acontece que existem algumas famílias sangue puras com uma habilidade especial em animagia.Eles podem assumir a forma de um lobo imenso e poderoso.Essa forma de lobo é usada para caçar criaturas mágicas .-explicou o meio gigante

–Então esses magos possuem sangue licano, ou seja habilidade pra se converter em um lobo caçador de criaturas mágicas.-concluiu Hermione.

–Isso. Esses magos só podem perceber as criaturas mágicas na forma de caçador ,mas toda criatura mágica pode perceber o sangue licano mesmo em sua forma humana.Algumas criaturas fogem, outras ,como os hipogrifos, atacam.-explicou Hagrid.

–Mas então o mago não tinha só que virar lobo pra se defender?-perguntou Rony

–Esse tipo de magia é perigosa e proibida pra menores de idade.Por isso essa herança só se manifesta quando o bruxo atinge 17 anos.Uma criança com sangue licano é uma presa ,não um caçador.-disse o guarda caça.

–Hagrid quais as famílias que tem essa habilidade?-perguntou Harry com uma intuição ruim.

–Bom acho que são 12 em toda Europa.Quatro delas vivem na Inglaterra: os Bourbon ,os Gwavain, os Pevensie e os Nott.-disse contando nos dedos enquanto falava.

–Ahn Hagrid ...tem um Nott no terceiro ano da sonserina.-disse Ron

–Mas isso é impossível.Eu chequei a lista!-bradou o guarda bosques.

–Hagrid tem mesmo um Nott, ele estava na aula.-disse Harry.

O meio gigante se levantou e foi até um armário pegar um pedaço de pergaminho e estendeu a lista para eles

–Olhem só!Nenhum Nott nessa lista!

–Hum. Hagrid essa lista não é do terceiro ano da sonserina.-disse Hermione lendo o pergaminho.

–Não pode ser!Mas é claro que é olhem só o escudo aqui em cima!-disse batendo o dedo na margem superior onde havia um escudo da sonserina.

–Bom eu não sei como explicar isso mas essa não pode ser a lista do terceiro ano.Nenhum desses aqui tem aulas conosco.E nós temos aulas com todas as casas.Deve ser do segundo ou quarto ano.-disse Hermione

–Eu tive uma idéia.Accio lista do terceiro ano da sonserina!-disse Ron,quando pergaminho chegou a suas mãos ele entregou a bruxa.

–Olha aqui está.Essa é lista certa vê?Olha só ..Malfoy e logo aqui em baixo Nott Theodore Aluysio .-mostrou Hermione.

–E não é só isso, olha só esse aqui Pevensie Edmund.-disse Ron apontando outro nome na lista

–Merlin!Mas como os hipogrifos não os atacaram?-se perguntou Hagrid caindo pesadamente na poltrona.

–Bom eles ficaram afastados e atrás de outras pessoas.-disse Harry se lembrando do comportamento dos sonserinos naquele dia.

–E logo teve aquela confusão com o Malfoy.-comentou Ron.

–Sim se não fosse por isso teria acontecido algo ruim ,bem ruim.Todos aqueles hipogrifos zangados... ia ser um tremendo problema.-disse Hermione.

–Hagrid isso pode te prejudicar?-quis saber o moreno.

–Não exatamente. Essas famílias são muito orgulhosas sabe?Não vão fazer um escândalo com o que poderia ter acontecido, isso não adiantaria muito.Por outro lado houve um ataque e a um aluno comum e isso sim é um problema.-disse o adulto.

Seus amigos continuaram discutindo o assunto mas Harry nãos os ouvia mais.Malfoy tinha causado aquela confusão de propósito para proteger duas pessoas.Um deles era seu amigo , mas o outro não parecia ser.E mesmo assim...ele simplesmente não entendia.Por que Malfoy o cara mais sonserino que ele conhecia faria uma coisa como essa?Será que aquele garoto odioso podia ser mais que um simples bastardo?Harry sentiu a curiosidade borbulhar dentro de si.E soube que simplesmente não resistiria ao desejo de satisfazê-la.

%%%

Harry suspirou pesadamente.Sua idéia de desvendar as atitudes de Malfoy continuava firme , mas parecia que o universo conspirava para que não houvesse nenhuma só oportunidade disso acontecer.Com o ataque de Black à mulher Gorda e a vigilância dos professores sobre si, ele não tinha como escapulir para investigar.O moreno não falara aos amigos sobre isso porque a relação de Ron e Mione já estava complicada com Bichento querendo jantar Perebas para adicionar o fator Malfoy.Pelo menos ainda havia quadribol, tentou se consolar Harry. Depois do jogo poderia arrumar um jeito de seguir ao loiro e descobrir um pouco sobre o que ele escondia.

Porque algo ele tinha que esconder.O completo bastardo que conhecia nunca chamaria a atenção de um animal perigoso para si só para proteger outra pessoa.Mas Malfoy tinha feito.Harry suspirou novamente e se apressou para o ultimo treino antes do ditoso jogo.Quando alcançou o vestiário Olívio Wood deu ao time uma notícia indesejável.
— Não vamos jogar com Sonserina! — disse aos companheiros, parecendo muito zangado. — Flint acabou de me procurar. Vamos jogar contra Lufa-Lufa.
— Por quê? — perguntou o restante do time em coro.
— A desculpa de Flint é que o braço do apanhador do time ainda está machucado — respondeu Olívio, rilhando furiosamente os dentes. — Mas é óbvio por que estão fazendo isto. Não querem jogar com tempo ruim. Acham que vai reduzir as chances deles...
Tinha ventado forte e chovido pesado o dia inteiro e mesmo enquanto Olívio falava ouvia-se o ronco distante do trovão.
— Não há nada errado com o braço do Malfoy! — disse Harry, furioso.Parecia que não havia forma de se aproximar do loiro. — É tudo fingimento.
— Eu sei disso, mas não podemos provar — argumentou Olívio amargurado. — E temos treinado todos esses lances na suposição de que íamos jogar com Sonserina, e, em vez disso, será com Lufa-Lufa que tem um estilo muito diferente. Agora eles estão com um capitão novo que também é o apanhador, Cedrico Diggory...
Angelina, Alicia e Katie tiveram um repentino acesso de risadinhas.
— Quê? — exclamou Olívio, fechando a cara para esse comportamento alegre.
— É aquele alto e bonito, não é? — perguntou Angelina.
— Forte e caladão — concluiu Katie, e as três recomeçaram a rir.
— Ele só é caladão porque é burro demais para juntar duas palavras — comentou Fred, impaciente. — Não sei por que você está preocupado, Olívio, Lufa-Lufa é brincadeira de criança. Da última vez que jogamos com eles, Harry capturou o pomo em cinco minutos, não se lembram?
— Estávamos jogando em condições completamente diferentes — gritou Olívio, os olhos saltando ligeiramente das órbitas. — Diggory armou uma lateral muito forte! E é um excelente apanhador! Eu estava com medo que vocês fizessem essa leitura falsa! Não podemos relaxar! Temos que manter o nosso foco! Sonserina está tentando nos prejudicar! Precisamos ganhar!
— Olívio, vê se se acalma! — disse Fred, ligeiramente assustado.
— Estamos levando Lufa-Lufa muito a sério. Sério.
Um dia antes da partida, o vento começou a uivar e a chuva a cair com mais força que nunca. Estava tão escuro nos corredores e salas de aula que foi preciso acender mais archotes e lanternas. Os jogadores do time da Sonserina estavam de fato com um ar muito presunçoso e Malfoy mais que todos.
— Ah, se ao menos meu braço estivesse um pouquinho melhor! — suspirava ele enquanto a tempestade lá fora açoitava as janelas.
Harry olhou a atitude marota do loiro,essa face ele conhecia bem.Mas o que ele queria ver novamente era aquela ternura que vira quando Draco olhara para Theodore , aquela decisão de antes de chamar a atenção de Bicuço.Suspirou novamente em suas frustração.O moreno não se dava conta mas esses suspiros estavam começando a se tornar constantes em seu comportamento.E se alguém por acaso lhe questionasse a razão deles, o moreno não saberia explicar.

O moreno acordou extremamente cedo na manhã seguinte; tão cedo que ainda estava escuro. Por um momento pensou que tinha sido acordado pelos rugidos do vento. Então, sentiu uma brisa gelada na nuca e sentou-se na cama de um salto — Pirraça, o poltergeist, andara flutuando ao lado dele, soprando com força em seu ouvido.
— Para que você fez isso? — perguntou Harry, furioso.
Pirraça encheu as bochechas de ar, soprou com força e disparou de costas para fora do dormitório, dando gargalhadas.
Harry tateou procurando o despertador e olhou para o mostrador.
Eram quatro e meia. Amaldiçoando Pirraça, ele se virou e tentou voltar a dormir, mas era muito difícil, agora que estava acordado, não dar atenção à trovoada que roncava no céu, ao vento que fustigava com violência as paredes do castelo e às árvores que rangiam ao longe, na Floresta Proibida. Dentro de algumas horas ele estaria lá fora no campo de Quadribol, enfrentando a tempestade. Por fim, ele perdeu as esperanças de voltar a dormir, se levantou e se vestiu, apanhou a Nimbus 2000 e saiu silenciosamente do dormitório.

O castelo estava sumamente silencioso enquanto caminhava, até que um som distante chamou sua atenção.Eram risadas.Risadas suaves e límpidas, como sinos.Ele seguiu o som , aquele riso era um som de deleite tão pleno que se fez irresistível.O moreno alcançou o corredor do segundo andar , e então uma sala com a porta trancada.Usando o feitiço Alohomora abriu a porta apenas o suficiente para espiar e quase caiu para trás de impressão.

Porque aquela sala estava encantada , suas paredes ,o chão,o teto, tudo enfeitiçado para parecer o espaço sideral.E ainda mais impressionante do que isso : em meio as estrelas e planetas, duas figuras dançavam.Uma real e viva e a outra intangível e morta, juntas ao som de violinos e piano.Numa dança ancestral em que os pares não se tocam diretamente ,mas interagem quase até se encostarem estavam ninguém mais e ninguém menos que Draco Malfoy e a Murta que geme.Os dois se olhavam e riam, felizes, sinceros.Harry jamais vira essas expressões em nenhum deles. E duvidava que alguém mais tenha visto.

Em certo momento eles pararam e a fantasma ergueu a mão para o rosto do menino, tocando sutilmente .Draco fechou os olhos como se apreciando o contato frio e etéreo.Quando os olhos cinzentos finalmente se abriram , estavam lá.Aquela ternura e aquele carinho infinitos.Harry sentiu o ar ser expulso de seus pulmões.E então a fantasma disse algo que ele não alcançou ouvir mas Draco sorriu.Sorriu de uma maneira que o moreno jamais tinha visto antes.Um sorriso cheio de...amor.

Harry sentiu vertigem.Apoiou uma das mãos na parede para não se deixar cair.Juntando toda valentia grifinória que possuía correu dali para o banheiro mais próximo.Se fechou em uma das cabines e se deixou cair.O mundo girava e respirar era difícil.Ele sentia algo ao redor do coração, uma pressão estranha e uma tristeza enorme.Esperou que passasse, o mal estar se foi no entanto a tristeza continuou ali.E seguiu com ele mesmo enquanto subia pelos ares no inicio da partida de quadribol.

Ele não sabia dizer se foi a chuva ou aquela emoção estranha que o fez desperceber o pomo , mas não tinha tempo de pensar sobre isso porque Cedric já subia velozmente entre as nuvens atrás da bolinha e Harry o seguia.

Então uma onda de frio terrivelmente familiar o assaltou, penetrou seu corpo, no mesmo instante em que ele tomava consciência de algo que andava lá embaixo no campo...
Antes que tivesse tempo para pensar, Harry desviou os olhos do pomo e olhou para baixo.No mínimo cem dementadores apontavam os rostos encapuzados para ele. Era como se houvesse água gelada subindo até o seu peito, cortando os lados do seu corpo.
E então ele ouviu outra vez... Alguém gritava, gritava dentro de sua cabeça... Uma mulher...
— "O Harry não, o Harry não, por favor o Harry não!”
— “Afaste-se, sua tola... Afaste-se, agora...”
— "O Harry não, por favor, não, me leve, me mate no lugar dele...

Uma névoa anestesiante rodopiava enchendo o cérebro de Harry... Que é que ele estava fazendo? Por que é que estava voando? Precisava ajudá-la... Ela ia morrer... Ia ser assassinada...
Ele foi caindo, caindo sem parar pela névoa gelada.
— "Harry não! Por favor... Tenha piedade... tenha piedade...
E então os gritos sumiram e em meio as estrelas e planetas, duas figuras dançavam.Uma real e viva e a outra intangível e morta, juntas ao som de violinos e piano.E Harry perdeu a consciência.

Quando acordou na enfermaria Harry ouviu sobre tudo que tinha acontecido, incluindo a destruição de sua vassoura. O que só fez seu estado de ânimo ,já baixo ,terminar de afundar.Madame Pomfrey insistiu em manter Harry na ala hospitalar pelo resto do fim de semana.Ele não se queixou.Precisava de um tempo sem seus amigos tentando animá-lo a toda hora.Acordou durante a noite para ter a surpresa de que não estava sozinho, uma figura encapuzada estava a seu lado.

Ao vê-lo acordado a pessoa tentou se afastar, mas Harry segurou-a pelo pulso e num salto estava de joelhos sobre a cama afastando o capuz de seu visitante noturno.Diante de si estavam os olhos tempestuosos de Draco Malfoy, numa expressão entre surpresa e irritação.Sem parar para pensar Harry simplesmente se lançou contra o loiro o abraçando,sem pensar em nada deixando um estranho instinto guiar suas ações.Com o rosto escondido no peito do outro o moreno respirava agitadamente.Sentiu quando um par de braços hesitantes o envolveram.Se permitiu relaxar e se inundar pelo perfume amadeirado que o rodeava.Lentamente a exaustão foi se infiltrando no corpo cansado pelo dia turbulento.

E antes que se desse conta Harry dormia tranquilamente sem ver como fora acomodado gentilmente sobre a cama.Sem presenciar quando os lábios finos do loiro roçaram sua testa antes dele acomodar o capuz e sumir entre as sombras do corredor

Notas finais
E então o que acharam? E para o próximo capitulo acham que vem o que ? Mais leões ? Ou serpentes de volta? Para aqueles que não sabem reviews são inspiradores e podem reduzir a demora da inspiração em chegar ...