La mia mitá
2 Os prodigios
Notas iniciais
Draco conteve a respiração ao olhar o imenso castelo pela primeira vez.Era impressionante,seu coração estremeceu levemente em uma expectativa sutil.Em silencio segui junto com os demais alunos até as portas do grande salão.E quando entraram aquele céu estrelado no teto motivou um de seus raros e amplos sorrisos sinceros.Se havia uma coisa no mundo capaz de fazê-lo sentir-se melhor independente da situação essa coisa eram as estrelas.Sua mãe costumava lhe dizer que isso era por causa de sua herança Black e a imensa tradição dessa família com o céu e as flores.
Quase sempre seus olhos buscavam sua constelação.Draco.O dragão.Ele gostava de pensar em si mesmo como parte do céu.Não era só especial,estar lá em cima era mágico.Por isso ele gostava tanto de voar.Negaria até a morte se algum dia alguém perguntasse ,mas voar era sua forma de estar mais perto das estrelas elas lhe faziam sentir paz.Sua mãe dizia que diante das estrelas todos os problemas sumiam.Ao escutar isso seu pai sempre girava os olhos e resmungava coisas sobre Blacks e sentimentalismo sem sentido .
A seleção começou e ele mal ouviu a canção sobre cada casa.No fundo não importava,ele já ouvira e lera muito a cerca de cada uma delas.E não tinha a menor dúvida de para onde iria.Séculos de tradição familiar gritariam em seu sangue,o desejo de fazer parte de uma coisa que seus pais fizeram antes de si mesmo também.Só que havia mais coisas, ele sentia-se orgulhoso de ser e saber que eram traços apreciados daquela que ele sabia ser sua casa desde que começara a ler sobre Hogwarts.Seu lar .E como era de se esperar o chapéu seletor mal encostou em sua cabeça antes de mandá-lo para sonserina.
Ouvindo os aplausos de seus companheiros de casa sentou-se na sua mesa,seus olhos saudaram seu padrinho da mesa dos professores.Severus devolveu o silencioso cumprimento sem que ninguém se desse conta.Ele sorriu em seu interior ao pensar que seu padrinho era uma das poucas pessoas no mundo que não lhe favoreciam só por fazê-lo.Severus Snape só lhe dava algo se considerasse que você merecia,ou então para fastiar alguém que ele achasse que deveria. Desviando os pensamentos de seu excêntrico padrinho passou a prestar a atenção no resto da seleção.Até que a voz da professora Minerva Mcgonagal chamou:
–Harry Potter.
O salão inteiro ficou silencioso e pareceu segurar a respiração.E lá estava ele,o garoto magrelo ,de cabelos despenteados e de incríveis olhos verdes.O chapéu estava silencioso e os minutos transcorriam.Draco olhou para os outras mesas e soube que o melhor lugar para Potter era a casa vermelho e dourado.A rival de sua própria casa.E como se fizesse eco a seus pensamentos o chapéu anunciou
–GRIFINÓRIA!-e o salão explodiu em palmas,exceto sua própria mesa e o garoto loiro sentiu-se satisfeito com isso.
Depois do jantar ele foi conduzido junto com outros primeiroanistas até as masmorras.Para o salão comunal de sua casa.Pansy,Greg,Vince,Theo e Blaise caminhavam junto a ele.Todos contentes por estarem na sonserina,orgulhosos das cores verde e prata.Então eles finalmente chegaram a um corredor onde o monitor parou diante da parede e anunciou a senha
–Thubal.
Draco sorriu.Aquela senha era o nome de uma estrela.Não uma estrela qualquer.Seu nome significava ‘a cabeça da serpente’ e fica na constelação Draco.Ao seu lado Theo sussurrou
–Não deixe que lhe suba a cabeça.Você acabou de chegar e ainda não é o príncipe da sonserina.
Draco olhou para seu amigo com uma sobrancelha arqueada e sorriso zombeteiro nos lábios.Certo se havia alguém a quem o detalhe da senha não passaria por alto a parte dele mesmo esse alguém era Theodore Nott.O menino de cabelos castanhos era um terrível rato de biblioteca.Lia qualquer coisa que caia em suas mãos.Já Draco apreciava o poder que conhecimento trazia e lia como se as páginas dos livros contivessem todos seus desejos .Theo e Draco costumava ter longas discussões tentando decidir o mais inteligente através de discursos sobre qualquer coisa remotamente interessante.Nessas ocasiões todos os demais fugiam por considerar essas batalhas inúteis já que viviam repetindo que os dois garotos eram aberrações mágicas com enciclopédias no lugar do cérebro.
Era fato que sendo duas pessoas diferentes eles possuíam habilidades diferentes e sobressaiam em assuntos diferentes.Draco era indiscutivelmente o melhor em se tratando de poções,enquanto ninguém conseguia ser mais eficiente em transfiguração que Theo.
–Ainda.-disse o herdeiro Malfoy sem perder o sorriso.
Nott negou com cabeça e sorriu.Era certo que ele não duvidava que se Draco quisesse se tornaria sim o príncipe da sonserina.Esse titulo era um daqueles segredos de casa que todo colégio acreditava conhecer.Todas as casas sabiam que Slytherin sempre possuía um aluno a quem todas as serpentes respeitavam.E esse aluno recebia o titulo de príncipe ,ou se fosse o caso princesa ,da sonserina.
Mas o que todas as casas ignoravam era a veracidade desse posto.O assuntos da Sonserina sempre eram resolvidos portas a dentro.Não importavam as conseqüências os problemas das serpentes eram seus.Cada sonserino sabia ser persona non grata para as demais casas.O discurso de boas vindas do Barão Sangrento dizia claramente aos novos alunos que eles não eram bem vindos em nenhuma outra casa.Não podiam contar com ninguém mais.E ninguém duvidava.Mas era fato que em alguns momentos eles necessitavam proteção.
E esse era o papel do Príncipe da Sonserina e sua corte.Proteger os membros da casa da hostilidade dos demais.Resolver os problemas internos fosse como fosse.Ele sempre era a mais habilidosa das serpentes.Alguns diziam que tudo da sonserina é sobre poder e isso era uma meia verdade.Assim como a maioria das coisas que se dizia sobre a casa de Salazar.Ser a serpente mais habilidosa requeria poder.Muito poder.Bons contatos fora da casa,bons vínculos dentro dela,habilidades em combate e carisma.
E o mais importante a máscara impenetrável.Conseguir ocultar seus sentimentos de tal forma que os demais vissem o que ele quer mostrar.As demais casas quase sempre subestimavam os príncipes sonserinos .Porque eles preferiam assim devido a uma tradição que ninguém sabia dizer quando começou.Era uma espécie de piada interna que o líder da casa fosse visto de suas portas para fora como alguém de muito discurso e nenhuma ação.Alguém a ser temido por estar sempre acompanhado por sua corte.Mas desprezível sozinho.E essa tradição já rendera em mais de uma ocasião histórias, passadas de geração a geração ,sobre o líder sonserino dando uma boa lição em quem acreditava em sua vulnerabilidade.
Obviamente poderia parecer extrema presunção de um primeiroanista sequer cogitar esse posto.Mas Nott sabia que Draco não esperava se tornar imediatamente o Príncipe Sonserino.Seu amigo não tinha o menor problema em ver algum outro aluno receber o título temporariamente.Normalmente os lideres da casa estavam nos ultimos anos escolares.Mas o que o loirinho sempre ambicionou foi ser o quinto prodígio.
Quando chegou o momento de definir os quartos onde passariam sua estadia na escola Pansy se despediu do grupo rumou para a ala feminina dos dormitórios.Os cinco meninos planejavam dividir um quarto.Mas o sorteio dos quartos havia sido realizado previamente e nele Greg,Vince e Blaise conseguiram um quarto conjunto com van Linghern e Zimmermam e Draco e Theo caíram juntos .
O normal seria aceitar a divisão e tentar aproveitar a ocasião para fazer novos amigos,se se tratasse da Lufa-lufa.Ou aproveitar a ocasião para rearranjar seu plano de estudos para incluir seus amigos e novos parceiros de quarto,se estivessem em Corvinal.Ou ainda enfrentar a situação como se não houvesse problema algum de forma corajosa,se aquela fosse a grifinória.
Mas aquela era a sonserina.E Draco era um Malfoy.O que significa que ele simplesmente levitou suas coisas e as de Theo até o quarto de seus amigos e disse:
–Van Linghern ,Zimmermam fora.Vocês estão agora com Flint,Belmont e Tiberius.
–O que você pensa que está fazendo Malfoy?-disse van Linghern.
–Mudando de quarto.O sorteio não me favoreceu muito.-disse Draco tranquilamente.
–E o que o faz pensar que pode nos expulsar nanico?-disse o enorme Zimmermam cruzando os braços em uma posse ameaçadora.
Greg deu um passo a frente,mas Blaise o reteve segurando pelo braço.Qualquer interferência da parte deles faria mal para imagem de Draco e arruinaria seus planos de ser um dos prodigios.O loiro entrecerrou os olhos sacou a varinha apontou em direção ao enorme garoto e disse:
–Levicorpus!
Zimmerman girou ficando de cabeça para baixo sob o som das risadas de seus companheiros de quarto.
–Sua vez van Lighern.-disse Draco se voltando para o outro garoto.
–Eu dispenso Malfoy.-disse o garoto de cabelo castanhos erguendo as duas mãos em sinal de paz.-Vou mudar de quarto.Mas não posso carregar minhas coisas.
–Blaise?-falou o loirinho-Você poderia?
–Claro.-assentiu o moreno com um amplo sorriso.Levitando a equipagem do colega para fora.
–E você Zimmerman?Vai sair ou quer que eu te expulse?-disse Draco.
–Eu saio.-disse o enorme garoto com os dentes entrecerrados.
–Bom.Finite encantatem-o garoto caiu no chão pesadamente.
Tentou levitar a equipagem para fora mas não foi muito bem sucedido em manter o feitiço de levitação,fazendo com que Draco gentilmente arremessasse sua bagagem para fora,tendo o cuidado de preservar o mascote do garoto de possíveis danos.
–Você éi mpossível Draco.-disse Blaise entrando-Fico com a cama perto da porta.
–Isso é só o primeiro passo Blaise.Nosso amigo quer ser um dos prodígios.-disse Theodore tomando a cama ao lado da de Blaise.
–Você ainda não desistiu disso Dray?-perguntou Vincent
–Não desisti,e não me chame assim Vince.Ninguém me chama assim-falou o loiro se dirigindo a sua cama a única sem um par,no fundo do quarto.
–Quase ninguém.Pansy te chama assim.-disse Gregory.
–Pansy não conta.-disse o loiro
–O que Draco quer dizer é que nem adianta tentar fazer chamá-lo de outro jeito.Afinal ele vem tentando isso há anos e não funciona.-disse Blaise.
–Nem vai funcionar,afinal é Pansy-disse Theodore e os outros assentiram.
Não necessitavam de outro argumento a garota morena era uma verdadeira força da natureza.No outro dia eles receberam seu horário e só havia uma aula que dividiam com a grifinória:poções.Draco estava em parte satisfeito por não ter que partilhar mais nenhuma aula com a casa dos leões.E por outro lado estava frustrado de ter sua matéria preferida arruinada pela presença de Potter.
Ele já desconfiava que as coisas não seriam um mar de rosas,mas tudo se demonstrou mais intenso do que ele previra.O fato do outro garoto estar no mesmo ambiente já tornava a situação incômoda.Era impossível de ignorá-lo,aquela maldita força que o fez querer ser amigo do garoto magricela, antes de saber quem ele era ou que representava em sua vida, agora parecia impulsioná-lo para agredir o garoto.E Draco nunca conseguia dizer se desfrutava machucando o outro menino ou se simplesmente esperava que em algum momento de fúria toda aquela sensação irritante acabasse.E a presença de Potter fosse indiferente.É claro que todo sonserino que se preze tinha um alvo na casa dos leões para molestar.Mas Malfoy sabia que com ele as coisas iam mais além da rivalidade das casas ,era pessoal e ele também sabia o porque.Mas de alguma forma esse conhecimento não tornava as coisas mais fáceis.
Talvez as únicas coisas boas fossem a total falta de aptidão do moreno na disciplina,e a implicância onde seu padrinho com o garoto.E o pequeno Malfoy aproveitava essas coisas para atormentar o moreno de todas as maneiras que podia.
Irritar provocar e atormentar Potter eram sem dúvida tarefas praticamente oficiais para Draco.E quando aqueles olhos esmeralda pousavam nele ardendo em fúria Draco sentia uma estranha satisfação.Ele podia ler aqueles olhos ,e cada vez que Potter fixava seus olhos verdes nos cinzentos ,que tanto o provocavam, o loiro sabia que o menino que sobreviveu o odiava.O odiava mais que qualquer pessoa que pudesse ter conhecido antes.
E isso fazia com que Malfoy se sentisse um tanto mais seguro.Definitivamente eles eram do tipo que se odiariam para sempre.E isso deveria poupá-lo de situações constrangedoras como andar por aí com um garoto que não sabia se vestir e desfrutava sendo amigo de traidores do sangue.Ao menos era isso que uma vozinha irritante repetia em sua cabeça quando ele tentava achar vantagens para odiar o grifinório.
Apesar de Potter Hogwarts era Hogwarts e estar ali era maravilhoso.Ele conhecia novas pessoas além de seus melhores amigos e aprendia coisas fascinantes todos os dias.Ele jamais admitiria mas prestava atenção absoluta nas aulas do professor Binns.Não importava que todos achassem que aqueles momentos eram perfeitos para dormir ele achava fascinante.História da Magia era sobre conhecer seu próprio legado.Era entender como o mundo bruxo se tornou o que é e também permite saber como pode vir a ser.Conhecer o passado pra entender o presente e prever o futuro.Mas é claro que ele só usaria esses argumentos em uma de suas discussões com Theo e não em qualquer lugar.
Em alguns de seus horários livres ele até mesmo dava uma escapada pra conversar com o professor sobre pontos interessantes das aulas,dos livros ou de coisas que ele ouvira aqui e ali.Mas além de estudar ele gostava de se vangloriar um pouquinho pra alimentar seu ego.É claro que se presumir onde fortuna não era nada na sonserina,onde estavam alguns dos herdeiros das maiores fortunas do mundo mágico.Mas para isso existiam alunos pobretões em três outras casas oras.
E ainda havia o quadribol.Ele sentia muita falta de jogar com seus amigos.É claro que sendo apenas seis eles não formavam times oficiais em casa,mas não por isso era menos divertido.E em um desses jogos houve um acidente com trouxas que acabou virando piada entre os amigos.Eles se aventuraram um pouco além do que deveriam e acabaram atraído a atenção sem perceber de um trouxa obcecado .Em uma das excursões para além dos limites o homem maluco os perseguiu em um ridículo e velho monomotor usando alguma coisa pra berrar sandices a cerca de estar em paz e se propor a levá-los a seu líder.
Em um acesso do que ficou conhecido entre eles como estupidez grinfindor Draco se ofereceu para chamar a atenção e despistar o maluco enquanto seus amigos fugiam.O menino nunca contou em detalhes o que foi que aconteceu naquele dia depois de seus amigos terem partido,mas Narcisa o manteve de castigo por duas longas semanas pelo punho quebrado e a destruição misteriosa de suas vestes.No fim das contas os seis estavam extremamente aliviados por não terem chego em casa acompanhados de representantes do ministério.
Esse incidente ,e principalmente a negação absoluta do loiro em detalhar o que aconteceu,acabou rendendo várias histórias onde Draco sempre parecia terminar escapando por um triz de trouxas em helicópteros.E essas benditas histórias acabaram correndo toda Hogwarts.Mas o menino ,longe de se irritar, achava graça e acabava inventando versões mirabolantes dessas perseguições com helicópteros e qualquer outra bugiganga voadora que lhe ocorresse na hora.
Até que finalmente chegou o dia da primeira aula de vôo.A sonserina chegou primeiro e encarou o campo vazio.Mas a turma dr grifinória não demorou a chegar.O garoto loiro sentiu sua alegria por voar diminuir um pouco só pela presença do menino magricela ,que tanto lhe incomodava,e seu amigo Weasley.Pansy se colocou a seu lado e olhava especulativamente.Draco resolveu pensar em qualquer outra coisa que não seu ressentimento com Potter.Pansy era terrivelmente perceptiva e tudo que ele não queria era ter de explicar a ela suas motivações e atitudes descabidamente intensas.Porque isso implicaria falar sobre a ligação.E esse era um assunto que o menino queria com todas as forças esquecer.
Sua cabeça não conseguia lidar com o fato de ter uma imposição sobre sua vida.Mesmo que aquela imposição fosse odiar Potter.Coisa que parecia dia a dia mais natural.Talvez se ele se esforçasse muito poderia realmente esquecer essa estupidez.A professora, Madame Hooch, chegou. Tinhas cabelos curtos e grisalhos e olhos amarelos como os de um falcão.
— Vamos, o que é que estão esperando? — perguntou com rispidez. — Cada um ao lado de uma vassoura. Vamos, andem logo.
Draco olhou para a vassoura. Era velha e tinha algumas palhas espetadas para fora em ângulos estranhos.Muito diferente de sua Nimbus em casa.Mas como os alunos do priimeiro ano não podiam ter suas próprias vassouras ele teria de se conformar.
— Estiquem a mão direita sobre a vassoura — mandou Madame Hooch diante deles — e digam "Em pé!”.
— EM PÉ! — gritaram todos.
Sua vassoura pulou imediatamente para sua mão, não era uma surpresa ,mas foi uma das poucas que fez isso.A parte dele e de seus amigos apenas Potter ,Weasley e uma garota grifinória que ele não conhecia é que foram bem sucedidos.Talvez as vassouras como os cavalos, percebessem quando a pessoa estava com medo, pensou, havia um tremor na voz de algumas pessoas que dizia com demasiada clareza que ela queria manter os pés no chão.E de certa maneira lhe parecia uma ironia muito grande que houvesse mais sonserinos segurando suas vassouras que valentes grifinórios.
Madame Hooch, em seguida, mostrou-lhes como montar as vassouras sem escorregar pela outra extremidade, e passou pelas fileiras de alunos corrigindo a maneira de segurá-la.Draco tinha os pensamentos longe,mais precisamente em uma de suas divagações históricas,que tanto gostava de fazer com professor fantasma,quando a professora corrigiu se modo de segurar a vassoura.Dizendo que ele fazia errado há anos.Ele se limitou a olhar maleficamente para Pansy que continha um risinho de deboche
–Eu não riria se fosse Pan.-disse ele-Afinal se segurando errado eu já sou capaz de derrubá-la imagine o que eu faria agora.
A menina se limitou a mandar um beijinho em sinal de zombaria e também como oferta de paz,coisa que ela fazia como ninguém
— Agora, quando eu apitar, dêem um impulso forte com os pés — disse a professora. — Mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo um pouco para frente. Quando eu apitar... Três... Dois...
Mas Neville, nervoso, assustado, e com medo que a vassoura o largasse no chão, deu um impulso forte antes mesmo de o apito tocar os lábios de Madame Hooch.
— Volte, menino! — gritou ela, mas Neville subiu como uma rolha que sai sob pressão da garrafa, quatro metros, seis metros.
Draco viu a cara de Neville branca de medo espiando para o chão enquanto ganhava altura, viu-o exclamar, escorregar de lado para fora da vassoura e...
— BUM! — um baque surdo, um ruído de fratura e Neville caindo na grama, estatelado. Sua vassoura continuou a subir cada vez mais alto e começou a flutuar sem pressa em direção à floresta proibida e desapareceu de vista.
Madame Hooch se debruçou sobre Neville, o rosto tão branco quanto o dele.
— Pulso quebrado — Harry ouviu-a murmurar — Vamos, menino, levante-se.
Virou-se para o restante da classe.
— Nenhum de vocês vai se mexer enquanto levo este menino ao hospital! Deixem as vassouras onde estão ou vão ser expulsos de Hogwarts antes de poderem dizer "Quadribol". Vamos, querido.
Neville, o rosto manchado de lágrimas, segurando o pulso, saiu mancando em companhia de Madame Hooch, que o abraçava pelos ombros.
Assim que se distanciaram e ficaram fora do campo de audição da classe, Draco caiu na gargalhada.
— Vocês viram a cara dele, o panaca?
Os outros alunos da Sonserina fizeram coro.
— Cala a boca, Draco — retrucou Parvati Patil.
— Uuuu, defendendo o Neville? — disse Pansy — Nunca pensei que você gostasse de manteiguinhas derretidas, Parvati.
— Olhe! — disse Draco, atirando-se para frente e recolhendo alguma coisa na grama. — É aquela porcaria que a avó do Neville mandou.
O Lembrol cintilou ao sol quando o garoto o ergueu.
— Me dá isso aqui, Draco — falou Harry em voz baixa. Todos pararam de conversar para espiar, Draco soltou uma risadinha malvada.
— Acho que vou deixá-la em algum lugar para Neville apanhar, que tal em cima de uma árvore?
— Me dá isso aqui — berrou Potter.
O garoto loiro estreitou um tanto os olhos sentindo a já conhecida sensação de irritação aquecer seu peito, montou na vassoura e saiu voando. O garoto acreditava que esse dveria ser um dos primeiros,se não o primeiro,voo para Potter.O que significava que poderia ser uma boa chance de humilhá-lo um pouquinho.Planando ao nível dos ramos mais altos de um carvalho desafiou:
— Venha buscar, Potter!
Harry agarrou a vassoura.
— Não! — gritou Hermione Granger — Madame Hooch disse para a gente não se mexer. Vocês vão nos meter numa enrascada.
Harry não lhe deu atenção montou a vassoura, deu um impulso com força e subiu, subiu alto, o ar passou veloz pelo seu cabelo e suas vestes se agitaram com força para trás. Puxou a vassoura para o alto para subir ainda mais e ouviu gritos e exclamações das garotas lá no chão e um viva de admiração do Rony. Virou a vassoura com um gesto brusco ficando de frente para Draco, que planava no ar.
Sem saber ao certo porque Draco sentiu-se um tanto quanto traído.Quando conversou,ou tentou conversar,com Potter na loja ele lhe dissera que não tinha vassoura nem sabia jogar quadribol.Então ele mentira,alguém sem prática não podia voar dessa maneira tão desenvolta e típica de quem costuma fazer isso com freqüência.
— Me dá isso aqui — mandou Harry — ou vou derrubar você dessa vassoura!
— Ah é? — retrucou Draco, tentando caçoar, mas parecendo preocupado.
Potter de alguma maneira sabia o que fazer. Curvou-se para frente, segurou a vassoura com firmeza com as duas mãos e ela disparou na direção de Draco como uma lança. Draco só conseguiu escapar por um triz. Potter fez uma curva fechada e manteve a vassoura firme. Algumas pessoas no chão aplaudiam.
— Aqui não tem Crabbe nem Goyle para salvarem sua pele, Draco — berrou o moreno.
Por um momento os olhos cinzentos pousaram nos verdes,e talvez voar fizesse com que Potter baixasse um pouco a guarda.Porque Draco leu neles uma sucessão de emoções felicidade,coragem,determinação,o tradicional ódio e algo mais: desprezo.Ele nuca havia sentido essa emoção dirigida a si.Algo dentro dele se partiu silenciosamente.Algo que ele nem sabia que ainda guardava.Pese a toda ilusão que perdera a cerca do garoto diante de si ainda restara algo.Esperança.Um pequeníssima e tola esperança de que as coisas pudessem ser diferentes.Que para sempre era um tempo longo demais pra se odiar e em alguma hora as coisas seriam diferentes.Draco sentiu-se cansado.Não triste,não ferido nem furioso,apenas cansado.Como se tivesse passado muito tempo trabalhando em algo e de repente todo seu esforço fosse inútil.
— Apanhe se puder, então! — gritou, e atirou a bolinha de cristal no ar e voltou para o chão.
Não ficou para ver o que acontecia simpesmente Du as costas a bagunça e foi embora me direção as masmorras.Aindsa caminhava quando ouviu um grito ás suas costas.
— HARRY POTTER!
Acontecera algo,mas Draco não se importava.Ele seguiu caminhando até que uma mão se fechou ao redor de seu punho:
–Dray espera!-disse amenina.
–O que foi Pan?-perguntou o menino voltando a andar mas sem se soltar da garota.
A garoto olhou rapidamente para seu amigo e sentiu uma enorme vontade de encosta-lo em uma parede e soltar de uma vez o que diabos estava acontecendo.Durante o verão Draco se isolou de todos durante um tempo como se a companhia de qualquer um fosse algo ruim.Depois voltou a convivência de todos parecendo andar nas nuvens.E então desde aquele dia no trem ,quando ele estivera irremediavelmente quebrado ,ele estava estranho.Não nos grandes rasgos,mas nos detalhes havia diferença.Era como se ele estivesse quase constantemente preocupado com alguma coisa incômoda.Ela achava terrível não poder ajudar.Draco podia ser mimado e egoísta se quisesse,mas tinha um coração enorme e uma vez que você o encontrasse o loiro podia se tornar uma verdadeira mamãe galinha.Não era do tipo de pessoa fácil de conviver,adorava um drama,mas ela não conhecia ninguém mais leal.E desgraçadamente forte.Tinha uma terrível mania de guardar todos seus problemas e sentimentos para si e ainda servir de suporte para seus cinco amigos.O conhecia desde que nascera e o amava como um irmão.Um garotinho petulante,que na maior parte do tempo era criança de menos e gente grande demais.E vê-lo com algum problema secreto acordava seus próprios instintos de mamãe galinha.
–Bom é que mamãe me mandou uma caixa inteira daqueles chocolates suíços que você adora esta manhã.-falou num tom que parecia inocente.
–Aqueles sortidos que só são fabricados uma vez por ano?-quis saber o garoto com um brilho no olhar.
–Esses mesmos.E eu queria saber se você não quer ir dividir comigo na torre de astronomia.
O amplo sorriso de Draco fez uma sensação quente nascer no coração da menina que devolveu o sorriso.
–Vamos logo antes que tenhamos que dividir com os outros.
–Não seja esganifado Dray!A caixa é enorme.-repreendeu ela.
–O que significa que podemos levar alguns dias para acabar com ela sozinhos ou algumas horas essa noite com o resto do pessoal.-disse ele seriamente.
A menina nem precisou pensar muito logo os dois estavam correndo como se não houvesse amanhã para as masmorras .Naquele mesmo dia mais tarde Draco desafiou Potter para um suposto duelo no salão de troféus.Sem a menor intenção de ir ater lá ,ele simplesmente deixou um recado sobre a reunião para Filch .Era uma espécie de revanche pela mentira de Potter.Mais contente foi até a torre de astronomia observar as estrelas e devorar tanto chocolate quanto a prudência,nesse caso uma amiga faladeira,fosse permitir.
Os dias foram transcorrendo tranqüilos,com ocasionais visitas a torre de astronomia para devorar a bendita caixa de chocolates de Pansy,uma das maravilhas mais caras e apreciadas em se tratando de comida.E Draco começou a aproveitar esse tempo para colocar seu plano em prática.Afinal se havia uma coisa que nem mesmo Potter poderia ofuscar isso era se desejo de ser um dos prodígios.
Os quatro prodígios ,como eram conhecidos, foram três príncipes e uma princesa da casa de Salazar.Eles receberam seu título entre o segundo e o terceiro ano e foram capazes de mantê-lo por toda sua estádia em Hogwarts.Haviam boatos dentro da casa sobre uma antiga lenda que professava que a casa de Salazar teria cinco prodígios dos quais se orgulhar e que cada um deles a histórias do mundo iria influenciar.Essa era a base comum das varias versões sobre essa lenda que vigorava na casa de Slytherin.É claro que já existiram alguns poucos que conquistaram o titulo ainda tão jovens,além dos quatro prodígios,mas que não puderam mantê-lo.A ambição de Draco era ser o quinto prodígio.E para isso ele teria de conquistar o titulo dentro de dois anos,no máximo e mantê-lo durante toda sua estadia.
A primeira parte de seu plano consistia em aos poucos dar demonstrações de habilidade,como aquela que deu para conquistar seu dormitório.Afinal enquanto os primeiroanistas comuns aprendiam o wingardium leviosa,ele já conseguia um eficiente levicorpus.E enquanto fazia isso ele iria ao campo da pesquisa.Queria saber mais sobre os prodígios sonserinos ,o que tinham em comum e de diferente.Quais variações da lenda poderiam ser úteis e tudo mais.
Para começar ele precisava de boas fontes,livros úteis.Assim ele decidiu recorrer primeiro ao professor Binns emprestando alguns tomos sobre a história da escola,e alguns sobre Salazar e sua casa.E então resolveu recorrer ao seu padrinho e conseguir alguns dos livros privados sobre a história da casa que só seus membros poderia acessar.Severus cedeu a Draco passe livre para biblioteca privada da sonserina.O garoto loiro juntou os livros do professor fantasma,alguns da biblioteca se pôs a pesquisar.O tema possuía poucas e vagas referências nos livros que não pertencia a biblioteca privada de Slytherin,mas por isso o garoto já esperava,afinal a própria existência de um Príncipe da Sonserina era tida como uma piada nas outras casas.
A biblioteca privada das serpentes era quase tão grande quanto aquela que Madame Pince zelava.Como o tempo não estava exatamente a seu favor ele resolveu recrutar ajuda de seus amigos.Theo ficou entusiasmado com tema de pesquisa,e sua vocação para traça de livros seria de grande ajuda.Pansy era muito boa em notar detalhes que passariam despercebidos pela maioria.E Blaise era intuitivo podia encontrar sempre as melhores fontes quase sem se esforçar.E Greg e Vince sempre trazia comida,vigiavam para ver se não estavam sendo seguidos em suas incursões e ajudavam a compilar informações importantes nos pergaminhos.Em uma tarde de pesquisa Blaise chilou:
–Hei Draco você não nos contou que um dos prodígios foi ancestral seu!
–Como é?-perguntou o loiro levantando o olhar de seu livro.
–É isso mesmo eu acabei de encontrar a lista dos nomes dos quatro prodígios e bom tem um Malfoy aqui.!-disse Blaise batendo o dedo contra o livro.Draco levantou tomando o livro de seu amigo disse:
–Deixa ver!-o menino estremeceu.
O nome escrito naquelas páginas amareladas era SÊNECA MALFOY.O garoto deixou o livro cair e se apoiou contra mesa.
–Dray você ta bem?-perguntou Pansy
–Eu preciso me sentar.-disse o loiro desabando sobre uma das cadeira vagas.
–Draco o que é que ta acontecendo?-perguntou Blaise.-E não me venha com essa de que não é nada porque você está tão pálido quanto Barão Sangrento.
–Você tem alguma suspeita de porque seu ancestral está na lista não é?-perguntou ,meio afirmando,Theo.
–Sim eu tenho.-confirmou Draco.
–E então o que você acha que fez dele um prodígio?-perguntou Blaise
Draco encarou seus amigos e ponderou se deveria contar sobre isso para eles.Deixar que eles soubessem sobre la mitàd de Sêneca não implicava falar nada sobre a sua.Ao menos não se isso não fosse influenciar diretamente sobre suas possibilidades de ser um prodígio.Um pouco mais calmo começou:
–O que vocês sabem sobra la mitád?-perguntou o garoto olhando seriamente para seus amigos
–A metade de quê?-perguntou Pansy.
–Não Pan,não é metade de nada.É uma ligação entre bruxos.-esclareceu o loiiro
–Isso não é uma lenda melosa dos romances veelas?-perguntou Vince.
Cinco pares de olhos se voltaram para enorme garoto que se ruborizou violentamente e balbuciou
–Bem...eu já ouvi minha mãe falando sobre isso.
–Eu não acredito que você lê essas bobeiras!-disparou Theo ignorando a desculpa de Vincent.
–Ei!O que é que tem de errado com romances veelas?-protestou Pansy
–É coisa de que não tem nada na cabeça.-disse Blaise.
A garota morena sacou a varinha e antes que alguém pudesse dizer’quadribol’ Blaise estava com um berrante e enorme cabelo cor de rosa.
–É vai ser uma longa,muito longa, conversa.-disse Draco para si mesmo um tanto arrependido de tentar contar isso para essa tuba toda.Aguentar seus amigos malucos era todo um feito.Talvez ele já fosse um prodigio por ainda não haver enlouquecido.Um sorriso zombeteiro se formou em seus lábios.Se as coisas fosssem assim tão fáceis não teriam graça e ele não seria Draco Cygnus Black Malfoy sem sua queda por desafios.
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