La mia mitá
9 De acordos e mal entendidos.
Notas iniciais
Os olhos cinzentos vasculhavam o céu com uma ansiedade que traía a impassibilidade do rosto juvenil.Naquela noite Draco olhava para o céu como se tentasse decifrar os mistérios do tempo.Estava sumamente confuso e precisava de paz.Também desejava respostas,mas duvidava poder encontrá-las, afinal de contas se tratava de Potter.
Normalmente podia ler facilmente o moreno.Sabia qual eram suas motivações, seus atos, seus limites.Era algo quase instintivo conhecer aquele grifinório.E era normal que fosse assim, ele era sua mitá.Mas ultimamente podia jurar que havia algo errado.Não necessariamente errado,mas diferente.Podia sentir aqueles olhos verde sobre si boa parte do tempo, e quando o encarava haviam emoções diferentes.A antiga raiva avassaladora dera espaço a uma irritação misturada com curiosidade.E em algumas ocasiões existia algo mais, era rápido, um flash,mas estava lá : anseio.E isso dentre todas as coisas fazia o estômago do loiro encolher.
Suspirou pesadamente.No fim do último ano havia decidido amar aquele garoto moreno.Porque precisava.Estava enlouquecendo em meio aos treinamentos e problemas e precisava de algo para se agarrar.Tinha seus amigos, tinha sua música e essas coisas o impediam de sufocar, mas não tinham a força suficiente para evitar que ele se deixasse tomar pela escuridão.E Draco não queria deixar a escuridão vencer e dominá-lo.
Mas o amor era uma força imensurável.Quando percebera isso, que o amor era força necessária para que ele não se perdesse, decidira amar.Porque precisava.Porque estava cansado de sentir tanta raiva todo o tempo.Odiar Potter era desgastante.Por um momento chegara a pensar que podia amar em silêncio sem que ninguém soubesse.No entanto depois isso lhe pareceu estúpido.Tinha motivos para odiar Potter que atiçavam o instinto de ódio da ligação que tinham, mas não tinha motivos para amá-lo mais do que a própria ligação que compartiam.
Então precisava conhecê-lo, fortalecer esse amor com convivência, com bons momentos.Decidido a tentar alguma coisa conversara com Theo, para tentar decidir como fazer isso.E nessa conversa franca ,com seu melhor amigo, a verdade caíra sobre si como uma tempestade de inverno, imparável e devastadora.Ele não podia se aproximar.
Potter não o queria por perto, e era completamente capaz de armar um escândalo acusando Draco de ter alguma intenção maligna.E se houvesse um escândalo a Sonserina saberia.E então seu lugar recém adquirido como líder da casa seria perdido.Com um escândalo seu pai saberia.E ele sabia que se seu pai soubesse, Cruciatus seria o mais leve de seus castigos.A única chance era uma aproximação secreta.Mas isso era impossível.
Porque Potter jamais permitira uma aproximação e se permitisse o segredo não seria mantido.Primeiro porque o moreno contaria a seus amigos, e se Potter poderia fazer um escândalo Weasley sem dúvida faria um.Segundo que se conseguisse manter segredo por um tempo e chegasse a apreciar Draco de alguma forma então não ia querer guardar segredo.Sua mente grifinória e limitada pensaria que as razões do segredo se limitavam a vergonha e covardia,e não a uma necessidade de sobrevivência.E ai viria um ultimato:ou as claras ou de jeito nenhum.E seria o fim
Por tudo isso ele não podia se aproximar.Poderia continuar odiando Potter.Ou poderia amá-lo, a distância.Tudo estava confuso e caótico pois era mais difícil decidir do que parecia.E para piorar parecia que cada infeliz na sonserina queria testar seu novo líder levando a ele os problemas mais estúpidos e exigindo solução.Seu humor andava tão sombrio que qualquer canção que tentava iniciar era repleta de confusão e angustia .
E então Theo lhe dissera que talvez a melhor decisão fosse tentar controlar a raiva.Fazer com que esse instinto amainasse. E então aos poucos deixar de perturbar Potter.Isso seria bom pois abriria caminho para uma aproximação futura, e se isso não ocorresse ao menos deveria doer menos estar longe e ter de odiar, porque o ódio seria menor e mais suportável.Na teoria isso era lindo.Mas fazer acontecer era tão mais difícil.Ele tentava, é claro que o fazia, mas algumas coisas escapavam a seu controle.
Como responder grosseiramente quando baixava a versão São Potter no moreno e este defendia aquele meio gigante.Ou insultar aquela sangue ruim irresponsável quando ela não devolvia um livro no prazo,quando todos tinham um enorme trabalho de Transfiguração que fazer usando dito livro.Mas Theo o ajudava, tentava manter-lhe calmo.E quase sempre bastava olhar nos olhos de Theo para conseguir juntar a força necessária para se acalmar.E quando nem mesmo Theodore bastava, havia Candy.Sua doce amiga Candy com seus sonhos de quando era viva, seu pesar de morta e uma sabedoria nascida da dor e da solidão que se escondia abaixo da superfície de garotinha tola.
Mas então ,por alguma razão que lhe escapava ,Potter começara a observá-lo.Podia sentir aqueles olhos verdes sobre si sempre que o grifinório estava perto.E o que via naqueles olhos lhe enchera de dúvidas.E a pior parte : fizera renascer nele algo perdido.Esperança.Um pequena e tímida esperança de ser feliz ao lado daquele garoto.De estar ao lado dele para sempre.Essa esperança era algo extremamente sutil e suave.Mas estava lá.Ele podia perceber.
E essa percepção o assustava.Não queria sentir essa emoção ser destruída outra vez.Conhecia a dor de perder uma ilusão,de destroçar uma esperança, e não queria repetir.No entanto não tinha certeza de poder evitar.Nem mesmo conseguiria ficar longe.Sabia disso agora.Porque durante aquele jogo de quadribol quando o moreno caíra seu coração se deteve.E só voltou a bater quando ele pousara num chão macio.E tivera a necessidade de ir ver com seus próprios olhos que ele estava bem.Realmente a salvo.E fora.
Fora só para piorar as coisas um pouco mais.Porque saíra de lá com a cabeça girando de tantas perguntas e o coração aquecido por uma esperança cada vez mais forte.A forma como o moreno se lançara em seus braços, buscando conforto ,proteção.Sentira-se tão surpreso e depois quisera protegê-lo,fazer com que ficasse bem.Mas não dissera nada.Aproveitara o momento porque poderia ser o único, porque temia que houvesse sido o último.
Não sabia o que esperar e decidira voltar a enfermaria durante a noite seguinte.Mas dessa vez o moreno não acordara com sua visita.Ele estava balbuciando coisas sem sentido , metido num sono terrivelmente inquieto.Parecia cansado,mas não descansaria daquele jeito.Recordando algo que sua mãe fizera certa vez Draco resolvera ajudar.E segurou uma das mãos do moreno e começou a cantarolar.Cantou suavemente uma antiga canção celta usada para fazer crianças pequenas dormirem tranqüilas. Quando o moreno relaxou o loiro decidiu que era melhor ir, deixá-lo descansar.
Então esperou.Esperou pelo dia que viria e deveria trazer respostas.O dia chegara, as respostas não.Porque Potter se limitara a observá-lo de longe e pela primeira vez quando Draco encarou aqueles olhos não pôde lê-los.Não consegui entrever nem o menor dos sentimetos.Não sabia se era seu próprio nervosismo, aquela ânsia pelo próximo movimento do moreno, ou se o outro rapaz não queria demonstrar nada e pela primeira vez estava conseguindo.E continuou podendo pelo resto da semana.
Depois dessa semana o loiro não podia ficar nas masmorras sonserinas.Não queria estar perto de Candy.Queria respostas, queria paz.E por isso estava ali esquadrinhando o céu. Tentando ordenar seus pensamentos e encontrar as soluções para seus questionamentos.Suspirou e se deitou na grama fria.Sentia-se melhor naquele canto isolado dos jardins, um lugar que poucos gostavam de estar pelo vento constante e inexplicável.Mas o jovem Malfoy não se importava, achava a brisa eterna daquele lugar terna.Como uma caricia que aliviava um mal estar.Suspirou pesadamente.
– É bom saber que não sou o único que anda com mania de suspirar.
Ao escutar aquela voz Draco sentou-se de um golpe para ver seu interlocutor, não precisava saber quem era, precisava saber que não era uma ilusão.
–Potter.-disse franzindo o cenho.
–Olá Malfoy.-respondeu o moreno confirmando que realmente estava ali.Ou que Draco enlouquecera de vez.
–O que você quer?-perguntou o loiro na defensiva.
–Hum...conversar seria bom, pra começar.-disse o moreno sentando-se ao lado do sonserino.
–Você querendo conversar comigo?Assim do nada?-perguntou desconfiado.
–Não .Não do nada.Você sabe que não.-disse o moreno e suspirou-Eu... eu tenho observado você Malfoy.
–Jura?E o que o faz pensar que não sei disso?-rebateu Draco com um ar divertido.
–Eu sei que você sabe que tenho olhado.-concedeu Harry-.Mas você não sabe o que eu tenho visto.
–O que você viu?-perguntou o loiro num baixo ,contendo sua curiosidade.
–Eu vi uma pessoa diferente.Alguém que não é o bastardo que conheço.Uma pessoa que se preocupas com as outras, que tem amigos..inusitados.Eu vi uma parte sua que não sabia que existia.
–Você não sabe nada sobre mim ,Potter.Não se engane pensando que por ter algumas aulas comigo por dois anos você sabe quem eu sou.
–Eu sei disso.Agora eu sei.E.. eu ..bom...-gaguejou o moreno bagunçando o cabelo com uma das mãos.
–Você o que?-estimulou Draco.
–Eu quero te conhecer.De verdade.E quem sabe até ser seu amigo.-disse Harry encarando os olhos cinzentos do sonserino.
–Não acho que você consiga.-respondeu o Malfoy desviando olhar.
–O que?Porque ?-quis saber o moreno.
–Eu sou uma pessoa difícil.-disse simplesmente o loiro.
–Acho que pelo menos isso eu sei ao seu respeito.-respondeu Harry com um sorriso de canto.
–Não você não sabe.Eu não estou falando de insultos, brigas,ofensas e duelos.-respondeu Draco num tom cansado.
–Então do que você está falando?
–De família, de sociedade e outras coisas mais.
–Eu não entendo.
–Sei que não.Olha Potter, eu queria fazer isso.Queria mesmo.T e conhecer e até ser seu amigo , mas como eu disse : você não consegue.
–Isso você não pode dizer.Você também não me conhece tão bem quanto pensa Malfoy.
–As coisas não são simples.Nem um pouco.-disse o loiro passando uma mão sobre o rosto.
–Estou acostumado a situações difíceis.-respondeu o grifinório num tom divertido.
Draco olhou para ele por alguns momentos, como se o avaliasse e então respondeu:
–Se você quiser mesmo tentar ,vai ter que respeitar algumas regras.Você pode até não entender pra que elas servem agora,mas se conseguirmos nos conhecer você vai descobrir.
–Regras?Que tipo de regras você pode querer pra ser amigo de alguém?-estranhou Harry.
–Eu já disse que as coisas não são simples,não disse? Talvez eu te uma idéia se disser que ser seu amigo não ia agradar meu pai.Pelo contrário, ia me render algumas imperdoáveis.
–Imperdoáveis?Do que você está falando?-perguntou o grifinório.Draco franziu o cenho e encarou procurando um gesto que denunciasse a piada, quando não achou respondeu:
–Das três maldições proibidas.Usar uma delas te manda pra Azkaban direto.Sem julgamento.
–O que..o que elas fazem?-quis saber Harry, o loiro deu de ombros mas explicou:
–Depende.A Imperius te transforma em uma marionete que obedece o bruxo que lançou.A Cruciatus é maldição da tortura, provoca uma dor que pode enlouquecer.E Avada Kedrava , é a maldição da morte.Indiretamente foi ela que te deu o apelido de “menino que sobreviveu”.
–O que?Como assim?
–Como assim, o que Potter? Você é a única pessoa que sobreviveu a essa maldição.Como pode não saber disso?
–Eu disse que você também não me conhece tão bem quanto pensa.Mas espera, você disse que seu pai te lançaria uma imperdoável em sentido figurado.Não é?- o loiro o encarou sério com o olhar duro e então olhou para o céu e com os olhos ainda nas estrelas disse num tom frio:
–Esse é o tipo de coisa que não se conversa num primeiro encontro,Potter.
–Hum..é...desculpe.-balbuciou o moreno constrangido pelo uso da palavra encontro.Aquilo não era um encontro, era?
–Tudo bem.Mas então, disposto a aceitar minha regras?
–Depende.Quais são elas e porque eu devo aceitar?
–O porque você vai descobrir com o tempo.E sobre quais, eu tenho que pensar com calma.Mas por enquanto é manter segredo.Você não pode contar nosso...acordo para ninguém.Ou pelo menos pra ninguém que vá contar.O que quer dizer que não pode falar pro Weasley.Já a Granger, bom você a conhece melhor que eu e acho que sabe julgar se ela guardaria ou não segredo.
–Olha eu entendi que não posso anunciar isso porque seu pai te castigaria,mas porque eu tenho que esconder dos meus amigos?
–Eu disse que pode contar a Granger ,se achar que ela pode se manter quieta.Mas quanto ao Weasley, pense se a situação fosse a inversa.Se no fim no ano passado, ante você me...observar o Weasley chegasse e dissesse que ia ser meu amigo.O que você faria?
–Acharia que ele ficou louco.-disse o moreno para corar em seguida entendo o que significavam suas palavras.
–Ou que eu lancei um feitiço,poção ou qualquer coisa nele,certo?Isso além de gritar comigo no meio do grande Salão ou do corredor querendo explicações, ou me ameaçando .Ou seja, faria um escândalo.Entendeu,agora?
–Aham.-concedeu o moreno.
–Olha só eu disse que você não conseguiria.-disse Draco se levantando para entrar ao castelo- A gente se vê Potter.- mas antes que pudesse se afastar uma mão segurava seu antebraço.
–E quantas vezes tenho que repetir que você não me conhece tanto assim?Eu topo Malfoy.Vou aceitar suas regras, desde que não sejam perigosas ou estúpidas.
–Porque eu imporia uma regra estúpida?-perguntou o loiro.
–Eu não sei.Não costumo entender muito suas ações.-rebateu moreno ficando em pé de frente para o sonserino.
–Você não costuma entender muito de coisa nenhuma,Potter.-tirou sarro o loiro, mas então percebeu a forma como o grifinório brincava com os dedos das mãos se responder a birra.Aquilo era estranho.- Você, você está inquieto.Aconteceu alguma coisa?
Harry encarou aqueles olhos prateados e mordeu os lábios e então assentiu vagarosamente.
–Você...você gostaria de me contar?-perguntou Draco incerto
–Eu..sim.-o grifinório começou a andar de um lado a outro e então começou a falar- E eu nem mesmo sei o porque!...Isso é tão patético!..Quero dizer você é Draco Malfoy pelo amor de Merlim!Você faz da minha vida um inferno e de repente eu não consigo parar de te olhar e descubro que você não é um idiota completo.E então eu vi você dançando e Deus! Eu me senti tão mal.. era como se uma dor horrível estivesse bem aqui..-o moreno levou a mão ao peito- e então você esteve lá na enfermaria..e eu não consigo explicar como foi que fiz aquilo...mas merda! Foi tão..certo!Eu me senti! Oh droga!
Draco o olhou por um instante e seguindo seus instintos o abraçou, forte.E começou a traçar círculos nas costas do moreno com a ponta dos dedos.E disse suavemente:
–Harry se acalme.Você não está fazendo sentido nenhum.
–Você esteve mesmo na enfermaria.Até agora eu não sabia se havia sido um sonho.Mas era real.É essa sensação que eu me lembro de ter tido.Tão em paz.Tão bem.O que é que está acontecendo Malfoy?-a única resposta foi um estreitamento no abraço e então Harry resolveu chamar-Draco?
–É complicado.Muito .-disse o loiro escondendo o rosto nos cabelos negros.
–Eu descobri algo horrível hoje.E não falei sobre isso com ninguém.E então eu senti como se pudesse falar sobre isso com você.E foi muito estranho, muito estranho mesmo ,porque eu precisava te abraçar.Como na enfermaria.Como agora.Mas isso não faz nenhum sentido.
–Isso tem todo sentido do mundo.É só que você não entende.-disse o loiro baixinho.
–Então me explica.-pediu o moreno.
–Eu vou.Mas não assim.Não aqui nem agora.Não é algo simples.-disse o loiro o soltando, mas sem se afastar.
–Você adora dizer que as coisas são complicadas não?-disse Harry num tom divertido.
–Não.É só que eu queria que você entendesse como as coisas são difíceis.-disse Draco.
–Eu vou entender melhor se você me explicar como elas são.-respondeu com tranqüilidade o moreno.
–Eu vou explicar.-respondeu o Malfoy-Mas esse é o tipo de coisa que precisa de confiança, entende? É um segredo importante e eu preciso confiar em você antes de explicar.Você pode esperar?
–Você é um mistério Draco Malfoy.Como algo que ao parecer envolve nós dois é um segredo só seu? Não me diga :é complicado?
–Sim.Mais do que você imagina.Acho que é o tipo de coisa que você não vai gostar de saber.-ponderou o loiro.
–Isso sou eu quem decide.Não gosto que escondam coisas de mim.-disse Harry cruzando os braços.
–Eu não estou escondendo nada.É só que seria menos difícil se confiássemos um no outro antes de você saber.Foi ..difícil pra mim.Muito.Ainda é.E eu não sei como você vai reagir a isso.E as coisas já estão difíceis o bastante esse ano.
–É , estão mesmo.-concordou Harry pensando em Black.
–Então,mais calmo?-perguntou Draco .
–Sim.Obrigado.-respondeu o grifinório corando levemente.
–Não há de quê.O que você queria me contar?Que coisa horrível você descobriu?
–Eu..bem-titubeou o moreno.
–Você não precisa me contar ,se não quiser.-falou o loiro num tom conciliador.
–Mas eu quero.Esse é o problema.Você acabou de me dizer que temos de confiar um no outro.E por uma razão absurda eu acho que posso te contar isso.Confiar em você.
–Potter..eu..-começou Draco sem saber bem o que dizer.
–Não.-interrompeu Harry- Vamos encarar isso como um primeiro passo ,certo?Eu vou confiar em você sobre isso e quando você precisar pode confiar em mim sobre algo.E assim vamos indo, o que acha?
–Me parece bem.-disse o loiro sorrindo de leve.
–O que você sabe sobre Sirius Black?-perguntou Harry com um tom sério.
–O traidor dos Potter?-rebateu Draco franzindo o cenho.
–Como você sabe?-perguntou o moreno sem esconder o assombro na voz.
–Ele é parente da minha mãe.Um primo.Quando ele foi preso foi um escândalo.E o que foi dito publicamente é que ele era um comensal da morte e ponto.Por isso estava em Azkaban.Mas eu ouvi uma conversa dos meus pais uma vez e descobri que Black era muito próximo de seus pais .E bom não é difícil somar dois mais dois.Sua família estava escondida, teria que ser alguém próximo pra saber onde.Se Black sabia e era um comensal é quase certo que foi ele.-explicou o loiro.
–Ele era meu padrinho.-disse o moreno com a voz quebrada.
–Eu lamento Harry.- e o sonserino se adiantou e envolveu outra vez o moreno com os braços.
O moreno escondeu o rosto no peito no loiro e chorou baixinho.
–Eu não sabia,Draco.Eu nunca soube de nada sobre ele.Nada.Porque ninguém me contou?
–Harry...eles queriam proteger você.-disse o sonserino.
–Eu tinha o direito de saber!!-rebateu irritado o grifinório saindo do abraço.
–Sei disso.Mas ele está solto agora.E você sabe o que ele fez e não consegue suportar que ele esteja impune.Poderia fazer algo perigoso para pegá-lo e acabar ferido, ou morto.-disse Draco com um tom condescendente .
–Você não entende.-negou Harry.
–Certo.Se você prefere achar isso, tudo bem.Eu tenho que ir está tarde e meus amigos vão se preocupar, porque não sabem onde estou. A propósito Potter, como me achou?
–Tenho meus métodos.-disse o moreno com sorriso.
–Que tipo de métodos?-perguntou o loiro.
–Esse tipo de coisas não pergunta num primeiro encontro Malfoy.-respondeu sorrindo e continuou ansioso.-Amanhã, aqui na mesma hora?
O loiro assentiu em resposta .
–Até amanhã,Potter.-despediu-se o sonserino e deu as costas.
–Até, Malfoy.-respondeu Harry.
O moreno suspirou vendo o loiro se afastar.Quando ele havia partido puxou um velho pergaminho e sorriu agradecendo mentalmente aos gêmeos pelo mapa do maroto.Sem aquilo jamais teria encontrado Malfoy e tinha que admitir que estava muito melhor agora.Descobrir sobre Black havia sido horrível e doloroso.
Mas ter estado com Draco havia feito com que parecesse que tudo ia ficar bem.Tudo vai ficar bem.Essa sensação de segurança que tinha entre os braços do sonserino era tão inexplicável.Esperava que o loiro lhe contasse os motivos para isso, porque parecia que ele não achava isso estranho ou assustador.Era quase como se esperasse por isso.Sabendo—se um pouco mais leve e no entanto muito mais confuso Harry se dirigiu a torre onde seus amigos achavam que ele estava dormindo.Um sorriso de quem sabe que aprontou se desenhou no rosto moreno.
No outro dia quando Ron o chamou o moreno estranhou castelo vazio, foi só então que seu amigo ruivo lembrou-lhe das férias de natal.O estomago de Harry se encolheu,Malfoy teria ido?Lembrou da despedida desconfortável onde combinaram de ser ver de novo.Então o loiro tinha que estar aí,afinal se eles queriam confiar um no outro era estupidez achar que ele estragaria logo o primeiro encontro combinado com ele.Mais tranqüilo,mas não mais animado tomou café e acabou decidindo ir com seus dois amigos visitar Hagrid.E na passagem pedir explicações de porque o meio gigante lhe havia ocultado a traição de Black.
A Floresta Proibida parecia que fora encantada, cada árvore se cobrira de salpicos prateados e a cabana de Hagrid lembrava um bolo com glacê.
Rony bateu, mas não teve resposta.
— Será que ele saiu? — perguntou Hermione, que tremia embaixo da capa.
Rony encostou o ouvido na porta.
— Tem um barulho esquisito — disse. — Escuta só, será o Canino?
Harry e Hermione encostaram os ouvidos na porta também. De dentro da cabana vinham uns gemidos baixos e soluçantes.
— Será que não é melhor a gente ir chamar alguém? — perguntou Rony, nervoso.
— Hagrid! — chamou Harry, dando socos na porta. — Hagrid, você está aí?
Ouviu-se um som de passos pesados, depois a porta se abriu com um rangido. Hagrid estava ali parado, com os olhos vermelhos e inchados, as lágrimas caindo pelo seu colete de couro.
— Vocês souberam? — berrou ele, e se atirou no pescoço de Harry.
Tendo Hagrid no mínimo duas vezes o tamanho de um homem normal, isso não foi brincadeira. O garoto, quase desabando sob o peso do gigante, foi salvo por Rony e Hermione, que seguraram um em cada braço de Hagrid, e o puxaram para dentro da cabana. O guarda-caça deixou-se conduzir até uma cadeira e se largou em cima da mesa, soluçando descontrolado, o rosto brilhante de lágrimas que escorriam por sua barba embaraçada.
— Hagrid, o que foi? — perguntou Hermione perplexa.
Harry reparou em uma carta de aparência oficial aberta em cima da mesa.
— Que é isso, Hagrid?
Os soluços de Hagrid redobraram, mas ele empurrou a carta para o garoto, que a apanhou e leu em voz alta:
Prezado Sr. Hagrid.
Dando prosseguimento ao nosso inquérito sobre o ataque do hipogrifo a um aluno seu, aceitamos as ponderações do Profº. Dumbledore de que o senhor não é responsável pelo lamentável incidente.
— Bem, então está tudo certo, Hagrid! — exclamou Rony, dando uma palmadinha no ombro do amigo.
Mas Hagrid continuou a soluçar, e fez sinal com uma de suas gigantescas mãos, convidando Harry a continuar a leitura da carta.
No entanto, devemos registrar a nossa preocupação quanto ao hipogrifo em pauta. Decidimos acolher a reclamação oficial do Sr. Lúcio Malfoy, e o caso será encaminhado à Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas. A audiência terá lugar em 20 de abril, e solicitamos que o senhor se apresente com o seu hipogrifo nos escritórios da Comissão, em Londres, nessa data.
Entrementes, o animal deverá ser mantido preso e isolado.
Atenciosamente...
Seguia-se uma lista com os nomes dos conselheiros da escola.
— Ah! — exclamou Rony. — Mas você disse que o Bicuço não é um hipogrifo bravo, Hagrid. Aposto como ele vai se safar...
— Você não conhece as gárgulas da Comissão para Eliminação de Criaturas Perigosas! — respondeu Hagrid com a voz engasgada, enxugando os olhos na manga. — Eles têm má vontade com as criaturas interessantes!
Um som repentino vindo de um canto da cabana fez Harry, Rony e Hermione se virarem depressa. Bicuço, o hipogrifo, estava deitado a um canto, mastigando alguma coisa que fazia escorrer sangue por todo o soalho.
— Eu não podia deixar ele amarrado lá fora na neve! — explicou Hagrid, sufocado. — Sozinho! No Natal.
Harry, Rony e Hermione se entreolharam. Nunca tinham concordado com Hagrid sobre o que o guarda-caça chamava de "criaturas interessantes” e outras pessoas chamavam de "monstros aterrorizantes". Por outro lado, não parecia haver nenhuma maldade especifica em Bicuço. De fato, pelos padrões normais de Hagrid, o bicho era sem dúvida engraçadinho.
— Você terá que preparar uma boa defesa, Hagrid — falou Hermione, sentando-se e pondo a mão no braço maciço do amigo. — Tenho certeza de que você pode provar que Bicuço é seguro.
— Não vai fazer nenhuma diferença! — soluçou Hagrid. — Aqueles demônios da Eliminação, eles são controlados por Lúcio Malfoy! Têm medo dele! E se eu perder o caso, Bicuço...
Hagrid passou o dedo rapidamente pela garganta, depois deixou escapar um lamento, e caiu para frente, deitando a cabeça nos braços.
— E Dumbledore, Hagrid? — perguntou Harry.
— Ele já fez mais do que o suficiente por mim — gemeu Hagrid. — Já tem muito com que se ocupar só para segurar os dementadores fora do castelo e o Sirius Black rondando...
Rony e Hermione olharam depressa para Harry como se esperassem que o garoto fosse começar a criticar Hagrid por não ter contado a verdade sobre Black. Mas Harry não teve coragem de perguntar nada, não naquele momento em que estava vendo o amigo tão infeliz e amedrontado.
— Escuta aqui, Hagrid — disse Harry —, você não pode desistir. Hermione tem razão, você só precisa é de uma boa defesa. Pode nos chamar como testemunhas...
— Tenho certeza de que já li um caso de alguém que provocou um hipogrifo — disse Hermione, pensativa — e o bicho foi inocentado. Vou procurar para você Hagrid, e verificar exatamente o que aconteceu.
Hagrid chorou ainda mais alto. Harry e Hermione olharam para Rony, pedindo ajuda.
— Hum... E se eu fizesse uma xícara de chá para nós? — ofereceu-se o garoto.
Harry olhou para ele, espantado.
— É o que a minha mãe faz sempre que alguém está chateado — murmurou Rony, encolhendo os ombros.
Enquanto seus amigos acalmavam o meio gigante os pensamentos de Harry foram inevitavelmente para Draco.Ele sabia sobre a condenação do bicho?Ele concordava?Raiva, decepção e medo começaram a se misturar no moreno. Draco não podia concordar com isso.Não podia.Bicuço fora provocado pelo sonserino, não era justo que morresse por isso.
Pensou nos alunos de sangue licano que Draco protegera e sentiu um estremecimento.Por um momento havia se esquecido que as coisas só não foram piores porque o loiro havia interferido.Mas o erro também não fora culpa de Hagrid, houve um engano nas listas , não fora algo planejado para prejudicar ninguém.Isso era tão injusto!Draco definitivamente tinha razão, as coisas que envolviam esse loiro sonserino eram complicadas.
Durante a noite chegou primeiro ao lugar onde se encontraram.O canto isolado do jardim.O lugar da brisa eterna.Logo ouviu passos e viu a figura do loiro sentando ao seu lado.Os dois desejaram feliz natal com sorrisos constrangidos e sem saber muito bem o que fazer acabaram dando-se aos mãos, num cumprimento nervoso.
Logo sentaram-se lado a lado e para puxar conversa Harry perguntou sobre os amigos do sonserino.O loiro explicou que haviam ido para casa,mas que ele recebera permissão para ficar pois seus pais tinham viajado.Um silêncio incômodo pairou sobre eles por alguns minutos até Harry decidir que já que estavam se conhecendo deveriam começar pelo básico.E assim logo eles estavam respondendo e perguntando sobre cores favoritas, matérias, professores, comidas, quadribol.E conforme conversavam descobriam pontos em comum e pontos de completa oposição.Riram de algumas situações embaraçosas pelas quais haviam passado.
Até que Harry reparou em como a luz da lua transformava o garoto ao seu lado em uma figura quase etérea. Olhou as estrelas acima deles ,se lembrando de como o loiro dançara ao lado da Murta naquela sala encantada.E aquela dor conhecida se instalou em seu peito.Draco reparou e lhe perguntou o que passava.Harry duvidou em dizer alguma mentira sobre Black mas no fim acabou decidindo pela verdade:
–Eu vi você e a Murta dançando numa sala.No dia do jogo de quadribol.E eu me senti tão mal.E não sei porque. Quando você olhou pra ela , foi com amor e isso doeu.Doeu muito. E depois quando você esteve na enfermaria e ontem eu me senti bem.Eu sei que disse que ia esperar, mas eu preciso saber .Eu preciso entender isso,Draco.
–Harry...-começou o loiro com uma voz cansada
–Eu sei que você disse que tem que confiar em mim pra fazer isso. Mas então me de uma chance!-interrompeu Harry esticando a mão e segurando a do sonserino, entre a sua.
–Eu quero confiar em você.De verdade, eu quero tanto que chega a doer.-confessou o loiro apertando a mão do moreno.
–Então confie!-disse Harry ansioso.
–Eu preciso saber que isso é sério.Que não é nenhum tipo de vingança ou brincadeira.Porque se eu confiar e você me trair eu jamais poderei perdoar.-o loiro abaixou a cabeça e sussurrou – Isso me quebraria.
–Isso é sério ,Draco!Não estou te enganando nem querendo nada.Só preciso entender!-afirmou com veemência o grifinório.
–Está bem.Eu vou te explicar tudo que está acontecendo.Amanhã. Depois do jantar.Perto do banheiro feminino nas masmorras.-cedeu o jovem Malfoy.
–Obrigado.-disse o moreno sorrindo.
O loiro assentiu e Harry se deitou na grama para olhar as estrelas e sem soltar a mão que segurava convidou o loiro para fazer o mesmo.Passaram um bom tempo olhando o céu mergulhados num silêncio leve, apenas sentindo a proximidade um do outro.Naquela noite Harry sonhou com Draco dançando entre estrelas e planetas, mas dessa vez seu par não era a Murta. Era um grifinório de olhos verdes esmeralda.
No outro dia Harry teve que agüentar a frustração de ter sua novíssima Firebolt tomada pela professora Minerva para ser desmontada.Só para prevenir que não fosse um truque de Black.Não pode evitar sentir-se irritado com Hermione por ter contado a professora sobre o presente,mas reconhecia a boa intenção da amiga.Conseguiu acalmar o humor quando lembrou que começaria as aulas com o professor Lupin para aprender a se defender dos dementadores. E o melhor era que esse encontro encobriria sua reunião com Malfoy depois do jantar.
Depois da reunião com Lupin o moreno praticamente voou para as masmorras para esperar o sonserino.Quando estava lá diante do banheiro,perdido em seus pensamentos, uma mão pousou em seu ombro.Ele se girou com sorriso, que murchou ao dar de cara com os gêmeos Weasley.
–Nossa Harry.Até parece que não gostou de nos ver!- queixou-se Jorge.
–Não é isso.-começou a se justificar o moreno
–Claro que não!-Concordou Fred o interrompendo.- É claro que ele gostou de nos ver! E vai gostar ainda mais de saber que pode contar com nossa preciosa ajuda!
–Ajuda?Em que?-estranhou o moreno
–Em se vingar de Malfoy!-disse Jorge com um sorriso.
–Me vingar?
–É nós soubemos do Bicuço,parceiro.-disse Fred.
–E também vimos você se aproximando Malfoy, pra se vingar pelo que ele fez com Hagrid que adora aquela coisa.-completou Jorge.
–E por isso resolvemos ajudar.Não sabemos qual seu plano.-falou Fred
–Mas pode contar com a gente.Aliás temos até uma idéias....-continuou Jorge.
Só que Harry não ouviu qual eram as idéias.Seus olhos estavam cravados em um ponto atrás dos gêmeos.Onde a figura de Draco Malfoy o encarava. Nas mãos do loiro havia um pequeno livro vermelho.No rosto a decepção, e nos olhos havia tristeza.Sem dizer uma palavra o loiro deus as costas aos grifinórios e saiu.Na mente do moreno a voz do loiro retumbou:
“-Eu preciso saber que isso é sério.Que não é nenhum tipo de vingança ou brincadeira.Porque se eu confiar e você me trair eu jamais poderei perdoar.”
Harry sentiu os olhos arderem e um frio intenso se apoderou de seu corpo.Um frio que nem todos os dementadores do mundo podiam igualar.O frio de um adeus ferido que invadiu seu peito como o maior e mais cruel dos invernos.
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