La mia mitá

10 Tempestade


Notas iniciais
Oi gente! Esse capitulo é dedicado a ->Lenny Àvila ->Caele Agradeço demais pelas recomendações! Esse capitulo foi sofrido pra sair, e por isso tem um sabor especial que eu espero mesmo que vocês duas curtam de verdade ! A música do começo do capitulo é tradução de Storm do lifehouse.Recomendo muito que ouçam quando a letra aparecer. https://www.youtube.com/watch?v=Dn7pWm4i0ZU.

Draco entrou no quarto com um brilho de contentamento nos olhos.Era estranho estar em seu dormitório completamente vazio ,mas as férias de natal estavam acontecendo e por mais esse ano decidira ficar na escola , era mais seguro.De certa forma agradecia estar sozinho e não ter que esconder que estava contente ou no caso de Theo e Blaise, que não poderiam deixar de perguntar, ter de explicar porque estava assim.

O som de batidinhas em sua janela o tirou de sua distração, era a coruja de seu pai,Lúcifer.Ele a deixou entrar e pegou o embrulho que trazia.Havia um curto bilhete e um vidro pequeno com uma poção vermelho sangue.Suspirou fundo , aquilo não era uma coisa boa.Mais uma etapa de treinamento.Pois é, podia fugir de estar em casa, mas não podia escapar de seu pai , de seu treinamento.Colocou o vidrinho sobre a mesa.Esticou as mãos e observou os tremores.Eram leves só podiam ser notados quando estendia os dedos,mas nunca passariam.Eram conseqüência da maldição Cruciatus.Não havia cura para isso.

Cerrou os olhos por um instante, precisava sair dali.Andou sem perceber por onde caminhava e quando deu por si estava na entrada da sala de música.Entrou e foi até o centro do palco.Lá um microfone o esperava,como se o cômodo adivinhasse o que ele sentia sem que fosse necessário dizer.Segurou o aparelho entre as mãos,nas paredes uma guitarra brilhou e apareceu junto a ele que a tomou se posicionando diante do microfone.Deixando-se invadir por suas memórias, seu treinamento,suas dúvidas e medos começou a cantar, permitindo que as notas e palavras se preenchessem com suas emoções.

Quanto tempo eu estive nessa tempestade?

Tão oprimido com o oceano sem forma

Está ficando mais difícil andar na água

Com essas ondas quebrando sobre minha cabeça


Seus pensamentos foram invadidos por um par de olhos esmeralda, aquela esperança sutil recém nascida pulsava em seu peito.Aquele garoto magrelo e despenteado que era seu amor destinado.Uma promessa de vida para seu coração.Uma promessa de vida que parecia querer se realizar agora.Eles conversaram e ele descobrira que o moreno sentia algo além de ódio.Por Merlim!Ele sentia-se bem, protegido.Esse amor tão pleno podia finalmente acontecer?Ele queria crer que sim.Queria poder sentir isso também.Queria sentir-se seguro.E havia uma forma disso acontecer.De afastar a escuridão.

Se eu pudesse apenas ver você

Tudo estaria bem

Se eu pudesse ver você

Esta escuridão se tornaria luz

Ele precisava confiar em Potter.Acreditar em...Harry.Estranho como um simples nome parecia ter todo um sabor. Sabor de vida, de promessa, de felicidade.Felicidade.Essa palavra parecia distante.Não que ele fosse uma pessoa infeliz.Não era isso.Era..incompleto.Sempre faltava algo.Faltava ele.Faltava saber que existia alguém que sempre estaria lá ,apesar de toda dor.Apesar da escuridão e de todos os problemas.Por causa de todos os pesares.

E eu caminharei na água

E você me pegará, se eu cair

E eu me perderei nos seus olhos

Eu sei que tudo vai dar certo

Eu sei tudo está bem

Não estava em sua natureza confiar.Se fosse qualquer outra pessoa tentando alcançá-lo em meio ao caos, se fosse qualquer outro alguém... ele jamais cederia.Mas não era qualquer um.Era Pot..Harry.Era sua mitá. Aquele que iria ser seu amor, a pessoa que mais o amaria e aquela que mais iria amar.Tinha de confiar.Talvez fosse um erro.Mas ele confiava.Ele decidira dizer sim.Havia escuridão ao seu redor e ele sufocaria em algum momento ,sozinho.Essa escuridão tão familiar e tão mortal.

Eu sei que você não me trouxe aqui para me afogar

Então por que estou a 10 palmos e de cabeça para baixo?

Apenas sobreviver se tornou meu propósito

Porque estou tão acostumado a viver debaixo da superfície

Ele sempre soubera que o amor era a chave.Seu guia para fora da escuridão, mas nunca antes fora assim.Era diferente agora porque estava ao alcance de suas mãos.Estava mesmo acontecendo ao seu redor. E era bom.Era Harry. E estaria ao seu lado.Mesmo com todas as dificuldades.

Se eu pudesse apenas ver você

Tudo estaria bem

Se eu pudesse ver você

Esta escuridão se tornaria luz


Ele queria apenas que a noite passasse rápido.Que o próximo dia voasse.E finalmente ter aquela conversa.Sabia que seria difícil, mas tinha fé que daria certo.O caminho poderia ser escuro e frio mas também seria lindo.Por causa da beleza desse amor que apenas nascia.Seria belíssimo.

E eu caminharei na água

E você me pegará, se eu cair

E eu me perderei nos seus olhos

Eu sei que tudo vai dar certo


Ainda que fossem filhos de mundos distintos e partilhassem uma só memória que construía uma história de raiva,poderiam conseguir.Podiam deixar todas as memórias antigas partirem como chuva que limpa os céus e construir novas.Lembranças de amor.Onde um seria o braço forte do outro.

E eu caminharei na água

E você me pegará, se eu cair

E eu me perderei nos seus olhos

Eu sei que tudo vai dar certo

Ele queria todo amor e atenção que Harry soubesse dar, e em troca entregaria todo seu ser, sangue,alma,magia.Cada parte do amor que um dia pudesse ter.Cuidaria de Harry com sua vida, e teria um refúgio seguro para ir.

E eu caminharei na água

E você me pegará, se eu cair

E eu me perderei nos seus olhos

Eu sei que tudo vai dar certo

Eu sei tudo está bem

Haveria uma rocha segura no meio do oceano, para onde poderia remar no meio da tempestade.Eles seriam protegido e abrigo.E enquanto estivessem juntos encontrariam uma forma de lidar com toda tempestade.

Tudo está bem

Tudo está bem

Draco abriu os olhos quando as ultimas notas da canção se perdiam na sala.Sorriu.Tudo ficaria bem.Tinha de confiar.Voltou ao seu quarto com passos lentos e tranqüilos.Adormeceu sem recordar do frasco sobre a mesa.O dia não voou como ele desejava.Na verdade se arrastou, encerrando semanas inteiras em cada minuto.Estava tão ansioso que não conseguiu jantar.Sabia que o moreno tinha um compromisso com Lupin antes de encontrá-lo e sua impaciência só fazia crescer.

Quando a hora chegou pegou o livro vermelho de Ravenclaw.Apalavra de uma fundadora era um respaldo mais que confiável .E ,por mais irritante que fosse admitir, necessário.A ligação em si era assustadora , agora a condição deles de rivais complicava a credibilidade de tudo aquilo.Por isso o livro.Para que o moreno aprendesse com calma.E soubesse que nada era uma piada. Bufou .Se ele fosse sangue puro seria tão mais fácil! Poderia perguntar a alguém mais velho e confiável. Mas mesmo não sendo ele poderia perguntar aos senhores Weasley , ou algum ruivo mais velho.Alguma utilidade o clã de ruivos teria de ter.Apertou o passo, o moreno já deveria estar esperando.

Alcançou o corredor e ouviu vozes. Se aproximou e vou Harry conversando com os gêmeos Weasley.Se aproximou para ouvir o que estavam dizendo.

–Nossa Harry.Até parece que não gostou de nos ver!- queixou-se Jorge.

–Não é isso.disse o moreno

–Claro que não!-Concordou Fred o interrompendo.- É claro que ele gostou de nos ver! E vai gostar ainda mais de saber que pode contar com nossa preciosa ajuda!

–Ajuda?Em que?-perguntou Harry.

–Em se vingar de Malfoy!-disse Jorge.

Draco sentiu as pernas tremerem. Vingança?Que vingança?

–Me vingar?-perguntou o menor.

–É nós soubemos do Bicuço,parceiro.-disse Fred.

–E também vimos você se aproximando Malfoy, pra se vingar pelo que ele fez com Hagrid que adora aquela coisa.-completou Jorge.

Draco apertou o livro com força.Então..era uma vingança.Por um hipogrifo estúpido.

–E por isso resolvemos ajudar.Não sabemos qual seu plano.-falou Fred

–Mas pode contar com a gente.Aliás temos até uma idéias....-continuou Jorge.

Nesse momento Potter olhou diretamente para Draco, e o loiro viu a expressão do grifinório se torcer em surpresa.Ele não deveria estar ali.Em outra ocasião poderia sorrir em zombaria, agora só podia sair dali.Suas pernas o levaram, velozes, mas o garoto não registrava o caminho. Apenas se deixava levar por essa insana necessidade de se afastar.Seu corpo começou a dar sinais de que o esforço era demasiado e então ele finalmente parou,olhando ao redor se deu conta de estar no bosque proibido.

Sua mão desceu para o bolso,afoita, então ele ergueu a varinha:

–Bombarda!-gritou apontando uma das árvores que se despedaça.

–Reducto!Diffindo!-disparou em direção a outras ,com a visão está desfocada e uma pressão no peito seus joelhos cedem.

Apoiando o peso nas mãos gritou.Gritou com toda força que seus pulmões possuem.Tentando expulsar essa dor que parecia estar ferindo diretamente seu coração.Mas a dor não sumia, e ele não deixou de gritar.Até seus braços o derrubarem e ele se enrolar sobre si mesmo. Podia sentir sua pulsação acelerada em sua cabeça.Podia sentir o ar forçando passagem para dentro de seus pulmões.E respirar doía como seu houvessem costelas quebradas em seu tórax.

Podia sentir seu coração acelerado e era estranho porque de alguma maneira também doía.Como se seu sangue queimasse.Outra esperança morta.Mas dessa vez doía mais.Ele sabia suportar as dores da tortura , as poções as aliviavam em algum momento.Mas essa dor. Essa dor de desilusão só podia ser aliviada por lágrimas.Lágrimas que ele não sabia derramar.

Se levantou, precisava voltar.Tinha de voltar para o castelo.Mas não queria, não podia encara seu dormitório agora. Precisava de apoio.Candy.Ninguém melhor para entender a necessidade de chorar para aliviar a pena.Se apressou para alcançar o banheiro.Praticamente arrebentou a porta.

–MAS O QUE VOCÊ...?!- a fantasma bradou ao invasor parando com a boca meio aberta ao vê-lo.

–Candy...- ele disse com a voz rouca pelos gritos.

–Draco.O que , o que aconteceu?-perguntou ela flutuando para perto dele.

–Eu preciso de você,dói.-Ele disse buscando um canto onde se apoiar nas paredes.

–Dói?Você está ferido?Quer que eu chame ajuda?-perguntou preocupada.

–Não.Eu... eu acabei de ter o coração partido.Céus!!Que frase mais clichê e odiosa!!-disse o loiro escondendo o rosto nas mãos.

–Coração partido?Você estava com alguém que te magoou?-perguntou ela se ajoelhando ao lado dele.

–É mais do que isso.É a ligação.-explicou o sonserino.

–A ligação?Espera..quem fez isso foi sua mitá?- o loiro assentiu- Mas vocês não se odiavam?

–Nós conversamos, sabe?Eu precisava tanto dele, queria tanto estar com ele.Sentir esse amor.E ele parecia sentir algo bom também.Iríamos tentar Candy.Ele me fez acreditar que poderíamos ter um ao outro.Mas era mentira.

–Mentira?O que ele fez?

–E-ele queria se vingar de mim.E tinha que se aproximar pra me machucar.Eu sou tão idiota!

–Você não é idiota Draco.Você confiou nele porque ele é sua mitá.

–Eu preciso fazer essa dor diminuir...eu não consigo suportar.Me ajude!!

–O que eu posso fazer??-perguntou a fantasma aflita.

–Me ensine..me ensine a chorar.-pediu o garoto.

–Sabe Draco nem todas as lágrimas precisam ser de água e sal.Muitas vezes os choros mais amargos são diferentes.Você entende?

–Eu ...acho que sim.Preciso ir a um lugar.Vem comigo?-perguntou hesitante o loiro.

–Claro.-respondeu ela

Os dois foram até a sala de música.Lá o garoto viu a partitura e a letra da música que cantara no dia anterior.Sacou a varinha e a queimou.Aquilo era só mostra de sua estupidez.Pediu sua guitarra,mas dispensou a palheta.Começou a tocar,olhos fechados respiração curta e pesada.Sentiu o sangue quente escorrendo de seus dedos,mas não parou. Cada gota de sangue era como uma lágrima.Uma lágrima que seus olhos não vertiam.

Aquele sangue parecia ser vertido diretamente de seu peito, onde essa ferida abriu caminho até se cravar em seu coração. Eram lágrimas amargas . Tão amargas como só podem ser as lágrimas de um verdadeiro dragão,cheias de desesperança, de desamor.Até que ele parou e abriu os olhos.Buscou a figura da fantasma e a viu diante de si, com o rosto tenso e preocupado.

–Ah Draco, eu posso ver seu choro meu amigo.Posso ver todos os sinais de que elas percorrem sua alma.Consigo enxergar sua tristeza em seus olhos abertos e repletos de dor.Posso sentir o cheiro férreo de sangue .E não sei o que dizer para consolar seu sofrimento.Nunca tive um amigo antes.E me dói tanto não poder ajudar em nada.

–Eu não preciso de palavras de consolo ,minha querida.Apenas preciso chorar toda minha pena. Chorar aqui ao seu lado.Essas lágrimas doloridas de sangue e dor.E preciso de sua ajuda, que me ajude a chorar.Sem palavras de consolo, sem reprimendas, apenas estando aqui ao meu lado.

–Eu estou aqui.Chore toda sua pena.Vou amparar suas lágrimas amargas, e chorar contigo minhas lágrimas frias.

O menino loiro sentiu o frio de ser envolvido em um abraço fantasmal.Candy vertia silenciosamente suas lágrimas etéreas que desapareciam ao escorrer em seu queixo.Draco voltou a tocar,ele estremecia de vez em quando nos momentos em que respirava profundamente.Chorava sem exprimir nem um soluço, nenhum lamento.Se alguém o surpreendesse ali não veria suas lágrimas tampouco.Mas ele chorava e o fazia para deixar sair sua esperança partida.Sua mais nova desilusão.

Podia sentir sua magia inquieta impulsionando a abandonar toda dor e voltar a odiar.O ódio era seguro ,era forte, bom e seguro.O amor era frágil.Não deveria existir.Um erro.Amar era um maldito erro. Ele soubera no trem no primeiro ano.Soubera que não fora feito para o amor e sim para o ódio mais visceral que um mago podia sentir. Um ódio nascido de amor.Mas quisera esse amor.Quisera que houvesse força para guiá-lo para fora de sua própria escuridão.Quisera que ao andar pelos labirintos cheios de trevas seu fio de Ariadne fosse forte.Feito de suas amizades, das emoções que podia libertas em sua música não seria forte o bastante.Seu guia necessitava de amor.

Não desejava ser dominado pela escuridão.Porque tinha medo.Medo de se tornar algo inumano ao permitir que a escuridão avançasse.Esse medo de esquecer de seus amigos, medo de não se importar com sua mãe.Medo de não ver ternura e amizade em uma fantasma.Medo de esquecer seus avós que já não existiam.Medo de não querer amor de seu pai.Medo.O mais puro medo de se tornar uma besta com sede de poder e sem sentimentos.Medo que sentia cada vez que treinava com seu pai e sentia uma fera dentro de si crescer e urrar por liberdade.Um instinto escuro e malévolo que habitava alguma parte de si. Se esse instinto governasse sua parte humana simplesmente sumiria.E o que restaria de si mesmo? Era pior que morrer.Era a aniquilação de si mesmo.Era a destruição de sua alma.E ele temia isso.

Por temer a escuridão desejara esse amor.Esse amor que lhe dera ódio ao ter sua existência negada quando seu parceiro o rejeitou.Esse amor que estava destinado a ser tão grande que impedia que ele amasse plenamente a qualquer outro.Esse amor que podia ser tudo , mas que não era nada mais que dor.Esse amor que não podia ser. Esse amor , tão maldito. Maldito porque lhe condenava a desconhecê-lo.Ele sabia tudo que poderia ser e não era.E esse conhecimento o amarraria por toda sua vida.Fazendo com que só pudesse ter com algum outro luxuria ,com sorte ternura ,mas não amor romântico.Não plenitude.

Como algo podia ser tão grande que o vazio que sua ausência deixava não podia ser preenchido?O menino não sabia.Mas entendia que aquele vácuo era eterno.Nada ocuparia aquele lugar onde o amor deveria estar.Nada a não ser , talvez, seu ódio.Não havia escolha, nunca houvera.Por ter acreditado , ainda que só por alguns dias, que poderia escolher , que podia forjar uma amizade onde o amor encontraria terreno para nascer, agora estava ferido.

Nunca poderia dizer quanto tempo passou ali.Chorando suas lágrimas invisíveis, tendo por único consolo sua amiga morta.Horas, dias, milênios. Não importava.Tudo que importava era que seu pranto havia cessado por hora. Ainda estava ferido, e essa ferida latejava.Mas não havia nada a fazer.Em algum momento a ferida cerraria deixando para trás um feia cicatriz.Uma cicatriz que só seria vista se um dia seu coração fosse arrancado do peito.E nesse dia ali estaria ela, bem ao centro daquele órgão , marcando quão grande fora sua decepção.

Despediu-se de sua amiga agradecendo o apoio recebido.Fechou as feridas nos dedos para que deixassem de sangrar.As finas cicatrizas podiam passar despercebidas.No caminho parou diante de uma janela e fitou seu reflexo.A máscara Malfoy encobria tudo, um rosto duro sem expressão, portador de olhos de aço frios e implacáveis.Nesse instante era só uma máscara , mas de agora em diante seria apenas questão de tempo.Tempo para que se tornasse sua verdadeira face.Uma onde a escuridão fosse dominante.

E mesmo sabendo disso, mesmo tendo plena consciência quer não poderia afastar a escuridão para sempre, ele tentaria.Lutaria com suas próprias forças, com seus amigos, sua música, seu ódio.Até que não pudesse mais. Faria com que sua chama de vida ardesse com fúria, queimando a si mesmo.Para que quando a hora chegasse e a escuridão vencesse,não houvessem arrependimentos, ou dor. Para que tudo que deixasse par trás de seu verdadeiro eu fosse um monte de cinzas.Um monte de cinzas a ser espelhado pelos ventos fazendo do esquecimento uma paz que vivo jamais teria.

Um sorriso cheio de pesar e resignação formou-se em seu rosto.Porque por mais uma vez ele era diferente dos demais.Morreria e deixaria seu corpo vivo para trás. Um corpo cheio de poder e trevas.A mais mortal das armas jamais forjadas por mãos humanas.E assim terminaria como nasceu : diferente de todos a sua volta.

Nascera com carga de ser especial, o único varão produzido por união entre Blacks e Malfoy. A terceira e última união entre essas famílias desde que ambas existiam.Crescera dotado dos traços incomuns dos Malfoys que o faziam destacar entre as outras crianças.Ninguém mais tão loiro, tão claro.E mesmo sendo todo um Malfoy fora a Academia em que todos os Black foram educados antes de Hogwarts.Ganhando assim dessa família não só a elegância e o amor pelo céu, como também sua rebeldia silenciosa.Era portador de uma rara condição entre os bruxos : a ligação de lá mitá.E sua ligação se forjava no ódio, o que era ainda mais excêntrico.E ainda tinha dentro de si o dom de ser um dos antigos senhores de dragões.Era em si mesmo algo raro, talvez único.

E agora odiava isso ,antes ser único era ser especial ,mas agora era diferente.Porque o condenava a mais triste das solidões : aquela que é acompanhada. Por mais próximos que seus amigos fossem, que Theo fosse, ainda existiram coisas que ele não entenderia.Coisas que seu amigo só podia conhecer ao imaginar e isso algumas vezes não basta.Algumas vezes se necessita alguém que viveu algo parecido para ser compreendido.E ao ser Draco tão semelhante e tão distinto esse alguém lhe faltava.Essa compreensão incondicional lhe faltava.Por isso sua singularidade era algo que desprezava.

Se fosse normal um primeiro amor não seria mais que uma lembrança, se fosse normal poderia se perder anônimo em uma multidão, se fosse normal teria uma família gentil onde se apoiar, se fosse normal teria amores e desamores indo e vindo pela vida, se fosse normal sua alma estaria segura, se fosse normal suas lágrimas seriam gotas de água e sal.Se avistasse uma estrela cadente pediria com toda sua fé ser simplesmente um igual, um menino qualquer, um homem normal.

Mas ele não avistou nenhuma, e não iria mais se lamentar por isso.Era hora de seguir em frente e fazer o que um sonserino fazia de melhor : se adaptar.O vulto de um dementador passou pela janela, olhar a grotesca criatura lhe rendeu um arrepio e uma idéia que curvou levemente seus lábios.Vingança podia ser uma palavra doce.E haviam pessoas no castelo que mereciam ser alvos de uma pequena revanche.

Quando pediu a Greg,Vince e Blaise que lhe fizessem um pequeno favor durante o jogo de quadribol Grifnória x Corvinal nenhum dos três se negou.Atormentar os leões era praticamente um esporte para qualquer sonserino.No entanto Pansy e Theo perceberam que havia algo mais que simplesmente irritar a Potter nesse plano.E como não poderia deixar de ser , perguntaram ao loiro o que havia por trás da idéia de assustar o leão com falsos dementadores.Mas Draco não queria explicar e usou a poção que seu pai enviara para desviar o assunto.

No dia da partida seus planos não saíram como deveriam.Viu da arquibancada como Potter se defendera usando o feitiço do Patrono.Mas claro que sim, o garoto de ouro não estaria indefeso não é mesmo?O príncipe sonserino sentiu-se extremamente frustrado.Queria tentar outra coisa, ou quem sabe seguir atrás das outras pessoas contras as quais queria revanche.No entanto ,por hora ,deveria focar-se na maldita poção.Já adiara demais e não queria uma visita de Lucius.Estranho como em sua mente de ,alguma forma, estava se tornando mais fácil chamá-lo assim do que de pai.Estranho e doloroso.Draco sempre quisera o amor e a aprovação do pai.Quando isso começara a mudar?Estava realmente mudando?Essa mudança alterava algo em sua vida?Não sabia e não queria pensar nisso.Não ainda.

Foi visitar Severus e avisar sobre a poção.Seu padrinho ficou furioso ao verificar o conteúdo.Era a poção da lua vermelha.Uma antiga fórmula dos druidas usada para executar alguém que cometera um crime,mas merecia morrer com honra.De acordo com as lendas somente os senhores de dragões podiam sobreviver a ela.Seu único antídoto fora descoberto pelo próprio Dumbledore como o terceiro uso para o sangue de dragões.Especificamente nesse caso o sangue dos Dragões Cinzentos do Himalaia.

Mesmo com os protestos de seu padrinho, Draco decidiu tomar a poção.Se as lendas estivessem certas sobreviveria sem ajuda ,caso contrário Severus lhe daria o antídoto antes que fosse muito tarde.Pediu ao adulto que explicasse a situação a seus amigos que ficaram furiosos com Lucius por ordenar aquilo, com Draco por aceitar e com Severus por não enfiar algo de juízo a força na cabeça loira do herdeiro Malfoy.

Quando estiveram mais calmos organizaram turnos para que um deles sempre estivesse com Draco. Os efeitos normais da poção buscavam punir sem humilhar ou torturar por isso se limitavam a uma febre crescente, delírios e finalmente morte.Mas em se tratando do caso especial de Draco ninguém saberia dizer com exatidão, já que muito do conhecimento relacionado aos antigos senhores se perdera transformado em mito.

Com alguns minutos de exposição a poção o loiro sentia-se sonolento.Blaise ,que faria o primeiro turno ,o acompanhou até o quarto.Draco dormiu e sonhou que estava em um abismo, pendurado sendo sustentado por uma mão.Quando ergueu os olhos para pedir a seu salvador que o puxara se deparou com Potter, que lhe sorriu maliciosamente antes de soltar sua mão.O garoto loiro caiu sem gritar, não daria esse gosto ao moreno.

Acordou assustado e arfante.Estava com frio.Com muito frio.Levou a mão ao rosto e o sentiu úmido.Estava suando,mas tinha tanto frio.Devia ser a febre.Precisava baixá-la, precisava de um banho, uma voz em sua mente lhe advertia que não podia ir ao banheiro comum sonserino assim.Podia ir ao banheiro privado de seu padrinho.Podia...se levantou sentindo os pés protestarem ao encostarem no chão frio, pegou a varinha.Olhou ao redor e viu uma grande figura dormitando em uma cadeira do outro lado de sua cama.Greg?Vince? Não sabia, precisava baixar a febre..banho.Cambaleante Draco se aproximou da grande figura,que resultou ser Greg.

–Greg....-chamou baixinho.

–Draco?-perguntou acordando-O que aconteceu?

–Banho..febre- respondeu o loiro

O maior levou a mão ao rosto do menor e comprovou que ele ardia em febre.

–Não posso te levar ao banheiro comum.

–Severus..

–Tá,vou dar um jeito e te levo.- Greg então mudou a cor dos cabelos ,marca Malfoy, para que pudessem sair sem chamar atenção.-Consegue andar?

–Sozinho não...cansado.

–Tudo bem então se apóie em mim e vamos.

Os dois saíram e foram aos aposentos do professor de poções.No caminho com a visão um tanto turva Draco viu um grande cão negro se enfiando em um estreito corredor atrás de uma armadura.Estranho,cães não eram permitidos na escola.Pensou em perguntar se o amigo havia visto também mas descartou a ideia, talvez fosse um delírio febril e nada mais.

A poção levou mais dois dias para perder o efeito.Quando o sonserino estava bem novamente enviou um relatório ao pai do que tinha acontecido, sabia que Severus faria o mesmo e no fim Lucius conferiria os dois relatos.O garoto não se lembrava de deus delírios, exceto pelo grande cão negro.

Como a figura não saía de sua mente resolveu olhar aquele corredor só para tranqüilizar sua mente inquieta.Não podia ser nada importante, não é mesmo?Se enfiou pelo corredor era estreito.Sacou a varinha para iluminar melhor o caminho,observou as paredes.Viu um símbolo em uma das paredes.Uma serpente alada, o símbolo dos príncipes da sonserina.Suspirou sentindo-se mais seguro.Os lugares com aquele símbolo respondiam ao príncipe da sonserina, como se estivessem ligados a sua magia e talvez estivessem mesmo.

O corredor terminava em uma pequena escadaria que descia aparentemente a nenhum lugar, o garoto a seguiu para se deparar com um pequeno cômodo circular.Havia algumas velhas mantas pelo chão, restos de comida e olhando diretamente para ele um enorme cão negro.Draco levou uma mão até a parede mais próxima e disse:

–Locked.

A parede rangeu e se moveu atrás dele, trancando os dois lá dentro.O menino olhou o cão, aqueles olhos não se pareciam nada com o de um cão comum, tinham coisas demais.Sombras que os animais desconhecem.Era um animago tinha certeza, se concentrou no cheiro dele , definitivamente magia de mago.

–Podemos fazer as coisas de dois jeitos:o fácil ou o difícil- disse olhando o “animal”.-Essa sala responde a mim e não vai se abrir.Eu poderia deixá-lo aqui e chamar meu chefe de casa.Sonserina, se quer saber.Eu poderia forçá-lo a assumir forma humana. Você não tem varinha para se defender de mim.E acredite eu poderia ser bem sádico se quisesse, não pense nem por um segundo que perna de gelatina é a pior coisa que pode te acontecer.Por causa de tudo isso eu sugiro que façamos as coisas do jeito fácil, assuma sua forma humana e responda minhas perguntas.

O cão continuou a olhar o garoto, e Draco tinha certeza ter ouvido um rosnar contido.Esperou, nada aconteceu.Suspirou porque as coisas tinham que ser sempre difíceis?Suspeitava da provável identidade do animago diante de si ,mas não o temia.Sabia se defender e estavam em seu território, que por sinal lhe obedecia.Ergueu a varinha e murmurou algo, um raio azul saiu de sua varinha e impactou no cão.Que contorceu até que em seu lugar havia um homem.Um homem magro,sujo, de cabelos negros e olhos cinzentos.Draco não precisou de um segundo olhar para reconhecer Sirius Black.

–Black.-saudou.

–Malfoy, eu presumo.-disse o homem no chão.

–Black Malfoy.Pra ser exato.Tio.–respondeu o loiro acentuando a última palavra.

–Não tenho parentesco com você.Fui expulso da família, como deve saber.- disse o homem sentando-se no chão.

–É eu soube sim- disse o loiro-Mas não tiraram seu sobrenome , e mesmo que tivessem vínculos de sangue não são facilmente apagados, pra sua infelicidade.

–Tem razão, se eu pudesse me livraria de qualquer vínculo que me une a gente como você.

–Gente como eu?E por acaso você tem alguma idéia por mais remota que seja de que tipo de gente eu sou?

–Sangue puro, esnobe e preconceituoso.Filhinho mimado de papai, sonserino cercado de guarda costas.Bastardo que se acha superior a todos e se mete com sangues ruins, mestiços e qualquer um que atravesse seu caminho.-recitou Sirius com um olhar despectivo.

–Sangue puro, esnobe e preconceituoso.-repetiu Draco- Acho que isso define melhor você do que a mim.Afinal de contas nunca me viu antes e já julgou e categorizou como quis.E se há alguém aqui com motivos para isso sou eu.Afinal o assassino louco e fugitivo de Azkaban é só mais um lunático idiota.Pena.Muita mesmo.-disse o loiro dando as costas ao homem.

–Não acha perigoso dar as costas a uma assassino louco?-perguntou a voz rouca de Black

–Não nessa situação.Essa sala responde a minha magia no remoto caso de que você tomasse minha varinha eu não precisaria fazer nada ,esse lugar me defenderia te dando uma caída espetacular removendo os ladrilhos do chão ou te amassando entre as paredes.-o loirinho se voltou para o homem-E depois você nunca poderia se aproximar o bastante para me tomar a varinha, sou uma mago o bastante hábil para te deixar inconsciente de dez formas diferentes antes mesmo que consiga se por em pé. Além disso se fizesse meu estilo poderia parti-lo ao meio com as mãos nuas.

–Hahaha.Voce é hilário anãozinho.Mago hábil, partir-me em dois?Os sonserinos não mudam , sempre alardeando mais do que jamais fariam.-zombou o adulto

Draco ergueu uma sobrancelha, e sacou a varinha convocou as mantas debaixo do homem, com outro girar de varinha as converteu em uma lança pequena de metal.A levantou e com um impulso poderoso do braço a fez se cravar na parede pouco acima da cabeça de Black.O homem arregalou os olhos e se levantou para apalpar a lança,depois com algum esforço a retirou da parede e assobiou.

–Impressionante.

–Grifinórios, sempre se prendendo a demonstrações de força bruta.Não passam de homens das cavernas.

–Como sabe que fui da grifinória?-perguntou o adulto um tanto surpreso.

–Fácil, nenhum membro de outra casa seria tão estúpido assim.-zombou Draco.

–Certo.Você é um moleque muito esquisito.

–Oh claro isso vindo de um fugitivo maluco é realmente preocupante.

–Deveria ser, já que você está aqui ao invés de indo atrás dos dementadores.

–Isso não quer dizer que eu não vá atrás deles.Mas quero saber sua versão da história.

–Minha versão.De que?

–De sua história do que mais?Diferente de você ou gente da sua laia , eu costumo me ater aos fatos não a preconceitos.

–E como vai saber que não estou te mentindo?

–Fácil.Vou usar legerimencia, pode ser a força ou com sua colaboração.Mas já aviso sou principiante nisso, se tentar invadir sua mente a força é bem capaz que eu arrebente sem quer com algo importante na sua cabeça.

E olhando a expressão seria do menino a sua frente Sirius não duvidou, aquele garoto parecia muito mais velho do que deveria ser.Sentou-se novamente e assentiu.O garoto levantou a varinha e logo milhares de lembranças desfilaram diante de ambos os olhos.Até aquela horrível noite onde encontra os corpos de seus melhores amigos mortos e partia em busca de Pedro,para terminar naquela horrível prisão.Atordoado Sirius se surpreendeu quando escutou gargalhadas.Draco ria desesperadamente na frente dele, por mais que parecesse tentar parar não parecia estar se saindo de todo bem.

–Me d-desculpe.-pediu o menino arfando-É que céus!Você é tão azarado!E eu pensando que tinha problemas na minha fudida. Você consegue me superar, por uma margem pequena,mas consegue.

–Margem pequena?Como exatamente toda essa merda na minha vida é margem pequena?

–Porque toda essa merda na sua vida é passado.E na minha é presente e futuro também.-explicou o garoto já sério outro vez.

–Oh e o que é tão terrível assim?Não ter uma vassoura nova?Oh não espere, não ter a garota mais popular da escola?

Draco ergue o braço e esticou os dedos, fazendo perceptível seu leve tremor.

–Ve?Isso é resultado da Cruciatus , e devo dizer que tenho sorte.Poderia ser pior muito pior.

–Cruciatus?Como diabos um moleque que mal saiu das fraldas pode ter passado por isso?

–Treinamento.Você notou que eu tenho algumas características incomuns.

–É talvez eu tenha reparado quando você cravou essa lança na parede.E então qual é o grande segredo?Sangue veela?

–Não.Digamos que eu tenho muita magia e que essa força é uma forma de defesa.Estou crescendo tenho muita magia e ela é instável.Esse treinamento é doloroso demais e dá impressão para meu corpo que ele precisa se defender e não pode fazer isso só com magia.Daí a força.Mecanismo de defesa.Talvez passe algum dia se as coisa ficarem tranqüilas, talvez seja permanente.Eu não sei bem.Não é muito diferente da força de um licantropo perto da lua cheia.

–Uau e devo assumir que seu papai quer se aproveitar de sua magia fora da média?

–Exato.E claro as coisas não são só um treinamento em artes das trevas preocupante.Tem também coisas em Hogwarts.

–Que tipo de coisa?

–Eu sou o príncipe da sonserina.-declarou o loiro-Tenho meus assuntos dentro da casa pra resolver e não é exatamente um passeio .E claro a maldita ligação.

–Ligação?

–Eu definitivamente não vou falar sobre isso.Principalmente não com você.

–Ora,vamos pra que eu iria contar?Fugitivo procurado,lembra?Mesmo que eu conseguisse que alguém me ouvisse duvido que iria acreditar que você eu ficamos batendo papo numa sala que você controla.

–Tudo bem.Você tem razão.Eu sou mago que possui a ligação de la mitá.

–Certo, e pela sua cara ela te odeia, acertei?

–Em primeiro lugar é um ele.E sim ele me odiava, até um tempo atrás nem podia me ver sem fazer careta.Mas então as coisas ficaram confusas entre nós e ele disse que queria me conhecer.Eu criei expectativas demais, desejos demais ,e acabou que ele só queria se vingar por uma estupidez.Me ferir.

–E conseguiu.

–Não do jeito que ele esperava, eu descobri.

–E isso te feriu.

–Até os ossos.

–Acho que essa conversa deve ser a coisa mais bizarra que me aconteceu na última década.-confessou Sirius cerrando os olhos e sorrindo levemente.

–É bem estranho pra mim também.Eu não sei bem o que você quer Black,mas não vou ficar no seu caminho.Trago comida e venho conversar de vez em quando.

–O que?Porque você faria isso?-estranhou Black.

–Tenho amigos incomuns.Digamos que é quase um hobby fazê-los.-sorriu torto o menino.

–Então você..quer ser meu amigo?-balbuciou Sirius.

–Não falo de coisas como meu treinamento ou ligação com estranhos.Mas é claro que também não vou arriscar que você diga algo,ou que descubram algo.-explicou o sonserino.

–E como pretende fazer isso?-quis saber o mais velho.

–Juramento inquebrantável.-explicou o loiro.

Sirius observou o brilho malicioso nos olhos cinzentos e sorriu.É aquele garoto definitivamente era um Black, e dos bons.Depois de selar o juramento e fazer com que qualquer confissão fosse um segredo Draco se preparou para sair,mas antes que abrisse a parede Black o interrompeu:

–Hei garoto, meus amigos me chamam de Almofadinhas.

–Os meus de Draco, não gosto de apelidos.

–Mesmo?Pena.Mas tudo bem ,nos vemos Dragón.

Draco levantou a sobrancelha e Sirius apenas sorriu maroto.O loiro suspirou sabendo que tentar evitar aquilo seria tão infrutífero quanto impedir Pansy de chamá-lo de Dray.Para encobrir sua mais nova amizade, Draco falou a seus amigos sobre Candy e conseguiu atrair a curiosidade deles como deveria.

Quando a Grifinória venceu a taça de quadribol Draco decidiu que era hora de levantarem o ânimo da casa.Para isso nada melhor que se vingarem do diretor pelo roubo da taça das casas no primeiro ano.Precisavam planejar.O primeiro passo era perturbar o velho diretor para abrir passagem para um descuido, sem um descuido seria impossível fazer qualquer coisa.

Era óbvio que não poderiam fazer grande coisa contra um dos maiores bruxos de todos os tempos .Mas a taça das casas desse ano já era praticamente da sonserina.Isso era um ponto, e se adicionassem uma vingança modesta mas eficiente com certeza o ânimo das serpentes subiria.Draco e seus amigos planejaram tudo cuidadosamente.

O primeiro passo foi decidido graças ao livro dos amantes, onde o nome de Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore se unia ao de Gellert Grindelwald .Por isso conseguiram uma imagem do bruxo quando jovem e um feitiço simples de projeção.Era a perturbação.Assim em uma tarde enquanto se dirigia ao grande salão para o jantar o diretor teve uma rápida visão de seu par,jovem ,belo, forte e aparentemente bem real.Foi um tremendo susto que fez com que o diretor retrocedesse um passo e apoiasse a mão em uma parede.Que “casualmente” tinha entalhada um minúscula serpente alada.No mesmo instante uma substância pegajosa e mal cheirosa despencou do teto sobre o velho diretor e uma foto foi tomado por um retrato de um fotografo na parede oposta.Mais tarde no salão comunal da sonserina fotografias do poderosíssimo diretor coberto de gosma e com cara aturdida arrancavam gargalhadas até dos mais frios e indiferentes sonserinos.

Draco não resistiu e levou uma foto para Sirius, foi a primeira vez que o loiro viu os olhos do homem brilharem realmente.Ele parecia mais vivo e normal com aquele brilho nos olhos.Black lhe deu os parabéns e disse que ele teria sido um grande maroto.Mas Draco negou, não fazia seu estilo aprontar todas no castelo.Depois das risadas o ânimo de Draco diminuiu e seus olhos escureceram e Sirius notou e perguntou:

–O que foi Dragón?Problemas com as serpentes?

–Não.

–E então porque essa cara?

O loiro deu de ombros ,não queria ter que explicar.Estava cansado e magoado.Podia sentir o peso do olhar de Potter sobre ele insistentemente e estava se cansando de evitá-lo, nunca andava sozinho.E se estava dava um jeito de jamais demorar o bastante para ser perturbado.Mesmo que algumas vezes tivesse que correr.Em algumas ocasiões podia sentir a magia do moreno se aproximar, e mesmo que não visse nada ao redor fugia.Confiava em seus instintos e não desejava um encontro.

Não se aproximava do jardim a menos que tivesse aula.Uma parte sua se perguntava o que mais o moreno queria.Feri-lo mais fundo?Impossível. Não poderia jamais ter o todo o amor que Harry pudesse dar ,mas se o moreno só queria feri-lo desejava a indiferença dele.Desejava mesmo sabendo que não a teria, que seria odiado sempre.Sentia-se tão idiota por desejar essas coisas.Depois de tudo já não havia decidido que morreria odiando o garoto?Que se aferraria a seu ódio com todas as forças para viver enquanto pudesse?Então porque havia essa parte sua que não queria esse ódio?Que tinha medo de sofrer mas não conseguia se afastar?Era um estúpido.Um idiota.Era isso que era.Ergueu os olhos para Sirius tentando explicar sem dizer nada e de alguma forma o animago pareceu entender.Sirius sentou-se no chão e convidou o loiro a fazer o mesmo.Com as costas na parede o homem começou a falar:

–“Quando o amor o chamar, siga-o, ainda que suas maneiras sejam duras e íngremes;
e quando as asas dele o abraçar, renda-se a ele, embora a espada escondida dentro de suas penas possam o ferir.E quando ele o falar, acredite nele...Ainda que a voz dele possa despedaçar os seus sonhos,como o vento frio do norte devasta o jardim florido...Por que, além de o coroar, ele também o crucifica.Para além de seu crescimento, ele existe para a sua podação.” **

Draco olhou fixamente para o animago, os olhos mais abertos e desfocados , preenchidos do indizível.Despindo uma alma que raramente se permita mostrar em sua vulnerabilidade,uma alma que mostrava entendimento a suas palavras,mas também dor por elas.Sirius recebeu aqueles olhos tempestuosos fixados em si , e viu todas as lágrimas jamais derramadas.As viu presas ali numa tormenta silenciosa.E soube que aquele garoto jamais havia chorado lágrimas comuns.Mas naquele instante ele sabia que nenhum choro teria mais emoção que aquela tempestade contida nos olhos cinzentos de Draco Malfoy.

Notas finais
**A fala do Sirius é um trecho do 'poema' Sobre Amor de Kahlil Gibran. E aí galera o que acharam? O Harry ainda não conseguiu encontrar o Draco e explicar, o que será que vai rolar quando esses dois estiverem frente a frente? Pois é isso aí vai rolar capitulo que vem. Então que tal uma força pra ele sair logo? Tipo comentários , adições a favoritos.Ajuda mesmo.Então é isso. Nos lemos o/