Reid finalmente saiu da pequena nevoa de drogas que ele estava. Ele se sentia como se tivesse passado em um moedor de carne. Olhando para o lado, ele viu Rossi jogando Pac-man no celular.

— Bom dia. – Reid sentiu a garganta reclamar.

— Como vai? – Rossi sorriu. – Bem-vindo de volta, Spencer.

— Onde está Penelope? – Reid perguntou. – Como ela está?

— Calma aí, Spencer. – Rossi fechou o telefone. – Ela vai ficar bem, mas eles só vão saber quando ela acordar.

— Quando ela acordar? – Reid estava nervoso agora. – Ela ainda não acordou?

— Está sedada por uma semana. – Rossi se aproximou mais de Spencer. – Mas ela vai ficar bem.

— Eu me sinto dolorido, mas contente que eu pude ajudar. – Reid disse, com um sorriso. – Um mês internado isso no mínimo.

— Vai passar rápido. – Rossi falou. – Você e ela vão ficar bem.

— Você está bem, David? – Spencer parecia saber algo. – E quer muito perguntar algo.

— Ok. – Rossi colocou a cadeira mais perto. – Me fale sobre o exame de DNA que você fez com Garcia.

Reid congelou ao ouvir isso. Era um assunto que ele preferia deixar em espera.

— Tudo bem se não quiser falar sobre isso, Spencer. – Rossi falou. – Você não poderia deixar escondido por muito tempo.

— Eu sempre achei estranho Penelope se parecer com meu pai. – Reid começou. – Então encontrei uma foto dela com seus pais e percebi que era o meu pai na foto.

— Então pegou fios de cabelo dela e submeteu a um teste de DNA. – Rossi completou.

— É só para tirar essa dúvida. – Reid juntou. – Não acho que seja mal fazer isso.

— E se ela for sua irmã? – Rossi fez a pergunta mais esperada. – E se ela for filha do seu pai. Como vai lidar com isso?

— Daí vamos precisar ter uma conversa importante com meu pai. – Reid falou. – Haley está com Derek?

— Ela dormiu com Penelope na verdade. – Rossi disse. – Derek a colocou no lado dela e Haley ficou ao lado dela toda a noite.

— Poderia pedir para Derek trazer ela um pouco? – Reid pediu. – Preciso sentir minha afilhada um pouco.

— Vou falar com Derek. – Rossi se levantou. – Eu já volto.

Rossi deixou Spencer no quarto por um tempo. Ele foi para o quarto de Penelope e encontrou uma cena linda.

Hotch estava com ela agora. Ele estava segurando a mão dela tão protetoramente, como um pai faria.

— Então Penelope. – Hotch começou. – Emily descobriu que está esperando um bebê. Um pequeno bebê Hotchniss se você usar o nome de casal. Ela perguntou quando as coisas começaram a ficar tão complicadas para a equipe. Alasca, Doyle e tantas ameaças sobre nós. Agora esse bebê está vindo. E ela quer você de madrinha, entendeu Sunshine?

— Tenho certeza que ela vai estragar essa criança. – Rossi brincou. – Assim como Henry e Jack.

— Eu não vi você entrar. – Hotch se ajeitou na cadeira desconfortável. – O quanto você ouviu?

— O suficiente. – Rossi entrou e se colocou na frente de Penelope. – Reid pediu se eu posso levar Haley para ele.

— Ele finalmente despertou? – Hotch disse, com um pouco de tristeza.

— Na verdade. – Rossi não sabia como explicar. – Ele me contou toda a história do exame de DNA.

— Pode me contar? – Hotch ainda tinha esperanças. – Ou quer contar depois?

— Depois. – Rossi falou. – Agora vou levar a pequena para ele.

Rossi olhou em volta a procura de Derek.

— Onde Morgan está? – Rossi perguntou para Hotch.

— Foi para o hotel dormir. – Hotch respondeu. – Ele parecia morto de sono.

Ele tomou Haley com todo o cuidado que se lembrou. Ela se agitou, mas logo relaxou no colo de Rossi. Ele percorreu todo o corredor até o quarto de Spencer, onde Abby estava com ele. Ele tinha a mão na barriga dela, então Rossi apenas juntou os pequenos pontos.

— Agente Rossi. – Ela se assustou. – Me desculpe. Eu só estava vendo como Spencer estava.

— Não se preocupe Abby. – Rossi sorriu para ela. – A propósito, meus parabéns.

— Obrigado. – Abby corou. – Eu te vejo daqui a pouco.

— Não vá longe, Mi Amor. – Spencer disse. – Estarei esperando.

Rossi observou a troca entre os dois.

— Aquela garota te ama, Reid. – Rossi respondeu. – Trouxe Haley como desejado.

Spencer pegou a menina com carinho. Ela sorriu para Spencer.

— Ela já está com três meses, acredita? – Spencer sorriu de volta para Haley. – E nesse tempo tantas coisas aconteceram.

— Espero que depois disso tudo, ela e Penelope tenham um pequeno tempo. – Rossi falou. – Você se sente bem?

— Um pouco dolorido, na verdade. – Spencer confessou. – Mas eu fiz uma escolha. E essa escolha pode ser mais fácil se ver que Penelope é agora minha irmã.

— Derek foi ao hotel dormir. – Rossi começou. – Antes de sair ele disse a Hotch que talvez pegasse os resultados hoje.

— E se ela for minha irmã? – Spencer estava preocupado. – Talvez ela me odeie por ter feito esse exame sem ela saber.

— Ou talvez ela te ame por isso. – Rossi falou. – Ela não é capaz de odiar alguém por mais de um dia.

— Mas vamos achar um jeito de fazer funcionar. – Reid completou. – Ela ainda se culpa pela morte dos pais dela. Da mãe especialmente.

— Ela tem quatro irmãos, que nunca vieram dar um olá para ela em todo esse tempo. – Rossi falou.

— Eles foram ver ela na Califórnia quando ela foi... – Spencer respirou fundo. – Quando ela foi estuprada. Não foi a melhor coisa.

— Ela nunca contou para mim. – Rossi estava perplexo.

— Eles tentaram fazer ela ficar com eles a força. – Spencer falou. – Eles tentaram afastar Derek dela. Ela me contou um dia durante a gravidez.

— Não me impressiona que ela não fale com seus irmãos. – Rossi se sentou. – Então eles foram banidos para o limbo.

— De certa forma. – Spencer falou. – E espero que eu seja o único irmão que ela precise.

— Estou certo que ela vai amar descobrir isso. – Rossi sorriu. – Você já é um bom tio para essa gracinha de qualquer jeito.

— Ela está ficando tão parecida com a mãe. – Reid observou. – Espero que Pen decida vestir ela com vestidos tão coloridos quanto os dela. Será uma cópia perfeita.

— É a combinação perfeita entre Penelope e Derek. – Rossi estava sorrindo. – Nossos amigos fazem bebês lindos.

— Sabia que Emily está grávida? – Spencer falou de repente. – Ela veio me contar assim que soube. Pelos menos depois de contar a Hotch sobre o bebê.

— Eles se merecem muito. – Rossi falou. – Eles, você, Derek e Penelope. todos merecemos um alguém que nos compreenda, nossos demônios.

— E você? – Spencer perguntou. – Talvez precise de alguém.

— Eu tenho alguém. – Rossi falou. – Estamos apenas mantendo segredo sobre isso.

— Hmm. – Reid começou a sorrir. – Alguém que eu conheça?

— Deixe de ser enxerido, Spencer. – Rossi fingiu estar bravo. – Vamos dizer que ela é alguém que é maravilhosa e faz parte do nosso circulo de amizades.

O assunto morreu por aí. Rossi estava prestes a dizer algo quando ouviram o alto falante do hospital.

Código azul! Código azul! UTI cirúrgica Penelope Garcia Morgan.

Rossi saiu correndo e seu coração parou quando o carinho do desfibrilador foi trazido.

— Ela estava bem. – Hotch estava desesperado. – Ela estava bem, então no segundo ela ficou alinhada. Foi rápido demais.

— Precisamos de adrenalina aqui! – Uma enfermeira gritou. – Ela não está voltando.

— Não a deixem morrer. – JJ estava desesperada. – Por favor, tragam ela de volta.

Uma seringa grande foi trazida e a enfermeira fechou os olhos e depois de abrir, em um só golpe aplicou o remédio diretamente no coração de Penelope.

Ela voltou no mesmo instante e foi verificada outra vez. JJ estava nos braços de Rossi chorando desesperada enquanto o agente estava sem reação aparente.

Hotch protegia Emily e evitava que ela se machucasse. Por fora ele manteve a aparência de sempre. De durão, mas por dentro um pedaço dele foi cortado.

O médico saiu parecendo derrotado e esgotado. Ele estava frustrado com esse resultado.

— Como ela está? – Rossi perguntou.

— Não vou mentir agentes. – Ele precisou se sentar. – Se ela se alinhar outra vez não vamos conseguir trazer ela de volta.

Derek apareceu correndo no final do corredor, Preocupado com Penelope, Haley e todo mundo. Ele estava na recepção quando ouviu o pedido de código azul. Ele subiu dois degraus por vez.

— Onde ela está? – Derek parecia estressado. – Diga que ela está bem?

— Por enquanto. – Rossi respondeu, no meio de lágrimas. – Deixei Haley com Spencer. Ele precisa saber. Com licença.

Rossi precisava respirar. Parecia que ele havia sido atingido com uma pá. Ele virou o corredor e deixou as lágrimas caírem aos montes. Para ele, era como se ela fosse sua filha.

Houve algumas situações tensas durante todo o tempo em que eles estavam juntos. O tiro que ela levou, o fez ver Penelope sob uma nova luz, a de uma mulher forte e guerreira. E mesmo quando ela passou pela experiência de ver um homem morrer na sua frente, ela se mostrou forte o suficiente para continuar a frente.

Ele viu quando Steve e Danno entraram no hospital, preocupados.

— Como ela está? – Danno parecia ter chorado.

— Ela está critica agora. – Rossi secou as lágrimas. – Eles a transferiram para a intensiva agora. Não parece que vai dar certo.

— O órgão foi rejeitado? – Danno estava com medo.

— Não. – Rossi respondeu. – Eles acham que o remédio que ela recebeu causou uma reação alérgica. Mas o órgão foi aceito pelo corpo e então o coração parou e foi ficando critico.

Danno saiu andando até o novo quarto de Penelope. olhando pelo vidro ele desejava que ela ficasse bem. Ele se culpava sabendo que mesmo que Tommy estivesse morto, ele o mataria de novo se Penelope morresse.

Nem Steve, nem Danno e nem ninguém conseguiu falar algo durante mais de uma hora. Ninguém podia ficar com ela dentro do quarto e o coração de Derek sofria.