La Vita Rosa.
24 Donation.
Derek entrou na mina abandonada, gritando o nome de Penelope a plenos pulmões. Seu coração perdeu batimentos ao ver sua mulher sangrando no chão, inconsciente e perdendo sangue demais.
— Não! – Danno o fez ficar para trás. – Você não pode tocar nela.
— Porque não? – Derek gritou. – Ela é minha esposa.
— Eu sei disso. – Danno respondeu. – A bala atingiu o fígado dela e qualquer movimento agora pode causar ainda mais estragos.
Steve estava congelado. Colocando a mão na cicatriz onde ele recebeu um fígado há apenas alguns meses, ele percebeu como seu amigo ficou naquela época. Ele se mexeu perto suficiente para conseguir ajudar Garcia.
— Onde estão os paramédicos? – Emily gritou alto. – Ela vai morrer se eles não chegarem logo.
— Eles estão presos lá embaixo. – Chin disse. – Precisamos trazer a maca aqui para cima.
— Spencer e Derek. – Hotch se virou. – Peguem o carro e traga aqui para a entrada.
— O que vai fazer? – Rossi perguntou. – Vai levar ela até a ambulância? Ela vai sangrar até lá.
— Não vou deixar ela morrer porque a porcaria da ambulância não consegue subir. – Hotch gritou. – Se a gente demorar muito mais, ela vai morrer.
— Leve Derek até lá e o faça trazer a ambulância até aqui. – Rossi estava nervoso. – Precisamos fazer ela ficar viva.
— Eu vou. – Steve disse. – Eu vou trazer a ambulância até aqui.
Não esperando a aprovação de ninguém, Steve correu para a SUV em espera junto com Reid que foi levar ele até a base.
— Penelope. – Danno chegou mais perto da agora amiga. – Você precisa resistir, certo?
Sentindo o pulso diminuir, Danno começou a chorar. Derek se aproximou da esposa e começou a fazer RPC nela. Sua respiração parou completamente e ele fez boca a boca nela.
Uma ambulância foi ouvida e eles sabiam que ela precisava voltar. Derek sentiu ela voltar quando fez a terceira rodada de ar. Dois paramédicos correram até eles e começaram a atender Garcia.
— 39 anos. Mulher. – Chin começou. – Um tiro no fígado e um braço sangrando demais.
— Ela vai precisar ser entubada e cirurgia agora. – O paramédico disse. – Precisamos andar rápido com ela.
Colocando Penelope na ambulância, Steve deu partida enquanto os outros entraram nas SUV's em espera e saíram correndo.
Ele não parou quando saíram do lugar. Danno havia menos ferimentos e insistiu em acompanhar Garcia.
Ele nunca agradeceu a loucura de Steve antes, mas agora correndo para o hospital, ele estava feliz.
Dez minutos se passaram até chegarem ao hospital do exército. Penelope foi apressada para a cirurgia sem nenhuma escala.
— Um tiro no fígado e um corte grande no braço. – O enfermeiro repetiu para a equipe médica. – Ela precisa de uma cirurgia urgente.
— Por aqui. – O médico gritou. – Vamos logo. Ela não vai viver muito.
Penelope foi apressada para a cirurgia. a esperança da equipe que ela pudesse se recuperar antes que as coisas piores eram quase inexistentes.
A equipe Five 0 e a equipe BAU estavam reunidas na emergência. Derek estava em um canto, apenas esperando qualquer noticia.
Como se adivinhasse seu desejo, o médico de Penelope apareceu com uma expressão vazia no rosto.
— Penelope Garcia Morgan? – O médico fez questão de chamar Penelope pelo nome.
— Eu. – Derek se apressou e ficou na frente de todos.
— A senhorita Morgan está com sérios problemas. – Ele nem enrolou. – Fizemos uma pequena cirurgia para corrigir o corte no braço que era fundo, mas temos uma má noticia.
Todos se olharam. Era como se um raio negro tivesse caído ali no meio de todo mundo.
— Fale logo doutor. – Derek precisava descobrir como agir. – Seja qual for a noticia será melhor dizer de uma vez.
— Ela precisa de um transplante de fígado e agora. – Ele respondeu. – Se ela não receber um nas próximas 24 horas, ela vai morrer.
Derek sentiu seu mundo girar e depois ser recebido por algo duro. Talvez fosse o chão onde ele caiu.
— Derek! – Reid correu para o amigo. – Fale comigo Derek.
— Hã? – Derek parecia ter voltado. – O que houve, Spencer?
— Você caiu no chão. – Reid estava preocupado. – Você está bem agora?
— Penelope. – Derek começou a chorar. – Ela não pode morrer. Não agora.
— Ninguém vai deixar ela morrer Derek. – Reid falou. – Ninguém.
Derek conseguiu levantar com a ajuda de Spencer. Ele ficou apoiado no amigo o tempo todo.
Olhando para o melhor amigo ali destruído, Reid começou a ter uma idéia. O médico ainda estava conversando com a equipe sobre o que poderia ser feito e ele viu a oportunidade perfeita.
— Com licença, doutor? – Reid o chamou. – Queria saber como são os procedimentos para teste de doação de fígado.
— Agente Reid. – O médico se virou para o agente. – Entende os riscos que essa cirurgia pode levar?
— E o senhor entende que Penelope Grace Garcia Morgan tem família, amigos e pessoas que precisam da luz dela? – Spencer retrucou. – Eu não me importo em ficar com uma marca ou ficar em uma cama por quatro semanas me recuperando disso. Eu só preciso disso. Fazer isso.
— Vejo que você a ama muito. – O médico disse. – Alguém mais quer correr esse risco?
Todos levantaram suas mãos, deixando o médico abismado. Eles eram uma família afinal.
Danno estava sendo checado no consultório do OS apenas por rotina. Ele teve uma briga com Tommy que felizmente estava morto. Era duro ele pensar assim, mas ele tentou machucar Penelope e ele afinal.
— Está pronto? – Steve perguntou da porta. – Estamos na sala de espera.
— Como Penelope está? – Danno perguntou.
— Ela vai precisar de um transplante. – Steve falou em derrota. – Não somos aptos.
— Sabe que eu faria de novo. – Danno reclamou. – Eu não acredito que isso está acontecendo de novo.
—- Eu meio que percebi como vocês ficaram quando eu estava... – Steve parou no meio da frase. – Quando eu estava naquela situação.
— Você também tinha 24 horas apenas. – Danno disse. – Eu não precisei nem de cinco minutos para decidir que iria doar.
— Tommy está morto. – Steve falou. – Ele veio para cima de você.
— Eu o matei porque ele fez a arma cair e atingir Penelope. – Danno disse diretamente. – E teria feito de novo.
O celular de Steve tocou.
— McGarrett. – Ele parecia fora do ar. – Já estamos indo.
Olhando para Danno, ele queria abraçar o amigo, mas o medo de isso se tornar real demais era grande.
— Eles precisam da gente. – Steve ajudou Danno a caminhar. – Tem certeza que está bem?
— Vou precisar de gelo quando tudo isso acabar. – Ele confessou. – Aquela briga acabou comigo.
Steve sorriu. Ele apenas esperava que tudo isso ficasse bem.
Jerry estava na sala de espera, a postos com o computador. Os agentes deixaram seus testamentos prontos. Era uma coisa padrão no hospital. Se algo desse errado, eles teriam uma garantia.
Ele mandou para autenticar com um pedido de urgente.
Apenas Hotch e Spencer foram compatíveis com Penelope o que deixou Derek frustrado.
— Talvez seja o destino te impedindo de morrer. – Rossi tentou animar. – Afinal, vocês têm uma filha.
— Ela ainda está com Abby. – Derek disse, no automático. – Tiramos tantas fotos nos últimos tempos que ela não vai ter problemas em esquecer se ela morrer.
— Não vamos deixar ela morrer, Derek. – Reid o confortou. – Eu e Hotch estamos discutindo sobre quem vai entrar em cirurgia.
— Hotch tem um filho também. – Derek falou. – Não acho que ele se arriscaria desse jeito.
— Eu faria, Derek. – Hotch disse. – Penelope é como uma sobrinha para mim. E eu a trouxe para a agência.
— Querem saber? – Reid parecia decidido agora. – Eu vou doar. E não quero nenhum não de ninguém. Eu vou fazer isso.
— Só tome cuidado, menino bonito. – Derek o abraçou. – Lembre-se que o mundo precisa de você.
Ele sorriu. Entrando no quarto, ele foi ligado a uma linha IV e relaxou. Ele nunca pensou que estariam nesse momento. Mas afinal essa era Penelope que eles estavam falando.
Ela já o tinha salvo uma vez quando entrou na unidade e fez amizade com ele.
Oito anos antes...
Apesar de Derek ser o único a falar com Penelope quando a viram pela primeira vez, foi Reid que fez amizade com ela primeiro.
Ele a viu no refeitório triste uma tarde. Era como se ela estivesse completamente desconectada do mundo.
— Posso me sentar aqui? – Spencer perguntou.
— Claro. – Ela respondeu no automático. – Eu já estava de saída.
— Eu não quero que você vá embora. – Reid disse. – Na verdade eu vim aqui fazer companhia para você.
— Ninguém me quer por perto. – Ela respondeu sincera. – Especialmente hoje.
— Por que hoje? – Reid perguntou.
— Porque hoje é o aniversário de morte dos meus pais. – Ela não conseguiu parar de chorar. – E eu não consigo evitar de me culpar.
Spencer fez a volta e chegou perto dela. Ele se sentou ao lado.
— Eu sinto muito. – Ele falou. – Eu nunca experimentei algo assim. E eu não faço idéia do que falar sobre isso, mas falar sempre ajuda a deixar as emoções.
— Se eu não tivesse perdido meu toque de recolher. – Penelope limpou outra lágrima. – Eu fui estúpida demais.
— Meu pai abandonou a mim e a minha mãe quando eu era pequeno. – Spencer confessou. – Pelo menos eu experimentei o amor da minha mãe.
— Ele era meu padrasto. – Penelope falou. – O meu verdadeiro nunca apareceu.
— Não vou dizer que fica mais fácil. – Spencer disse. – Mas algum dia você vai lembrar deles e não vai doer tanto.
— Você é um bom amigo, Spencer. – Penelope sorriu quando se deu conta. – Posso te chamar de amigo?
— Sempre que você quiser, Penelope. – Reid deu um beijo em sua bochecha. – Você sempre será uma amiga para mim também. – Ele sorriu para ela. – E eu faria qualquer coisa por você.
Agora...
— Estamos prontos, Agente Reid. – O médico falou.
— Diga a eles que eu vou trazer Penelope de volta a salva. – Reid pediu.
Ele foi encaminhado para a sala de cirurgia e a porta foi fechada. Olhando para a amiga inconsciente ao lado dele, ele sabia que ela sempre seria a amiga que ele precisava.
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