La Petite Mort

8 Coragem líquida e devassidão francesa


Notas iniciais
Boa tarde, pessoas! Como vocês estão? Espero que todos e todas estejam bem como eu estou... Ainda tenho 1 mês de férias, mas meu TCC está arrancando meus cabelos e adivinhem? Meu único escape é a escrita Hahahahaha Então, fiquem despreocupados que eu vou tentar continuar escrevendo. Quanto ao capítulo... É uma continuação da noite da festa de Ottery St. Catchpole e vamos ver dois lados da relação das duas: a atração física e a questão emocional que são faces diferentes dentro de um relacionamento e extremamente importantes para que o mesmo funcione. Espero que vocês gostem, eu me diverti muito escrevendo! Boa leitura!

Hermione encontrou Harry sentado, cabisbaixo, no mesmo local em que ela estivera com ele antes de toda a confusão entre Fleur e Gina. A advogada estava um pouco surpresa por perceber, da pior forma, o quanto seu melhor amigo estava gostando da ruiva explosiva. Agregando um pouco da agonia do moreno, Hermione caminhou até onde ele estava e, sem dizer nada, sentou-se ao lado de Harry e o puxou delicadamente para si.

Harry permitiu que seus ombros fossem puxados e sua cabeça encostou-se no tronco de Hermione, sentiu as mãos delicadas acariciarem o seu cabelo arrepiado. O rapaz respirou fundo e, tristonho, resmungou:

– Você não precisa estragar a sua noite porque a minha acabou de se tornar uma grande merda.

– Eu não estou estragando noite alguma, Harry... Não tem nada acontecendo. — Hermione respondeu séria, tentando fazer as palavras soarem reais não só para Harry, mas como para ela mesma. Mas, a simples menção à existência de Fleur Delacour e a tudo que elas trocaram nos últimos minutos e horas fez seu coração acelerar, de novo. A morena afastou o rosto de Harry de seu tronco e o ergueu para que ele a olhasse, os olhos castanhos encontraram os verdes opacos. — E você é meu melhor amigo, somos parceiros. O que acontece contigo acaba ecoando em mim.

Os olhos verdes brilharam pelas lágrimas de gratidão que Harry não derramou, o rapaz puxou a amiga para perto e, da melhor forma que a sua altura permitiu, se aconchegou no abraço dela. Harry fechou os olhos e respirou fundo, permitiu que algumas lágrimas escorressem e traduzissem toda a sua tristeza diante da partida abrupta de Gina. Os dois amigos ficaram em silêncio até o momento em que a banda terminou a música que tocava. Depois, Hermione levantou-se ainda abraçada a Harry e, sorridente, disse:

– Vamos esquecer que tudo aconteceu, a nossa noite começa agora!

Hermione comprou os dois copos de cerveja que devia a Harry e, com eles em mãos, os dois amigos rumaram para o meio da praça, onde toda a movimentação estava mais agitada. Harry ficou em pé enquanto Hermione subiu em uma das muretas para enxergar melhor. A banda ajeitava alguns instrumentos sobre os ombros e mãos, após o vocalista tomar um gole de sua bebida, eles voltaram a tocar.

I had a thought, dear

However scary

Abouth that night

The bugs and the dirt

Why were you digging?

What did you bury

Before those hands pulled me

From the earth

A melodia, calma e aconchegante rapidamente acalmou a expressão derrotada de Harry que foi trocada por um sorriso, triste, mas ainda assim, um sorriso. Hermione deixou-se levar pelo sorriso de seu amigo e sorriu também. A morena apoiou sua mão no braço de Harry e deixou-se balançar no ritmo da música dedilhada pelos violões enquanto tomava a sua cerveja.

I will not ask you where you came from

I will not ask you and neither should you

Como boa e sagaz observadora, os olhos de Hermione percorreram toda a extensão da praça. Casais estavam abraçados e balançando lentamente no ritmo da música, pessoas sozinhas trocavam olhares com outros sozinhos e acabavam sorrindo diante da troca dos olhares... Até mesmo os vendedores de cada barraca pareciam ter diminuído a velocidade de seu trabalho para deixarem-se levar pela boa música que era sussurrada pela banda.

Hermione desviou os olhos de um casal de idosos e, do lado oposto da praça, encontrou Fleur e Bill. O ruivo estava sentado em uma das muretas e Fleur, como Hermione percebeu, diante do gosto amargo que chegou a sua boca, estava sentada em seu colo. A francesa também sorria para Cedric e o puxava para um abraço. Hermione, sem perceber, foi tomada por um sentimento tão quente que chegou aos seus lábios em forma de sorriso, dispensando o amargo que ocupara seu paladar segundos antes.

Tinha um sorriso aberto, de origem desconhecida em seus lábios, quando, por ironia do destino, Fleur olhou em sua direção.

Honey, just put your sweet lips on my lips

We should kiss, like real people do

Hermione desviou os olhos imediatamente, mordendo os lábios e amaldiçoando todas as entidades em silêncio. Contudo, podia sentir a intensidade dos olhos azuis sobre o seu corpo, o calor que já estava presente em sua pele, desde que encontrara Fleur, se manifestou em forma de atração. Cansada de impedir, Hermione permitiu olhar, mais uma vez, para Fleur.

E mais uma vez, naquela noite, Hermione permitiu-se entregar e afogar-se no mais profundo que aqueles olhos azuis límpidos podiam lhe carregar. Mal se conectara a Fleur e já estava irremediavelmente presa a ela. Hermione lutou contra o seu cérebro que lhe dizia para fingir que não sentia o campo de atração entre elas, mas não conseguiu. Permitiu que essa atração guiasse o seu corpo, sua intuição falou alto acima de sua razão e seu coração bateu mais forte.

Aquelas eram sensações ousadas demais até para ela.

– Bem, parece que alguém não quer esquecer o que aconteceu nessa noite... — A voz de Harry pareceu distante e até incompreensível, porém, o lado racional de Hermione assimilou a frase perfeitamente e ela produziu uma expressão emburrada quando se virou para ele e disse:

– Eu não sei do que você está falando.

Harry sorriu, um sorriso de quem compreendia tudo que acontecia a sua volta, e murmurou irônico para seu corpo de cerveja:

– É claro que não sabe.

I knew that look, dear

Eyes always seeking

Was there in someone

That dug long ago

So I will not ask you

Why you were creeping

In some sad way I already know

Quando Hermione olhou para a sua esquerda à procura de Fleur, ela já desviara o olhar e, agora, estava sentada comportadamente no colo de Bill, segurando uma das mãos de Cedric. O trio parecia hipnotizado pelo ritmo da música.

Cedric e Bill trocaram um olhar íntimo e existiram sorrisos acanhados de ambas as partes, Fleur observou os dois com a expressão amena e tranqüila. A francesa, após contemplar os dois por mais alguns minutos, voltou a olhar para Hermione. E, dessa vez, foi o rosto de Fleur que iluminou-se com um discreto sorriso. Hermione não o retribuiu por puro nervosismo, entretanto, seus olhos estavam afoitos demais e falavam por ela, Fleur respirou fundo e continuou a sorrir, rompendo o contato visual e voltando os belos azuis para o palco.

Hermione sabia que, mais uma vez, as duas estavam trocando sentenças pelos olhares que, talvez, jamais teriam coragem de trocar expressando-se por palavras. A morena ansiava saber o que dera em Fleur para ela sorrir daquela forma. Seu raciocínio leviano provocou um sorriso envergonhado em seus lábios assim como rubor em suas bochechas.

Hermione não era boba, ela sabia do que aquilo se tratava. Nenhuma das duas ousara falar, mas estava entre elas, o tempo todo.

So I will not ask you where you came from

I would not ask and neither would you

Fleur podia sentir os olhos de Hermione, observadores e sagazes, sobre si. Aqueles olhos castanhos, quentes e intensos, estavam enviando sensações por seu corpo desde que os seus olhos azuis os encontraram naquela praça.

Fosse culpa da música ou de toda a solidão que preenchia os dias de Fleur... Ela não sabia muito bem do que se tratava e nem aonde aquilo ia levar. Era tudo muito novo e justamente a sensação do desconhecido que a impulsionava cada vez mais em direção a Hermione.

Ao mesmo tempo em que aqueles olhos a desafiavam a manter o contato visual, eles a afugentavam. Hermione não sabia e aparentemente não tinha noção de como seus olhos eram agressivos. Fleur era preenchida por uma timidez desconhecida cada vez que se encontrava envolvida por eles.

Honey, just put your sweet lips on my lips

We should kiss, like real people do

As palmas tiraram ambas de seus devaneios. Fleur sobressaltou-se no colo de Bill, o que fez o ruivo rir dela e Cedric gargalhar, derrubando o conteúdo do próprio copo de cerveja no chão. Hermione, por outro lado, desceu da mureta, mas ainda manteve os olhos fixos em Fleur, incapaz de olhar qualquer outra coisa na praça. Murmurando, mais para si do que para Harry, se perguntou ansiosa:

– O que diabos está acontecendo comigo?

– Nós dois sabemos o que está acontecendo, Mione... — Harry havia escutado e aparentemente havia a respondido com a voz grave e, como Hermione percebeu, levemente embriagada. Ela mesma não estava na melhor de suas noites, o leve desequilibro ao saltar da mureta deixara isso claro. Fleur acabara de sussurrar algo no ouvido de Bill e levantara-se, desaparecendo em direção ao “La Petite Mort”. A morena, então, virou-se para o amigo que acabara de esvaziar mais um copo de cerveja. — Eu sei de todas as merdas que aconteceram com você no último ano, sei muito bem o quanto você gosta de “não fazer” as coisas do jeito certo... Mas talvez seja a hora. Escute o vinho francês que você colocou garganta abaixo. Deixe que ele fale por você.

Hermione olhou impassível para Harry, as palavras dele não faziam muito sentido agora que ela percebera que não estava sóbria. O moreno, irritado, empurrou-a levemente e disse magoado:

– Eu vou voltar para o chalé e acabar com aquela garrafa de whisky que comecei e espero que você não volte para lá hoje.

Harry deu às costas a Hermione que, fechando os olhos, girou em torno de seu próprio eixo e caminhou na direção contrária, seus batimentos cardíacos ecoavam em seus ouvidos e os arrepios em sua pele a deixavam desconfortável.

A bebida falou por ela e ela deixou.

# # # # #

Hermione não sabia há quanto tempo estava parada em um canto escuro da esquina da rua em que o “La Petite Mort” se situava, apenas sabia que pessoas passaram por ela, muitas, até... E ela continuara parada, olhando para uma das imensas janelas de vidro em que ela podia enxergar a silhueta de Fleur Delacour, mesmo através da cortina.

A primeira parte de seu conflito resumia-se ao fato de que ela realmente não sabia o que estava fazendo ali, fora ordenada por Harry para agir e, em outras situações, ela agiria tranquilamente e sem problemas. Acontece que, como ela já havia percebido antes, existia alguma coisa naquela situação que não a fazia semelhante às outras. E, a segunda parte era que Hermione não estava lá muito sóbria para planejar direito o que ia falar.

Resumindo, ela estava ferrada.

Tão ferrada que o conselho de Harry, sobre deixar a bebida falar por ela, estava até começando a fazer sentido. As mãos de Hermione suavam, mesmo no vento frio de outono. A morena secou-as no tecido do sobretudo e deixou mesmo que a bebida a guiasse.

Quem sabe, se saísse da sua zona de conforto, aquela situação diferente tivesse atitudes diferentes por parte dela, respirando fundo, atravessou a rua e, finalmente, bateu na porta do dinner.

Passos apressados foram escutados do lado de dentro. Alguns segundos depois, a porta se abriu, revelando a figura de Fleur Delacour no portal. Hermione, imediatamente, abriu um sorriso gentil e disse:

– Desculpa incomodar, queria saber se você tinha chegado bem.

Era surpreendente que sua fala saíra límpida, ainda mais depois da quantidade de álcool que ela consumira naquela noite.

– Oh, Mademoiselle Granger...! — Fleur ofegou surpresa, abrindo a porta por completo e afastando o corpo do portal para que Hermione entrasse. A morena entrou ao mesmo tempo em que uma brisa enviava todo o cheiro de lavanda em direção ao seu nariz, Hermione respirou profundamente e tirou o sobretudo, ajeitando a gola da camisa. As suas costas, Fleur parecia esgotada. — Eu não esperava a senhorita hoje.

– Estou incomodando? — Hermione perguntou alarmada, virando o corpo abruptamente e pegando Fleur de surpresa. As duas estavam muito próximas, Hermione podia sentir a respiração quente da francesa em sua pele, assim como podia aspirar o cheiro de vinho que vinha de sua expiração... Fleur estava com os lábios entreabertos, ainda mais ofegante do que antes e as pupilas dilatadas... A deixa que Hermione precisava para agir. Tomada de um novo fôlego de coragem, deu um passo para frente e Fleur arqueou a coluna para trás, surpresa. — Se eu estiver incomodando, posso ir embora.

– Não, só estou surpresa... — Fleur respondeu de forma polida, desviando-se do corpo de Hermione, sem antes sentir o calor que ele naturalmente emanava chocar-se com o seu próprio calor. A francesa caminhou entre as mesas, chegando àquela em que estava sentada antes da inesperada chegada. Sua taça de vinho jazia sobre a mesa, pela metade. Olhou por cima dos ombros e sentiu os olhos castanhos, novamente, aprisionarem-na. — Gostaria de um pouco de vinho?

Hermione não respondeu de imediato, a morena fez o seu trajeto até a mesa e parou próxima a Fleur. Olhou fixamente para a francesa que encolheu os ombros e se apoiou na madeira, totalmente inapta a qualquer movimento. Hermione estendeu a mão e esta passou por Fleur, esbarrando lentamente pela sua cintura e enviando arrepios por onde passava, depois, alcançou a garrafa de vinho em cima da mesa. Fleur olhou para o teto do restaurante e apertou os dedos na madeira da mesa com tal força que ficaram ainda mais pálidos. Tão rápido quanto se aproximara, Hermione se afastara com a garrafa em mãos, deixando o perfume amadeirado que lhe era característico entorpecer ainda mais o ar que Fleur lutava para respirar.

– Suponho que você tenha mais alguma taça...? — Hermione deixou a dúvida pairar no ar, ela estava de costas e observava os armários do restaurante à procura de uma taça enquanto era observada por Fleur que se dividia entre a confusão e a surpresa por conhecer aquela faceta de Hermione Granger. Perdida em seus pensamentos, Fleur quase não percebeu quando a morena encontrou uma taça em um dos armários.

A morena serviu-se e tomou um longo gole do vinho, lambendo os lábios em seguida e apanhando um pequeno filete, com o indicador, que escorria pelo canto de seus lábios, lambendo-o em seguida. Fleur acompanhou cada movimento dela.

Os olhos azuis estavam do jeito que Hermione queria: viscerais e animalescos, refletindo a alma de Fleur.

Hermione encostou suas costas em uma mesa em frente àquela em que Fleur estava encurralada. Se antes Fleur achava que os olhos de Hermione eram intensos, eles estavam predatórios naquele momento. O olhar castanho a estudou da cabeça aos pés e não se desviou dela nem mesmo quando ela levou a taça novamente à boca, mais um gole e mais uma lambida nos lábios e Hermione pediu:

– Não vai falar sobre esse?

– Que...? — Fleur perguntou distraída, Hermione riu dela e com a ponta do indicador da mão que segurava a taça, bateu na superfície de vidro. A expressão de Fleur iluminou-se em compreensão e ela abriu um sorriso acanhado, apanhou a sua própria taça e tomou um gole da mesma. — Do vinho?

– Sim, esse parece ser ainda mais suave que o anterior. E tem algumas notas em sua consistência que eu não consigo decifrar. — Hermione relatou de forma tranqüila, a voz dela estava mais grave e rouca, provavelmente, era efeito da bebida. Fleur, recuperada de sua primeira impressão e satisfeita por estarem em um assunto mais familiar a ela, respondeu lentamente:

– Este é um vinho de Borgonha, é mais pálido e suave, pois é à base de uvas Pinot Noir, que é considerada a uva pálida dentro das tintas e, também, o exemplar feminino dentro desse grupo de uvas másculas e fortes.

– Ah sim... Então, a partir dessa breve introdução, devo concluir que ela é sensual assim como a maioria das mulheres, certo? — Hermione fora direta em suas palavras e ainda abriu um sorriso torto no final de sua frase. Mas, ao contrário do que esperava, Fleur não se encolheu e sim, ajeitou a postura, mais ereta. A francesa tomou um gole de sua taça e deixou que o vinho tocasse o seu paladar, de olhos fechados, abriu um sorriso sedutor e disse:

– En realité, mademoiselle... Os vinhos Pinot Noir têm a fama de serem afrodisíacos.

– Oh, isso é surpreendente, na realidade. — Hermione observava o vinho de encontro à luz ao dizer. Fleur riu roucamente e caminhou até ela, mais uma vez, a proximidade agitou os corpos das duas novamente. Os batimentos cardíacos aceleraram, as respiração mais ofegavam do que tomavam ar e os olhos estavam ainda mais intensos.

A chefe apanhou a garrafa e completou sua taça e a inclinou, avaliando a consistência do vinho antes de o agitar e cheirá-lo. Hermione acompanhou de olhos atentos e carnais, praticamente devorando-a com os olhos. Fleur era estupidamente sedutora e impossivelmente sensual.

A morena aproximou-se ainda mais e seu joelho encontrou as coxas de Fleur Delacour, o choque entre as peles foi elétrico, mas não as afastou. Conforme sentia os arrepios em seu corpo, Fleur abria um sorriso ainda maior e levemente embriagado, a francesa afastou-se e permaneceu de perfil, olhando para Hermione que degustava sua taça olhando para frente. Fleur arqueou a sobrancelha e perguntou curiosa:

– Quais são as notas que você percebe no vinho?

– Vamos falar sobre componentes afrodisíacos agora? — Hermione perguntou interessada, inclinando a cabeça em direção a Fleur que, dessa vez, não recuou. A advogada respirou fundo e o perfume da francesa, mais uma vez, a invadiu. — Levemente cítrica, anis e... Lavanda.

Hermione deixara a lavanda por último, justamente porque não era a nota que vinha totalmente do vinho. A expressão de Fleur estava impassível, mas a advogada percebeu que os olhos azuis escureceram e as pupilas dilataram, a chefe não se afastou e tomou mais um gole de sua taça. A aura de sensualidade, entre elas, era tão pesada que ensurdecia o som dos passantes e bêbados do lado de fora. Hermione pousou sua taça vazia na mesa e sua mão esbarrou na mão de Fleur que estava apoiada. Os olhares mais uma vez se fixaram e os rostos se aproximaram, Fleur desviou os olhos para a boca de Hermione e lambeu os lábios, antes de dizer:

– Você está certa quanto às duas primeiras, mas extremamente errada em relação à terceira nota, Hermione.

Hermione sorriu de lado, a expressão beirando ao mistério e deliciando-se ao ouvir seu nome ser saboreado pelo sotaque delicioso da francesa. A advogada retirou a mão de cima da mesa e segurou a barra do moletom de Fleur com a ponta dos dedos, brincando com o padrão de tricô e com os olhos fixos nos olhos azuis, murmurou rouca:

– Talvez a terceira nota pertença à outra coisa ou, talvez, você tenha que me ensinar a degustar direito.

– Acho que são as duas coisas... — Fleur respondeu corajosa, incisiva e deixando que sua mão esquerda descesse pelo seu moletom até encontrar as pontas dos dedos de Hermione e segurá-las. A advogada sorriu diante da atitude tão dominadora da francesa, mas permaneceu segurando-a próxima, com firmeza. O álcool que as duas haviam consumido estava estabelecendo as regras daquele perigoso e inusitado jogo de sedução. Fleur suspirou e exalou o ar que respirava e dessa vez, Hermione sentia o vinho misturado à lavanda. Não podia ser menos afrodisíaco. — Na verdade, três. Você ainda precisa melhorar seu paladar em relação a minha comida.

– Eu já provei os seus pratos, Fleur... Você cozinha maravilhosamente bem. — Hermione respondeu racional e levemente chateada pela mudança brusca de assunto, entretanto, Fleur riu dela e o toque entre as mãos se tornou mais dominador e mais apertado. A mão da francesa envolveu completamente a de Hermione, puxando-a agressivamente ao dizer:

– Mas não as minhas especialidades. Você tem que provar determinados pratos para compreender o significado do nome do dinner, Mademoiselle Granger.

Hermione permaneceu calada enquanto Fleur sorria para ela, a sobrancelha direita elegantemente arqueada e os olhos azuis, contornados pelos cílios longos e sedutores, ainda mais ferozes e devoradores. Naquele momento, a advogada percebeu que estava em desvantagem. Imperceptivelmente, tornara-se a caça e a sua caçadora estava disposta a enlouquecê-la.

Fleur a soltou e se afastou, a expressão de maldade sedutora brincava em suas feições perfeitamente desenhadas enquanto ela caminhava e cercava o corpo da advogada, o balançar dos quadris era sensual e os movimentos de seus cabelos impregnavam o local com o cheiro de lavanda. Hermione permanecia com a expressão curiosa, resistindo bravamente às peripécias sedutoras de Fleur, a chefe parou de caminhar e, virando-se para Hermione, respondeu sedutoramente:

– Ah... La petite mort. A pequena morte... Nós, franceses, temos essa expressão para definir os momentos imediatos após um orgasmo. Quando o corpo fica suspenso em tal nuvem de prazer semelhante ao ápice encontrado na morte. Penso que deve imaginar como minha comida verdadeiramente é após essa explicação, non?

Hermione deixou que um sorriso predatório tomasse seus lábios dessa vez, mas não a respondeu. A advogada caminhou até Fleur, decidida. A francesa cruzou os braços em frente aos seios, esperando por uma atitude corajosa semelhante àquela da apreensão da garrafa de vinho, minutos atrás e a observou com atenção. Mas tal não veio, Hermione passou por ela e apanhou o sobretudo ao lado da porta, vestindo-o.

A advogada refez seu caminho e parou em frente à francesa. Hermione aproximou-se perigosamente dos lábios de Fleur, esta observou o sorriso predatório nos lábios de Hermione e mordeu os próprios lábios, a morena aproximou-se ainda mais e, enquanto falava, Fleur quase pode sentir os movimentos dos lábios dela, sobre aos seus, ao dizer:

– Eu já provei a sua comida mais convencional e alguns bons orgasmos, Miss Delacour. Mas eu acho que vou ter que provar você para compreender o real significado da expressão que nomeia o seu dinner.

Fleur engoliu em seco e, impulsionada pelo calor que ocupava seu corpo, tentou romper a distância que a separava de Hermione. Porém, a advogada desviou-se de seus lábios e beijou-a, perigosamente, próxima a boca de lábios cheios. Fleur engoliu em seco e, paralisada pelo formigamento que tomara seu corpo depois daquele pequeno beijo, observou a advogada acenar e deixar seu dinner.

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Notas finais
Eu acho que muita gente deve ter ido da fofura para a surpresa com o final do capítulo, certo? Hahahaha Aliás, acho que muita gente se surpreendeu com a atitude da Hermione. Mas, como perceberam, ela é assumida e não tem medo de ir atrás do que quer. O problema dela é relacionado ao passado, a personagem não é tão unilateral assim Hahahaha E a Fleur? O que acharam da explicação a respeito do nome do dinner? :X Espero reviews! Me ajudem e divulguem se puderem Hahahaha Beijos e até a próxima, FerRedfield x)