LAS AMAZONAS - Esperando por seu amor
1 Capítulo 1 - Naquela noite
Notas iniciais
Naquela noite, Vitoriano Santos estava acordado contrariando todas as expectativas de homem madrugador. Podia-se dizer que era raro vê-lo assim, acordado às duas e quinze da manhã no terraço de sua casa. Mas lá estava ele, sem sono, angustiado e tomando uma dose de "tekila".
Embora sua esposa Débora já tivesse ofertado a ele todo amor que seu belo e desejoso corpo podia proporcionar, Vitoriano não estava satisfeito. Ao fazer sexo com sua esposa, ele ilusionava-se com a expressão "da outra". Ele queria Inês, ele queria qualquer resquício de amor que ela pudesse ter reservado em seu coração para ele.
Débora percebera no jantar os olhares de seu marido para a governanta e por isso insistira em dormir mais cedo, em fazer sexo de forma selvagem e apaixonada, na esperança de que Vitoriano não se esquecesse que tinha um compromisso com ela. A vida não estava fácil entre eles, Débora sabia que o estava perdendo, há quase três semanas ele lhe negava atenção e amor. Um homem como Vitoriano não passaria se quer uma noite distanciado de um belo e jovem corpo como o dela. Conhecia seu marido, se ele estava distante, havia, sim, outra mulher!
Lá estava ele, o homem rico, poderoso empreendedor do ramo de laticínios... Um solitário! Nem todo sexo do mundo poderia preencher aquele vazio sentido ao perceber Inês distante. Naquela noite, Vitoriano se lembrava de ter buscado Inês em seu quarto, como ele tinha costume de fazer. Para sua surpresa, ela estava ao telefone quando ele chegou:
LEMBRANÇA:
INÊS — O que você quer?
X: – Boa noite, Inês, quando você virá para casa?
INÊS— Já disse que não irei. O que você quer? – ela perguntou com um pouco de tensão na voz, sabia qual seria a resposta dele.
LORETO— Você! Quero a minha mulher, em casa, comigo. – foi direto e ríspido.
INÊS— Loreto, estamos nos divorciando e você sabe muito bem disso! Não sou mais a sua esposa! – a voz dela denotava cansaço em reafirmar aquela informação.
LORETO— Minha mulher, Inês! Isso é o que você é, ainda que você não goste! – a voz dele saiu fria e dura.
INÊS — Estamos divorciados! Você não pode me exigir nada! – a voz de Inês saía tensa, tinha tanto medo dele que transparecia em sua expressão aquela angústia ouvindo a voz dele.
LORETO— Eu quero você, Inesita, e vou tê-la de volta. – ele sorriu e ela pode se lembrar que tipo de expressão ele tinha no rosto.– Sou um homem rico. Eu fui indenizado por todo tempo que passei injustamente na cadeia por um crime que não cometi, um crime que Vitoriano cometeu! – ele gritou com ódio, tinha tanto desprezo por Vitoriano que era impossível que ele não demonstrasse.
INÊS— Não diga mentiras! Ele nunca faria isso!– a voz dela exasperou-se.
LORETO— Não o defenda! Você é minha mulher e tem que ficar do meu lado! – a voz dele foi ríspida depois de um suspiro de desaprovação, mudou de assunto.– Como está meu filho?
INÊS — Emiliano, meu filho, está muito bem. – foi incisiva.
LORETO— Eu amo meu filho, Inês e quero que ele tenha o melhor!
INÊS – Meu filho já tem tudo que precisa aqui comigo! Ele não precisa de sua presença em nossas vidas!
LORETO— Meu filho não será empregado de ninguém e muito menos a minha mulher!
INÊS— Por Deus, Loreto, deixe-nos em paz! Você pode ter a mulher que quiser agora que tem tanto dinheiro, porque não some de nossas vidas?
LORETO— Inês, eu quero você... E terei você!
INÊS— Por que? Você poderia se casar novamente...
LORETO— Já sou casado... embora estejamos divorciados no papel eu nunca me separarei de você. Eu nunca te trai. Você é a mulher que eu quero em minha vida, em minha cama. Eu vou buscá-la e trazê-la de volta para mim, você e meu filho Emiliano.
Inês sentiu seu chão faltar ao ouvir aquela declaração. Tinha medo dele, medo de voltar a ser tomada a força, medo de ser ferida em seu corpo e em sua alma. Aquele casamento com Loreto era um equívoco desde o começo e tantos anos depois, ele ainda era alguém de quem ela tinha medo absoluto. Só de pensar que ele tinha condição de resgatá-la da fazenda usando a força, já lhe dava calafrios.
INÊS— Eu não voltarei para você! Entenda isso!
LORETO— Você não ficará com esse homem maldito!
INÊS— Eu não estou com ninguém! E isso não seria da sua conta se eu estivesse!
LORETO— Eu morro por passar uma noite com você, Inês, sentir sua pele, beijar seu corpo, deitar-me sobre seu traseiro...– ele suspirou desejando fazer sexo com ela por horas.
INÊS — Você não voltará a me tocar, Loreto, não depois de tudo que vivemos!
LORETO — Eu mudei, Inês e quero te provar isso! Você precisa voltar para a nossa casa! Para seu marido! E viveremos juntos, eu, você e nosso Emiliano. Eu posso te dar tudo que você quiser, jóias, dinheiro, carros, tudo Inês!
Inês sentiu seu corpo inteiro ficar fraco.
INÊS – A troco de que, Loreto? De me violentar? De me bater? De me fazer chorar todas as noites e ainda te ver chegar com perfume de outras mulheres? É isso que você quer?
LORETO – Inês, esteja pronta, dentro de uma semana vou buscar você. É melhor que você venha comigo de boa vontade ou já sabe do que sou capaz...
INÊS— Você é um monstro, Loreto! Eu te odeio!
LORETO – Quero que me diga isso quando eu estiver entre suas pernas, Inesita, fazendo amor com você!
O telefone foi desligado e ela explodiu em chorou intensamente. Não podia perceber que do lado de fora de sua porta entreaberta Vitoriano se enfurecia. Não sabia exatamente o que o maldito Loreto havia dito à ela, mas pelas respostas dela e por todas as lágrimas, sabia que era algo que a fazia sofrer muito.
Inês chorou por mais alguns minutos enquanto Vitoriano se ajeitou de forma decisiva. Se o maldito marido dela estava de volta, então ele precisava tomar providências! Não tinha coragem de entrar e abraçá-la, como ele tanto gostava, não depois da briga que tivera com Débora por conta destas demonstrações de afeto pela governanta. Uma coisa ele sabia, ninguém levaria sua Morenita para longe dele!
DE VOLTA AO AGORA:
Vitoriano sentiu o rosto arder com a última dose de Tekila, queria sentir o coração disparar, mas não por aquele motivo. Durante toda noite desejara falar com Inês sobre o telefonema, mas o jantar fora uma agitação imensa. Cassandra estava empenhada em permanecer o namoro com Eduardo Mendonça, Diana insistia em uma amor que ele acreditava que não daria em nada e Constância estava atrevidamente saindo para banhos de cachoeiras com Emiliano nas últimas semanas.
Por tudo isso, conversar com Inês fora impossível. Ao término do jantar, sua esposa quase lhe devorava em frente as suas filhas e depois de muito insistência dela, os dois partiram para o quarto a fim de resolver as diferenças. Estivera duas vezes entre as pernas dela, gozando fisicamente cada parte daquele corpo jovem e sedutor, mas a cada reentrada, a cada estocada mais forte no corpo de Débora, Vitoriano se recordava que era Inês quem desejava tomar em seus braços.
Via a imagem de Inês projetada em sua cama, de seu sorriso, de seu desejo. Via o corpo de sua amada, nu, sobre os lençóis brancos, desejosa, intensa e sedutoramente se ofertando a ele. Ao gozar, ele podia ver a imagem real de uma Débora exausta e adormecida.
Vitoriano suspirou. Queria que tudo fosse diferente. Queria poder visitar Inês naquele mesmo momento e beijá-la com loucura até que não conseguisse respirar. Bebeu mais tekila, sentiu seu corpo responder ao simples fato de lembrar-se dela. E ali, sentado no sofá do terraço, ele adormeceu, de corpo saciado, mas de alma vazia.
AMANHECEU:
VITORIANO— Inês? – a voz dele saiu grave e se estendeu até onde ela pode ouvi-lo.
INÊS— Sim, Senhor? O que precisa?
VITORIANO— Eu quero que venha comigo. – ele já pegava o chapéu. A expressão tensa começava a se dissipar do rosto dele assim que viu a imagem dela, linda, com os olhos mais esverdeados naquela manhã em que escolhera esta cor para vestir-se.
INÊS— Vamos à cidade? Algo que esteja faltando na casa?
VITORIANO— Não, Inês, apenas quero que venha comigo!
INÊS— Mas eu preciso saber se devo levar minha bolsa ou o talão de cheques para comprar algo que o senhor me indique.
Vitoriano aproximou-se dela com todo seu desejo contido e disse firme:
VITORIANO— Apenas venha comigo, Inês...
JULIANA MARCIA RAMOS AZEVEDO (AUTORA DO ENREDO DESTA FIC)
SENHORA RIVERO TEKILA
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