-Você não pode fazer isso comigo! Eu tenho direitos, sabia?

-Eu pareço com um policial para você?

-Você tem ideia de quem eu sou? Sabe o que eu vou fazer com você por...

As mãos fortes e poderosas afrouxam o seu aperto, mas apenas o suficiente para que o corpo de Giovanni Montecchio escorregue um poucos centímetros. Todavia, ele não tem como saber disso e acredita piamente que o Cruzado de Capa irá soltá-lo do topo do armazém, uma queda de, no mínimo, vinte metros.

-Não! Não me solta! Eu faço qualquer coisa, mas não me solta!

-Onde está Waylon Jones?

-Quem?

Uma das mãos solta o corpo de Giovanni, levando-o a se agarrar com todas as forças no único braço que ainda o segura.

-Ah, o Crocodilo! Eu não sei, eu juro que não sei! A última notícia que eu tive daquele pinel era que ele tava em Arkham, eu juro! Mas por que eu deveria saber dele?

-Ann Sheppard foi encontrada morta, seu corpo mostrava claros indícios de canibalismo.

-Aquela vagaba foi morta? Que maravi....quero dizer, olha eu não estou exatamente triste por isso, mas eu não paguei ninguém para apagar ela. Ficaria muito na cara que fui eu quem mandou se isso acontecesse logo agora. Além do mais, desde que aquele maluco matou meu pai nossa família não tem mais negócios com ele.

Os olhos do capuz se estreitam enquanto examinam o rosto de Giovanni. Era nessas horas que seu longo treinamento com Henri Ducard mostrava-se útil. Afinal, fora Ducard quem lhe ensinara, entre tantas outras técnicas vitais à um investigador, a importância e a maneira de ser ler um rosto. "Um bom investigador" dizia ele "deve estar sempre atento à todos os mínimos detalhes, sejam eles apresentados pelos suspeitos. E nada lhe fornece mais detalhes, garoto, do que o rosto de um suspeito quando exposto à uma situação extrema.". Apesar de repudiar à excessiva violência dos métodos de seu antigo mestre, ele não poderia lhe negar o mérito quanto à esse item. O rosto de Giovanni era para ele agora, depois de anos de treino e de experiência, um livro aberto onde ele conseguia ler cada sílaba de medo, raiva e ver o tom inegável da verdade.

Percebendo que está perdendo seu tempo ali, o Detetive solta Montecchio que grita desesperadamente enquanto caí.

Giovanni vê toda a sua vida passar diante de seus olhos fechados enquanto espera o contanto com o sólido chão de concreto que o espera a vinte metros de distância. Mas então, um súbito puxão em ambas as pernas interrompe sua queda e o faz abrir os olhos. Algo o segurava, de cabeça para baixo, à cerca de oito metros, algo...aquilo era uma corda?

-Ei! Você não pode me deixar assim! Ei, você tá me ouvindo?

Vendo que nenhuma voz responde ao seu chamado, uma súbita maré de ódio irrompe em Giovanni Montecchio enquanto o seu sangue lentamente sobe até sua cabeça.

-Isso não vai ficar assim, tá me ouvindo? Eu só vou descansar quando você estiver morto. Tá me ouvindo, Morcego? Hein, tá me ouvindo?

Já longe do armazém, Batman desativa o modo de proteção do Batmóvel e entra com um salto preciso e calculado no veículo. Mal ele entra, o veículo saí em disparada.

-Alfred, você está na escuta?

-Sim, patrão Bruce. Como foi a sua entrevista com o Sr.Montecchio?

-Ele não sabia de nada, Alfred. Exatamente como eu esperava. Mas pelo menos encontrei o tal carregamento de drogas que chegou em Gotham na semana passada. Contate Jim e diga à ele para trazer alguns homens até o armazém 51 das docas.

-Considere feito, patrão. Agora, se me permite desviar um pouco o assunto, o senhor tem uma entrevista marcada com a senhorita Lane daqui a uma hora.

-Vai ter que ficar para a próxima, Alfred. Tenho alguns lugares para ir antes de dar a noite por encerrada.

-Algum desculpa em particular, senhor?

-Diga a ela que eu sinto muito por não poder comparecer, mas um antigo amigo da família me forçou a resolver alguns negócios urgentes.

-Considere feito, senhor.

A transmissão é encerrada, deixando o motorista só com seus pensamentos enquanto ele dirige pelas pequenas e mal cuidadas ruas da parte baixa de Gotham.

Em pouco tempo, o Batmóvel desaparece na noite.