5 anos haviam se passado desde o incidente no lago e nesse meio tempo Waylon havia crescido em tamanho e força. Com apenas 13 anos ele já tinha a altura de um pequeno homem e a força de um homem feito. Sua força lhe serviu de ajuda nos pequenos bicos que ele arranjava para ganhar algum dinheiro que pudesse usar — uma vez que todo o dinheiro extra da sua casa ou era bebido ou fumado — e seu tamanho intimidava todos aqueles que antes faziam piadinhas ao seu respeito. Não era que as piadas deixassem de ser feitas, mas nunca eram feitas em sua presença ou onde ele pudesse ouvir.

Sua aparência física também havia piorado muito. Sua pele se parecia cada vez mais com couro; seus dentes se tornavam mais e mais fortes e resistentes e o crescimento desordenado deles lentamente aumentava e distorcia sua mandíbula, aumentando-a cada vez mais.

Mas, a medida que suas proporções mudavam tão grotescamente, havia algo nele que permanecia igual ao dia em que nascera, sua memória. E, dentre todas as memórias, a surra que levara de Johnny Maldorado e de sua gangue ainda ardia como se tivesse sido marcada com ferro em brasa na sua mente.

Dia após dia, ele sonhava com a oportunidade de se vingar pela humilhação e pela profanação de seu santuário pessoal. Em seus sonhos, ele via as diversas maneiras como poderia se vingar deles. Um dia, seus corpos se amontoavam em poças de sangue, seus ossos quebrados e expostos enquanto seus gritos adoçam seus ouvidos; em outro, ele via Johnny lutando para conter o sangramento profuso de sua jugular estraçalhada enquanto sua língua se refestelava com o sabor de sangue fresco; em outro, corpos boiavam no mesmo lago em que um dia ele nadara e em seus rostos estava uma máscara de pânico e desespero oriundo da sensação de sentir o ar dar lugar a água em seus pulmões.

Com tudo isso Waylon sonhava mas nada daquilo lhe satisfazia plenamente. Aquelas era mortes horríveis e dolorosas, isso era verdade, mas ainda assim muito rápidas. Ele queria fazer com que eles sofressem pelo que lhe fizeram, um sofrimento de proporções bíblicas.

E, num belo dia de Novembro, ele teve uma inspiração.

Ele estava voltando de uma tarde de trabalho em uma pequena fazenda da região quando passou pela casa de Johnny Maldorado. À princípio, não havia nada demais naquilo, uma vez que a casa ficava na saída da pequena cidade, mas foi um pequeno som que ele ouviu que fez com que ele parasse sua caminhada. Novamente, o som se repetiu e à ele se seguiu uma alegre gargalhada. A gargalhada era sem dúvida de Johnny, um som que ele jamais iria esquecer em toda a sua vida, e isso chamou sua atenção mais do que tudo. Então, sorrateiramente, ele se aproximou de um grande arbusto que crescia junto com a cerca da casa e, uma vez escondido, observou o quintal através de um pequeno buraco na madeira e, aquilo que viu, fez surgir um sinistro sorriso em seu rosto reptiliano.

No quintal da casa, Johnny brincava com um grande e belo cachorro vira-lata de pelo marrom e negro. O cão se chamava Gene e fora um presente pelo aniversário de dois anos de Johnny e, desde aquela época, o afeto entre os dois eram imenso. Todos os dias, ao cair da tarde, Gene esperava seu dono na porta de entrada da casa, sabendo que ele estava para voltar da escola. Todas as manhãs ele ficava de frente para a porta, esperando pacientemente que ela fosse aberta e seu dono viesse para lhe dar comida e carinho.

Waylon não sabia de nada disso, mas a cara de extrema felicidade de seu inimigo lhe disse tudo o que ele precisava saber. Foi assim que ele percebeu o que deveria fazer.