Sentado em seu escritório. Cobblepot fumava descontraidamente um charuto, enquanto observava seu clube pelas telas instaladas no escritório. Um sorriso iluminava seu rosto pequeno. Um informante no DPGC lhe informara de que Giovanni Montecchio fora preso nas docas de Gotham, junto com um grande carregamento de drogas. Isso animara em muito a noite de Oswald. Afinal, Giovanni Montecchio podia ser um idiota, mas era um idiota com uma grande força a sua disposição. Agora que havia sido preso, tudo o que o Pinguim precisava fazer para destruir a família era injetar um pouco de dinheiro nos lugares certos. Caso não desse certo...bem, ao menos eles ficariam enfraquecidos, o que o permitiria avançar um pouco mais no mercado de drogas.

Uma vitória, de qualquer forma, pensou o Pinguim.

Súbito, um evento chamou sua atenção. A partir dos controles posicionados em sua mesa, ele aproximou a câmera da seção 17 do Cassino. Cuidadosamente, ele observou o jogador de terno branco e óculos escuros. Seria mesmo? pensou o Pinguim, enquanto estudava minuciosamente cada um de seus gestos. Sim, ele estava contando.

Sem se alterar, pegou seu intercomunicador.

– Senhorita Cotovia? — chamou, calmamente, ainda observando o jogador.

– Sim, senhor? — respondeu a voz feminina do outro lado da linha.

– Por favor, avise os seguranças do Cassino que temos um contador na seção 17 do cassino, sim? Ele está de terno branco e óculos escuros.

– Sim, senhor.

Um breve silêncio se fez, antes que Cotovia voltasse a falar.

– O que devemos fazer com ele, senhor?

– Mandem darem uma surra nele.

O Pinguim baixou seu comunicador e pensou por um instante. Rapidamente, pegou-o novamente e falou:

– Pensando bem, mandem apenas que quebrem as pernas dele. Estou me sentido generoso hoje.

– Como queira, senhor.

Voltando então para as telas ao lado do escritório, o Pinguim observou atentamente quando seus dois seguranças agarraram o trapaceiro e o levaram para longe. Riu quando viu a reação de todos os outros da mesa e das mesas ao redor que não só viram a cena, como prontamente baixaram a cabeça e fingiram que nada havia acontecido.

"Isso vai ensinar uma lição àquele imbecil." pensou Cobblepot se reclinando sobre a poltrona.

Sua mente então, passou para assuntos mais simples. Fazia um bom tempo que não havia uma apresentação decente no Clube. " Alguns músicos muito bons vieram mês passado, é verdade. E algumas dançarinas, mas nada realmente impressionante. Isso não pode ficar assim ", pensou, "afinal, essa casa tem uma tradição à manter, e eu tenho um nome a zelar. Mas quem ou o que eu poderia trazer para cá dessa vez? Uma trupe de russos? Uma nova banda? Será que a Zatanna ainda se apresenta? Seria uma maravilha poder dar uma conferida naquele material....."

Mas o Pinguim não conseguiu completar sua linha de pensamento pois, do lado de fora, sons de luta começaram a soar. No começo, ele pensou que era o trapaceiro em uma luta desesperada, mas bastou ouvir com mais atenção para saber que não era nada daquilo como os gritos desconexos por ajuda e reforço indicavam.

Pegando novamente o intercomunicador, ele tentou chamar pela senhorita Cotovia e assim conseguir uma informação sobre o que estava acontecendo mas, antes que pudesse sequer pensar em ligar, a porta do seu escritório foi derrubada pelo corpo inconsciente de um de seus seguranças.

– Sabe, — começou o Pinguim enquanto se endireitava na sua poltrona. — Não era isso que eu tinha em mente quando sugeri que você usasse as portas.

Sem dizer uma palavra, o Cruzado de Capa entrou no recinto. Do lado de fora, um dos guardas caídos conseguiu se levantar e, sem fazer barulho, avançou em direção ao intruso que agora ameaçava o seu chefe. Antes que conseguisse atacar, no entanto, o vigilante o derrubou com um forte soco, sem sequer se virar.

– Então, — disse o Pinguim quando toda a luta havia finalmente terminado. — O que posso fazer por você?

– Waylon Jones.

– Quem?

O vigilante se aproximou da mesa, parando a alguns centímetros do Pinguim. Oswald Cobblepot não era um homem de se deixar intimidar. Isso nunca funcionara com ele mas, ao ver o morcego, e toda a raiva que se escondia por trás da máscara, ele fraquejou.

– O que tem o Crocodilo?

– Onde ele está?

– Da última vez que ouvi falar dele, ele estava em Arkham.

– Não tenho tempo para isso, Cobblepot.

– Olha, eu sei que você está aqui por causa da jornalista, mas eu vou te dizer uma coisa: Não fui eu. Ela não tinha nada sólido contra mim — não que isso exista — e, mesmo que tivesse, bem, eu teria métodos mais sutis para me livrar dela do que contratando aquele maníaco.

Sem dizer mais palavras, o Cruzado de Capa deu as costas ao empresário e saiu de seu escritório, deixando-o completamente aturdido Nunca antes um interrogatório do morcego fora assim tão tranquilo ou rápido. Era quase como se ele já soubesse da resposta antes mesmo de fazer a pergunta. Mas então, por que ele viera?

Sem encontrar uma resposta boa o suficiente, o Pinguim deu de ombros e voltou a pensar em que atração poderia trazer para o Clube Iceberg.

Do lado de fora do Clube Iceberg, uma fina chuva começava a cair, enquanto o rugido de um poderoso motor quebrava o silêncio da noite.