Notas iniciais
Vamos ver o que vocês vão entender com isso. Lembrem-se.. ''aqueles olhos vermelhos''

Pode parecer loucura

E na verdade é mesmo.

Mas, que mal faz, não?

Qual o problema de se deixar levar pela loucura?

Bom...tem vários, mas quem liga?

Eu não.

E você?

(...)

– Quando ele vai acordar? — perguntou a raposa, sentada em um banco, ao lado de uma cama com diversas siringas e bisturis, onde um ruivo com uma cicatriz em forma de cruz parecia a única coisa viva ali... Naquela cama onde o garoto que foi o herói da guerra repousava calmo, com o rosto sereno. Aquela mesma paz que sempre o acompanhou, e o que fez Yagura mudar...

A outra, era Mei, que estava do outro lado da cama, também em um banquinho esperando o ruivo acordar..

Foi um choque e tanto quando ele depois de erguer sua espada, deixar seu braço cair mole como um pedaço de carne, e logo ele mesmo cair ao lado de Yagura, que estava desacordado, as novas cicatrizes que o ruivo fez em seu braço, nem seus médicos conseguiram deixar completamente curada, algumas boas marcas podiam ser vistas, e em seu peito, com certeza não conseguiram fazer nada contra isso, nem quando cinco de seus médicos gastaram todo o seu chakra nela, e nem sequer teve alguma alteração... Ela própria, se esforçando levou o corpo de Naruto, em seus braços, com ela o arrastado nos ombros, para seus novos amigos...

– Eu espero que não demore. — respondeu calma, mas só depois de muitos pensamentos virem a cabeça. — Não sei se estou perfeitamente pronta para vê-lo deitado em uma cama para sempre...

A raposa albina, que agora acariciava os cabelos maiores e bem cuidados do ruivo, se permitiu derramar uma singela lágrima, Mei nunca pensou que aquela mulher fosse do tipo que chora, só saiu desse transe quando ela lhe olhou nos olhos.

– Achou que eu não tinha sentimentos, é? — brincou com a Mizukage, vendo o rubor no rosto dela sorriu. — Não é porque sou uma velha para vocês que eu tenha desaprendido a arte dos sentimentos, na verdade é o contrário.

Mei se interessou de imediato, virou todo o seu corpo, cruzando as pernas e colocou as mãos em suas coxas torneadas e volumosas, perfeitamente disposta a continuar aquele assunto, que surgiu sem pé e sem cabeça. A cadeira sendo arrastada mais pra frente, afinal de contas, ela foi mais pra frente também.

– Pode me explicar o porquê deles não diminuírem? — perguntou, observando os movimentos dos dedos da raposa, em seus cabelos brancos, brincando com as pontas e com as suas orelhas felpudas, como as de uma perfeita raposa.

– Bom, acho que não tem problema nisso. — murmurou em um sorriso fino mostrando seus dentes. — Faz mais ou menos uns dez mil anos já, eu era jovem... Tinha apenas dois mil anos de vida.

Mei sentiu gotas lhe desprenderem o rosto, apenas dois mil anos de vida? E ela que nem 100 anos direito poderia viver, quanta inveja...

– Não faça essa cara, pirralha... — disse, cruzando suas pernas, suas caudas balançando, passando em volta de seu corpo, como um escudo natural, algo natural das raposas se encolherem com suas caudas.. — Eu não sabia de muitas coisas sobre os 10 mundos, apenas sabia sobre esse mundo...

Mei ficou surpresa com as palavras da mais velha, 10 mundos em?

– Pode me explicar esses tais 10 mundos que você falou? — pediu educadamente, aprendeu com Kyuubi que sempre era bom ouvir histórias de mais velhos, principalmente de raposas milenares.

A outra não pareceu estar muito a vontade sobre entrar nesse assunto, quando estava prestes a dizê-la para esquecer isso, ela simplesmente em longas pausas lhe respondeu.

– Digamos que...são os 10 mundos interiores dos dois multi-versos. — respondeu, ainda insegura de si para contar isso para alguém, ainda mais alguém do primeiro mundo..

Mei notou a falta de vontade pendurada na garganta da mais velha, mas resolveu mudar de assunto, por enquanto estava bom saber que existiam 10 mundos..

– E continuando, o que houve nesses dez mil anos atrás? — disse, tentando sorrir amigavelmente, era óbvio que um clima desagradável havia se posto ali, mas era bom conversar, principalmente quando o ser que deixava o coração de ambas as mulheres ali presentes batendo em ritmos frenéticos estava desacordado a uma semana inteira...

A mais velha desfez seu sorriso, mas Mei viu que em seus olhos estava perdida em suas próprias lembranças, voltando num tempo em que ela nem pensaria em nascer..

– Conheci uma pessoa do primeiro mundo, que é o mundo de onde nos encontramos agora. — respondeu, voltando a sorrir. — O nome dele era Shintu Himura... Ele era um espadachim muito hábil para o seus padrões.

Mei estreitou os olhos, Himura, ela conhecia muito bem este nome..

– Ele era alguma coisa de um tal de Rurouni Kenshin, ou simplesmente Battousai? — questionou, realmente aquele nome, o nome desse homem, todos ainda se lembravam das histórias ditas pelos mais velhos.

– É bom ver que você conhece esse homem, isso me poupa de explicar algumas coisas que demorariam a ser ditas. — disse, voltando a pensar em algo que Mei não sabia dizer no momento, mas estava atenta.

– Bom, digamos que eu conheci esse homem, enquanto eu me banhava naquele riacho.. — respondeu, sorrindo e rindo ao mesmo tempo, o garoto que deitava a sua frente tinha aparecido da mesma forma que Shintu, era irônico.

– Era o riacho que tu dizia morar para proteger a espada de Naru-chan? — perguntou a Godaime, vendo o aceno em resposta continuou. — Que interessante, continue por favor..

– Está certo... Vejamos...eu conversei com ele, não me lembro ao certo, ele ficou comigo por muito tempo, ele morava numa vila hoje nem lembrada, vinha me trazer maças, eu adoro maças...elas tem uma cor e um gosto muito bons...acho que fiquei cerca de 2 anos nessa pequena rotina de conversas, maças...espadas por consequência..ironicamente ele nunca me questionou pelas minhas caudas ou orelhas, iguais a de uma raposa..

Mei apenas ouvia tudo, estava gostando de ver onde aquilo estava indo.

– Treinou ele? — questionou

A outra alargou ainda mais o sorriso, a espada enrolada em uma cinta de seu kimono branco pareceu balançar sozinha, como se tivesse vida, Mei não tirou essa hipótese da cabeça, aprendeu que tudo era possível com seus novos amigos.

– Na medida do possível, sim...treinei. Ele tinha o mesmo talento latente por espadas que esse garoto tem, mas a única diferença é que esse aqui. — Apontou para Naruto deitado na cama com seu indicador, lambendo os lábios. — Me fez amar novamente, eu amava apenas aquele homem... Lembro que descobri que vocês humanos não acasalam, vocês são máquinas de sexo...

Mei gargalhou, limpando os olhos com as pontas dos seus dedos, aquela garota era realmente imprudente e não era previsível, mas uma questão se fez pendente em sua mente.

– Então você não amou mais ninguém até conhecer Naru-chan? — questionou séria, aquilo seria útil para contar histórias para as próximas gerações futuras, já podia ouvir '' A raposa branca rabugenta apaixonada'' sendo louvada pelos mais velhos e saudada pelos mais novos.

– Não, não amei...simplesmente não consegui amar outro a não ser ele...eu acho que é essa cicatriz, que sempre me acompanha... — respondeu Hyuuni, se deixando ser levada por suas próprias memórias, se perdendo em seus olhos, voltando no tempo.

Mei deixou isso por alguns minutos, mas vendo que a outra já podia erguer sua cabeça, resolveu continuar na parte da cicatriz, já que aquilo Naruto também possuía.

– Essa cicatriz que tu falaste agora, és a de cruz que Naru esbanja ter também? — questionou, se curvando ainda mais pra frente na cadeira.

– Sim...é a mesma, Shintu também tinha, mais tarde... conheci Battousai...o nome dele era Shinta, ele tinha a mesma cicatriz em forma de cruz que Shintu tinha, os mesmos cabelos ruivos, mas a questão que pendurava em minha cabeça por duzentos anos, era se aqueles dois tinham algum parentesco..

Mei resolveu até mesmo enviar chakra a seus ouvidos para ouvir isso, não perderia isso por nada, eles com certeza tinham algum parentesco, o nome era muito singular, e suas aparências também eram.

– Infelizmente, não...não tinham nada de ligações sanguíneas, eu queria acreditar que aquilo não tinha acontecido.. — continuou sua fala, dessa vez derrubando mais do que uma lágrima de seu rosto, Mei pensou que até mesmo as mulheres mais fortes ainda sim, eram mulheres..

– O que aconteceu, exatamente? — perguntou, mas vendo as lágrimas aumentarem se corrigiu. — Ei... desculpe Hyuuni-san, eu não queria dizer isso, ó céus onde estão meus modos, perdão...

A outra nem pareceu ter ouvido alguma coisa dela.

– Como de costume, ele me traria maças, e ficaria até a noite, treinaríamos, conversaríamos, riríamos um do outro, iriamos fazer amor, como as diversas vezes que fizemos, eu amava aquele homem Mizukage.. — as lágrimas aumentaram sobre os olhos da mais velha. — Mas uma vez, me lembro que foi em outubro... Ele não veio no horário, ele cumpriu isso por dois anos, mas dessa vez ele não veio... Eu resolvi esperar, estava angustiada, queria saber onde estava. Mas eu realmente não gostei da resposta..

– Se quiser parar Hyuuni-san, eu irei entender. — completou para a outra. — Desculpe ser tão insensível e ser tão curiosa, perdão...

Novamente, ela nem pareceu ter dado importância para isso.

– Eu resolvi caminhar por ai, andar pelo mesmo caminho que ele me trazia as maças. — chorou ainda mais. — mas ele estava lá, eu fiquei feliz, eu podia ver ele de longe...apenas uma shilueta dele, mas lá estava ele, aqueles cabelos, aquela cicatriz em forma de cruz, aqueles olhos roxos que as vezes viravam azuis céus..

Mei viu que a parte ficou pior, ela estava soluçando... as caudas a abraçando, para se proteger em seu momento de sentimentalismo

– Eu não consegui ver muito bem...era como se meus olhos não funcionassem, eu vi uma mulher andando em direção a ele...Eu vi que Shintu sacou sua espada, a Surudoi Ha eu vi ele largando as maças de sua outra mão.. Mas eu vi aquela mulher, ela tinha uma aparência estranha, aqueles olhos vermelhos..Eu nunca esquecerei aquele brilho que tomou a vida de Shintu...

A própria Mei agora dava leves suspiros, chorando de leve, era impossível não se comover com isso. Mas Hyuuni continuou.

– Eu...eu juro que nunca corri tão rápido, minha espada já estava pronta para partir o corpo daquela vagabunda ao meio, mas ela sumiu...eu pisquei meus olhos, e ela já não estava mais lá...A única coisa que estava lá... era o corpo de Shintu... Eu coloquei a cabeça dele no meu colo, o coração perfurado dele. Ele tossia sangue, eu chorava, meus suplicamentos misturando com o cheio da morte, a morte dele...

Mei se levantou e foi para perto de Hyuuni, com sua cadeira nas mãos, se sentou ao lado dela, e a puxou para um abraço, que ela não demorou para retribuir rápido..e com toda sua força..

– Eu me lembro, daqueles olhos dele mudando de roxo para azul.. Eu me lembro... de olhar para os olhos dele, e ouvir em sussurros pequenos, pausados... Uma...re...ka...wa...ri..

Mei franziu a testa, em compreendimento súbito, aquelas palavras...ela sabia o que era.

– Ele disse reencarnação, então, ele reencarnou no...- parou de falar, sua garganta engasgou com a possibilidade...

Hyuuni deu uma risada sem graça..

Sim... meu primeiro amor, reencarnou no Naruto... Eu nunca deixarei ele morrer novamente...