– Você se refere para onde as almas vão quando deixam o seu corpo físico ? – questionou a raposa, bocejando no plano mental, suas caudas alvas balançando freneticamente, as enormes presas para fora, Naruto sentado ali na frente dela, pensou que aqueles dentes podiam estar ficando ainda maiores com o tempo. – Curiosidade interessante essa sua, não?

Naruto apenas deu de ombro, olhando nos olhos da raposa, que soltou um resmungo, queria dormir, ele estava perto da entrada do exame Chunnin, curiosidade interessante a dele, apesar de irritante, olhando no rosto dele, viu que ele não desistiria, bufou.

– Você realmente é um garoto curioso, meu filhote. – apontou para uma de suas caudas com sua unha, Naruto se levantou e foi andando, se encostando e ficando deitado em uma delas, enquanto a raposa baixava sua cabeça. – Existem alguns lugares que elas podem ir, dependendo da marcação da alma.

Naruto franziu o cenho, marcação de alma? Nanatsu vendo o rosto descrente do filho, resolveu explicar.

– Marcação como o próprio nome diz, é uma marcação de destino, é como uma carta, que contém o destinatário de onde vai. – respondeu. – É algo cruel, se for visto por um lado.

– Por que seria? – perguntou o ruivo, encostado e fechando os olhos, se concentrando em apenas ouvir.

Nanatsu deu um profundo bocejo, aquilo iria durar algum tempo.

– Porque você pode ser a luz mais pura desse mundo. O mais santo, se sua marcação for o inferno, irá para tal, mesmo não cometendo demais pecados ou corrompendo o plano que mora, ou as pessoas, pode ser bom, mas pode ir para algo ruim quando morrer... Megami é cruel se for vista de um ponto crítico, todos são.

Naruto ficou perdido em pensamentos, se perguntando qual seria sua marcação. Nanatsu pareceu ler isso e o respondeu.

– Sua marcação está destinada para o quarto mundo, para o mundo das bestas, eu não sei o motivo, mas deve ser algo grande, mas a questão que pendura, se você irá conseguir chegar lá.

– Como assim? — perguntou Naruto, abrindo os olhos.

– Sua alma depois de morta, não teria rumo, só teria um rumo após conseguir uma chave, e essa chave abriria um dos mundos, que você está marcado a ir, por exemplo. Você está destinado a ir para o quarto mundo, mas você só pode entrar se tiver a chave do quarto mundo, entende? Caso não tiver você vai para o céu o inferno, um lugar ‘’reserva’’ que você ficaria até achar a espada.

Naruto entrou em um profundo silêncio, essas coisas lhe dariam uma boa dor de cabeça mesmo.

– Não fique chateado, isso é normal. Humanos são meras gotas em um mar vasto que atravessa o universo, se todas as gotas que os humanos representam fossem retiradas, o mar ainda continuaria a ser um mar... — zombou, deixando Naruto em suas caudas um tanto emburrado.

Nanatsu vendo a cara de seu filho, colocou o focinho nele, roçando, claro que com carinho, mas como ela era maior, o ruivo tombou ao chão.

– Você é muito cruel com seus filhos, mãe. — repreendeu o ruivo, massageando as costas.

Nanatsu colocou uma das caudas ao redor do corpo de Naruto, que não se assustou com isso, já aconteceu várias vezes, a cauda o levou para frente do rosto da raposa branca, que um dia havia se sujado com o sangue dos próprios filhos.

– Não sou cruel, criança. Sou apenas o que queriam que eu fosse. — respondeu, deixando essa frase muito ambígua para ser entendia de forma simples.

Naruto suspirou, não conhecia sua mãe por inteiro, apesar de já ter visto boa parte de suas memórias, não é apenas com relances que se conhece alguém verdadeiramente, ela mesma havia lhe ensinado isso, quando ainda era apenas uma voz.

– Não consegue ser mais clara Nanatsu? — pergunto o ruivo para a raposa, a cauda ainda em seu corpo, desta vez colocando ele em cima de seu focinho, perto demais dos olhos em fenda da raposa.

– Não tem motivo para mim ser. — respondeu — Se não consegue entender frases mascaradas por mentiras, não conhecerá a verdade por trás delas.

Naruto suspirou, um costume da raposa era ensinar a ele suas filosofias de vida, afinal era muito vivida... Como uma velha raposa.

– Eu ouvi moleque. — rosnou. — Não se esqueceu que compartilho sua mente com a minha, posso ouvir todos seus pensamentos, quer que eu conte para Hyuuni que você a ama?

Naruto nem ao menos vacilou com aquilo, apenas deu um de seus típicos sorrisos, deixando a raposa com surpresa, esperava uma reação diferente dele.

– Pode contar, não me importo se ela descobrir meus sentimentos, até torço para isso. — respondeu, rindo da cara estupefata da outra. — Por quê essa cara mãe? A raposa velha perdeu a fala?

Nanatsu rosnou com isso, mas não conseguia se irritar com ele, Naruto sabia disso, devia ser por isso que ele a provocava.

– Por que não se importaria se ela descobrisse que você a ama ? — perguntou

Naruto nem precisou pensar, olhando nos olhos da raposa, bem no fundo deles, Nanatsu jurou que ele estava vendo sua alma, igual como as raposa faziam.

– Porque você me ensinou que deixar sentimentos bons escondidos é uma besteira típica dos humanos, você me ensinou que nós em nossa vida curta, devemos aproveitar para sentir tudo o que um ser vivo deveria sentir. — respondeu, deixando a raposa em silêncio, esse garoto mudou muito de alguns anos pra cá.

– Boa resposta, vejo que minhas histórias serviram para alguma coisa, esta Nanatsu se encontra orgulhosa. — disse Nanatsu, bocejando, fazendo Naruto cair de seu focinho, mas uma de suas nove caudas o encontraram antes dele cair, Naruto estava com uma cara estranha, ficou curiosa.

– Mãe, por que você se chama Nanatsu ? — perguntou o ruivo, aquilo nunca havia lhe passado pela cabeça, parecia ser uma boa hora.

Kyuubi ficou em silêncio profundo, ignorando os olhos de seu filho presos nela, apenas silabou em um sussurro forte.

– É melhor voltar para o exame, a primeira parte já começou.

Naruto não entendeu o motivo dela não querer responder algo tão simples, mas vendo isso, voltou ao seu próprio plano e viu que já estava em um corredor, com vários e vários outros gennins, ouviu múrmuros de que essa não era a sala, verdadeira, só depois se deu conta que realmente aquela não era a sala verdadeira, porque Sasuke ativou o Sharingan, e viu a ilusão barata no número da sala.

Logo, dois chunnins, que estavam disfarçados de gennins apareceram, ambos disfarçados em um henge.

– Pelo visto algum desses três é alguém razoável... — disse um garoto, um ano mais velho que eles, tinha os cabelos compridos, os olhos perolados indicavam de que clã era exatamente, o mais forte atualmente, clã Hyuuga, Naruto nem se deu o trabalho de direcionar um olhar novamente para ele, o que viu que deixou ele muito irritado, mas ignorou, virando as costas resolveu se aproximar de seus próprios companheiros. Sasuke e Sakura que estavam para subir as escadas para ir a verdadeira sala também não se deram ao trabalho de direcionar um novo olhar para ele.

O Hyuuga que os provocou se irritou com alguém virando as costas para ele, aquele ruivo com a espada, lhe virou as costas, vendo isso avançou em direção ele, não iria o matar, apenas daria uma pequena lição, mirando sua mão no pescoço dele, quando estava a poucos centímetros de o acertar, uma mão veloz, tão rápida que ele mal conseguiu ver o movimento parou sua mão com um aperto forte, aquilo iria deixar marca.

O Uchiha que revelou a ilusão no número da sala, havia parado sua mão como se não fosse nada, ativou seu Byakugan, e viu que o moreno havia ativado o seu próprio, perola contra rubi.

Ainda olhando nos olhos do último Uchiha da vila, viu que ele mal parecia se esforçar para o segurar, enquanto ele próprio estava puxando o braço com toda a força que possuía, mas direcionou os olhos para a companheira dos cabelos rosa que ele tinha.

– Não precisa ser tão cruel com os mais velhos, eles são nossos senpais Sasuke-kun. — disse Sakura, nem olhando para o Hyuuga.

Sasuke deu um suspiro leve, soltando o pulso do outro, que viu que estava um profundo roxo onde ele estava apertando, se afastou e subiu as escadas junto com o ruivo e com a rosada, nem sequer virando os olhos para os demais no corredor.

– Aquele Uchiha, ele é forte, tive dificuldade para ver o movimento dele. — disse um garoto de macacão verde, companheiro do Hyuuga, acompanhado de uma menina também.

– É Neji, parece que encontrou um rival. — provocou a garota, mas se calando com um olhar do Hyuuga.

– Não diga asneiras Tenten... — apenas disse isso, e subiu as escadas, afinal a primeira parte não era naquele andar.

Só estava começando.