Kyu Ryu no Tsui Sen - Hakusi Tetai
29 Especial '' Verdadeira Família ''
A família que você merece, está bem aqui
(...)
– Eu... Voltei – disse Hyuuni, observando o ruivo ainda ficar sentado naquele maldito lugar, o lugar onde vidas foram perdidas como folhas quando o vento passa e elas caem de suas árvores, o lugar onde com certeza absoluta a morte exibia um sorriso satisfeito, enquanto comia as almas dos mortos. – Já fazem três dias... Precisa comer... Aqui.
Hyuuni esticou os dois braços, estes seguravam uma marmita, feita por Yugao e por Anko, que não conseguiam chegar perto de Naruto e vê-lo naquele estado, mas a raposa branca parecia ser forte o suficiente pra isso, forte o bastante pra ver a reencarnação do único homem que amou se afogar na própria míseria. Na marmita havia apenas bolinhos de arroz. Hyuuni com um cuidado quase maternal, enquanto segurava um bolinho com a mão esquerda, com a direita ergueu o rosto do ruivo.
Naruto nem ao menos se indagou a direcionar uma única mirada ao rosto dela, nem ao menos se importava com isso, nem estava mais contando o tempo, nem isso.
Hyuuni estendeu o bolinho até ficar na frente da face do ruivo, este apenas viu, e depois se voltou a olhar pra chão, onde tudo havia piorado ainda mais. Hyuuni não desistiu, pegou um único grão de arroz e colocou na boca do ruivo, apenas observando. Felizmente, ele abriu a boca o suficiente,pra ela empurrar o grão para dentro, comendo ao menos um. Hyuuni suspirou, aquilo iria demorar.
– Bom, se vai ser desse modo, me permita sentar e acompanhar a sua fase depressiva. – tentou brincar com o ruivo, mas os olhos dele ficaram ainda mais escuros, como um céu em noite de chuva, podia ser bonito, mas escondia uma enorme infelicidade por de baixo de tudo. – Desculpe-me.
Naruto continuou a olhar pro chão, mas pra ela, podia se abrir um pouco mais, confiança... Era algo que ele mesmo já sabia que não teria mais em ninguém, nem nela própria. Comeu outro grão que ficou em seus lábios. E mais outro, parecia um ritmo que ele conseguia acompanhar, não sabia como já não tinha morrido.
– Não pense em morrer, por favor. – suplicou a mais velha, a voz ficando mais embargada pelo choro. – Eu não quero que você morra como Shintu morreu... Não quero que Nanatsu me tire duas pessoas insubistituíveis pra mim.
Naruto ficou em silêncio, mas movimentou a cabeça, em sinal de entendimento, comeu outro grão. Dessa vez levantou a cabeça pro céu, estava de noite, o céu tão igual como naquele dia, que não fazia nem tanto tempo que tinha ocorrido... Traição... Que palavra tão entedida pra ele agora.
– Você... – sussurrou a primeira palavra, os olhos de Hyuuni explodiram em um brilho ao ver ele falar algo pela primeira vez em dias. – Acredita que ela sempre planejou isso?
Hyuuni sabia exatamente do que ele estava falando, queria poder evitar, mas se era isso que o faria falar, pois bem.
– Não seria errado, você viu o que ela disse. – Hyuuni colocou outro grão na boca do ruivo, este ele cospiu, Hyuuni estreitou os olhos. – Não faça isso, é comida. – repreendeu o ruivo, que nem ao menos se deu ao trabalho de se invocar ou se arrepender. – Continuando: Eu tenho certeza que ela tinha um plano perfeito pra isso.
– Por que? – perguntou Naruto, baixando sua cabeça e olhando nos olhos da raposa.
– Ela matou Shintu, e você ouviu pela boca dela o que ela disse: Eu esperava pra ver isso pela segunda vez, a um bom tempo, e olha que cada minuto. Minto, cada segundo está valendo muito a pena.
Naruto riu, mas não era uma risada de graça, era uma risada sem humor, sem motivo, apenas rir por rir.
– Você se lembra da frase mesmo. – disse o ruivo, comendo outro grão. – Eu não posso falar muito disso, também me lembro da minha.
– Por quanto tempo pretende ficar aqui? – tentou mudar o rumo dos pensamentos do ruivo, mas parecia que não estava dando certo, pois os olhos dele perderam ainda mais o brilho, se é que isso era possível.
– Ela nunca me amou... – continuou, em um sussurro, tão baixo que até os ouvidos da raposa tiveram que se esforçar pra ouvir. – Ela me usou, ela me esperou por séculos, pra me usar... Apenas pra isso, as memórias que compartilhamos, ela mentiu desde o começo, desde o começo que era apenas uma voz em minha cabeça, naquele maldito orfanato. Desde aquele tempo.
Hyuuni não podia fazer muita coisa além de ouvir o desabafo do ruivo para com ela, mas ela podia ao menos mostrar que estava ali, guardando o bolinho na marmita se sentou ao lado dele, colocando sua cabeça em seu colo calmamente, com um cuidado de uma verdadeira mãe, uma mãe que Nanatsu jamais foi. E jamais seria.
– Procue pensar em algo diferente. – sugeriu ela, mas Naruto não deu ouvidos.
– Não posso... Ela me contou tantas coisas, ela me mostrou tantas coisas, ela me mostrou os maiores filhos dela, ela me disse que eu seria o maior de todos. E essa foi a única verdade dela, fui o maior tolo, fui mais tolo que Kenshin.
– Eu não entendo, o que ele tem em comum com você? – perguntou Hyuuni, abandonando a cautela e se deixando levar pela curiosidade, o Hitokiri Battoussai era alguém que mexia com as pessoas.
– Ele foi induzido pela raposa pra proteger as pessoas, isso foi algo de bom que ela fez. – disse o ruivo, continuando. – Mas foi ela que indizuiu ele a sair do monte na montanha, e abandonar o seu professor e o resto do seu treinamento, foi ela que colocou na cabeça dele que pra proteger uma vida, deve se matar várias, pra proteger várias vidas, deve matar todas. Isso, foi ela que fez, fez o que fez pra ele dar continuidade a sua geração... Ele que começou o clã Uzumaki, por isso somos ruivos...
Hyuuni se permitiu ficar em um silêncio profundo, ligando as peças do quebra-cabeça, as coisas pareciam fazer mais sentido. Com um olhar direcionado pra Naruto, que dizia pra ele continuar, se deixou apenas ouvir as lamentações do ruivo em seu colo.
– Ela, desde aquele tempo, sabia que eu nasceria, como? – direcionou isso pra raposa, como ela tinha um vasto conhecimento a mais que ele, deveria saber de algo, algo que ele desejava ardentemente saber.
– Provavelmente foi o vacúo que a respondeu. – disse, vendo o rosto confuso de Naruto, explicou. – Vacúo é o silêncio do espaço, se perguntar algo pra ele, o som de suas palavras vai ser presente, mas se prestar a devida atenção, a resposta vem em seguida.
– Então, ela perguntou o quê pra saber isso? – continuou suas perguntas pra raposa, iria até o fim, não importava mais nada agora.
– Provavelmente, um jeito de sair do primeiro mundo, é uma pena que a maneira dela de escapar desse mundo baixo, tenha sido usar você. Durante todos os seus míseros 17 anos...
– Eu me recordo, ela estava presa por desacatar a órdem da Deusa, ela resolveu ficar com seus filhos, mesmo aquela história triste, tinha um significado podre por trás... – murmurou o ruivo, rindo sem graça novamente, sem motivo pra rir, era algo triste também.
– Nunca imaginaria que Nanatsu era tão podre, ela é realmente digna de ser um dos pecados, creio que a mais digna entre todos os sete.- comentou Hyuuni, torcendo o nariz ao ver uma lágrima solitária escapar dos olhos dele. – O que foi? Foi algo que eu disse?
Naruto apenas balançou a cabeça, negando rindo de verdade ao ver o desespero dela apenas por uma única lágrima.
– Só estou me lembrando daquele dia, na fogueira. – comentou o ruivo, Hyuuni entendeu em seguida. – Eu não consigo parar de pensar naquilo agora.
– Deve ser porque aquilo foi algo que ela queria que você tivesse conhecimento — argumentou ela, tendo certeza que era isso.
– Até aquilo era plano dela... – riu – Me deixar ver o sofrimento, sentir o sofrimento dela para os filhos, aquilo estava no plano dela, ela sabia que eu podia ver, mesmo assim se fez se sonsa, e eu fui idiota de acreditar nisso. Ela me mostrou apenas o que queria, não o que devia, eu apenas me iludi.
– Não gaste suas palavras com Nanatsu, ela não merece isso. – suplicou a raposa, amaldiçoando Nanatsu, seja em qual mundo que ela fosse. – Precisamos voltar, o mundo todo está te esperando.
– Voltar pra quem? Voltar por quê? – gritou Naruto, sentindo sua garganta doer, ficando sentado e olhando nos olhos dela, o brilho voltou, mas era um brilho diferente que ostentava nos olhos,era algo ruim, que não condizia com ele. – Não tenho motivos pra voltar pra eles, olha meu estado, acha que eles querem ver o ‘’salvador’’ do mundo ninja como um pobre coitado sem teto?
Hyuuni não se incomodou com o tom de voz dele, era algo que ela nunca se importaria.
– Você... Tem motivos pra voltar. – continuou depois de colocou os polegares na franja do ruivo, deixando seu rosto a mostra pra ela alisar calmamente, como uma verdadeira mãe, apesar de sua relação com ele ser bem de longe parecida como uma de mãe e filho. – E você pode voltar pros seus amigos, pra Anko, pra Yugao, Kurenai, Mei, pode voltar pra elas. Elas estão lá, esperando você. E você pode voltar porque, não podemos deixar quem nos salvou, sozinho, sem uma chance de se erguer novamente.
Aquilo foi um estalo na mente dele. Algo que naquele momento desejou ter acontecido antes. Seus amigos, mesmo que ele tenha sido traído, continuariam sendo seus amigos, Hyuuni continuaria a ser sua única mulher de coração, isso nunca mudaria. Com a ajuda de Hyuuni, Naruto se colocou de pé. A feria em seu corpo, coberta pelas ataduras, já não pareciam machucar sua alma como antes, o ferimento estava quase cicatrizado em seu espiríto.
– Fico feliz em ver que você ainda é você, mesmo que demore pra entender isso. – comentou Hyuuni, olhando pra frente, dando passos leves, pro outro conseguir a acompanhar. – Fico,realmente feliz com isso.
– Você é muito simplória. – disse o ruivo, assoprando uma franja que caia sobre seus olhos, olhando pra Hyuuni não teve como não perguntar isso. – Por que você é a única que não tinha desistido de mim quando eu falei aquilo?
– Ninguém desistiu de você, todos sabiam que você nunca seria capaz de falar aquilo de coração, era apenas o momento, até mesmo aquele velho preto fortão sabia disso, e olha que eu achava que ele não entendia nada além de ‘’Lariato’’ não sei das quantas. – respondeu, mas sentiu seus próprios olhos marejarem enquanto caminhavam, para onde todos com certeza estavam esperando. – Porém... Eu...
– Eu? – insitou ela a continuar.
– Eu nunca desistiria de você, mesmo que você me quiser que eu vá embora, nunca iria deixar alguém que eu amo sozinho de novo. – direcionou seus olhos pra ele. – Nunca dexaria aquele que eu amo morrer pela segunda vez, nunca deixarei aquele que me entreguei de corpo e de alma sentir solidão, nunca deixarei você, que conhece essa palavra mais do que ninguém, sentir esse sentimento de novo.
Aquilo pareceu a resposta definitiva pra muitas perguntas, Naruto parou de caminhar, fazendo Hyuuni ficar estancada, esta quando olhou pra ele de novo, se viu com o rosto grudado no do ruivo, os lábios dela, com os lábios secos e rachados do ruivo, porém isso nunca seria um problema.
– Obrigado. – disse Naruto, dando um sorriso de canto, um sorriso cansado, caminhando. Sentindo um sol tímido nascer em suas costas, seus cabelos antes escuros pareciam brilhar em um fogo novo, mesmo que pequeno, esse fogo iria se alastrar e ficar grande, como sempre deveria ser, e como sempre seria.
– Pode me agradecer de outro modo. – maliciosamente Hyuuni o respondeu, nunca perderia a chance disso, nem mesmo agora. – Mas só se quiser.
Naruto riu com isso, ela realmente adorava isso, afinal ela era um pecado também.
– Quem sabe. – respondeu, não dando tantas esperanças, mas também dando uma leve superstição de que poderia ela conseguir o que queria. – Agora vamos lá, me mostre que estava certa.
– Não preciso mostrar. – disse ela, começando a caminhar com ele em seu lado, não demorou muito, e o sol já estava crescendo, assumindo seu lugar no céu, parecendo observar o casal caminhar entre as pedras da Guerra, e depois daquela floresta, depois do centro da Guerra, Naruto caminhava com ela, Hyuuni apenas se manteve em silêncio por todo esse tempo.
– Estás quase. – disse ela, de supetão.
– O quê? – perguntou o ruivo curioso.
Novamente um silêncio da parte dela. Mas a resposta, veio quando ele direcionou os olhos pra um ponto mais além, onde ele ouviu um barulho de tijelas caindo. E um grunho de choro foi ouvido. E logo suspiros de tensão também foram presentes, passos também começaram a ficar mais fortes, gritos e choros também.
– Eles nunca desistiram de você. Não teriam como fazer isso. – disse Hyuuni, deixando Naruto em pé sozinho, e andando para o lado, dando espaço para quem quer que fosse aparecer, poder vê-lo. – Nunca ninguém ia de te deixar sozinho, pois você nunca nos deixou sozinhos.
Naruto sentiu aquelas palavras lhe calarem fundo, sentiu seu coração fraco ganhar um vigor cheio de sentimentos positivos, era incrível como palavras conseguiam mudar tudo.
A primeira pessoa que saiu dali foi uma Mizukage chorosa, com a maquiagem toda borrada e soltando seu chapéu de Kage no chão da floresta, Naruto foi esmagado por uma montanha de peitos, mas abraçou com toda a força que podia a mulher em sua frente, Hyuuni deixou ela fazer isso, dessa vez... Apenas dessa vez.
– Você... É um merda. – sussurrou ela, Naruto não se incomodou com isso, ela tinha razão em parte. – Nunca mais me deixe te ver desse jeito, foda-se o que tenha acontecido, e se você não conseguir... Deixe quem te ama te ajudar.
– Sim senhora! – falou Naruto, abraçando ela ainda mais, porém desabou pro chão, com ela ainda agarrada em seu pescoço.
Naruto fechou os olhos, mas sentiu um calor em suas costas, e finas lágrimas percorrem dentro de seu kimono agora sujo e cheio de sangue.
Olhou pra trás, lá estava sua irmã, a mulher que o visitava na escuridão, Yugao, e não demorou muito pra dupla ciúmes também aparecer, Anko e Kurenai seguiram dali no meio da floresta, Naruto também viu logo seu melhor amigo, Sasuke aparecer ali. Juntamente com Sakura, seguida de Kakashi, que era segurado por Zabuza, com um Haku choroso ao lado, viu Minato, sem seus braços não escondendo as lágrimas ao ver que o filho já podia retornar.
Hyuuni agora escorada na árvore, viu um a um chegar e comprimentar ele, abraçá-lo, algumas até beijá-lo, dessa vez iria deixar, dessa vez.
Enquanto Naruto conversava com todos os antigos nove novatos, agora todos Jounnins, ela viu que ele direcionou um singelo olhar de agradecimento com olhos marejados pra ela, que ela respondeu com um sincero sorriso de raposa, presunçosa por estar correta.
Aquele olhar dele soou como uma frase também.
‘’- Eles nunca me abandonaram’’
Os olhos de Hyuuni, naquele pequeno segundo que se cruzaram as vistas, também pareceu ter o respondido.
‘’- É claro, ninguém esqueceria de você, mesmo que você pedisse pra ser esquecido, é isso que significa ser uma família, a família que você merece, não é Nanatsu, a família que você merece, está aqui.’’
Fale com o autor