Kurt, Interrompido
16 O Casamento.
Notas iniciais
Já se sentiu andando no meio de um bando de desconhecidos? Onde a multidão de pessoas tem um rosto sem fase, todos iguais.
Desde a morte de Karofsky, sinto como se estivesse desconhecendo todos aqui, sinto que estou perdendo a minha identidade, não sou mais Kurt, não sou mais Homem, não sou mais nada.
Depois do ocorrido, trocam a mim e a Blaine de quartos, não estamos mais juntos.
Wes e Austin tem que sair pra dar uma longa volta pelo hospital para termos de tempo no meu novo quarto. Blaine esta dividindo quarto com David e Scott (Scott era outro catatônico.)
A metade do tempo, sou como vapor, o calor e o suor saindo de mim, me elevando ate a parede do teto e me espalhando sobre ela. A outra metade depende de Blaine pra sobreviver.
Não esta sendo fácil para nenhum de nos. Pelo menos naquele corredor, Karofsky deixou claro que tinha nos observado e nada acontecia entre mim e Blaine.
Espero que isso tenha deixado Hunter e Sebastian convencidos.
Estou em puro transe, não tenho visto meu pai, Carole, Finn ou Rachel. Nem sei se alguém contou a eles sobre Jeff ou Kaforvsky, mas não quero que saibam.
Levanto de uma caída livre súbita. Me sento na cama, nenhum sono em meu sistema, ouço gritos dos corredores.
“-MEU ROSTO! MEU ROSTOO! O QUE FIZERAM COM MEU ROSTO?!”
A calma de Becky (Ate mesmo quando era violenta.) Esta transformada em gritos guturais e animalescos. A sua bolha de cicatrizes se abrindo, expondo ela para a realidade.
Normalmente, Becky era mau humorada, mas um amor de pessoa. Outras poucas vezes, ela surtava.
Precisam de enfermeiros pra segura-la. Suas unhas curtas se enterrando nos braços dos enfermeiros, esta sendo levada pra uma das salas acolchoadas.
“O que aconteceu?” Wes pergunta, todos os pacientes estão no corredor. Confusos. Preciso achar Blaine.
“A casquinha surtou.” Escuto a voz de Hunter, vindo de um dos pacientes a minha frente, poderia acertar a sua nuca daqui. Morte rápida.
“Todos estão surtando agora?”
“Estamos no inverno agora, teremos muitos surtos.” Diz Wes.
Eu costumava gostar de frio.
Não consigo mais dormir, viro e viro na cama, encaro a parede, encaro o teto. Apenas vejo o rosto de Becky, queimando em brasas.
Estou perdendo laques de tempo, não me lembro do que aconteceu naquela manha, não me lembro de ter tirado a blusa de Blaine e jogando-a no abajur, enquanto ele puxa minhas calcas pra baixo.
Eu me sinto furioso, por ter sido mandado pra ca, por agora estarem roubando o meu tempo.
Quero meu tempo de volta.
O casamento se aproxima, Blaine diz que o melhor é não irmos, porque eu ainda estou muito abalado.
Mas eu preciso sair deste hospital.
A roupa de gala que empresto pra Blaine não fica tao folgada como esperava (Não depois de eu fazer alguns ajustes nela.) mas continua uma gracinha.
“Você esta maravilhoso.” Ele diz, beijando meus lábios.
“Você esta maravilhoso também, Blaine.”
Não tem nada melhor que sair da Dalton (Mesmo que só por uma noite.) Com Blaine. Os Warblers vem se despedir de nos na porta, e é então que assumimos o namoro.
Sebastian deixou de ser humano para se tornar algum tipo de cavalo demoníaco, sua cara não era das melhores.
Eu por outro lado, me sinto feliz como nunca.
Finn e Rachel mandam um carro nos buscar, nenhum luxo, mas os olhos de Blaine brilham de excitação.
“Nunca andei em nada tão chique.” Ele diz, eu rio e beijo sua bochecha.
Quando chegamos a festa, ficou mais do que claro que quem tinha planejado e decidido tudo no casamento foi Rachel, nenhum Finn.
Parecia que ela estava se casando com a Barbra Streisand ou Patti Lupone, não com meu irmão.
Minha família esta contente em me ver com Blaine. Finn não, é claro. Ele parece aborrecido em ver ele.
Meu humor cai um pouco, talvez muito.
Blaine não espera pra me arrastar ate a pista de dança, musicas velhas da Broadway, mas é perfeito como nos encaixamos nas danças, cada uma delas. Meus pés doem de tanto dançar, minha alma esta leve e refrescada.
Anunciam o jantar.
“Me pergunto por que vocês vão casar em uma boate e não uma igreja.” Blaine não tem nenhuma intenção de ofender, e afinal, ate eu não entendia por que pularam a primeira parte do casamento.
“Bom, somos de religiões diferentes, então estamos casados so no civil.” Diz Rachel, Blaine acena com a cabeça e sorri.
“E como vai a sua família, Blaine?” Uma pergunta frequente de meu pai ao conhecer um namorado novo. Blaine olha pra ele como se tivesse acabado de ser esfaqueado.
“Familia?” Ele treme.
“Sim, bom, se eles ainda entram em contato com você.”
Blaine abaixa a cabeça e não diz mais nada.
“Cara, por que é tão difícil responder uma pergunta? Ainda mais quando você vem perguntando ate o que é caviar.” Estou a um simples passo de esbofotear Finn.
“Ele tem problemas pra falar da família, então você respeite isso, cara. E ele pode perguntar o que quiser, porque eu disse que ele pode.”
“Kurt não preci-“
Não deixo Blaine terminar, o levo pela mão ate a pista de dança, não ligo se não tem ninguém lá, preciso descontar toda essa raiva.
Twist and Shout é perfeita pra este momento, são os Beatles que fizeram a população dos anos 60 enlouquecer.
Os quadris de Blaine estão se mexendo em sincronia com os meus, praticamente grudados, estamos suando, nos beijando, como se ocupássemos a pista de dança inteira.
Blaine desce as mãos pela minha cintura, quase bem perto de meu bumbum. Sorrio no meio do beijo.
Alguém pega Blaine pela gola e o afasta bruscamente de mim.
“O que você pensa que esta fazendo com meu irmão? Seu tarado.”
Blaine esta confuso, não sabe o que fazer, estou em pânico.
“Eu não ia fazer nada demais, estávamos só dançan-“
Grito ao ver Blaine ser golpeado por Finn, ele não retribui o soco, e eu sei que ele esta se controlando ao máximo.
Pulo em cima de Finn antes que ele acerte mais socos em Blaine.
Minha fúria esta inimaginável agora, vejo Karofsky, Dra. Sylvester, Dr. Hapburn, Adam, Hunter, Sebastian.
Bato com toda a forca nesses rostos.
E estou acertando apenas Finn. Meu irmão, Finn.
Sangue em minhas mãos, gritos, alvoroço. Rachel com os olhos encharcados de lagrimas, gritando comigo, alguém ligando pra a ambulância.
Quando menos me dou conta, estou na Dalton. Sozinho, em minha nova cama.
Eu consigo me lembrar de tudo.
Não sou capaz de chorar, não mais. Se eu estiver mesmo me transformando de algo diferente que era antes de Karofsky, não estou gostando dessa coisa.
Preciso saber se Blaine esta bem.
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