Kurt, Interrompido

17 Blaine, Interrompido.


Notas iniciais
Voltei!! *cofetes e samba* talvez nao ne? pse. Bom, os tempos sao dificeis, mas estou sendo mais forte que nunca :) isso e bom, acho. Enfiiim, queria agradecer minha SEGUNDA s-e-g-u-n-d-a recomendacao! *o* Obg SammyJCornish. Agora, sem mais delongas, novo capitulo

Eu não queria me transformar em uma má pessoa.

Quando meus altos e baixos veem, tento manter-me calmo. Nem sempre funciona, não faz mal. Mas não tentei impedir a mim mesmo de socar Finn ate tirar sangue de suas bochechas e boca, e ele não tentou socar de volta, ele soube se controlar.

Não quero ser o tipo de pessoa que precisa do irmão ensanguentado defendendo ele de todos os convidados, em particular Rachel.

Não queria ter estragado o casamento deles, não, não queria.

O arrependimento é algo tão estranho de sentir, ao contrario da tristeza ou dor, que pesam em sua cabeça cansada. A culpa é um liquido amargo correndo junto ao seu sangue ate a ponta de seus dedos, e não tem absolutamente nada pra você parar de senti-la.

Já tive o desejo de voltar ao passado e mudar coisas, mas nunca quis tanto voltar aquela noite.

Rachel e Finn fizeram outra festa de casamento, desta vez, não fui convidado. Sei que foi Rachel que insistiu em não me deixar ir. Mas desta vez, nenhum rancor ou ódio tenho dela, eu entendo perfeitamente.

Os Warblers me colocaram em um pedestal depois de saber o que aconteceu.

“Cara, cara! Você é o Hulk!” Nick e Austin insistem em dizer que eu sou algum herói com super poderes, mas eu fiz o contrario do que um herói faria.

“Eu sabia que você tinha esse lado sombrio em você!”

“Estou impressionado, tenho que dizer.”

“Se você é o herói, isso faz de Blaine a dama em perigo?”

“Me ensina seus golpes!”

Tranco a porta atrás de mim, minha têmpora latejando, preciso de uma boa dose de amnesia pra curar isto. Amnesia é o melhor remédio.

Deito na cama, Blaine senta-se junto a mim e começa a massagear meus pés.

“Dizem que funciona.” Ele diz. Não sei exatamente no que uma massagem funciona, mas quando ele amacia meus músculos tensos deixo sair um suspiro.

“Funciona, sim” Digo.

“Eu sei que você acha que foi culpa sua mas,” O assunto levado a tona é como uma picada de inseto, um inseto radioativo.

“Foi a minha culpa, Blaine! É claro que foi minha culpa, eu lembro de tudo que fiz, é tudo culpa minha.” Ele massageia mais pra cima, nos meus tornozelos, ate a barriga da minha perna. É um prazer sufocante e libertador ao mesmo tempo.

Ele não diz mais nada, deixo que fique assim. Ele não tem a obrigação de dizer que esta tudo bem quando não esta.

Não recebo mais visitas, de meu pai, Carole ou Finn. É solitário.

Blaine nunca me contou de sua família, mas pelo jeito que pareceu quando Finn perguntou me deixou assumir que ele tinha problemas com a mesma, nunca soube o real motivo.

Ele ainda esta trabalhando minhas pernas quando meus pensamentos tomam controle sobre minha língua e pergunto;

“O que aconteceu entre você e a sua família?”

Suas mãos param quietas em cima de minha pele arrepiada.

“Por que isso é tão importante de saber?” Ele suspira, “Eles não estão aqui, ninguém tem que saber mais.”

“Voce tem que confiar em mim o suficiente pra poder falar.”

“O problema não é você. São eles.”

“Eu sei.” Beijo sua mão. “Eu sei, quero dividir esse fardo com você.”

“Tenho vergonha.”

“Divido isso com você também.” Sorrio.

“Como seus pais reagiram quando souberam que você era gay?” Ele não olha pra mim.

“Eles provavelmente sabiam desde que nasci, era algo um pouco obvio.” Rio, ele não faz o mesmo. “Tinha 16 quando contei, meu pai ficou bem com isso, na verdade.”

“E quanto ao Finn?” Sua voz treme, incerta.

“Ele já sabia faz tempo, uma vez gritou comigo no porão sobre isso, mas me aceita bem também.”

Percebo que o problema com a sua família tem origem ao assunto de sair do armário. Ele parece captar meu entendimento com o olhar.

“Nem todas as famílias são tão, ahn, acolhedoras com a ideia.”

“Me conta.”

“Acho que não era tão obvio no meu caso, para eles saberem.” Ele se deita do meu lado, mãos passeando sobre meu cabelo. “A primeira vez que eu contei, eles não acreditaram, falaram pra eu parar de contar piadas sem graça.”

“A partir daquilo eu comecei a esconder tudo isso deles, mas o olhar era tao diferente, Kurt. Como se tratassem de me fazer desaparecer com o olhar.”

Sei que tipo de olhar é, na escola, convivi sempre com esse olhar.

“Escondi deles tudo que acontecia comigo na escola, todos aquelas provocações. E então começou o baile de Sadie Hawkins.”

Fizeram um Sadie Hawkins em minha escola no ultimo ano, fiquei em casa.

“Convidei este garoto, Luke, pra ir comigo.”

“Ele era...”

“Gay, sim.”

Talvez eu esteja um pouco enciumado de não ter sido que levou Blaine pro Sadie Hawkins, fico calado.

Pra encurtar um pouco a historia de Blaine: Ataque homofóbico, no Sadie Hawkins. Ele nunca voltou a ver Luke, e ficou mais do que evidente pra sua família que se tratava de um homossexual que precisava ser curado.

Porque obviamente, orientação sexual tem cura.

Ele esta aqui desde os 14 anos. Sem visitas, sem previsão de receber alta.

Pelo jeito, orientação sexual não tem cura. Acho que porque não há nada pra curar, mas bem, quem se importa com a minha opinião?

Blaine encolhido nos meus braços, um pouco encharcado na própria memoria obscura de seu passado. Prometi dividir esse fardo com ele.

A verdade é que agora carrego um fardo bem maior.

Não há nada de errado com Blaine, nada. E a família dele o jogou aqui mesmo assim. Ele é o interrompido, o tirado injustamente dos amargos anos 60 e trancado em uma caixa de musica interminável, melodia melancólica e repetitiva.

E eu sou o instável que destrói a cara do próprio irmão.

Blaine também tem um irmão mais velho. (Bom, eu sou dois meses mais velho que Finn mas ele é, sei lá, maior. Mesmo.) Cooper, bem mais velho que ele, vive em Los angeles, ate onde ele sabe.

Quando eu cheguei na Dalton pela primeira vez e Blaine ainda estava “de passeio” por assim dizer, ele tinha mesmo decidido ir a outro lugar além da ponte a 20 minutos daqui.

Ele foi ver Cooper.

Não dou o valor a Finn como ele merece. Blaine da um grande valor ao seu irmão mais velho que não vale nada.

Ele foi ate los angeles, de algum jeito ele conseguiu ir. E levou uma porta na cara pelo querido irmão, o hematoma em sua bochecha, segundo ele, causado por uma caída na rua pavimentada por não ver direito através dos olhos chorosos de um irmão negligenciado.

A dor dele é tão maior que a minha. O meu fardo agora é tão maior que o dele.

Depois de um tempo, Blaine volta pro quarto dele e eu vou ate os telefones, fazer as pazes com Finn.

Mesmo que agora eu seja uma má pessoa, Finn me aceitara de volta.

Notas finais
Bom, é isso. Curtiram? Acho que meus capitulos ficam cada vez mais chatos, sei la. Talvez seja meu subconsciente querendo me fazer dividir dor com Kurt e Blaine mas nah. Bjss