Kuromeido ( 黒メイド )
25 Irmãos Novamente ( Levi )
Notas iniciais
Depois da discussão que tive com Liselotte, volto para meu quarto para rever os arquivos do caso. Sento-me na minha cama e começo a folhear as pastas. Mas não consigo me concentrar, a expressão de raiva e tristeza no rosto de Liselotte não sai da minha cabeça. Minhas lembranças de quando crianças também me perturbam por algum tempo.
Desisto de lutar contra mim mesmo, e decido ir vê-la. Arrumo todas as folhas jogadas e saio da minha cabana. Peço ajuda ao Coronel, e ele me mostra o caminho do chalé onde ela e seus amigos estão hospedados.
Paro na frente da porta por alguns segundos e respiro fundo. Bato na porta, e um homem alto, com cabelos ruivos atende a porta.
— Olá, sou Grell – diz ele estendendo a mão.
— Olá Grell. – digo apertando sua mão – Gostaria de falar com minha irmã.
Ele abre a porta um pouco mais e me convida para entrar. O chalé é pequeno, mas aconchegante. Todos estão reunidos em volta de uma mesa redonda, potes de vidro, livros e pastas de todas as cores com papéis estão espalhados pela mesa. Liselotte está mergulhada em um livro grosso de capa de couro.
— O que você quer? – pergunta ela sem olhar para mim.
— Pedir desculpas... – murmuro.
— Com licença – ela pousa o livro na mesa e me leva para dentro de um dos quartos da cabana. A porta bate com força, e ela me fita impaciente.
— Liselotte. Eu só vim aqui pedir desculpas... Eu... Eu sinto muito por tudo que eu fiz. Desde que éramos pequenos... Eu só...
— Se deixou levar pelo tratamento do papai e da mamãe – completa ela
— Tanto tempo, e ainda completamos nossas frases – digo com um sorriso.
— Pois é...
— Olha, deixa eu esclarecer tá? Eu amo o March, sempre amarei ele. Mas eu sei que ele era importante pra você. Eu sei que você o amava mais do que tudo no mundo. Então por favor, me perdoe. Não fui um exemplo de irmão, e me arrependo. Mas você criou ele muito bem. Melhor do que a mamãe poderia. – sento na cama e ela se senta ao meu lado. – Então, que tal nos tornarmos irmãos de verdade novamente? LiLe, lembra?
— Nosso apelido. Você ainda se lembra – diz ela com lágrimas nos olhos.
— Claro que lembro, sua boba! Liselotte, você é muito importante pra mim, não só porque é minha irmã. Eu sempre invejei muito você. É inteligente, maneja perfeitamente qualquer foice da morte que te entregue é altruísta. Sempre se coloca em segundo em plano. E isso eu nunca vou ter. Nada dessas coisas. – digo abraçando-a
— L..Levi... – murmura ela chorando.
— Ei, ei. Não chore. – digo secando as lágrimas de seu rosto. –Você fica mais bonita sorrindo. Ah! Se lembra quando minha namoradinha do primário me confundiu com você, e quase te beijou?
— Como esquecer? Foi traumático. E aquelas roupas rosa dela... Dá até um arrepio. Ah! E quando um garoto me confundiu com você, e se declarou na frente da escola toda? Ajoelhado e tudo mais.
— Verdade. O coitado foi zoado pelo resto do ano.
— Eu não culpo ele, éramos cópias naquela época. Você ainda não era um metro e meio mais alto que eu.
— Um metro e meio não. Mas realmente éramos parecidos...
— E quando apostávamos com os adultos que eles não nos diferenciariam? – digo animado
— Quando eles acertavam, saímos correndo, ou mentíamos... Era engraçado.
— Ah! E quando você colocou a culpa em mim, depois de comer todos os doces?
— Haha, foi a melhor. E os doces estava divinos...
— Você e seus doces – digo revirando os olhos.
— Não questione os deuses Doces!
— Sou esquisita.
— O Deus das Balas vai te punir por várias heresias que você cometeu. Escute o que eu digo.
— E quando você estava me ensinando a usar o machado rotatório, e quase arrancou a cabeça da nossa vizinha?
— Ela ficou uma fera... Mas mereceu. Ela era muito chata... Mas... Você se lembra quando paramos de dormir na mesma cama?
— Ahn... Ah! Quando você arranjou aquela namorada. Foi na mesma época que o March nasceu também. Você dormia com ela no nosso quarto e eu dormia com ele.
— Ela era muito chata... Não durou muito tempo...
— Eu vivia dizendo isso para você. O que você respondia mesmo? Algo como " Você não conhece ela de verdade " ou " É a garota mais bonita da nossa idade "? Acho que as duas...
— Eu estava iludido. – digo cruzando os braços.
— Eu sei disso. E os gemidos vindo do seu quarto quando ela dormia lá não eram nada agradáveis...
— Ei!
— O que foi? É verdade. Isso também aconteceu com as três namoradas seguintes... Eram três ou quatro?
— Três. Você que sumia de casa e não voltava. Era pior que eu.
— Eu não fazia coisas indecentes. Não tinha nem com quem fazer... Eu simplesmente saia pra passear. Nunca voltei grávida, nem em pedaços.
— Bem, você está certa... Mas não foi na época em que você conheceu seu noivo?
— N...Não... Eu acho... – diz ela fazendo as contas – Conheci ele quando March já era maior.
— Dava pra ver que vocês se amavam – digo com um olhar malicioso. – Ainda se amam, não é?
— L...Levi! – diz ela corando rapidamente
— Haha! Olha sua cara! Enfim, agora tenhamos uma conversa muito franca, você pensa em ter filhos? Bem, com ele?
— Isso é uma conversa franca? E...Não... Ele propôs isso, mas não tenho certeza. Nem sei se posso ter filhos...
— O único jeito é tentar.
— Ah! Cala a boca, seu pervertido – diz ela rindo.
Ficamos conversando por um longo tempo, relembrando de quando éramos crianças, e como importunávamos nossos pais. Ela relembrou os amigos chatos que eu tinha na escola, e eu lembrei os garotos que pegavam no pé dela.
— Eu amava quando você me ajudava nos estudos.
— Você era burro como uma porta, mas era legal te ajudar. Eu me sentia importante...
— Você é importante. – digo abraçando-a – Para mim. E para March. Você é nossa irmãzinha.
Ela relaxa em meus braços, como se estivesse aliviada. Como se sentisse calma em meus braços. Encosto as costas na cabeceira da cama e me ajeito de maneira confortável.
— Ainda não perde a graça deitar em você – diz ela apoiando a cabeça em meu peito.
— E você continua leve como uma pena. – digo beijando sua testa.
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