Kuromeido ( 黒メイド )
26 Mais Perfis Criminais ( Undertaker )
— Tudo bem em deixar os dois trancados dentro do quarto sozinhos? – diz Grell fitando a porta do quarto com impaciência.
— Eles são irmãos Grell! – respondo irritado.
— Liselotte é muito bonita, e Levi não deixa nada a desejar. – murmura Grell
— Quer que eu arranque sua língua? – retruco.
Grell se cala, e consigo me concentrar em meu trabalho. Eu realmente temo o que os dois possam estar fazendo lá dentro, mas confio em Liselotte. Eles são irmãos, e nunca passaram disso. E como noivo, devo confiar no bom senso dela.
Passamos um longo tempo analisando alguns papéis e livros, quando a porta do último quarto se abre. Os dois saem de lá, e só naquele momento, percebo a semelhança gritante entre os dois. Tirando o fato que Levi é estupidamente mais alto que Liselotte. Além disso, os dois são muito parecidos. Seus traços são quase como um espelho. Imagino que eles tenham sido confundidos muito na infância.
Liselotte se senta ao meu lado, e me dá um beijo suave na bochecha. Levi se senta ao lado de Grell, e fita Will por um minuto.
— Fizeram as pazes? – pergunto fitando Levi.
— Sim. – mumura Liselotte.
— Levi, você pode nos ajudar com isso tudo? – diz Will empurrando uma pasta cheia de arquivos para ele.
— Mas é claro. – diz ele pegando a pasta e a abrindo. – Mas porque quatro shinigamis estão investigando um caso de assassinatos em série? Isso não é trabalho para Humanos?
— Talvez. Mas o culpado é perigoso, e como o Funerário e sua irmã tem as melhores informações sobre as vítimas... – diz Will fitando os dois.
— Ah. Enfim! Vamos trabalhar! – anuncia Levi.
Nós cinco nos concentramos em nosso trabalho, e de vez em quando, alguém descobre algo. Discutimos as idéias e as anotamos. Cada um ficou com uma parte crucial do crime: Grell se encarrega da execução do crime, Will procura a arma do crime, eu analiso os exames que fizemos nos corpos das vítimas, Levi procura o passado de cada vítima, e Liselotte cria um perfil psicológico em cima de todas as informações que damos á ela.
Ouso dizer que o trabalho dela é o mais complexo, mas ela chega a se divertir fazendo isso. Mal vemos o tempo passar, quando percebemos, já está escuro. Nossos estômagos roncam, e todos estão com cara de sono. Decidimos parar por hoje, e antes de descansarmos, analisamos tudo que conseguimos.
Grell e eu não descobrimos nada de extraordinário, então nossa vez de falar é pulada. Will descobriu que foram usadas vários tipos diferentes de lâminas. De facas á picaretas, o que indica que o assassino tem acesso á muitas ferramentas. Levi percebeu que todas as vítimas era viúvas, e todos seus maridos morreram no mesmo ano, decorrente á uma epidemia que se alastrou na vila anos atrás. Liselotte nos passou um perfil psicológico extremamente complexo, e todos ficaram boquiabertos com tudo que deixamos passar, mas ela achou importante.
— Nosso assassino não tem remorso do que fez, na realidade, sente prazer em fazer o que faz. As cenas dos crimes, demonstram desleixo e desorganização, uma típica característica de uma pessoa sádica. Ele quer assistir as vítimas sofrerem, tanto quando foram envenenadas, quanto quando foram torturadas. O veneno significa dor interna, mas que não deixa danos externos. Mas a tortura externa, deixa a vítima sofrer cada gota de sangue que perde. Como todas as vítimas perderam os maridos pela mesma epidemia, é provável que a doença tenha atingido um ente querido do assassino. Talvez a mãe e o pai ao mesmo tempo. Mas não entendo porque ele veio para cá, depois de matar em Londres.
— Talvez ele more aqui, e foi para a cidade para matar as primeiras do seu ciclo. Ele pode estar caçando as sobreviventes – diz Will ajeitando seus óculos.
— Então começamos a procurar pessoas que saiam dias antes dos assassinatos em Londres e voltaram dias antes das vítimas daqui? – diz Levi
— Sim. Teremos que falar com a pessoa que coordena tudo aqui. – diz Grell.
Depois que anotamos todos nossos afazeres de amanhã, recolhemos as pastas de arquivos e provas e as guardamos em uma grande caixa. Eu e Liselotte vamos preparar o jantar, e Levi ficará conosco para a refeição.
Depois de cerca de uma hora, nosso jantar está pronto, e começamos a colocar as panelas fumegantes na mesa. Depois de tudo colocado, sentamos em nossos lugares. Todos se servem rapidamente, e ficam admirados com o aroma da comida.
— Parece delicioso – diz Levi admirando seu prato. – O que é?
— Picado de porco com vegetais e cevada. – diz Liselotte servindo água para todos.
Enquanto comemos, vemos a comida acabar numa velocidade incrível, e todos lambem os beiços quando acabam de comer mais uma pratada. Quando todos estão satisfeitos, e a panela está completamente vazia, Levi volta para sua cabana, e cada um de nós vai para seus quartos.
Liselotte e eu nos jogamos na cama, e suspiramos fundo. O dia foi extremamente cansativo, mas cada segundo valeu a pena. Trocamos de roupa, e nos escondemos em baixo das grossas cobertas.
— Fico feliz em você seu irmão fazerem as pazes – digo
— Eu também. Tinha me esquecido como era engraçado quando éramos crianças. Quero dizer, ninguém sabia quem era quem. – diz ela sorrindo.
— E quando isso mudou?
— Quando ficamos mais velhos. Ele se tornou o favorito, e eu fiquei na sombra dele. Quero dizer, ele ainda dependia muito de mim, mas ninguém lembrava da minha existência. Eu era a irmã gêmea do garoto mais popular do momento. Mas tudo ficou pior quando ele arranjou a primeira namorada fixa, e o March nasceu. Antes dormíamos juntos, mas depois daquilo, eu dormia com March,e ele dormia com a namorada na nossa cama.
— Você nunca mais vai ficar na sombra de ninguém, eu te prometo – digo beijando sua testa delicadamente.
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