Kiss Me.
38 Uma chance?
Notas iniciais
Eu estava perplexo; o silêncio daquela sala conseguia ser estranhamente assustador. Meus olhos se encontraram com os de Itachi, e vi que ele estava tão confuso quanto eu.
—Como assim o fim da organização caralho? – Hidan foi o primeiro a se manifestar, dando todo ar de sua graça. —Ficou maluco?
—Calma Hidan! – Kakuzu não parecia muito surpreso e nem parecia se importar, aliás.
—Calma o que? Como ele pode terminar a organização assim? Eu sei que vocês fizeram uma filha da putagem com o Deidara-chan, mas tínhamos que passar por cima disso! Mostrar que somos melhores do que antes, porra!
Ninguém ousou dizer nada, deixando que mais uma vez, o silêncio dominasse o local. Pain parecia pensativo e ao mesmo tempo furioso, tudo isso estava muito confuso.
Olhei para o outro lado da sala, onde Obito estava encolhido fungando. Toda essa conversa estava muito estranha, Yahiko não parava de mandar olhares severos ao moreno.
Tem alguma coisa acontecendo, e estou divido em querer saber ou não; aliás, o problema não tinha nada a ver comigo.
Itachi continuava com uma careta pensativa, talvez com os mesmos pensamentos que eu. Havia algo a mais nessa história.
[...]
Deidara
Eu estava confuso. Sabe, as pessoas nunca foram do tipo que gostavam de me ajudar, não importa em que situação; eram os poucos que se importavam de verdade comigo.
Mas, ontem, aconteceu a coisa mais estranha do mundo. O diretor Namikaze me chamou para sua sala, pensei que ele queria conversar sobre notas novamente, mas infelizmente esse não era o assunto; ele disse que havia duas pessoas que queriam minha presença em uma conversa, e eu já senti meus pelos se arrepiarem em pensar quem poderia ser.
Quando vi Pain e Obito na sala, pensei em me jogar pela janela e ir embora do país, não antes de sequestrar o danna e o levar junto! O clima naquela sala estava tão estranho, Obito nem um minuto sequer me olhou, apenas encarava o chão como se temesse alguma coisa, suas mãos até tremiam.
Pain por outro lado, continuava calmo. Quando ele começou a falar sobre meu último festival da Akatsuki, minhas mãos começaram a tremer mais do que as do Uchiha; e principalmente quando ele falou sobre o roubo, explicou tudo, ocultando alguns detalhes. Obito confirmou, alegando que eu era inocente e que os dois eram culpados.
Não tinha como minha semana ficar mais estranha. Primeiro ele me pede perdão, depois Itachi e logo depois isso?!
Minato-sama ficou tão furioso, ele deu um sermão de quase uma hora para os dois, dizendo o quanto estava decepcionado e que a Akatsuki não poderia continuar, pois nunca teria mais sua confiança.
Obito tentou protestar, ele gaguejava tanto que eu não consegui nem entender direito. Disse algo sobre não poder terminar a organização, e que ele tinha medo. Dos meses em que nós estávamos juntos, nunca o vi daquela forma.
Pain afirmou que iria terminar a organização, ele iria se formar daqui a três meses e a organização não tinha ninguém que poderia conseguir recuperar os danos; disse que Kakuzu e Kisame também iriam se formar, Itachi não tinha tempo e o danna era novo na Akatsuki.
Mas, nada me abalou tanto quando ele se desculpou; quando ele estendeu sua mão para mim e confessou o quanto estava arrependido, que seus erros do passado só estavam trazendo desgraça a ele.
Sei que havia conversado com Sasori-no-danna sobre perdão, que era um ato de bondade, mas... Eu não consegui perdoar ele. Obito também se desculpou novamente, mas eu também não o perdoei, eu precisava pensar... Pensar muito, hn.
Eu sentia que havia magoado Obito, seus olhos estavam vermelhos e meio inchados, como se estivesse chorando. Eu me sinto tão egoísta...
Eu nem tinha percebido que estava chorando até o momento em que o moreno me abraçou, fungando no meu ouvido e me apertando forte. Não devia, mas correspondi, tentando o reconfortar um pouco.
—A Akatsuki não é mais responsabilidade da escola, e de alguma forma, vocês terão que pagar com as consequências! – foi o que o louro disse por fim.
Obito se desculpou com ele, comigo e disse que iriam repor tudo de alguma maneira, não importa o que acontecesse. Não sei se Minato-sama percebeu, mas ele parecia apavorado. Foi até a porta e saiu, sendo seguido pelo diretor.
Ele me olhou, e fez sinal para que eu saísse, foi o que fiz sem protestar. Fiquei tão aliviado quando vi o danna do lado de fora, me coração estava tão acelerado que nem respirar eu consegui direito, nem explicar o que houve consegui.
Infelizmente, ele teve que se despedir e ir para a sala de reuniões, eu sabia o que iria acontecer, e me senti quente ao ver que ele estava preocupado de verdade comigo.
Não que ele não se preocupe comigo, mas depois de tudo o que nosso relacionamento passou, ele conseguiu ficar mais distante de mim, frio, um tanto rude. Mas eu continuava tentando trazer o velho Sasori de volta. Ou quase... Hn.
De qualquer forma, eu posso ser um tanto bobo e meio lento às vezes, mas sei muito bem que algo muito errado está acontecendo.
[...]
Itachi
—Porque nós viemos para cá mesmo? – Sasori questionou se abanando com um livro fino de física.
Nós estávamos em um parque pouco movimentado, perto de uma quadra de basquete. Kakuzu estava conosco, nos explicando alguns assuntos do último ano letivo. Estava muito quente e a sombra da árvore que pairava na mesa do parque onde estávamos sentados, não estava adiantando muito.
—Estudar ao ar livre é mais prático. – respondo passando uma garrada d’água para o ruivo.
—E não gasta energia! – Kakuzu deu o ar de sua graça.
Deidara e Hidan estavam no campo de basquete, podíamos ouvir as risadas dos dois de onde estávamos.
—Você já terminou as três equações? – perguntei a Sasori que bocejava e deixava seu lápis de lado.
—Sim, as duas primeiras deram negativo.
—A última também! – Kakuzu avisou; ele olhou para o caderno do ruivo. —Você se esqueceu no sinal na metade do problema.
—O quê? Você é louco? – ele olhou para seu caderno arqueando uma sobrancelha. —Esses dois sinais são diferentes, então fica positivo!
—O meu também deu negativo, Sasori. – falei fazendo o ruivo me olhar de cenho franzido.
—Vocês estão de palhaçada comigo! – ele pegou uma borracha e começou a apagar, recomeçando a conta.
Hidan e Deidara apareceram suados e ofegantes, com o louro segurando sua bola de basquete entre os braços. O albino pegou a garrafa d’água de Kakuzu e jogou em seu corpo, molhando-se junto com a grama.
—Porra, como vocês conseguem ser tão nerd? – Hidan questionou olhando para todos os livros na mesa. —Não entendo nem metade disso.
—Por que você é burro!
—Vai se foder, Kakuzu!
Deidara se sentou ao lado do ruivo e beijou sua bochecha, observando o namorado terminar de calcular aquela equação tão simples. Poderia ser simples para Sasori, Kakuzu e eu, mas pelo olhar do louro ele não estava entendendo nada.
—Hunf, negativo. – admitiu cruzando os braços.
—Eu disse! – o moreno comentou.
Bebi um pouco de água, olhando o casal a minha frente. Sasori começou a tentar explicar para Deidara como fazia aquelas contas, mas o louro nem parecia entender.
Eu ainda me sinto desconfortável junto com eles, mas tento esconder ao máximo. Agora que Deidara e eu éramos amigos, nós três passávamos a maior parte do tempo juntos. Os dois não ficavam trocando caricias e nem nada do tipo perto de mim, e sei que Deidara ainda sente um pouco de ciúmes do ruivo comigo, mas nada tão relevante.
Hidan e Kakuzu estavam discutindo algo sobre os pais do moreno, não dei tanta importância. Sasori continuava a explicar a matéria, e estava quase desistindo.
Eu estava pensativo esses últimos dias, depois do fim da Akatsuki tudo estava muito estranho. Kakuzu disse que Pain estava faltando frequentemente e o que para alguém da classe A era muito estranho.
Obito e Madara se afastaram um pouco mais da minha família, levantando uma suspeita em meu pai. Madara nunca foi um tio presente, mas ele sempre tentou ser gentil comigo e Sasuke; o que eu não entendia, era o fato dele tratar Obito como se fosse um qualquer. Antigamente eu tinha dó dele, hoje em dia não sei o que sinto.
Meu otou-sama e Madara também nunca se deram muito bem, era bem estranho para eu pensar que dois irmãos brigassem tanto; meu tio caçula, Izuna, uma vez me contou que quando eram crianças os dois competiam por tudo, mas no final, meu pai, Fugaku, era sempre o melhor.
E com isso, meu pai foi mais bem sucedido na vida do que Madara, e mesmo que os dois agem civilizadamente quando estão juntos, tenho certeza que se odeiam. Mas por quê? Algumas brigas de irmãos são normais, Sasuke e eu já brigamos inúmeras vezes; Sasori e Gaara são um ótimo exemplo, mas nada se comparam com aqueles dois.
—Itachi? – sai dos meus devaneios, ouvindo a voz de Sasori. —Qual o problema?
Sorri de lado para ele. Eu achava tão impressionante o fato dele demonstrar preocupação comigo.
—Não é nada, não se preocupe.
—Ei danna, vamos para casa? – o louro sugeriu. —A oba-san prometeu me ensinar a cozinhar, hn.
Todos na mesa franziram o cenho.
—O que? – o ruivo questionou recolhendo seus livros.
— Você disse que minha comida era tão ruim, hn. – choramingou. —Vamos logo, quero tomar um banho antes.
—Também vamos. – Kakuzu se levantou. —Quer uma carona Uchiha?
—Sim, obrigado.
Kakuzu, Hidan e eu fomos até a limusine do moreno, meus olhos ainda observavam o outro casal, se afastarem caminhando em uma direção oposta, Deidara se virou e acenou.
Sempre achei Hidan e Kakuzu um casal muito estranho; os dois brigavam demais, pareciam simples amigos. Mas o albino estava tão animado, tagarelando sobre um jantar que eu quase me senti contagiado.
Eles me deixaram em frente a minha casa e eu acenei, despedindo-me.
—Tadaima. – entrei em minha residência, vendo a família reunida na sala.
Poderia achar muito estranho o fato de Madara estar junto, com um sorriso vitorioso; mas o que me preocupou foi à expressão desesperada de meu pai.
—O que houve?
—Itachi, querido, venha aqui. – minha mãe estendeu um braço para mim. Fui até ela, que abraçava Sasuke com o outro braço de forma carinhosa.
Sentei-me ao seu lado, recebendo um sorriso cínico de Madara.
—Sabe Itachi, você é um bom garoto. – ele começou. —Poderia ser meu herdeiro em vez daquele moleque intrometido.
Ele estava falando de Obito, não era questionável. Mas, do que exatamente, ele queria dizer com aquilo?
Desde criança, meu pai sempre me disse que eu seria o herdeiro da empresa, e assim, meus filhos iriam ser os meus. Era um tipo de ciclo da nossa família, ele foi o herdeiro de meu avô, o que era bem estranho, já que ele não era o mais velho.
—Madara! – meu pai se manifestou. —Você não pode!
—Posso e fiz. – ele sorriu. —Sabe Fugaku, eu sou o irmão mais velho! É meu de direito.
—Seu? – tanto eu, quanto Sasuke se assustou com o tom de voz de nosso pai. —Nosso otou-sama deu essa honra a mim!
—Ele era tão idiota quanto você! Eu sou o irmão mais velho, era para ele ter dado essa honra a mim!
Eu estava confuso, que sentia uma pequena pontada da cabeça.
—Você sempre foi o querido do papai. – riu Madara. —Sempre o filho de ouro, melhores notas, mais inteligente, melhor em tudo! E quanto a mim e Izuna? Ele não deixou nada para nós, mas diferente de nosso irmão, eu não deixei isso passar barato.
—Ahn... – as atenções vieram para mim. —Alguém pode me explicar? Ainda não entendi.
Madara abriu um sorriso maior.
—Simples garoto. – começou. —Agora eu, sou o presidente da empresa Uchiha.
[...]
—Você está falando sério? – Sasori questionou surpreso e confuso ao mesmo tempo. Assenti, terminando de contar sobre a noite passada.
Eu ainda não consegui engolir essa história, havia tantas perguntas sem respostas; como Madara conseguiu virar o presidente da empresa? Por quê? Será que Obito o ajudou de alguma forma? O que será de meu pai agora?
O mais questionável de tudo isso, era o fato de ele não ter tirado nem eu nem Sasori do curso da empresa, muito estranho.
—O que seu pai vai fazer agora? – ele mordeu um pedaço de bolo sem tirar a atenção de mim.
—Não faço a menor ideia. – suspirei frustrado. —Eu nunca vi meu pai daquele jeito, Sasori... Ele parecia tão abalado.
—Não é para menos.
Respirei fundo sem vontade de continuar comendo. Eu estava preocupado com essa história, com a empresa.
—Seu pai é um homem inteligente, ele vai resolver. – o ruivo disse com um sorriso pequeno. —Vai dar tudo certo.
Eu poderia ser louco, mas se não o respeitasse com todas as minhas forças iria o agarrar ali. Estava feliz por meu bom senso sempre me segurar; observar seu rosto pouco iluminado pelo sol, os cabelos se mexendo conforme o vento batia nos mesmos, o pequeno e simples sorriso que ele dava, porém, lindo.
Ele arqueou uma sobrancelha, pigarreando. Percebi que o estava encarando muito.
—Ahn, é... Espero que esteja certo. – tossi falsamente, constrangido. —E Deidara?
—Ah. – ele resmungou. —Aquele idiota preferiu ficar com o Hidan.
Sorri de leve, ele ficava muito fofo com ciúmes.
—Itachi...? – nos viramos e olhamos para o dono da voz. Pain estava em pé em nossa frente, me encarando com seu ar confiante de sempre. —Podemos conversar?
Sasori e eu nos entreolhamos.
—Eu vou procurar o Deidara. – o ruivo se levantou, pegando sua mochila e sumindo de nosso campo de visão.
Estranho... Ele parece saber de algo que eu não sei.
O alaranjado se sentou ao meu lado no gramado.
—Como vai?
—Bem... Aconteceu alguma coisa, Pain-sama?
Ele balançou a cabeça negativamente.
—Me chame de Yahiko.
Assenti.
—Apenas queria conversar... – deu de ombros, percebi que seu tom de voz estava mais leve, menos severo. —Senti falta de nossas conversas.
Ah sim, nós dois sempre conversávamos na sala de reunião da Akatsuki. Ele se tornou uma pessoa bem agradável depois de algumas conversas.
—Ainda somos amigos... Podemos conversas sempre.
Ele não disse nada, continuou olhando o prédio do colégio, onde pessoas entravam e saiam.
—Você não está desconfortável com minha presença? – franzi o cenho levemente com sua pergunta. —Depois de tudo o que eu fiz...
—As pessoas mudam, Yahiko. – ele me encarou, um pouco surpreso. —Todos somos dignos de um perdão.
Ele sorriu.
—Entendo. – respirou fundo, deixando um silêncio agradável pairar sobre nós.
Ele parecia estar em conflito consigo mesmo, pensando em algo que parecia impossível para si mesmo.
—Algum problema?
Ele me encarou, parecendo estar decidindo algo importante.
—Você gosta do Sasori, não é? – ele questionou, me fazendo paralisar. Estava tão óbvio? —Ou é algo mais profundo?
—P-porque está perguntando?
—Eu sei como se sente... Um amor não correspondido. – ele dizia na maior calma possível. —Triste e doloroso ver alguém que você ama, com outra pessoa.
Franzi o cenho e entreabri um pouco a boca.
—Você também gosta do Sasori?
Ele corou me encarando confuso.
—Não!
Suspirei aliviado, comecei a pensar que a concorrência estava crescendo... Não que o Sasori seja um prêmio que eu queria ganhar... Bem, enfim.
—Pode dizer quem é... Se você está passando por algo parecido. – sugeri gentilmente, compreendendo a situação.
Ele mordeu o lábio inferior. Encarou-me por alguns longos minutos e segurou uma de minhas mãos.
Não precisou falar mais nada... Eu não era tão idiota a ponto de não perceber.
— Ah.
Ele arqueou uma sobrancelha e olhou em volta, depois me olhou novamente, esperando alguma outra reação.
—Ah...
—Você está bem?
Eu não sabia o que dizer, nunca ninguém havia se declarado a mim.
Bem, confesso que já sonhei algumas vezes com o Sasori dizendo que me amava, mas sonhos assim são patéticos.
—Eu não sei o que dizer.
—Percebi.
Afastei nossas mãos, e tentei ver se aquilo era mais um dos meus sonhos idiotas... Não, não era.
O que eu faço?
—Ei, não precisa ficar assim. – ele disse. —Eu apenas queria tirar esse peso de dentro de mim, entende?
Ele se levantou, e limpou suas vestes que estavam cheias de grama. Ajoelhou-se em frente ao meu rosto, tocando meu queixo.
—Não estou pedindo para você perder seu tempo pensando nisso, nem quero te pressionar a nada, mas... Eu quero te ajudar, quero lhe fazer feliz e esquecer esse sentimento que sente pelo Akasuna.
—Yahiko...
—Me dê uma chance, Itachi?
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