Kiss Me.
39 Futuro incerto
Notas iniciais
Eu batia os dedos silenciosamente na mesa, enquanto prestava atenção na explicação da professora. Esse curso é ótimo! Vemos as matérias que nossa escola ensina, porém, de uma forma mais fácil e pratica.
Mas eu também estava preocupado; não é muito normal eu ficar preocupado com alguma coisa, mas Itachi estava muito aéreo desde ontem.
Havia perguntado o motivo, mas ele simplesmente mudou de assunto. Não iria insistir, se ele não queria conversar sobre aquilo, não tinha problema, mas seu olhar pensativo e sonhador estava me assustando.
—Então é isso. – a professora fechou seu livro, finalizando a aula. – Uma observação, daqui a um mês, nós teremos uma grande prova, ela irá testar o conhecimento de vocês e, os alunos que atingirem a meta exigida, iram ganhar uma bolsa na melhor escola dos Estados Unidos.
Murmúrios em aprovação quebraram o silêncio habitual da sala.
Itachi pareceu acordar de seus devaneios, parecendo interessado na proposta.
—Cursar os Estados Unidos, o que acha? – ele questionou, obviamente para mim.
Suspirei desinteressado.
—Tanto faz.
—Você não vai fazer? – olhei sua expressão indignada.
—Não sei... Tenho que pensar nisso ainda.
Ele pareceu entender o motivo.
Melhor escola dos Estados Unidos... O ensino de lá é muito bom, poderia ser um grande avanço no meu futuro, mas havia barreiras; a mais forte delas é um ser louro bem irritante por sinal.
Pensar nisso me deixa frustrado. Se eu fosse embora, como será que minha relação com Deidara iria ficar? Não, não posso pensar nisso...
—Ei, você pode pedir para ele tentar também. – encarei Itachi que guardava seu material. —Posso abrir uma vaga para ele... Talvez Madara deixe.
—Ou talvez não.
—Essa não é a única prova com esses benefícios, ele pode tentar em qualquer lugar. – sugeria me esperando. —Tente conversar com ele.
[...]
—Puta que pariu, que frio! – Hidan reclamava enquanto caminhávamos lentamente pelas ruas iluminadas pelos postes de luz.
—Você não pára de reclamar, Hidan, hn? – Deidara resmungou batendo de leve na cabeça do maior, recebeu um soco no braço.
Os dois começaram a brigar entre si, enquanto Itachi e eu caminhávamos lado a lado de forma civilizada. Não me lembro de quem foi à ideia, mas estávamos indo a uma pizzaria.
Também estava pensando no que Itachi havia dito; convencer Deidara a fazer uma prova muito difícil para ir para o outro lado do mundo comigo... Eu realmente queria ir, era uma das maiores oportunidades que eu já tive, estava indeciso, por que, apesar de tudo, não queria ficar longe dele.
Não tinha percebido quando Itachi se juntou na conversa com os outros dois.
—Vai dizer que você ainda é virgem? – corei com a pergunta de Hidan e olhei para os três.
—Hidan, não faça essas perguntas, é pessoal, não é Itachi?
O moreno não respondeu, provavelmente estava envergonhado demais para isso.
—Somos amigos, pode contar para gente. – o albino continuou. —Olhe, eu já vi o Deidara-chan e o Sasori-chan transando...
—Hidan! – Deidara o repreendeu, o moreno me lançou um olhar estranho, desconfiado.
—É uma longa história. – eu comentei. Hidan riu, Deidara bufou e Itachi não sabia que reação devia ter.
É por isso que eu sempre ignoro esses dois quando estão juntos.
—Mas... E você e o Kakuzu, Hidan? – o Uchiha levantou a pergunta, interessado.
Ouvi Hidan rir alegremente.
—Vou falar sobre isso quando chegarmos lá.
Senti as mãos de Deidara tocarem meu ombro, e me abraçar.
—O que foi? – sussurrou no meu ouvido, enquanto Hidan e Itachi conversavam um pouco afastados. Pelo seu tom, ele estava preocupado comigo.
—Nada demais. – respondi. —Apenas precisamos conversar.
Ele me soltou, pegando uma de minhas mãos.
—Sempre quando alguém fala isso, é para acabar com o namoro, hn. – ele brincou acariciando meus dedos.
Não respondi, estava cansado demais para responder qualquer coisa.
Ele não pareceu gostar do meu silêncio.
Quando nós chegamos a tal pizzaria, sentamos em uma mesa e fizemos um pedido. Hidan batucava na mesa, com um sorriso enorme no rosto; quando o pedido chegou, o albino foi o primeiro a quebrar o silêncio entre nós.
—Eu preciso falar uma coisa. – ele pegou um pedaço, mas não perdeu o sorriso. —Olhem...
Colocou sua mão esquerda em cima da mesa, revelando uma aliança de ouro brilhante, ouve um silêncio na mesa.
—Ai meu deus! – Deidara abraçou o albino. —Isso é sério? É o que estou pensando?
Hidan assentiu com a cabeça.
—Isso não faz muito a personalidade do Kakuzu. – Itachi observou.
—Eu sei, eu sei. – bufou Hidan. —É que os pais dele só iriam querer me conhecer com um motivo bem forte, então ele pediu a minha mão.
Deidara sorriu com um olhar sonhador.
—Isso é tão romântico, hn.
Não sei por que, mas ele me lançou um olhar bem sugestivo. Apenas ignorei.
—Parabéns Hidan. – Itachi apertou a mão do maior.
—Parabéns, mande meus cumprimentos para o Kakuzu. – disse eu, bebericando um pouco do suco.
Hidan e Kakuzu conseguem me surpreender de todas as formas possíveis.
Depois de um tempo, meu louro se levantou avisando que iria ao banheiro, o observei andar pelo local e me levantei também.
—Vou falar sobre aquilo. – anunciei, fazendo Itachi franzir o cenho.
—Aqui? Agora?
—Você quer que eu fale quando?
Ele não respondeu.
—Falar o que? – Hidan questionou confuso.
Sai deixando que Itachi explicasse a situação para o outro. Caminhei em passos firmes, até onde Deidara estava.
Ainda não estava muito certo sobre isso, quer dizer... E os pais dele? E se ele não quiser? Parei em frente à porta, hesitando em bater. Nunca me imaginei em uma situação dessas.
—Danna? O que foi? – me afastei um passo para trás quando a porta se abriu, revelando um Deidara confuso.
O emburrei para dentro novamente e fechei a porta.
Ele arqueou uma sobrancelha loira e sorriu maldosamente.
—Você quer agora?
—Deixa de ser pervertido, quero conversar.
Franziu o cenho levemente, encontrando-se na parede.
—Em um banheiro, hn?
Respirei fundo levando minhas mãos, ele ficou me observando em silêncio, parecendo curioso sobre o assunto.
—Deidara... Você sabe sobre o curso que eu faço com o Itachi, certo? – ele assentiu. —Ahn... Eles irão lecionar uma prova muito importante e... E se eu fizer, talvez, eu ganhe uma bolsa de estudos...
—Isso é bom. – sorriu docemente.
—Nos Estados Unidos.
O sorriso dele se desfez, fez algumas caretas parecendo processar minhas palavras. Olhou para o chão, depois para as paredes, para o espelho e logo após para mim, abriu a boca inúmeras vezes.
—Isso... Isso é muito longe...
—Eu sei.
—E... E você vai fazer? – vi a insegurança em seu tom de voz, isso me fez sentir muito mal.
—Eu quero fazer, mas... Eu não quero deixar você. – ele sorriu fraco depois da minha fala. —Eu conversei com o Itachi, e depois de pensar um pouco... Eu... Quer dizer, você... Você pode fazer essa prova também.
Ele não pareceu muito convencido.
—Danna, eu? Fazer uma prova tão complexa igual a você e o Itachi?
—Eu sei que pode parecer loucura, mas... Pense bem, você é uma pessoa muito talentosa, Deidara. – segurei suas mãos. – Pense nos benefícios que você teria?
—Não sei... Eu não sou inteligente quanto você.
—É claro que é! – afirmei confiante. – Você apenas tem que se esforçar mais, eu posso te ajudar a estudar, é só você querer.
Ele olhou nossas mãos juntas, ainda parecendo inseguro.
—E se eu não conseguir passar?
Tive que sorrir de lado com sua pergunta, me aproximei, roubando um beijo rápido.
—Eu acredito que você vai conseguir!
[...]
—Se a base for igual, você pode copiar e apenas calcular o valor dos expoentes. – explicava matemática básica para o louro, que depois de uma semana, estava conseguindo entender potenciação.
—E quando tem apenas um número, tem que calcular com o número de vezes desse numeruzinho aqui, hn?
—Isso. – ele terminou a conta. —Certo. Parece que você aprendeu potenciação.
Ele sorriu vitorioso, colocando outra folha de caderno na mesa.
— Eu quero fazer de novo, hn! – ele pegou meu livro e começou a copiar algumas contas, parecendo animado em descobrir que aquilo que ele achava impossível era fácil.
—Você está evoluindo bastante. – elogiei, recendo mais um sorriso.
—Quanto é dezesseis multiplicado por três?
—Quarenta e oito. – respondi entregando outro lápis para ele. —Você tem que aprender a montar gráficos e saber interpretar os problemas de matemática.
Estava pensando em pedir ajuda a Itachi, ele sempre teve mais paciência do que eu para explicar matéria para nossos colegas.
—Danna, como se faz esse?
Aproximei-me, olhando sua duvida.
—Não precisa calcular, apenas simplifique. – ele fez o que eu disse.
—Assim?
—Certo.
Sentei-me em sua cama, deixando que ele fizesse o resto dos cálculos sozinho. Quando me dei conta, senti um peso a mais sobre mim, abri meus olhos, encarando os azuis.
—Desistiu?
—Já terminei, hn.
Me deu um beijo calmo, deitando a cabeça em meu tórax. Abracei sua cintura, aproveitando o momento.
—Eu estou tão nervoso por essa prova... – ele sussurrou, mexendo os dedos em meus ombros como um carinho. – E se eu esquecer tudo?
—Vai dar tudo certo...
Era isso que eu queria acreditar. Eu tinha que ter fé, acreditar que Deidara seria capaz de atingir a meta da prova; ele conversou sobre isso com os pais, concordaram contando que ele conseguisse passar, apenas.
Isso fez com que ele ficasse mais motivado ainda, tinha certeza que ele queria provar que podia ser inteligente para os pais. A mãe dele apenas deixou por ver o quanto ele estava se esforçando, se fosse para ficar comigo ela não deixaria.
A questão, é que a mãe de Deidara não está sendo tão gentil quanto antes comigo. Bem, depois que eu falei tudo àquilo sobre seu filho, praticamente a expulsei da minha casa e fechei a porta na cara dela após ser grosso, não seria muito difícil ela achar que eu não sou boa companhia.
Não que eu ligue, não preciso agradar ela.
Ele girou na cama, deitando ao meu lado. Estava escurecendo e havíamos ficado até cedo estudando, pelo menos tivemos algum progresso.
—Deidara... – o chamei, sem receber uma resposta.
Olhei para seu rosto adormecido, enquanto suspirava palavras sonolentas como “sinais iguais, são negativo”, “danna”, “hm” e por ai.
Levantei-me, sentando-me na cama e o cobrindo uma coberta felpuda que havia na cama. Ajoelhei-me em frente ao seu rosto e acariciei sua bochecha.
Quando eu era criança, sempre pensei que nada no mundo poderia desviar o meu objetivo, por que eu odiava ter que ficar sozinho em casa por que meus pais estavam trabalhando duro para dar uma boa vida a Gaara e eu. Sempre fui o melhor da sala, da escola! Nunca me distrai com garotas ou amigos, — apenas Konan, mas ela não vem ao caso -, até mesmo me distanciei do meu irmão por causa disso, mas agora... Agora Deidara consegue me desconcentrar com coisas bobas.
Eu nunca quis mudar por pessoa nenhuma. Nunca quis me apaixonar.
Por que agora, eu não sabia se poderia ir para outro país sem ele. Odeio isso!
Mas, o melhor a se fazer agora, era acreditar que ele iria conseguir.
[...]
Eu nunca fui o tipo de pessoa que ficava nervoso em provas, até por que eu estudava bastante e sabia a matéria de cor, mas agora eu sabia o que as outras pessoas sentiam quando iam começar uma prova de forma ansiosa.
—Nervoso? – Itachi perguntou na cadeira da frente, como se lesse meus pensamentos.
—Não… — menti. —Não há necessidade para eu ficar nervoso.
Ouvi-o soltar uma risada breve.
—Ele vai conseguir.
Esperava que ele tivesse razão. Passei um mês inteiro ensinando tudo o que podia para Deidara, ele conseguiu decorar bastante coisa, mas outras ele não conseguiu entender nem mesmo com Itachi ensinando.
Eu devia parar de pensar nisso! Deidara vai conseguir, e se não conseguir não importa.
As provas foram distribuídas, e o silêncio reinou na sala.
Itachi havia conseguido que Madara liberasse uma prova para Deidara, não sei as intensões dele, o que é muito estranho. Esse Madara é intrigante aos meus olhos, sempre fazendo joguinhos desse tipo. Agora, o louro estava na sala ao lado, provavelmente fazendo sua prova.
Não estava tão difícil, havia tudo o que estudamos no ano inteiro.
Três horas de prova faz com que as costas doem, e muito. Eu já não aguentava mais fazer aquelas contas de física ou fazer redações sobre assuntos variados.
Itachi terminou antes de mim, saindo da sala e sorrindo confiante para mim. Vinte minutos após eu terminei, entregando para o professor responsável e sai da sala.
—Como foi? – encontrei Itachi perto de uma máquina de refrescos.
—Como sempre. – dei de ombros. – Havia algumas coisas que eu não lembrava direito.
—Digo o mesmo, mas não foi à maioria. – o segui até um banco perto de uma janela.
Esse prédio é enorme, havia quinze andares. Eu conhecia apenas três, os que nós estávamos onde davam recursos para estudos, os outros dois eram de negócios, um deles eu havia conhecido o pai de Itachi e Madara.
Uma vez, Itachi havia me dito que ele seria o herdeiro da família o Uchiha, e que era muita responsabilidade. Imaginava que ele não queria o cargo, mas nós nunca conversamos sobre isso.
Agora que Madara era o novo presidente, imaginava que Obito seria o herdeiro.
Pensava como seria se meu pai fosse um empresário como os Uchiha. Eu teria que ser o herdeiro, mas provavelmente não iria querer. Não me imagino em um cargo assim, muito menos Gaara.
—Danna! – olhei para o lado, vendo Deidara sair de uma sala com algumas pessoas. Ele correu até Itachi e eu e pegou o refrigerante das mãos do moreno, dando um gole e devolvendo.
—Como foi? – questionei tentando não parecer tão curioso quanto estava.
—Ah... Acho que fui bem. – ele sorriu largo.
—Então vamos? – o moreno se levantou rapidamente.
Ele saiu andando pelo corredor, sendo seguido por Deidara e eu. O louro não parava de falar o quanto estava feliz em conseguir fazer contas difíceis.
Descemos pelo elevador, até o primeiro andar; aquela recepcionista mal educada ainda estava lá, atendendo algumas pessoas com roubas caras com um sorriso enorme. Toda vez que eu venho aqui, acabo brigando com ela, Itachi já tentou a demitir inúmeras vezes, eu sempre digo que não precisa.
Já estou acostumado com esse tipo de tratamento, principalmente na escola.
Fomos andando até as portas de vidro, e acabamos encontrando quem não devia. Acho engraçado que ele sempre aparece quando não devia, aliás, ele nunca devia aparecer na minha frente.
—Boa tarde. – ele cumprimentou Itachi, seus olhos pararam em Deidara e eu. —Oi Deidara.
—O que faz aqui, Obito? – Itachi questionou confuso. —Pensei que Madara não quisesse você aqui.
—Tsc. – ele bufou altamente irritado. —Eu quero o Madara morra! – cruzou os braços. —Eu vim falar com o Kakashi, algum problema nisso?
Não fazia a menor ideia de quem era esse Kakashi...
—Oi Sasori. – ele falou meio hesitante. Não respondi, não me daria a esse trabalho. —Eu estava procurando por você no colégio hoje, queria pedir uma coisa...
—Não precisa, não quero ter nenhum tipo de contato com você.
Ele deu dois passos para trás.
—Eu só queria pedir desculpas. – ele pigarreou. —Quer dizer, mais de uma. Principalmente por ter feito você levar uma suspeição, e por vocês dois... – olhou para Deidara e eu. —Ahn... É...
—Devemos ir. – Itachi quebrou o clima. —Vamos?!
Ele começou a andar, comigo o seguindo. Percebi que Deidara demorou um pouco para nos acompanhar.
—Ele pediu desculpas para você?
—As pessoas mudam. – Itachi comentou me encarando.
—Quem é Kakashi, hn?
—É um garoto que foi chamado para ajudar Madara na empresa, não o conheço muito bem, mas creio que Obito e ele são amigos.
Eu ia falar alguma coisa, mas o celular de Deidara começou a tocar. Ele atendeu, se afastando um pouco.
—Ei. – chamei Itachi. —Não tivemos tempo de conversar sobre o Yahiko.
Ele corou, desviando o olhar.
Eu havia visto os dois juntos todos os dias no colégio, e claro que eu não iria demorar a perceber o que estava acontecendo.
O moreno ia tentar mudar de assunto, o conheço bem demais para saber que iria fazer isso, mas Deidara me chamou, com um olhar assustado e o rosto pálido.
—É o seu pai.
[...]
Entrei no quarto as presas, encontrando minha mãe sentada ao lado da cama de hospital aos prantos, Chiyo-baasama parecia rezar e meu pai estava deitado, com inúmeros fios ligados a ele.
—Sasori! – minha okaa-chan veio até a mim, abraçando-me forte.
—O-o que houve? – minha voz saiu ofegante por eu ter corrido muito, meu tornozelo doía.
—Ele bateu o carro, mas os médicos disseram que não foi nada muito grave, mas... – ela começou a chorar no meu ombro.
A abracei, acariciando suas costas.
A porta se abriu, revelando um Gaara chocado.
—Mãe?
Ela se soltou de mim, indo até ele.
Aproximei-me de Chiyo e respirei fundo, ela não demonstrava reações, mas a conheço o suficiente para saber que estava preocupada. Segurava as mãos arranhadas do ruivo e mantinha os olhos fechados.
Sentei-me na cadeira onde minha mãe estava antes.
Itachi havia me trazido até a metade do caminho com sua limusine, mandei Deidara voltar para casa, mesmo que ele tivesse insistido em vir comigo.
O clima do quarto estava desconfortável, e continuou assim por dias. Minha mãe não podia vir todos os dias, nem Chiyo-baa por isso, Gaara e eu sempre ficávamos fazendo companhia para nosso pai.
Mas nem sempre eu poderia ir, principalmente que falta dois meses para o final de ano, as provas estão vindo em cheio, me cansando mais do que nunca.
Pelo menos hoje, eu consegui ir. Agora que a Akatsuki acabou, saia apenas nos horários como todos os outros, mas pelo menos não perdia mais aulas.
Coloquei minha no pequeno sofá do quarto e fui mexer no ar condicionado, estava muito frio naquele quarto e eu não queria ficar doente.
—Sasori, pare de mexer nisso, estou com calor. – senti um arrepio correr pelo meu corpo e virei em um pulo, vendo meu pai me olhar com os olhos pesados.
—Pai?! Como se sente? – me aproximei, ajoelhando-me ao seu lado.
Ele soltou um gemido de dor.
—Não sinto minha perna direita...
—Você a quebrou. – respondi o que ele queria saber.
Ele suspirou pesadamente, parando de tentar se mexer. Eu estava totalmente aliviado por ver que ele estava bem, ou quase. Levantei-me, indo em direção à cadeira onde eu ficasse sentado ao lado da cama.
—O que é isso na sua mão? – ele perguntou olhando para minha mão direita, onde a aliança que Deidara me deu brilhava pela luz.
Coloquei a mão no bolso do casaco.
—Uma aliança? – ele riu. —Parece que seu namoro está bem sério.
—Você pode não debochar, por favor? – tentei não ficar irritado.
Ele virou a cabeça, ficando sério de repente como se fosse bipolar. Analisou-me por breves minutos, até que voltou a fitar o teto, fechando os olhos e respirando fundo.
—Você não entende! – de certa forma, não mesmo; estava perdido no assunto. —Sabe o quanto você vai sofrer por assumir esse namoro?
Foi como se um raio tivesse caído na minha cabeça e me acordado.
—Pai, você...
—Sasori. – me interrompeu. – Você já assistiu aqueles noticiários?
—Não tenho tempo para isso...
—Eles dizem sobre como os adolescentes ou adultos homoxessuais sofrem. – ignorou minha fala anterior.
—Ahn... Pai eu não sou...
—Você e Gaara podem cair nas mãos de algum bandido por ai, e imagine o que pode acontecer? – ele me encarou, sem me deixar falar.
Fitei seus olhos verdes, iguais aos de Gaara. Eu nunca tinha pensado dessa forma, Deidara e eu éramos discretos, bem algumas vezes; mas as pessoas apenas olhavam feio, nada mais do que isso.
—É por isso? – ele franziu o cenho. —Por isso você foi tão duro conosco?
—Só estava preocupado com vocês.
—Pai, você quase bateu em mim... E maltratou o Gaara psicologicamente... Acha mesmo que isso é estar preocupado? – ele desviou o olhar. —O que você poderia ter feito é ter conversado conosco, não fazer o que fez, foi ridículo!
—Eu só perdi a cabeça... – resmungou.
—Você passou anos perdendo a cabeça com o Gaara? Como acha que ele se sente recebendo os olhares de decepção que você manda para ele?
Ele não disse mais nada, apenas continuou a olhar o teto branco.
—Eu tenho medo. – ele falou depois de um tempo. —Tenho medo de perder vocês... Eu sei que um dia vocês terão que sair de casa, mas pensei que... Com netos tudo seria menos doloroso.
Abri a boca algumas vezes, mas nada saiu.
A porta se abriu, revelando Gaara que carregava algumas sacolas consigo.
—Sasori, eu comprei algumas... – parou de falar após ver nosso pai acordado. Ele deu alguns passos até nós, mas hesitou depois, abaixando o olhar. – Que bom que acordou papai...
O ruivo mais velho me olhou e depois respirou fundo, tentou se levantar e com minha ajuda, se sentou na cama.
—Gaara! Venha aqui! – ele disse com sua habitual forma indiferente.
O ruivo mais novo se aproximou deixando as sacolas no sofá, junto com minha mochila. Otou-san o puxou pelo braço e o abraçou.
Não sei quem ficou mais chocado.
—Me desculpe. – ele sussurrou. —Me desculpe, filho.
Vi quando Gaara fechou os olhos tentando esconder algumas lágrimas teimosas e quando correspondeu o abraço.
—Eu te amo. – ele confessou para meu irmão, que fungou tentando disfarçar.
Eu ainda estava um pouco chocado pela cena, mas não deixou de ser bonita. Tenho certeza que há anos Gaara queria ter abraço de otou-san, e finalmente conseguiu.
Fiquei observando os dois ruivos abraçados naquela cena melosa e cheia de amor, até que um braço me puxou, fazendo com que eu me juntasse aos dois.
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