Kiss Me.
2 Uchiha Itachi.
Notas iniciais
Artes é uma matéria fascinante não acha? Poder deixar sua imaginação livre e colocar seu coração naquilo que está fazendo. Magnifico. É claro que, era minha matéria favorita e a que eu era melhor.
Muito melhor do que o Uchiha!
Não que ele fosse ruim em desenhos, mas observar a professora passar por ele e não dizer nada sobre sua obra e soltar bilhões de elogios na minha era adoravelmente magnifico.
Desde criança eu gosto de desenhar, meu sonho era ser um artista famoso em que minha arte fosse vista por toda a eternidade por várias gerações. E bem, continua sendo meu sonho! Está para nascer alguém tão bom em pintura que eu; alguém que eu conheça para ser mais exato. As aulas de artes são também as mais calmas, a professora nos pedia para pintar alguma coisa ou simplesmente dizia para usarmos nossa criatividade. Que delicia de aula.
Uma coisa interessante nessas aulas maravilhosas, foi que em cada aula Uchiha Itachi ia aproximando-se de mim. Normalmente ele senta-se nas primeiras carteiras enquanto eu fico solitário em uma das ultimas. Mas nos dias recentes o moreno começou a se aproximar subindo uma cadeira por aula, até o ponto de já estar ao meu lado.
Mesmo estando um do lado do outro, não trocávamos nenhuma palavra. O que era estranho e frustrante. Curiosidade nunca foi meu defeito, mas admito que sua aproximação foi um grande espanto. Enquanto a professora rodeava a sala olhando as pinturas de cada aluno, eu me concentrava naquele quadro como se fosse minha vida, caprichava em cada detalhe daquela pintura e escolhia as cores cuidadosamente.
E por incrível que pareça, sentia olhares curiosos em cima de meu ser. Mais precisamente em minha pintura. Pelo canto dos olhos podia ver o Uchiha observando enquanto eu pintava, ele passava seus olhos para meu desenho e depois para o dele como se estivesse decepcionado.
Seu desenho não estava ruim, mas também não chegava a ser tão bom quanto o meu. Estou sendo modesto claro.
– Muito bom Akasuna. – ouvi a professora elogiar enquanto ficava observando ao meu lado.
– Obrigado. – agradeci por fim sorrindo de lado ao lembrar-me daquele pequeno desafio imaginário. Ah, que sensação maravilhosa! Eu sou melhor do que Uchiha Itachi, isso soa muito bem.
E enquanto a professora se retirava daquela parte da sala, eu sorria de orelha a orelha observando aquela obra de arte. Eu sou um gênio.
– Você é talentoso. – ouvi sua voz grave comentar enquanto tinha seus olhos fixos a minha pintura. Ok, isso sim é uma surpresa. Uchiha Itachi falando comigo? O garoto sem vida? Por favor, não pode ser. E por incrível que pareça, era comigo mesmo que ele falava.
– Obrigado. – repeti o mesmo que disse a professora e senti um arrepio correr por minha nuca. Essa sensação é nova, e não sabia o porquê de estar a sentindo.
O assunto acabou ali, ele não disse mais nada e muito menos eu. Quando me dei conta o sinal já havia batido e meus colegas já arrumavam seus materiais para ir embora. Aprecei-me a fazer o mesmo, joguei meus lápis e algumas folhas na mesa de qualquer forma na mochila e me dirigi até a saída da sala de artes.
Assustei-me ao ver uma silhueta a minha espera.
– Quer companhia? – não creio. Por que o Uchiha estava falando comigo? Não faço a menor ideia; por que ele está tentando ser amigável comigo? Nem ao menos quero saber.
– Claro. – dei de ombros andando ao seu lado.
– Uchiha Itachi. – ele esticou a mão para cumprimentar-me como se seu nome já não fosse famoso o suficiente por toda a escola. Apertei sua mão, mas nem tive tempo de me apresentar. – Akasuna no Sasori, certo? Você é bem famoso por aqui.
– Hm. – bufei impaciente, sou famoso, mas não um famoso de uma forma boa. – Meu sobrenome nessa escola devia ser bullying. – comentei revirando os olhos ao lembrar-me de todas as gracinhas feitas comigo.
Ele riu de leve.
– Estamos no começo do ano, isso vai passar. – ele murmurou com um sorriso de lado. – Há muitos nessa escola piores do que você, pode apostar.
– Como assim?
– Você é motivo de brincadeiras por motivos financeiros, mas outros aqui são motivos por serem eles mesmos. – ele falou em um tom sério. – Se alguém não for de acordo com o padrão da escola, ele é motivo de bullying por todo o ano.
– Conhece alguém? – questionei mostrando um pouco de curiosidade.
– Não exatamente, há muitas pessoas com esse problema por aqui, mas ninguém que seja próximo de mim. – ele respondeu dando de ombros. – Mas pode apostar que há uma pessoa que sofre mais do que você... Por serem diferentes, essas pessoas são motivo de brincadeiras. – ele parou de andar e dei-me conta que já estávamos em frente ao portão do colégio. – O mais importante nessa escola, é o status, Akasuna-san. Se você não tiver uma reputação, você é considerado morto!
Isso soou bem sombrio, mas faz sentindo; Uchiha foi de encontro a uma limusine preta, tipico de um mimado. Já estava virando a esquina que dava ao caminho de minha casa, mas logo parei ao ouvir a voz do moreno.
– Quer carona? – isso é sério? Franzi um pouco a testa, mas dei de ombros. Já estava escurecendo, e eu não gostava de passar por aquele bairro macabro sozinho. Não é medo!
Entrei no automóvel sentindo o ar quente e confortante. Céus, isso sim é vida fácil.
[...]
– Tadaima. – joguei minha mochila no chão e tirei meus sapatos, entrando por fim em minha casa.
–Okaeri. – ouvi a voz de minha mãe soar animada como sempre. Sua silhueta apareceu na sala com um sorriso alegre nos lábios e veio até a mim, dando-me um beijo na testa como se seu fosse uma criança.
Rolei os olhos. Esses hábitos de minha mãe nunca irão mudar. Infelizmente, é claro.
– Como foi no colégio? Está com fome? Vá tomar um banho para jantar. – e novamente rolei os olhos.
– Mãe não sou mais criança. – resmunguei subindo as escadas ouvindo suas risadas abobadas no andar de baixo. Pois bem, minha querida mamãe me trata de tão forma por sentir falta de crianças, claro supernormal ela cuidar do filho com 16 anos dessa forma, e que ainda por cima, é o filho mais velho.
Fui em direção ao meu quarto esbarrando em um ser que devo chamar de irmão mais novo. Murmurei um ‘desculpa’, mas quando me dei conta ele já estava descendo as escadas balançando aqueles cabelos ruivos escuros freneticamente.
–Cadê sua educação moleque? – mostrou o dedo do meio para mim. – Hunf, pirralho. – resmunguei alto. Akasuna no Gaara, meu irmão mais novo, uma praga na minha vida. O garoto tem apenas 13 anos e trata todo mundo da casa como se fossem lesmas morrendo.
Hunf, chega de falar dele.
Entrei em meu quarto jogando meu corpo na cama macia, quase soltei um suspiro de satisfação. Como senti falta desse colchão fofo. Virei meu corpo observando o teto e tentando raciocinar tudo o que ocorreu hoje.
Nada muito produtivo para ser exato; tirando o fato de que Uchiha veio falar comigo e me deu carona, nada muito inovador. Estranho pensar que Uchiha está tentando uma aproximação amigável comigo. Estranho mesmo, será que ele está planejando algo?
Tanto faz.
Sinto um frio na barriga ao lembrar de nossa conversa. Há pessoas que sofrem por serem elas mesmas naquele inferno, então não sou tão azarado de certa forma, não é? Minha “popularidade” iria se desfazer com o tempo, de acordo com Itachi. Então eu saio ganhando, ótimo.
Viro meu corpo e suspiro frustrado. Essa é a primeira vez que me aproximo de alguém naquela escola. E porque estou tão frustrado com isso? Até parece que nunca tive amigos, hunf. Sinto minha barriga roncar e bufo angustiado, sem querer sair daquela cama confortável. Mas a fome é maior, então eu vou.
– Será que eu vou conhecer alguém tão azarado quanto eu naquela escola? – questiono-me saindo do quarto, pensando em como deve ser a vida das pessoas daquele colégio. – Hunf, tanto faz.
Fale com o autor