Kiss Me.

3 Quem é...?


Havia acabado uma prova de geometria e arrumava meu material para sair da sala, Itachi já havia acabado também e por algum motivo me esperava na porta. O que esse cara quer comigo? Eu me importo? Não...

Dirigi-me para fora da sala sendo acompanhado pelo moreno, poderia o questionar, mas não sou tão desagradável a esse ponto. Ficamos em silêncio a trajetória para o refeitório, um silêncio confortável a meu ver. Gosto de silêncio.

Vimos uma professora passar por nós correndo, até parar em minha frente.

– Uchiha, poderia me fazer um favor? – perguntou para o moreno que assentiu. – Entregue isso a Deidara, por favor. – vi Itachi fazer uma careta e pegar o envelope. – Obrigada. – e saiu apresada.

– Quem é Deidara? – questionei-o vendo o suspirar.

– Não queira saber. – respondeu calmamente como sempre. – Poderia entregar para ele por mim? – como é?

– Como?

– Não sou muito bem vindo em sua casa. – deu de ombros colocando o envelope em minhas mãos. Espera, eu nem sei quem é esse cara. – Tem o endereço aí.

– Mas porque não pede para um amigo dele? – perguntei o que na minha cabeça, era uma sugestão obvia.

–... Ele não tem muitos amigos por aqui. – respondeu tranquilo, porém, pareceu meio angustiado. Suspirei e dei de ombros, colocando o envelope em minha mochila.

Que palhaçada. Ele aceitou o favor e quem teria que fazer sou eu? Hunf. Sorte dele é que estou de bom humor e irei fazer de bom grado. Continuamos a trajetória para o refeitório enquanto ele falava algumas coisas sobre a escola.

Descobri que ele tinha um irmão da mesma idade do meu. Que ele é mais novo do que eu, isso foi surpresa, ele aparenta ser mais velho. E que seu pai era dono de uma famosa empresa do país. Claro, como se eu não soube disto, porém, não sabia que a empresa era concorrente com outra, cujo dono é seu próprio tio.

Nós almoçamos em silêncio, não tanto, pois trocávamos algumas falas. Pessoas olhavam como se fossemos estranhos, mas ele pareceu não se importar, então porque eu me importaria? As aulas continuaram e percebi que Itachi era uma pessoa agradável, mas continuava a trata-lo com indiferença, pois ele continuava a ser meu “rival”.

Isso soa meio infantil... Argh, foda-se.

– Ei Itachi-san. – chamei quando estávamos no corredor indo para a sala de aula, após uma aula de ginástica novamente. – Esse Deidara, quem ele é exatamente?

Ele pareceu meio tenso.

– Yo Itachi–san. – ouvimos uma voz soar ao longe e um cara, muito, muito alto aparecer com um sorriso estranho. – Quem é o baixinho? – mas o que? Já comentei que odeio... Odeio quando me chamam assim? Pois bem.

– Ei Kisame, é o Sasori. – respondeu franzindo a testa com minha expressão assassina.

– Akasuna no Sasori, uma celebridade. – riu e revirei os olhos, vi Itachi fazer o mesmo. – Não se esqueça do nosso compromisso, Pain não gosta de atrasos.

– Não precisa me lembrar. – e com isso saiu de perto me deixando sozinho com o tal Kisame. Hunf, eu que não vou ficar perto desse cara estranho. Fui para perto do moreno vendo sua face tensa, o que ele tem?

Caminhei ao seu lado para dentro da sala indo em direção a minha carteira. Depois que o moreno e eu nos “aproximamos” ele começou a sentar-se junto a mim, na última fileira da sala. Para o espanto alheio, claro.

E se eu me surpreendi? Hunf, mas é claro. Mas quem sou eu para questioná-lo?

– Sasori-kun. – me chamou. – Quer me acompanhar em uma reunião?

– Reunião?

– Sim, sou parte de uma organização que não posso dizer o nome. Falei sobre você nela, e é muito bem vindo. – como é?

– Porque falou sobre eu? – senti-me na obrigação de questioná-lo. Aliás, nem nos conhecíamos direito e não havia razão que passasse em minha cabeça do por que.

– Acho você interessante. – respondeu calmamente e gentilmente colocando seu material sobre a mesa. – Está interessado? – olhou-me com um pequeno sorriso de lado.

O encarei por algum tempo e pensei, pensei e pensei... Hm, não sei não. Itachi não é uma pessoa muito normal, e se aquele Kisame faz parte quer dizer que o resto das pessoas também não são normais.

E também, eu sempre estava muito ocupado, — estudando-, para ir a eventos ao qual eu não conheço ninguém a não ser ele. Sei muito bem como irei me sentir desconfortável, e também sei que não irei fazer amizade facilmente com as de mais pessoas no local.

– Vá como meu acompanhante, então depois você pensa se entra ou não. – disse antes de o professor entrar. Devo pensar nisso? Hm, quem sabe. Mas mesmo assim, acho que não seria uma boa ideia.

Ri pelo nariz. Itachi me acha interessante? É estranho pensar nisso.

Mas não deixa de ter uma sensação boa. Não sei explicar ao certo. Pude sentir seu olhar sobre mim, mas não o encarei continuei olhando para frente vendo o professor começar a aula.

Eu sou interessante realmente ou ele disse isso para eu que eu aceitasse? De certa forma, estou me sentindo bem depois disso. Estou me sentindo superior? Não, não é isso. Enfim.

[...]

– Até mais, Sasori-kun. – acenou entrando em sua limusine. Estranho, não me convidou... Estranho. Bem, tanto faz. Mexi minhas costas jogando a mochila para o lado e a abrindo, pegando aquele envelope e olhando com dificuldade pela pouca iluminação na rua.

Já estava tarde, e seria burrice aparecer na casa de um estranho. Então simplesmente rumei para minha casa colocando o envelope novamente na mochila.

Queria saber o porquê de tanta tensão por causa desse garoto. Porque Itachi pareceu tão desconfortável quando o assunto era esse tal Deidara? Nunca havia ouvido falar dele pela escola, e se fosse um dos caras que me infernizam eu iria saber.

Falando nisso. Depois que comecei a me socializar com o Uchiha, as pessoas pararam de encher o saco. Um prêmio por ser “amigo” do Itachi? Hunf.

Interessante o fato de ele ser respeitado a ponto de fazer com que os deboches sobre mim parassem. Claro que não de uma vez, ainda achava alguns bilhetes me xingando no armário e sentia algumas bolinhas de papeis serem jogados em mim, mas nada muito chato como antes.

Pelo menos ninguém me chama de baixo. Graças a Kami-sama.

Tirando aquele Kisame, mas ele não é importante. Espero que aquela tenha sido a primeira e última vez.

Enfim.

Sobre a proposta do moreno. Devo aceitar? Ou é melhor ficar em casa estudando para os exames que estão por vir? Minha vida nunca foi disso, nunca havia alternativa além de que estudar.

Na minha antiga escola, eu sempre recusava os convites para saídas, meus amigos sempre ficavam decepcionados, mas eu nunca voltava atrás. Será que eu fiz errado? Devia aproveitar mais da vida?

Porque estou pensando nisto?

Quando me dei conta, já estava na porta de minha casa. Entrei estranhando o silêncio no recinto. Minha mãe provavelmente devia estar em minha avó, meu pai trabalhava até tarde e meu irmão não devia ter chego ainda.

Paz. Tranquilidade.

Joguei a mochila no chão, mas antes de sair de perto a encarei por alguns segundos. A abri e peguei o envelope alaranjado que estava dentro dela, o que seria isso?

Uma ocorrência? Parecia.

Quem era esse tal Deidara?

Nunca fui muito curioso, mas admito que isso esteja me angustiando. Realmente queria saber quem era esse cara, e o porquê Itachi ficou daquela forma.

Quantos mistérios. Ódio isso.

Sai do lugar quando ouvi o trinco da porta e a mesma ser aberta dando entrada para meu irmão.

– Tadaima.

– Okaeri. – o vi tirar os sapatos e suspirar. Hm, estranho. Devo perguntar? Devo me intrometer? Acho que não.

– Onde está okaa-chan? – perguntou olhando os lados e jogando-se no sofá, enquanto eu ainda encarava aquele pedaço de papelão entre minhas mãos.

– Deve estar na baa-chan. – respondi sentando-me ao seu lado.

Gaara era pior do que eu quando o assunto era ser simpático. Ele era muito mais quieto do que eu e muito mais reservado. Desde criança parecia resolver seus problemas sozinho, sem ajudas nem nada.

Quando eu tinha sua idade, isso me frustrava. Sempre achei que ter um irmão mais novo seria divertido e que ele iria me procurar sempre que tivesse problemas ou que contasse seus segredos a mim, mas ele nunca o fez.

Hoje em dia eu nem ligo para isso.

– Otou-san já chegou? – perguntou com o tom calmo, porém com uma leve pitada de angustia. Balancei a cabeça negativamente o vendo suspirar novamente.

Meu pai e Gaara não se dão muito bem. As personalidades de ambos eram copias uma das outras, mas mesmo assim, os dois mal se falavam. Otou-san sempre foi muito rígido, cobrando sempre o melhor de nós, e isso é irritante de fato. Mas claro, que não é só isso, mas eu como sou não me intrometo.

– Vou para o quarto. Boa noite. – disse saindo da sala rapidamente.

Pergunto-me se eu não fosse tão eu, ele seria menos ele. Essa frase ficou confusa até para mim.

Enfim. Não estou com saco para ficar pensando em passado e nem para ficar imaginando o que é esse negocio em minhas mãos. Mas talvez com o tempo eu descubra o que o moreno esconde.

Ou não. Talvez no fundo eu nem me importe.

Notas finais
Adivinhem quem vai aparecer no próximo? hn? hn? -q
Ele ia aparecer mais para frente, mas mudei um pouco o rumo da fanfic. :3
Ok, é isso. Até mais. ~