Kiss Me.

10 Stress do dia.


Notas iniciais
Olá, oi, hey ^-^ Mais um capítulo cá ~ Desculpe qualquer erro e boa leitura. ♥

Vitória, essa é a palavra que está impregnada em minha mente a um bom tempo.

Estava com um sorriso radiante no rosto, o que deixava Itachi curioso em relação a isso; a questão é, eu estava feliz. Feliz por ter conseguido superá-lo na matéria em que ele é melhor do que eu.

É uma sensação estranha, mas prazerosa.

– Você multiplica esse com aquele número, o resultado você divide pelo número que sobra, e o resultado é o valor de x. – explicava para o moreno que observava tudo atentamente. Às vezes tenho a impressão de que ele estava mentindo, tentando me enganar para algo maior.

Entretanto, prefiro não pensar nisso.

Estávamos em sua casa, mais precisamente em seu quarto. O que conseguia ser maior do que minha cozinha... Havia uma cama de casal, com uma enorme janela ao lado. Uma mobília de madeira muito bem feita em frente à cama e do outro lado havia a porta de passagem. Também continha uma mesa com inúmeros livros e papeis de anotações, e era onde estávamos.

Ah sim, sem contar do tapete de cobria o quarto todo, quando coloquei os pés nele tive a impressão que estava no céu.

– E esse número, onde fica? – ele perguntou com um ar divertido.

– Esse é o número que divide com o resultado. – respondi no mesmo tom.

Era novo e estranho estar nessa situação. Não digo do fato de eu estar ensinando cálculo para o Uchiha, mas sim da forma em que estávamos conversando.

Depois do dia em que ele pediu minha ajuda, nós ficamos um pouco mais próximos. E por algum motivo, Deidara teimava em dizer que eu era ingênuo e cego. O loiro se irritava com quase tudo o que eu dizia, e até dava a impressão de que nós dois trocamos de lugar.

Se fosse louco diria que ele estava com ciúmes...

Espere... Faz sentido.

Se for pensar bem, ele se declarou para mim não faz muito tempo; e mesmo pensando que aquilo foi apenas uma encenação, ele continua afirmando que é verdade.

Ai está, não sei se acredito ou não. Eu nem o conheço direito, muito menos ele... Hunf, minha relação com Deidara é tão confusa.

– Sasori? Preso em pensamentos novamente? – o moreno tirou-me de meus devaneios. O olhei piscando algumas vezes fazendo o foco voltar.

– Não, apenas estava pensando em Deidara. – respondi vendo sua expressão neutra se transformar em indiferente; estranhei.

– Você pensa muito nele, não é? – perguntou em tirar os olhos do papel em que anotava os números do próximo problema matemático que íamos fazer.

Arqueei uma sobrancelha ruiva.

– O que está insinuando? – questionei, ele me encarou e riu de leve.

– Não se faça de desentendido, Sasori... Você sabe muito bem do que estou falando. – corei com sua fala. É claro que eu sabia, mas não queria encarar os fatos.

– Somos... Amigos, apenas. – fiz uma careta. – Na verdade, nem sei se somos isso mesmo.

Ele riu novamente. Ficamos em silêncio, ele parecia preso em pensamentos e eu suspirei. Ele tinha razão, eu estava pensando muito em Deidara esses dias; nossa convivência tem diminuído.

E isso é bom... Não, isso é ótimo!

Provas importantes estão chegando, e quero tirar uma nota melhor do que a do Uchiha. E por alguma força maior, o loiro sempre me atrapalha nesses requisitos.

Porém, mesmo não querendo admitir; eu sinto falta dele.

Argh, do que eu estou falando? Que pensamento ridículo, Akasuna no Sasori contenha-se.

– Já está tarde, tenho que ir. – falei olhando em meu relógio e constatando que já eram 21hrs. Minha casa era longe da dos Uchiha, eu devia me apresar.

– Quer carona?

– Se não for incomodo. – respondi guardando meu material e levantando da cadeira onde estava sentado.

– Ficar com você nunca é incomodo... – o olhei de cenho franzido e ele corou. Ficou mais vermelho do que meus cabelos, e se esse momento não estivesse tão estranho e constrangedor diria que foi engraçado. –... Quer dizer... Eu... É um favor... Erh...

– Vamos ou não? – perguntei estranhando toda aquela situação.

Ele assentiu e saímos de seu quarto luxuoso. E tragicamente – ou não. – demos de cara com aquele garoto moreno que havia me confundido com um mendigo. Pelo que sei, é irmão de Itachi.

– Ainda é amigo do ruivo mendigo, aniki? – riu debochado e imaginei-o sendo torturado.

– Pare com isso Sasuke. – o moreno disse caminhando até as escadas que iam para a sala.

– Aliás, você é o tal Sasori, não é?

– Sim. – respondi estranhando a pergunta.

– Mande um oi para o Deidara. – e entrou em uma das portas, que constatei que era de seu quarto.

Não comentei nada sobre o que houve aqui, aliás, nem queria.

Não conheço os pais de Itachi, apenas sua mãe, que se mostrou uma mulher muito simpática e gentil. Porém, pelo o que ele me disse, seu pai é o oposto; sempre muito rígido e critico. Seria interessante conhecê-lo.

Saímos de sua casa e fomos em direção à limusine que nos aguardava. Conversávamos sobre coisas aleatórias, coisa que já estava virando rotina. Pelo o que eu percebi, o Uchiha já sabia bastante sobre mim, e eu sobre ele; mas ocultava muitas coisas como seu passado negro ao lado de Deidara.

A única coisa que disse, foi que conheceu o loiro aos dez anos de idade na escola primária. Apenas isso...

Depois de um tempo, percebi que já estávamos perto de casa e peguei minha mochila novamente. Hoje era sexta isso quer dizer amanhã passaria na casa de Konan para uma visita; nada de estudos ou compromissos importantes, apenas iria relaxar.

– Até segunda-feira, Sasori. – se despediu com um sorriso de lado.

– Até. – acenei e lhe dei as costas, caminhando até a porta de minha casa.

As pessoas da minha rua já estavam acostumadas em me ver saindo da limusine do Uchiha, antigamente viviam perguntando sobre o assunto para minha okaa-san.

Odeio pessoas fofoqueiras. E o pior é que a maioria desse bairro é.

– Tadaima. – entrei em casa, não ouvindo nenhum comprimento. Deduzi que minha mãe ainda estava no trabalho, assim como meu pai e Gaara estava no quarto.

Tirei meus sapatos indo em direção ao meu quarto, já que eu não tenho nada a fazer irei dormir. O que, aliás, é uma ótima ideia em todos os sentidos.

[...]

Amanheceu, e eu nem levantei da cama. Apenas me lembro que na noite passada me deitei na cama e apaguei, só acordando agora. Adoro quando isso acontece, até parece que eu sou uma pessoa normal sem preocupações irritantes.

Juntei minhas forças e me obriguei a levantar, sai do quarto indo em direção ao banheiro. Após fazer minha higiene matinal e dar um jeito no cabelo que parecia mais um ninho de pássaros desci as escadas sentindo o cheiro delicioso do café.

– Ohayou. – entrei dando de cara com minha mãe lavando a louça, meu pai lendo um jornal e meu irmão brincando com o cereal. Coisa rara de se ver, minha família toda junta...

– Ohayou, meu amor. – minha mãe foi à única que recebeu educação e respondeu-me.

Sentei-me ao lado de meu pai colocando café em uma xicara para mim. Café é uma delicia, de fato.

O silêncio estava preso na cozinha, e isso era estranho em relação aos dias em que passei na escola. Sorri lembrando-me de como eu me irritava quando Deidara acabava com meu silêncio, e agora ironicamente estava sentindo falta desses momentos.

– Do que está rindo? – otou-san perguntou com sua expressão de sempre.

– Nada... – respondi em esconder mais um sorriso que saiu quase que despercebido.

– Está pensando em alguém? – ouvi minha mãe dizer e uma risada fina vir em seguida. Revirei os olhos.

– Não estou pensando em namoradas, okaa-san. – respondi dando um gole no café. Minha mãe sempre diz para eu arrumar uma namorada e me divertir mais, estranhamente é apenas para mim que ela diz, para Gaara ela nem toca no assunto.

– Que pena, já está na hora de você desencalhar. – e riu novamente voltando sua atenção para a louça.

Rolei os olhos outra vez.

Peguei um pão e comecei a saboreá-lo, era engraçado passar esses momentos com minha família. Era até mesmo nostálgico.

–Já vou indo. – meu pai se levantou e foi até minha mãe. Infelizmente, ele deve trabalhar nos finais de semana, raramente aos domingos ele fica em casa. Despediu-se de minha mãe foi até a porta, saindo da cozinha.

Ser amado pelo pai, não conheço isso.

– Okaa-san, irei à casa do Lee hoje. – Gaara disse também se levantando. – Chego antes de ele voltar. – e deu um beijo na bochecha da morena, sem olhar para mim saiu da cozinha.

Tal pai, tal filho.

– Querido, vou sair hoje, preciso que fique em casa. – pediu secando as mãos com um pano de prato.

Parece até aqueles filmes onde um sai da mesa e os outros saem também...

– Mas eu ia sair hoje também...

– Saia amanhã! – sugeriu com um sorriso nos lábios. Bufei terminando de comer, me levantei e lavei meus pratos sujos. – Eu volto cedo, ok? – deu um beijo na minha bochecha e saiu logo após.

Suspirei. Sozinho em casa... Ficaria aliviado se não tivesse planos.

Acho que não irei poder ver Konan tão cedo.

Subi para o meu quarto e me joguei na cama desarrumada. Já que eu estava sendo obrigado a ficar em casa, iria estudar.

Ou simplesmente ler um livro qualquer.

E foi o que fiz, peguei um romance que estava lendo a um bom tempo e continue de onde parei. A história não era tão boa, mas fazia o tempo passar.

Quando eu leio, me perco no tempo, assim como agora. Quando comecei a ler ainda nem havia dado meio dia, e agora já são 15h da tarde. Levantei-me colocando o livro na cama e sai do quarto, ouvindo a campainha tocar.

Devia ser alguma amiga de minha mãe atrás dela. Na verdade, preferia que fosse.

– Oi Danna.

Posso morrer?

– O que faz aqui? – perguntei para aquele loiro a minha frente, que segurava uma mochila nos braços e tinha um sorriso tímido nos lábios.

– Vim passar um tempo com você, hn. – me emburrou um pouco e entrou na minha casa sem permissão. Folgado!

– Como sabe onde eu moro? – o segui até a sala, que ele olhava atentamente.

– Tenho minhas fontes. – riu. Revirei os olhos pensando o que eu fiz para Kami-sama de ruim.

Não estava a fim de encontrar Deidara hoje.

– Onde estão seus pais? – perguntou colocando a mochila no sofá.

– Saíram. – cruzei os braços. – Agora me diga, sinceramente, o porquê está aqui!

Ele me encarou como se estivesse pensando se poderia dizer a verdade ou não. Arquei uma sobrancelha esperando pela resposta.

– A família Uchiha vai jantar na minha casa hoje... Não quero ficar lá, hn. – se sentou no sofá e eu suspirei. – Vai me expulsar?

– Não. – me sentei ao seu lado. – Apenas acho que você devia encarar suas responsabilidades! – comentei e ele riu.

– Sua casa é legal Danna. – comentou sorrindo. – É do tamanho do meu quarto...

Idiota!

– Cala a boca Deidara. – resmunguei me levantando e ele riu. – Já almoçou? – perguntei e ele respondeu com um aceno negativo com a cabeça. – Venha aqui.

Fui até a cozinha sendo seguido por ele.

Ainda não acredito que esse loiro doido está na minha casa. E que história é essa “tenho minhas fontes”? Tudo bem, hoje é sábado e não quero ficar pensando nisso! Hunf.

Mexi na geladeira soltando um murmuro irritado ao ver que não havia nada pronto. Deidara vem acabar com minha paz e ainda por cima vou ter que cozinha para ele, eu não mereço isso.

Peguei algumas coisas para o almoço e algumas panelas.

– Você vai cozinhar Sasori no Danna? – pelo tom de voz, acho que ele está sorrindo.

– Sim. – respondi colocando água em uma das panelas. – E se você reclamar juro que deixo você passar fome!

– Claro que não, vou adorar comer sua comida, hn. – comentou se levantando e se aproximando de onde eu estava. Senti suas mãos rodearem minha cintura e parei de fazer o que estava fazendo, franzi o cenho. Ele se afastou do “abraço” e ficou do meu lado.

– Deidara o que... – parei de falar quando me virei e percebi a proximidade de nossos rostos. Ele estava corado e senti minhas bochechas queimarem. – Seu idiota! – reclamei o afastando e dando alguns passos para trás. – O que pensa que está fazendo?

– E-eu... A-apenas... – e parou de tentar se explicar.

Ficamos em silêncio e podia sentir meu coração bater forte em uma velocidade estranha. Ainda sentia minhas bochechas quentes e para piorar ele me encarava de forma inocente.

– Por que não espera na sala? – sugeri e ele assentiu sem protestos.

Por Kami, o que houve aqui?

[...]

Já havíamos terminado de almoçar e eu estava lavando a louça, o loiro me ajudava secando os pratos e os deixando na mesa já que ele não sabia onde guardar. Depois daquele momento antes do almoço, nós ficamos em silêncio por um bom tempo.

Claro que este foi quebrado por Deidara, que não parava de falar até agora.

Por incrível que pareça, eu estava me divertindo com sua companhia, enquanto ele falava, eu apenas ria.

Estava tudo tão descontraído que nem percebi quando minha mãe chegou, apenas me dei conta quando o loiro parou de falar e me chamou, fazendo-me olhá-lo e perceber a silhueta feminina na portada cozinha.

Minha mãe estava com uma expressão surpresa, e não sabia para quem olhava.

Talvez pelo fato de eu estar sorrindo. Ou por ter uma pessoa que não fosse Konan comigo em casa.

– Okaa-san. – chamei sua atenção, fazendo-a me olhar com um sorriso nos lábios. – Esse é o Deidara.

– Yamanaka Deidara, hn. – o loiro se apresentou com um sorriso gentil.

– É um prazer.

– Oe Danna, sua mãe tem cabelos castanhos, por que você é ruivo? – o loiro perguntou quando eu já havia terminado de lavar o último prato.

– Meu pai é ruivo. – dei de ombros.

– Mas o certo não seria você nascer de cabelo castanho? – ele fez uma careta pensativa e me assustei com sua questão. Ele estava certo, nunca havia parado para pensar nisso.

– Caham. – minha mãe chamou nossa atenção. – Querido, não quero atrapalhá-lo, mas... Preciso de um favor. – ela disse sem esconder o sorriso.

Okaa-san sempre querendo que eu faça favores...

[...]

Quando saímos de casa ainda estava à tarde, e agora estava quase anoitecendo. Minha mãe pediu para que eu fosse ao mercado, comprar algumas frutas e verduras; no caminho Deidara ficava parando para brincar com cachorros de rua, olhar as pequenas lojas que havia nos quarteirões e etc.

Depois que saímos do mercado, o loiro pediu para passarmos em uma praça, não achei má ideia então aceitei. Porém, quando me dei conta à noite já estava caindo.

À tarde que passei com Deidara fora tão divertida e sossegada que não percebi o tempo passar.

– Aquele sorvete estava ótimo, hn. – ele comentou quando estávamos perto das escadas que davam para a rua de minha casa.

– Você devia comer menos, viu o tamanho da casquinha que pediu? – perguntei o olhando rir. – E também não devia mexer com cachorros de rua, não sabe quais doenças eles têm...

– Sasori no Danna, você devia ser menos duro e se divertir mais, hn. – o loiro comentava enquanto subia as escadas junto comigo. Ele balançava as sacolas no ar, sem nenhum medo de que as coisas dentro dela caíssem.

– E você devia ser mais reservado. – comentei entrando em seu jogo. Ele olhou para mim com um sorriso divertido nos lábios rosados e continuou o caminho para minha casa.

Provavelmente minha mãe devia estar preocupada, eu devia voltar para casa o mais rápido possível.

Era óbvio que eu iria levar um sermão por demorar tanto tempo para fazer algumas compras, mas mesmo não admitindo em voz alta, eu me muito diverti hoje com a companhia do loiro, apesar de ele me irritar constantemente, foi relaxante.

– Deidara?! – ouvimos uma voz soar, o que fez o loiro parar de andar e encarar a figura morena e alta em nossa frente. – Quanto tempo, hein... – franzi o cenho quando Deidara largou as sacolas no chão e saiu correndo para o lado oposto de onde o moreno estava.

O que deu nele?

– Ahn, isso não foi legal. – o moreno choramingou caminhando até a mim. – Quem é você? – sua voz se alterou e ele pareceu irritado.

– Eu quem devia perguntar! – respondi com o mesmo tom calmo e indiferente de sempre; nós nos encaramos por algum tempo, e seu olhar penetrante me lembrava de alguém.

– Sou Obito, Uchiha Obito. – estendeu a mão para cumprimentar. Uchiha? O que ele seria de Itachi? Acho que ai está à resposta, seu olhar lembrava-me o de Itachi...

– Akasuna no Sasori. – apertei sua mão um pouco receoso, mas o fiz. Ele sorriu de uma forma estranha pegando a sacola que o loiro havia deixado cair e entregou a mim.

– Desculpe por isso. – comentou claramente falando sobre o incidente de minutos atrás. Balancei a cabeça como se não me importasse com o que houve, ele sorriu novamente virando-se de costas. – Quando ver o Dei novamente, diga que precisamos conversar. – e com isso saiu subindo as escadas do quarteirão.

O que houve aqui? Porque Deidara saiu daquela forma, e porque esse tal Obito parece tão normal com isso? Quem é esse cara e o que ele estava fazendo aqui?

Suspirei virando-me com as sacolas extras e fui para a rua, a procura daquele loiro doido. Aquela parte da rua estava menos iluminada e menos movimentada, o que me levava a querer dar meia volta e ir embora. Porém, uma força maior pareceu me obrigar a continuar, como se eu estivesse realmente preocupado com Deidara. Aliás, eu estou preocupado com ele?

Avistei uma cabeleira loira sentada ao lado de uma árvore, na praça onde passamos à tarde. Estava abraçado aos joelhos com o rosto enterrado nos braços, me aproximei deixando as sacolas ao seu lado e me abaixando em frente a ele.

– Deidara?! – o chamei, fazendo com que ele levantasse a cabeça e revelasse seus olhos cheios de lágrimas.

– D-Danna... – choramingou fungando, percebi que ele queria me abraçar, porém não teve coragem. Esfregou os olhos com uma das mãos e eu sorri de lado... Parecia uma criança.

Suspirei e sentei-me ao seu lado. Ficamos em silêncio, um silêncio estranho e novo; era novidade para eu ficar nesse silêncio com ele, nossa convivência é sempre animada e barulhenta, – por culpa dele, claro –. Olhei para sua expressão triste e angustiada e franzi o cenho.

Tinha tantas perguntas, como sempre. Eu nunca o vi chorando desta forma, e isso me deixou frustrado; queria poder o confortar, mas não sabia como.

Aliás, como eu iria fazer isso? Nem mesmo sabia o porquê dele ter feito aquilo.

– Porque saiu correndo? – senti-me obrigado a questioná-lo. Ele pareceu um pouco tenso, mas continuei o encarando esperando uma resposta. Na verdade, eu precisava de uma resposta. – Quem é aquele cara e porque ele–

– Isso não lhe interessa! – o loiro virou seu rosto para mim e disse tais palavras que me calaram. – Não se intrometa! – sua voz saiu dura e fria, como nunca vi antes. Seu semblante estava escuro e ele parecia irritado.

Nós nos encaramos novamente, em silêncio.

Isso me surpreendeu como nunca, seu tom de voz, sua expressão facial, as palavras que ele usou... Não parecia o Deidara de sempre, me chamando de Danna e saltitando ao meu redor alegremente tentando animar o meu dia; ele parecia tão... Eu.

Minha expressão de choque foi se desfazendo e voltando a indiferente de habitual, me levantei do local, pegando as sacolas e o fitando uma última vez.

– Tudo bem. – disse por fim, saindo da praça. Ele não me chamou de volta como faria normalmente, o que me levou a ficar angustiado.

O que deu nele? Porque toda aquela irritação tão de repente? Estava tudo tão normal há alguns minutos atrás, mas a aparição desse Obito arruinou tudo.

Pois bem, depois dessa situação, coloquei meus pensamentos à tona e percebi que, apesar do tempo que estou ao lado do loiro, sendo sua companhia, eu não o conheço tão bem a ponto de dizer que sou seu amigo.

Sempre imaginei que amizade era base de confiança, não que eu tenha toda no loiro, mas me tratar de tal forma foi à gota d’água. Sentia-me deslocado ao lado dele e de Itachi, me sentia um intrometido em relação a tudo o que ele fazia. Sentia-me outra pessoa.

Onde estava o Sasori que apenas pensava em estudar? Que não queria se aproximar de nenhum riquinho daquele colégio idiota?

Acho que já está na hora dele voltar.

Notas finais
Sinto que esse capítulo ficou um pouco corrido e chato demais, porém, bem, fazer o que? uashausahs Antes que as leitoras/os furiosas/os pulem em cima de mim, digo apenas que o próximo capítulo sera narrado novamente em 3° pessoa. :3 Ok, apenas isso. Até o próximo ^-^